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terça-feira, abril 04, 2017

Advogadas X Advogados

Nosso comentário:

Há quem esteja convencido de que o facto de os noticiários nos brindarem sobretudo com notícias sensacionalistas, mormente deprimentes, não é por acaso.
Dentro desse sensacionalismo, uma quota parte bem importante de tempo é atribuída a cenas de violência.
Já não faltava a violência dos atentados, dos bombardeamentos aqui e ali com matança farta, outras violências que nem especifico, agora até o futebol nos é apresentado como um cenário de chutos, pontapés, caneladas, joelhadas...eu sei lá.
Triste mesmo!
Em boa verdade se diga que estes cenários apocalípticos divulgados à saciedade pelos média acabam por justificar a multiplicação da violência que se vê por aí.
Os filmes em geral dão uma ajudinha, tiros e ação guerreira não faltam, de modo que também me começo a convencer que todo este cenário negativo, deprimente, violento, repetitivamente dantesco, não acontecerá por acaso.

PS. Para amenizar o meu desabafo, partilho uma anedota bem curtida que me foi enviada via e-mail.


Advogadas X Advogados

Quando Eduardo, um belo e promissor jovem advogado, descobriu que herdaria uma fortuna quando seu pai morresse devido a uma doença terminal, decidiu que era um bom momento para encontrar uma mulher que fosse a sua companheira para a vida fácil que se avizinhava.

Assim, numa determinada noite, ele foi até ao bar da Ordem dos Advogados, onde conheceu uma advogada, a mais bonita que já tinha visto em toda a sua vida. Sua extraordinária beleza, o porte elegante, o corpo curvilíneo, a inteligência, a maneira de falar... deixaram-no sem respiração.

- Eu posso parecer um advogado comum - disse-lhe, enquanto iniciava o diálogo para a conquista da musa - mas, dentro de dois ou três meses, o meu pai vai morrer e eu herdarei 20 milhões de euros.

Impressionada, a bela advogada foi para casa com ele naquela noite.

Três dias depois tornou-se sua madrasta…

quarta-feira, novembro 18, 2015

Guerra, Paz, Palavras...


Hoje queria escrever mas não consigo escrever nada de jeito. 
Como o mundo está, da maneira que chega em catadupa informação aberrante de todos os quadrantes, parece impossível não conseguir dizer nada. Não escrever nada de jeito. Nada que seja pelo menos uma revisão da matéria sobre a situação deste mundo actual. 
Mas na verdade, cruza-se na minha mente o politicamente correcto de se dizer, com o politicamente incorrecto de se dizer. Essa dualidade anula-me a vontade.
Parece de quando em vez surgirem algumas ideias claras, um despertar para algo claro, transparente, minimamente racional, capaz de formar uma mensagem digna desse nome, que nem mereça da minha parte qualquer reparo ou contestação. 
Mas logo se esvai uma tal clareza, uma tal racionalidade, esfumada na bruma da enxurrada da informação e contra-informação.
Somos assediados permanentemente com duas coisas: a realidade ela mesma, por um lado, a realidade escrita na nossa mente (herdada, fabricada, armazenada, encrostada) por outro.
E perante os desafios diários, permanentes, difíceis, contraditórios, em que ficamos?
É o que aquele diz que é correcto? é o que eu penso que é correcto? ou nada é correcto, tudo vale o que vale, nada mais, tudo não passará de um conjunto de conceitos a que damos nomes de conveniência para efeitos de arrumação mental?
Porque, seja aqui ou em outra parte da geografia, lá estão as pessoas, a vida, os usos e costumes, a imitação, os julgamentos, as escolhas, a paz, a guerra, o inevitável confronto, a miséria, a fartura, a organização, o deserto, o oásis, palavras e mais palavras, conceitos e mais conceitos, chavões e mais chavões.
Nomes, conceitos, saber, que se encaixam nos egos do mundo de acordo com as coordenadas dos sítios e dos tempos em que esses egos habitam.
Será tudo apenas para se atribuir um sentido à existência, nada mais? 
Porém são essas palavras, esses conceitos, esses usos e costumes, essa imitação, esses chavões, essa miséria, essa fartura, esse deserto, esse oásis, que acentuam as diferenças que mal entendidas, mal aproveitadas, dividem a vida, separam as gentes. 
Em vez de gerarem riqueza, diversidade, pluralidade, pelo contrário geram ódio, medo, vaidade, frustração, racismo, animosidade.
As palavras deveriam existir apenas para serem palavras, para que a humanidade se entendesse, para que fosse capaz de criar, de progredir, nada mais que isso.
Mas não.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira





sábado, novembro 14, 2015

A rapariga era francesa ele tunisino


Nosso comentário:


Face aos acontecimentos da última noite em Paris, tenho que revelar uma memória que me apetece recordar. Não nos pormenores, seria maçudo fazê-lo, mas apenas uma nota apropriada e actual.
Apropriada porque tem exactamente que ver com um Tunisino (jovem da Tunísia) que estudava e residia na capital francesa.
Mas já lá vamos.
Eu e um amigo acabáramos esse ano (1966) mais coisa menos coisa, de entrar na Universidade, muito jovens ainda portanto. Eu na Universidade Técnica de Lisboa, ele na Universidade de Coimbra. Em gozo de férias grandes na cidade da Beira Alta que nos viu nascer, Pinhel, resolvemos ir até Paris.
Era Agosto.
Carregados com duas mochilas emprestadas, entre algumas lamúrias de nossas mães, lá partimos levando uns magros trocos de sobrevivência que nossos pais assentiram em dar-nos .
Na altura, há que dizê-lo, fazer isto era muito à frente. Os jovens europeus, raparigas mesmo, já andavam nestas andanças de "auto-stop" havia um tempo. Em Portugal davam-se apenas os primeiros passos. 
Salazarismo, ditadura, país fechado, pobreza, dificuldades imensas até para arranjar passaporte de turista, logo era compreensível esse atraso civilizacional de algumas décadas em relação aos demais.
Bom, mas não é minha intenção nesta memória, nem divagar, nem pormenorizar, nem maçar os leitores com pessoalismos da viagem.
Deixo desta feita à imaginação de cada um as peripécias intensas e inesquecíveis que ficam de uma viagem como essa numa idade dessas
Hoje, apenas quero, após os acontecimentos dantescos de Paris na noite passada , recordar sinteticamente o seguinte:
-Bayonne é uma cidade do sul de França. 
Ela fora, durante a viagem rumo a Paris, um dos sítios onde uma das "boleias" que nos foram dando simpáticos automobilistas nos pousou.
Um grupo de jovens que ali acampava por perto e quando a noite já caía, cumprimentou-nos e sugeriu que poderíamos passar a noite no acampamento deles. Acrescentaram que tinham uma ou outra tenda livre, não era longe e que não nos preocupássemos com nada.
Estávamos cansados, a barba já crescia, Precisávamos de pousar um pouco.
Intuitivamente aceitámos a oferta. 
Fomos muito bem recebidos e melhor tratados. De tal maneira que fizémos amigos. 
Na manhã seguinte vieram trazer-nos de carro ao cruzamento mais indicado de Bayonne para fazermos "auto-stop" e rumarmos a Paris.
Regressaram ao acampamento, num adeus bem cordial, nós ficámos plantados com nossas mochilas à beira da estrada. 
Ora bem, foi nesse cruzamento de Bayonne que travámos conhecimento com um parzinho (um rapaz e uma rapariga) que rumava também a Paris.
Conversámos bastante enquanto pedíamos boleia a carros e camionetas que passavam, Eles estavam primeiro, logo partiram primeiro. Levou-os um camionista de longo curso. 
Durante a conversa, e antes de nos separarmos, tinham tido a amabilidade de nos oferecer alojamento no apartamento em que moravam nos arredores de Paris.
"Quando chegarem lá (a Paris claro) disse-nos o rapaz, telefonem, não deixem de aparecer". Deixaram telefone e morada.
Realmente aparecemos quando aportamos a Paris. 
No seu minúsculo espaço/apartamento, pernoitámos na melhor harmonia e respeito mais de 15 noites que passámos na Cidade Luz.
Ela, a rapariga, era francesa, ele tunisino. Um par encantador aos olhos deste beirão que andava de olhos arregalados a descobrir a encantadora e sonhada Paris.
Pensei muito neles a noite passada, ao ver as imagens que passavam ao pormenor na televisão diante destes meus olhos de 2015.
Veio-me o cheiro desse tempo, toda a esperança e futuro que a juventude implicitamente contém, veio-me o cheiro a morte emanada do televisor deste tempo, Novembro/2015. 
Tanta gente para quem a vida findava ali sem dignidade, sem sentido, sem qualquer merecimento.
Fiquei triste, muito triste.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira




Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...