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quarta-feira, agosto 02, 2017

Cinco reis de mel coado


Nosso comentário:

Quando o estimado leitor se sentir mal compensado pelo seu trabalho, pelo baixo valor que atribuem a um bem para si valioso, que quer vender, etc. já sabe:
Diga de si para si ou exploda para quem o quiser ouvir:
"Não me dão cinco reis de mel coado"
Ora bem, acredite que acontece com todos nós, embora em situações diversas.
Daí que a expressão da língua portuguesa hoje partilhada no blog, embora oriunda dos tempos da monarquia, ainda tem toda  atualidade.
Leia abaixo em meia dúzia de palavras a origem e significado da expressão em causa: "cinco reis de mel coado".

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


Cinco reis de mel coado

Em Portugal, no final da monarquia "cinco reis" era uma moeda com o valor aproximado de dez cêntimos do euro.
Por isso "cinco reis de mel coado" correspondia a uma pequena porção de mel.
Portanto a expressão significa:
Pequena quantia, bagatela...

domingo, junho 25, 2017

Com o rei na barriga


Nosso comentário:

Os tempos dos reis em Portugal começam a ficar bem distantes.
De qualquer maneira a história deixa marcas de todos os tempos e, seja qual for a época, o tempo histórico, as memórias, perduram sempre.
Desta feita, e dentro da rubrica "o saber não ocupa lugar", partilho com os leitores um textinho bem curto que me enviaram.
Trata-se de uma expressão comumente utilizada na língua portuguesa e cujo significado vem exatamente dos tempos da monarquia.
Dado que é domingo e amanhã tem início uma semana de trabalho, um textinho destes, simples e ingénuo, vem mesmo a calhar.
Ensina qualquer coisa de útil e não maça ninguém. Nem o conteúdo, nem o tempo curto que se despende a lê-lo.

Desejo a todos uma boa semana,

António Esperança Pereira



Com o Rei na barriga

A expressão vem do tempo da Monarquia em que as rainhas quando grávidas do soberano passavam a ser tratadas com deferência especial pois iriam aumentar a prole real, e por vezes dar herdeiros ao trono.
Atualmente esta expressão refere-se a uma pessoa que é muito convencida, vaidosa...

segunda-feira, maio 08, 2017

Quando as galinhas tiverem dentes

Foto retirada da Internet
Nota do autor do blog:


Do último boletim do OLP (Observatório da Língua Portuguesa) consta a explicação do significado de uma expressão comumente usada em português:
"Quando as galinhas tiverem dentes".
Li a explicação e achei que poderia ser interessante partilhá-la. 
E, como é em português que nos entendemos, nunca será demais aprendermos a conhecer as curvas e contracurvas da nossa bela língua.
Coisas simples, mas que, escritas por quem sabe, são sempre altamente enriquecedoras.
Fica a partilha.
Acreditem que vale muito a pena ler.

Fiquem bem

António Esperança Pereira



Na realidade, essa expressão não é muito difícil de compreender. A probabilidade de uma galinha vir a desenvolver uma dentadura é muito improvável se não mesmo impossível, e a expressão quer dizer precisamente isso.
Então, dizer quando as galinhas tiverem dentes é o mesmo que dizer nunca ou jamais.
É verdade. Usar esta expressão acrescenta humor à situação, pois imaginar uma galinha com dentes é bastante cómico. E dessa forma aligeiramos ou tornamos menos grave o que estamos a dizer. Eis alguns exemplos de uso:
— Sou fã de filmes de terror. Queres ir ao cinema ver um dos meus filmes de terror favoritos?
— Detesto filmes de terror, por isso só irei contigo ao cinema quando as galinhas tiverem dentes.
— Não sei porque jogas no euromilhões. Sabes que as probabilidades de ganhar são muito reduzidas.
— Não me importa. Mesmo que só ganhe quando as galinhas tiverem dentes, continuarei a jogar.
Existe mais alguma expressão com significado semelhante a esta?
Consigo pensar em pelo menos mais duas. Uma delas é sinónima de quando as galinhas tiverem dentes.
Que expressão é essa?
No dia de São Nunca. Não sei se sabes, mas em países católicos como a Espanha e Portugal quase todos os dias do calendário estão associados a um santo. Em Portugal, algumas cidades têm como padroeiro ou protetor um santo, e nessas cidades é feriado no dia do seu santo. Em Lisboa, é feriado no dia 13 de junho porque é dia de Santo António e no Porto, no dia 24 também de junho porque o santo padroeiro da cidade é o São João.
Então em que dia é dia do São Nunca?
Há pessoas que acham que o dia de São Nunca é o dia 30 de fevereiro porque esse dia não existe, mas isso não passa de uma brincadeira porque não existe nenhum santo chamado Nunca
Mas a expressão é no dia de São Nunca.
Sim. E há até quem reforce a ideia e a piada acrescentando à tarde.
No dia de São Nunca à tarde??????
Isso mesmo! Aqui estão dois exemplos para ilustrar como funciona esta expressão:
— Perguntei ao professor se existia a possibilidade de tirar 20 valores no exame, e sabes o que é que ele me respondeu?
Não faço a mínima… O que é que ele te disse?
— Que sim, mas provavelmente só no dia de São Nunca.
— Há mais de 15 anos que eles namoram. Achas que algum dia vão casar?
— Claro que sim! Eles até já marcaram o casamento para o dia de São Nunca à tarde!!!!
Lembrei-me agora da segunda expressão que os portugueses usam quando acham que uma coisa não vai acontecer nunca: podes esperar sentado.
Essa frase não é um provérbio ou ditado, mas antes um coloquialismo ou expressão usada exclusivamente em contextos ou registos de língua muito informais e orais. E é sobretudo usada entre pessoas jovens. Podemos apresentar os seguintes exemplos de uso:
— Gostava de comprar uma casa em Macau, mas os preços estão pela hora da morte. Achas que esta bolha imobiliária vai rebentar em breve?
Podes esperar sentado, pois o mais provável é rebentar no dia de São Nunca.
— Achas que algum dia vou encontrar o meu príncipe encantado?
— Acho que sim, mas espera sentada.

segunda-feira, abril 10, 2017

Comer com os olhos


Nota do autor do blog:

Agradeço a gentileza de quem me enviou as "Expressões populares" que se seguem, apontando a origem e significado das mesmas.
Esse alguém sabe que sou fã de tais expressões, utilizadas comumente na Língua Portuguesa.
Muitos de nós as usamos automaticamente sem termos a noção de como elas apareceram e foram introduzidas no dia a dia da nossa linguagem.
Daí eu achar muito interessante ir até à origem de alguns termos e expressões, para verificarmos na prática como uma língua viva, como é o Português, se vai enriquecendo e valorizando no tempo.
Qual rio, que engrossa o seu caudal, ao receber as águas dos inúmeros afluentes que nele desaguam pelo caminho.
Fiquem bem




António Esperança Pereira




"Comer com os olhos"

Na Roma antiga, nas cerimónias religiosas fúnebres, era oferecido um banquete aos deuses, em que ninguém tocava na comida...
Apenas olhavam "Comendo com os olhos"...

"De pequenino é que se torce o pepino"

Os agricultores que cultivam pepinos precisam de dar a melhor forma a estas plantas.
Retiram uns" olhinhos "para que os pepinos se desenvolvam. Se não for feita esta pequena poda, os pepinos não crescem da melhor maneira porque criam ramos e adquirem um gosto desagradável.
Assim como é preciso dar a melhor forma aos  pepinos, também é preciso moldar o carácter das crianças o mais cedo possível...

"Estar com a corda toda"

Antigamente os brinquedos que possuíam movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou elástico, que ao ser distendido, fazia  o brinquedo mexer...Esses mecanismos chamavam-se "corda"...
Quando se dava a corda toda num brinquedo ele movia-se mais depressa....Daí a origem da expressão" Estar com a corda toda"

sábado, dezembro 31, 2016

Ano Novo, expressões antigas!


Nosso comentário:

Aqui em Lisboa, à hora em que partilho as expressões bem interessantes da Língua Portuguesa que deixo abaixo, já passa da meia-noite.
Ora, se já passa da meia-noite, quer dizer que acabamos de deixar o dia 30 para entrarmos no último dia do mês de Dezembro, dia 31, que é, simultaneamente, o último dia do Ano de 2016.
Por isso mesmo aproveito para desejar a todos os leitores do blog, familiares e amigos, um excelente Ano Novo.
Agradeço de coração a preferência que me têm dado, emprestando com a sua presença a grande razão de ser do blog. 
E tantos são, espalhados pelos cantos do mundo...
Um obrigado a todos!

Desejo um Feliz Ano Novo,

António Esperança Pereira




Expressões curiosas usadas na Língua Portuguesa!


JURAR DE PÉS JUNTOS:
Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu. A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para nada dizer além da verdade. Até hoje, o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.
TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
Pode ir tirando o seu cavalinho da chuva porque não te vou deixar sair hoje! No século XIX, quando uma visita iria ser breve, deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e, se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, num lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.
DAR COM OS BURROS NA ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde os tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul ao Sudeste sobre burros e mulas. O facto era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso.
GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivo de joias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto, eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído ao mesmo, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" para designar algo muito bem guardado...
OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida para significar que está tudo bem, teve a sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma baixa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum (zero) morto), expressando a sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".
ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se  numa árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro das suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém soube se encontraram as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.
PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados a Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou-se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.
PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram  criadas apenas "para inglês ver". Daí surgiu o termo.
RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente a sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa."
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea num aldeão de nome Angel.  Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a ver ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse os  seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.
ANDAR À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, adulterou-se. Inicialmente dizia-se quem não tem cão caça como gato, ou seja, sozinho, esgueirando-se, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.
VAI TOMAR BANHO:
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freire analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contactos comerciais, o europeu contagiou-se de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e lavava-se da cabeça aos pés nos rios, além de usar folhas de árvore para limpar os bebés e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

domingo, julho 10, 2016

Dose para cavalo


Nosso comentário:

Joga-se amanhã na capital francesa, Paris, a final do Europeu de Futebol. Em presença estarão as duas seleções finalistas da competição:
Portugal e França.
Pelo historial de resultados havidos entre as duas nações nesta modalidade desportiva (futebol de 11) o fiel da balança pende praticamente só num sentido.
Em boa verdade se diga que se contam pelos dedos de uma das mãos os jogos que ganhámos e/ou empatámos com a França.
Já o contrário, para contar os desaires havidos com os gauleses, teríamos de usar os dedos das mãos e dos pés e não sei se chegariam...
Todavia os jogos de futebol têm-nos habituado a ser como que uma caixinha de surpresas, muito particularmente os jogos como este, de decisão obrigatória.
Daí que em minha opinião, nenhum dos contendores, dada a sua qualidade, pode "embandeirar em arco", nem "ser ave de mau agoiro" nem recear uma qualquer "dose para cavalo" quanto ao resultado.
Há equilíbrio de valores em confronto, pelo que serão os detalhes que farão pender o fiel da balança para um dos lados.
Junto abaixo, como curiosidade, o significado das três expressões populares da nossa querida língua portuguesa que citei e sublinhei atrás.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira





Significado: Manifestação efusiva de alegria.
Origem: Na Marinha, em dias de gala ou simplesmente festivos, os navios embandeiram em arco, isto é, içam pelas adriças ou cabos (vergueiros) de embandeiramento galhardetes, bandeiras e cometas quase até ao topo dos mastros, indo um dos seus extremos para a proa e outro para a popa. Assim são assinalados esses dias de regozijo ou se saúdam outros barcos que se manifestam da mesma forma.





Significado: Diz-se de pessoa portadora de más notícias ou que, com a sua presença, anuncia desgraças.
Origem: O conhecimento do futuro é uma das preocupações inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Para se saberem os bons ou maus auspícios (avis spicium) consultavam-se as aves. No tempo dos áugures romanos, a predição dos bons ou maus acontecimentos era feita através da leitura do seu voo, canto ou entranhas. Os pássaros que mais atentamente eram seguidos no seu voo, ouvidos nos seus cantos e aos quais se analisavam as vísceras eram a águia, o abutre, o milhafre, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conotação funesta com qualquer destas aves.




Significado: Quantidade excessiva; demasiado.
Origem: Dose para cavalo, dose para elefante ou dose para leão são algumas das variantes que circulam com o mesmo significado e atendem às preferências individuais dos falantes.
Supõe-se que o cavalo, por ser forte; o elefante, por ser grande, e o leão, por ser valente, necessitam de doses exageradas de remédio para que este possa produzir o efeito desejado.
Com a ampliação do sentido, dose para cavalo e suas variantes é o exagero na ampliação de qualquer coisa desagradável, ou mesmo aquelas que só se tornam desagradáveis com o exagero.




quinta-feira, julho 07, 2016

À grande e à francesa...


Nosso comentário:


Em vésperas de um Portugal-França na final do Europeu de Futebol, a realizar no próximo Domingo em Paris, pelas 20 horas (TMG) publico abaixo o significado de três expressões de uso popular.
Uma dessas expressões, enquadra-se perfeitamente no jogo havido hoje entre a França e a Alemanha.
"À grande e à francesa".
Tal como a expressão indica, assim foi a exibição da seleção da França ante a campeã do mundo em título, Alemanha.
Um bom jogo sem dúvida, pondo frente a frente nas meias finais da competição, duas das melhores seleções de futebol da atualidade.
A ver vamos o que Portugal fará com esta França agora motivada com a vitória sobre a Alemanha...
No mínimo Portugal terá de tirar todos os trunfos da cartola e jogar à grande e à portuguesa.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira



EXPRESSÕES  POPULARES
(O saber não ocupa lugar)





Significado: Viver com luxo e ostentação.
Origem: Relativa aos modos luxuosos do general Jean Andoche Junot, auxiliar de Napoleão que chegou a Portugal na primeira invasão francesa, e dos seus acompanhantes, que se passeavam vestidos de gala pela capital.






Significado: Erro grosseiro.
Origem: Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair.
Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um "erro crasso".




Significado: Ter dinheiro para viver.
Origem: Em outros tempos, os alfinetes eram objeto de adorno das mulheres e daí que, então, a frase significasse o dinheiro poupado para a sua compra porque os alfinetes eram um produto caro. Os anos passaram e eles tornaram-se utensílios, já não apenas de enfeite, mas utilitários e acessíveis. Todavia, a expressão chegou a ser acolhida em textos legais. Por exemplo, o Código Civil Português, aprovado por Carta de Lei de Julho de 1867, por D. Luís, dito da autoria do Visconde de Seabra, vigente em grande parte até ao Código Civil actual, incluía um artigo, o 1104, que dizia: «A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte do rendimento dos seus bens, e dispor dela livremente, contanto que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos.»




terça-feira, junho 02, 2015

Vai tomar banho!


Nosso comentário:

Aproveitando algum correio que recebo, e dentro da minha rubrica "o saber não ocupa lugar" relembro hoje a origem do significado atribuído a três expressões usadas na língua de Camões.
Escolhi apenas três, pois foram algumas mais as que recebi, todavia sei respeitar o precioso tempo dos leitores, que têm mais que fazer do que ler o que os blogueiros escrevem.
Comigo acontece algumas vezes isso, ou seja, se um texto, ao qual atribuo alguma ou mesmo bastante importância for demasiado grande para a minha quota de tempo e falta de disponibilidade mental, acabo por desistir de lê-lo.
É pena mas acontece muitas vezes pois vivemos numa era de informação e todos temos um limite que se situa no pré-cansaço que deve ser respeitado.
Dito isto, espero que os textos que divulgo abaixo estejam dentro dos limites da V/ resistência.
Com votos de boas leituras, desejo a continuação de uma óptima semana.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira




VAI TOMAR BANHO:

 Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de
higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das
Cruzadas, como corolário dos contactos comerciais, o europeu se
contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu
medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o
índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos
de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebés e lavar no
rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos
portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e
raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos
índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos
portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".



DAR COM OS BURROS N'ÁGUA:

 A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde os tropeiros
que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região
Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O facto era que muitas vezes esses
burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos
muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados.
Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que
faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter
sucesso naquilo.


GUARDAR A SETE CHAVES:

 No século XIII, os reis de Portugal adoptavam um sistema de
arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um
baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era
distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas
quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor
místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A
partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" para
designar algo muito bem guardado...

sábado, fevereiro 07, 2015

Não passas da cepa torta


Nosso comentário:

Amanhã é domingo, dia de jogo grande em Lisboa/Portugal. Jogam o SCP (Sporting Clube de Portugal versus SLB (Sport Lisboa e Benfica)
Por isso mesmo e também para fazer uma espécie de interregno em comentários mais graves, aqui e nas redes sociais, publico hoje uma simples curiosidade.
Pessoalmente gosto muito de aprender com tais curiosidades. São mais profundas do que parecem, a voz do povo é sábia e, não levam muito tempo a ler. Tudo vantagens!
Desta vez desbravamos o significado de uma expressão popular: 
"Não passas da cepa torta".
Quanto ao jogo de amanhã, desejo o melhor desfecho possível, que ganhe o melhor em campo e, sobretudo, desejo que se tenha postura desportiva e "fair play".
Perder ou ganhar tudo é desporto e é sabido que, sempre que a coisa corre para o torto, não só não é bonito nem civilizado, como há sempre mazelas físicas e outras que são de evitar.
Dito isto à laia de introdução em vésperas de um domingo que se avizinha de grandes paixões futebolísticas, deixo-vos então com uma breve explicação da expressão em título: 



"Não passas da cepa torta"


Uma cepa é uma espécie de pequeno arbusto que dá uvas. 
É um arbusto com cerca de um metro e meio de altura. 
É portanto pouco alto, tem um tronco invulgar, bastante torto e rugoso. 
A cepa não é pois uma planta visualmente muito bonita embora dê um fruto muito apreciado: uvas.
Uma cepa torta cresce pouco, não dá bom fruto, não progride.
Daí o aplicar-se esta expressão às pessoas que não melhoram na vida, que estão sempre na mesma...

Pelo contrário quem é de boa cepa é lutador, faz pela vida, pertence a boa família.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira


Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...