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quarta-feira, julho 22, 2015

Alívio da dívida, nem pensar, dizem os pobres!


Nosso comentário:

Não é preciso estar muito atento aos desenvolvimentos europeus para perceber que Jean-Claude Juncker dá muitos beijos.
É facto assente que aparece um qualquer líder europeu a jeito e zás, espeta-lhe um beijo.
Nada tenho contra beijos, antes pelo contrário, tenho só é que perceber o porquê de, numa instituição tão seráfica e conservadora como é a Comissão Europeia, apareçer um homem tão aparentemente terno e afectivo.
Faz-me pasmar o facto, pelo que tenho que investigar, depois abordarei o assunto com mais conhecimento de causa e propriedade.
Por agora registo apenas o beijoqueiro que é Claude Juncker, destacando entre os beijos que vão sendo públicos, o beijo visto e revisto repetidamente espetado na face do mediático primeiro ministro grego Alexis Tsipras.
Dito isto à laia de intróito, é minha ideia hoje divulgar uma notícia largamente difundida e que tem exactamente que ver com o beijoqueiro da Comissão Europeia e o alvo de um grande beijo seu, Alexis Tsipras. 
É que o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker revelou, em entrevista ao diário belga Le Soir, que Portugal se opôs a que um alívio da dívida grega fosse discutido antes das eleições legislativas, designadamente em Outubro próximo. 
Bom, não só Portugal como também a Irlanda e a Espanha se teriam igualmente oposto a uma tal iniciativa antes das eleições a haver naqueles países.
Ora bem, sem me querer estar a alongar em considerações maçudas sobre o assunto, percebemos todos o porquê destas "negas" dos países referenciados. 
Mais uma vez os interesses conservadores dos governos de cada um daqueles três países, a imporem as regras. Querem evitar a todo o custo que a Grécia possa influenciar os seus eleitores, portugueses, espanhóis e irlandeses, negativamente do seus pontos de vista.
Claro que um bom acordo de Tsipras e da Grécia a nível das teses que defendem junto de Bruxelas, será sempre uma "derrota" para as teses da linha masoquista da austeridade.
Mais uma vez fica a nu uma Europa interesseira, desunida, desligada, com objectivos bem desenhados que teimam em fomentar um perigoso "caminho único", de êxito comprovadamente duvidoso.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira

domingo, julho 05, 2015

Vitória da Democracia em fundo de "sedativo enervante"


Nosso comentário:

Dia 5 de Julho, Domingo, dia de referendo na Grécia. 
Creio que por toda a Europa, também um pouco por todo o mundo, se aguardava com muita expectativa o resultado deste referendo ao povo grego.
Ouvindo ou lendo os comentadores mais insignes, alguns especialistas mesmo, fica-se com a ideia baralhada. Ou seja, parece que pouca gente sabe ao certo o que se está a passar na União Europeia, muito menos o que se irá passar num futuro próximo e menos próximo.
Confusão generalizada.
Por isso o meu conselho aos leitores, por experiência própria, é o de que estejam atentos, mas não se cansarem demasiado com os programas das televisões, na sua grande maioria tendenciosos. 
Dizem todos as mesmas coisas: um opina assim, o outro assado, um diz uma coisa, o outro contradiz, um comenta alhos com sarcasmo, o outro ri-se respondendo com bugalhos, o que acaba por funcionar como um "sedativo enervante". 
Digo "sedativo enervante" porque nem dão sono ao telespectador, nem o esclarecem convenientemente.
Mas adiante. 
A situação na Zona Euro é complexa, disso não resta a menor dúvida e, claro está, a partir de hoje fica um tanto mais complexa. 
Porque me parece a mim que chegou o tempo de atar ou desatar no tratamento da ferida que a Grécia pôs a nu na Zona Euro, e agora ampliou com o resultado do referendo.
Perante cinco anos de austeridade com programas da Troika que não resultaram, a humilhação, o empobrecimento, um tratamento de chacota por parte dos "parceiros de União", o Povo Grego mostrou hoje ao mundo que coragem não lhe falta.
Resistiram à chantagem, às pressões, às sondagens rotundamente erradas (!!!???) sobre o referendo, que apontavam um "empate técnico" e acabou numa relação abismal de 60%-40%.
Responderam à chamada e, entre dúvidas e medos, ousaram votar em liberdade.
Pela minha parte, não estou contente nem triste em relação ao referendo grego. Porque, eu não sei, tal como ninguém sabe se, perante a intransigência já mostrada pelas partes intervenientes neste processo "credores e Grécia", se chegará a um acordo que resolva a contento a questão.
Saliento por isso apenas uma coisa: 
Que hoje o Povo Grego, liderado por gente fora do arco da governação,  como se diz em Portugal,  goste-se ou não dos ditos líderes, soube mostrar à Europa e ao mundo o verdadeiro valor da DEMOCRACIA e relembrar o porquê de, desde a Antiguidade, esta lhe ser tão cara.
Oxalá a Europa, depois de hoje, saiba e consiga fazer uma profunda reflexão. Que saiba mudar de rumo e de estilo. É urgente.

Desejo uma óptima semana a todos,

António Esperança Pereira



Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...