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quinta-feira, dezembro 13, 2012

Europa da Caridade, peditórios e sopa dos pobres


Nosso comentário:


Encontrei no site "Esquerda.net" uma notícia que divulgo.
Divulgo-a para que não haja confusões sobre como está o desnivelamento dos países europeus. Parece-me uma notícia útil, não só para a cultura geral dos europeus, mas também para se meditar no presente e no futuro da Europa.
No presente e no futuro de Portugal.
Repare-se na posição de Portugal e da Grécia, curiosamente lado a lado em pouco se diferenciando da maioria dos países ex-comunistas da então chamada cortina de ferro.
Os tais países que orbitavam "tristemente" como se dizia no Ocidente, na zona política de influência da poderosa União Soviética.
Pelos vistos, comparando os dados mais elementares, de pouco parece ter servido ao nosso país repudiar um regime comunista e ter optado por aderir a ondas mais capitalistas e de economias liberais.
Esta uma verdade que dói a muitos de nós, mas trata-se de uma constatação à vista desarmada.
Temos legiões de pobres, agora mais que nunca desde o 25 de Abril de 1974, legiões de emigrantes, legiões de desempregados.
Tal como esses países ex-comunistas de que falei.
Poderia falar-se nos valores inquestionáveis trazidos pela liberdade e democracia, claro que sim, mas no caso português o autoritarismo salazarista e fascista ombreou bem com as vicissitudes por que passaram os comunistas no seu pior.
Opções tomadas, na altura bem, hoje aí temos um Portugal europeu a pertencer a uma Europa egoísta, um clube de ricos, que não acompanha...
Uma Europa que teima em meter no seu seio um tanto à molhada e sem um projeto credível e sólido, países soltos, pequenos, com problemas de afirmação de sobra, que não irão também acompanhar o "CLUBE DOS RICOS".
É caso para dizer, pelo que se vê agora, que Portugal viveu uma quimera de uma Europa solidária, onde eventualmente poderia ter um lugar digno...
Apenas volvidas umas poucas dezenas de anos, o nosso país vê os outros parceiros do euro afastarem-se de si nos índices de desenvolvimento, numa Europa que se está a tornar tudo menos solidária.
Uma Europa castradora que nos cai em cima ao lado dos credores, cuidando de nós como se de crianças e imberbes se tratasse.
Julgando e cobrando, com juros e com ameaças.
Digo isto com enorme pena. Vivi o projeto europeu com muita esperança e alegria.
Infantilmente corri à fronteira espanhola quando as fronteiras foram abolidas.
Achei o máximo passar ali sem passaporte, sem qualquer polícia ou carabineiro a me mandar parar, como era costume. Como se de um mesmo território se tratasse.
Uma Europa sem fronteiras!!!
Esperança e alegria que então senti e que sinto desmoronar-se com as políticas atualmente seguidas.
Pobres e maltrapilhas outra vez, do sul e de leste, mão de obra barata, em busca afinal da sopa dos pobres.
Um autêntico Banco Alimentar ao jeito da sr.ª Isabel Jonet, da sr.ª Merkel, do sr. Passos Coelho, esta Europa atual.
Uma Europa que cada vez mais se poderá apelidar de "Europa da Caridade".
E assim, porque ainda vai sendo servida a sopa dos pobres, apesar das ameaças, umas mais veladas, outras mais descaradas, de mesmo a dita sopa se acabar se não nos portarmos bem.
 
 
 
PS. Aí fica a notícia prometida para os fins convenientes...



Fiquem bem, António Esperança Pereira
 
 
http://lusito.bubok.pt/



Portugal é o terceiro país mais pobre da Zona Euro

Em 2011, Portugal registou o terceiro Produto Interno Bruto (PIB) expresso em paridade do poder de compra mais reduzido entre os 17 países da Zona Euro. No âmbito da União Europeia (UE) a 27, em Portugal os cidadãos ganhavam menos 22,6% do que nos restantes países da UE.
Foto de Paulete Matos.
       
"Em 2011 o Produto Interno Bruto per capita em Portugal, expresso em Paridades de Poder de Compra (PPC), situou-se em 77,4% da média da União Europeia, o que representa uma redução em 2,9 pontos percentuais deste indicador face ao ano anterior”, avança o Destaque publicado pelo INE.
Esta é a maior queda desde, pelo menos, 1996, e representa a percentagem mais baixa registada nesse período, igualando apenas o observado em 2004.
Portugal encontra-se em nono lugar no ranking dos países mais pobres da Europa, sendo apenas superado pela Eslováquia, Estónia, Lituânia, Hungria, Polónia, Letónia, Roménia e Bulgária.
 
Já no que respeita à Zona Euro, Portugal é o terceiro país mais pobre. Estónia e Eslováquia ocupam o primeiro e segundo lugar, respetivamente.
Luxemburgo apresenta o maior nível de riqueza por habitante, equivalente a 271% da média da UE, seguindo-se a Holanda (131%).
No que concerne à Despesa de Consumo Individual (DCI) per capita, que “constitui uma medida dos bens e serviços consumidos pelas famílias independentemente da sua aquisição ser ou não efetuada por elas”, medido em Paridades de Poder de Compra, Portugal registou, em 2011, um valor equivalente a 81% da média europeia, menos três pontos que os 84% de 2010.
O Luxemburgo tem o maior índice de DCI, equivalente a 140% da média. A Alemanha surge com 120%, Itália com 101% e Espanha com 94%.

sexta-feira, novembro 09, 2012

A caridadezinha da Sr.ª Jonet e a visita de Merkel


Nosso comentário:


Em Portugal vivem-se dias complicados.
Está difícil, confusa, nebulosa a realidade de hoje, está ainda mais confusa, nebulosa, a realidade por vir, ou seja o futuro.
Todas as projeções, em vésperas da visita da líder mais badalada desta Europa em desacerto, apontam para dias piores, nada de melhorias ou perspetivas de melhorias a curto prazo.
A própria sr.ª Merkel avisou já que nos preparemos, os países em maiores dificuldades claro, para um longo período de austeridade, de perda de direitos adquiridos, de perda de esperança.
Que digamos adeus ao Estado Social, que é muito dispendioso para quem é "pobre".
Uma perda de esperança que implica a venda do melhor do nosso património.
As melhores empresas, o melhor que o nosso país tem.
Corta-se na Educação, as Universidades dizem que para o próximo ano poderão ter dificuldade em manter o seu regular funcionamento.
Corta-se nos cursos, fecham-se escolas, hospitais, eliminam-se autarquias, despedem-se portugueses todos os dias de tudo quanto é sítio.
Cada vez um número maior de crianças vão com fome para a escola, adiam-se consultas por falta de dinheiro, a pedinchice, a miséria espalham-se pelas ruas, pelos semáforos, pelos centros comerciais, as lojas fecham a um ritmo alucinante, as empresas idem aspas, os jovens emigram....
Uma economia quase estagnada, sem ritmos de compra, venda e troca mínimos, para que uma sociedade dita normal funcione.
Portugal em desalinho, quase no caos, seguindo o caminho de outros espoliados.
Para quê? Porquê?
Terá que ser assim, Portugal parceiro exemplar desde longa data desta União Europeia, a braços com uma situação de "ou pagas ou morres" por banda dos seus parceiros?
Não será chegado o momento de revermos melhor os nossos amigos e parceiros? uma nova definição de soluções para este país?
Porque meus caros amigos, se é dificuldades o que temos na União Europeia, há que avaliar melhor possíveis saídas da crise e propor alternativas a um POVO PORTUGUÊS neste momento sem chama, sem liderança, sem um rumo, sem esperança.
A sr.ª Merkel vem aí.
Para dizer o quer? que só meia dúzia é que têm direitos, o resto tem que ser pobre, mão de obra barata, sopa dos pobres, trabalho de sol a sol, para que a Alemanha e outros que tais aproveitem, podendo assim fazer face ao perigo amarelo, à concorrência dos chineses?
Pois se for isso que tenham a coragem de o dizer.
Se por outro lado, quiserem continuar a construção europeia, têm que mudar muito o discurso a as ações, porque a indignação, a revolta, cada vez mais se instalam nas mentes dos cidadãos europeus ludibriados, enganados, roubados.
 

PS. A sr.ª Merkel parece que permanecerá 5 horas em Portugal. Que sopa nos servirá ela em tão escasso tempo?
Abaixo na notícia do jornal PÚBLICO vejam a sopa que a sr.ª Isabel Jonet serve aos portugueses que têm o azar de ser/ficar pobres. Um assunto bem polémico no momento!!!


Fiquem bem, António Esperança Pereira
 
http://lusito.bubok.pt/

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Isabel Jonet acusada de usar a fome como arma política
Por José Augusto Moreira


Poderia ser apenas uma questão de canja ou caldo, mas as declarações da presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, desencadearam uma violenta onda de protestos, com insinuações de índole pessoal, acusações de activismo político e até um pedido de demissão.
A sopa em que mergulhou a polémica tem como principal ingrediente o facto de Jonet ter afirmado que “os portugueses vivem muito acima das possibilidades” e que, por isso, vão ter que “aprender a viver com menos”. “Vamos ter que empobrecer muito, vamos ter que viver mais pobres”, disse, em conclusão, a presidente do Banco Alimentar (BA), na quarta-feira em directo no programa Última Edição, na SIC Notícias, onde se debatiam as causas e consequências da actual situação de crise generalizada.

As reacções de indignação multiplicaram-se logo nas redes sociais e, numa carta aberta publicada nesta quinta-feira na Internet pelo Movimento Sem Emprego, Jonet é acusada de proferir “insultos”, “declarações aviltantes” e de “mascarar de caridade o saque que estão a fazer às nossas vidas”.

Redigido em tom agressivo e desafiador, o documento dirige-se à responsável pelo BA dizendo que “o tamanho dos seus disparates não abafa os murmúrios da pobreza e miséria”. Assumindo-se como a voz do “milhão e meio de desempregados”, diz ainda que “o tempo não é de substituir o ‘Estado Social’ pelo ‘Estado de Caridade’, mas de pelo menos ter tanto cuidado com os pobres como com aquilo que se diz”.

Contactada pelo PÚBLICO, Isabel Jonet disse não querer fazer qualquer comentário sobre a polémica suscitada pelas suas afirmações, deixando entender que a questão poderá ser devidamente enquadrada e esclarecida no âmbito duma próxima campanha para a recolha de alimentos.

Nesta quinta-feira foi também lançada na Internet uma petição para “a demissão imediata de Isabel Jonet do cargo da presidência do Banco Alimentar Contra a Fome”. O pedido é justificado por as suas declarações constituírem “uma enorme falta de respeito para com os cidadãos pobres deste país”, cuja situação de desespero “não se coaduma com as políticas de um Estado caritativo” que Jonet é acusada de defender.

Além das questões de substância, a carta aberta assume também um tom de violento ataque pessoal à presidente do BA. “Sabemos que olha para os pobres com desdenho, nojo, pena. Sabemos que na hora de fazer a contabilidade aquilo que a move é a sua canja, o seu ceviche, não o caldo dos outros”, diz o texto, sublinhando que “o mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do privilégio, da riqueza (...), dos esterótipos que ajudam a lavar o sangue que lhe escorre das unhas”.

A carta terá sido redigida pela historiadora Raquel Varela, autora do estudo “Quem Paga o Estado Social em Portugal”, que em declarações à TSF se mostrou “incrédula” e “indignada”, acusando mesmo a presidente do BA de “usar a fome como arma política e promover o retrocesso social”.

“É óbvio que o que está a fazer é actividade política”, afirmou. No seu entender, “a fome é um pesadelo que não pode ser usado” e o acesso a mantimentos de qualidade “não é distribuir pacotes de açúcar e arroz”. Até porque, frisou, “temos hoje um padrão histórico novo, com pobres gordos e ricos elegantes, justamente porque a fome não é só uma questão calórica”. Ou seja, a diferença entre a canja e o caldo.

Joaquim Augusto
                    
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Alguns comentários à notícia,
via facebook

Para bem do Banco Alimentar, demita-se


Dra Isabel Jonet: pelos milhares de voluntários do Banco Alimentar,pelos milhões se pessoas que ajudaram até hoje o banco Alimentar, pelas 10.000 crianças que o governo (o mesmo que gera condições para haver fome) afirma que passam fome, é claro que deve pedir desculpas a todo, assim com deve pedir a sua demissão da instituição.A sua presença no futuro, na chefia do banco Alimenta faz muito mal à credibilidade da instituição.O efeito das suas declarações são desastrosas para o Banco alimentar.Para bem do Banco Alimentar,demita-se.Seria uma atitude cristã e de bom senso da sua parte.

Carlos Alves
                    

Nunca me enganou


Existem por este país forma muitas(os) como ela. Por detrás de uma imagem de entrega e competência, está um "brincar à caridadezinha" que nos faz lembrar outros tempos. Nunca me enganou

José Carlos Vinagre


Tias da Direita; Tias da Opus Dei.


A crise desmascarou esta tia salazarenta. Dava sempre para o Banco Alimentar. Nunca mais dou. Para as tias, os pobrezinhos servem para elas se tornarem santas de pau carunchoso.

Dinis Evangelista
                    

Porque não se demite?


Se ministros podem mentir à vontade, e - por não terem vergonha - não se demitem, temos mais um caso de falta de vergonha, de alguém que está bem na vida, que não sabe o que é a pobreza, alguém que tem a função de gerir a pobreza dos outros, mas não a sofre na pele, enfim, só lhe resta "fabricar" pobres e gerir a pobreza. Dizer que os portugueses viveram acima das possibilidades é falta de conhecimento e falta de carácter desta pessoa.


Nelson Gomes
                    

Caridadezinha pt2

(...)Ela (Isabel Jonet) concentra o seu discurso em generalidades, acusa e é ofensiva para muita gente que trabalha, e muito, e que está farta que lhe venham dizer que são os grandes culpados das dívidas soberanas, défices orçamentais e o diabo a quatro. Dizer que não há miséria em Portugal, sendo Jonet a presidente de uma grande Instituição solidária, é muito grave, é negar a sua própria função. Se lhe juntarmos o paternalismo salazarento e a arrogância moral que exibiu temos um retrato fiel de uma figura abjecta e que merecia, embora isso seja um sonho de pobre também, ser erradicada do tecido social visível."

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...