deitado no leito do rio que corria
guardava bem dentro de mim
o barulho bom das águas em cascata
ao meu lado
um lençol de natureza
misturava pedras
com erva
com arbustos
com perfumes da terra
deixei-me estar
parecia que as águas em cascata
vertiam dentro de mim
fios de água reluzentes raiando em sol de prata
senti-me oco
como se apenas tivesse
uma casca moldando o corpo
abandonei-me completamente
ao silêncio de sons pequenos e campestres
que pura e cristalina era a água que corria
que prazer total sentia
imaginando uma lavagem visceral
todo o meu ser sacudia
a pouco e pouco
o cansaço urbano
a coisa má que nos tira o sono
e o resto
cem anos que eu viva
nunca esquecerei o rio da minha terra
e o bem que faz
quando gostamos dele
e temos dentro de nós
espaço mental para estarmos só ao pé dele
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