Mostrar mensagens com a etiqueta antonio esperança pereira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta antonio esperança pereira. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, junho 30, 2021

Publicação do meu livro "A VER O QUE SAI..."


Nota breve do autor do blog: 


Dizia eu na última postagem aqui no blogue, que o meu livro "A VER O QUE SAI" estaria quase a ser publicado. Faltavam então apenas certos pormenores que se prendiam com o acabamento da capa definitiva do livro.

Ultimados que foram tais pormenores, o livro consta já da montra da Bubok on-line. Por isso, não poderia deixar de assinalar o facto, não só nas redes sociais, mas também aqui no blogue. É a melhor maneira de o dar a conhecer aos estimados leitores, aproveitando o ensejo para que lhe façam uma visita.

Para isso, basta clicarem no link abaixo, que os levará diretamente ao meu novo livro de poemas.

Espero que deem uma vista de olhos e oxalá gostem.

Podem por um simples "gosto" ou divulgar, o que desde já agradeço. 

Aqui deixo a capa frente e verso.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira




O link:

...a ver o que sai...(poemas) | António Esperança Pereira - Bubok

domingo, maio 03, 2020

Dia da Mãe: Sua foto, um poema, saudade!


Designei uma coletânea de poemas por "60 Poemas por ordem alfabética"
Como sinopse da mesma escrevi:
"Inspirações variadas: o que vai na alma, o momento, a necessidade de escrever, o grito, o desabafo, a crença, a crítica, a opinião, a saudade, a mensagem que nasce às vezes sem se saber porquê… "
Ela é dedicada a minha mãe em particular, pelo que deixo abaixo um poema que consta do livro: "A MINHA MÃE", introduzindo-o com umas palavrinhas saídas ao sabor da pena, ou se preferirem, das teclas.O livro pode ser visto, consultado ou adquirido aqui:https://www.bubok.pt/livros/3080/60-POEMAS-POR-ORDEM-ALFABETICA


---------------------------
Em meia dúzia de palavras quem foi minha mãe?

Segunda grande guerra mundial, 1939/45, quatro filhos nascidos em pleno decurso do conflito. Dos quatro, só eu nasci após o fim das hostilidades.
Heroína à sua maneira, mulher forte, determinada, com um sentido apurado e exato de futuro. 
Com muita inteligência sentia que o futuro seria melhor do que o "presente" que lhe era dado viver.
Empenhou-se por isso em dotar os filhos com estudos suficientes para que melhor se defendessem dos desafios da vida e a enfrentassem com mais sucesso. Deu quase tudo para o conseguir. 
Num tempo em que tudo era pouco, difícil, atrasado, o dinheiro escasseava, os estabelecimentos de ensino que existiam ficavam longe de casa... mesmo assim, conseguiu!
Para além de ser forte, determinada, ter sentido de futuro, gostava de flores. Gostava muito de flores.
Na terra semeada que rodeava a casa de habitação não lhe bastava ver crescer batatas, nabos, hortaliça, vinha, cereal. Aí plantou, semeou, não poucas vezes, canteiros de amores, violetas, crisântemos, ervilhas de cheiro, rosas, que depois dava a quem lhas pedisse. 
Vincadamente herdei dela a minha crença nas FLORES! também o mundo mais colorido, com mais modernidade, oportunidades, prosperidade, com que sempre sonhou.
-------------------------------
O poema:

A MINHA MÃE

Beira Alta florida
nos canteiros espalhados pelos quintais
tantas pétalas meu Deus
que aqueles olhos viram
semearam
onde ás vezes só pedras havia 
nada mais

o sol aquecia pelo verão
as cores das flores das rosas
eram sonhos de amores
sei lá que mais

o que aquelas mãos tiradas do regaço
faziam!
moldavam cortavam semeavam
com traços de artista
a beleza quase infantil
de quem tanto bem lhes queria

Beira Alta florida
perfume eterno amálgama de ser
Mulher flor quintal
Mulher mãe 
que quis que a vida fosse
um sonho lindo
com as cores do arco-íris…

espelhadas no maravilhoso amor
único 
eterno
doce
semeado no pólen depois mel
dos seus quintais.

AEP/
Fiquem bem, de preferência em casa

António Esperança Pereira

segunda-feira, abril 27, 2020

COVID19 - POEMA XIII


Nota do autor do blog: 


Enquanto a pandemia vai durando, parece-me oportuno divulgar alguns escritos a respeito.
Hoje publico mais um, em formato de POESIA, pois claro.
É uma maneira de puxar pela palavra, também uma maneira de ajudar a construir a história deste pesadelo, que nos calhou em sorte.
É um poema em estilo simples e popular. Daqueles que se escrevem ao correr da pena, se assim se pode dizer.
Sempre gostei de estilos simples, pouco rebuscados. 
Nunca me dei bem com a literatura que ninguém percebe, muitas vezes redigida com o dicionário por perto.
E, quando estou a ler, como gosto de perceber o que leio, também, quando estou a escrever, gosto que percebam o que escrevo. 
Daí o uso e abuso de uma escrita simples e entendível.
Dito isto, façam o favor de ler o poema.



COVID19 XIII


Se alguma coisa aprendi
Com esta confinação,
É que há dois tipos de prisão:
Aquela que eu já vivi
E esta que ainda não.

Uma foi para condenar
As coisas que escrevi.
Disse mal do Salazar,
Fui a Caxias parar.

Esta outra não condena
É por mor da pandemia
Puseram-me de quarentena
Porque “a coisa” contagia.

A vida tem destas coisas
Estamos sempre a aprender
Porque há coisas e loisas
Enquanto o tempo correr.

Seja pr’a bem ou pr’a mal
Estar preso é ingrato
Isola da vida em geral
Fica um deserto o contacto.

Pois que passe a pandemia
Que volte a vida à cidade
Dói ver assim noite e dia
Um Abril sem liberdade.

AEP/


Fiquem bem, de preferência em casa.

terça-feira, abril 21, 2020

COVID19 IV - Poema


Nota do autor do blog:

Já agora, e porque ainda é, e será tempo de COVID19, parece-me oportuno divulgar mais um poema que a dita pandemia inspirou.
Nunca se sabe quando será possível agregar os poemas que venho escrevendo em uma nova publicação.
Daí parecer-me bem, porque são atuais e escritos em cima do acontecimento, divulgar agora, pelo menos alguns deles.
Pois aí fica abaixo mais um desses poemas COVID19
Este é o COVID19 IV.
Oxalá gostem.


COVID19 IV


O otimismo murchando
Os discursos tateando
Em curvas e contracurvas

Políticos andam à nora
A ver no que a coisa dá
Muda tudo a cada hora

Também é enorme o caudal
Trabalho suplementar
Que não era habitual

O jornalismo em muletas
Cacarejando e espreitando
Veneno para as suas tretas

Os economistas coitados
Cuidando-se imprescindíveis
Andam muito assustados

O povo esse pasmado
Lê e ouve que remédio
Agora em casa fechado

Anda bicho por aí
E entre tretas e medo
Há que ter muito cuidado.

AEP/

Fiquem bem, de preferência em casa.


quinta-feira, abril 16, 2020

COVID19 II - Poema


Nota do autor:

Tema da atualidade que teima em manter-se nas nossas vidas:
COVID 19.
Trata-se de um bichinho que não se vê, mas que possui tal força, que foi capaz de parar o mundo inteiro.
De amedrontar tudo e todos.
De acagaçar o maior "valentão das dúzias" da nossa praça.
Treme o rico e o pobre: fica queixinhas o grande industrial, o político às aranhas, fica o "sem abrigo" a tiritar ainda mais de frio, de solidão de fome e de medo. Tal como nós.
Faz-me lembrar a tropa: aquele "oficial valentão" que comandava a parada:
Punha tudo em sentido e gritava com voz de trovão ao "magala desobediente" da parada:
"Oh nosso, aí ao fundo:
Não mexe!!!"
O bichinho, embora sem voz de trovão, invisível e silencioso, fez de todos nós magalas e sopeiras obedientes.
Esta a grande verdade.
Dito isto, mais um poema de minha autoria, para marcar a passagem desta pandemia infernal por que estamos a passar.



COVID19 II



Entre o são e o doente
O moribundo e o defunto
Aí está sem piedade
Um golpe na humanidade.

Tudo parado sem pio
Uma razia na vida
Tudo isolado cansado
Abatido pelo cansaço
Sem contacto nem abraço.

Não vale a pena ir à Lua
Ou a Marte
Ou a qualquer longínqua parte
Nesta realidade crua.

Impotência da ciência,
Humilhada e posta nua
A cagança e opulência,
Esta a grande verdade.

AEP/


Fiquem bem, de preferência em casa.

segunda-feira, abril 13, 2020

COVID19 IX- Uma rapariga jeitosa

Nota do autor:

Mais um poema de minha autoria.
Embora inspirado como outros no Covid19, tema atual e deveras preocupante, este tem de diferente um toque de graça.
É mais leve.
Não que a situação seja de deitar foguetes, longe disso.
Mas saiu assim e resultou menos pesado. Uma situação real, um tanto fora da preocupação central do vírus dos nossos pesadelos.
Oxalá gostem.

COVID19 IX



Uma rapariga jeitosa
Em roupa fresca e calção
Vinha do court de ténis
Da nossa urbanização.
Ambos nos encontrámos
Na saída do portão.

Eu rodava a chave em vão
Na fechadura estragada.
Ela, mais lesta e mais solta,
Ignorando a pandemia,
Ficou bem perto chegada
Ao invés de se ir embora,
Cumprindo as normas em voga.

Bem junto a mim sugeriu
Que o portão só abriria
Pondo o braço de fora
E abrir pelo outro lado.
Que era assim que fazia
Para contrariar o defeito
Da fechadura estragada.

E foi bem dito e bem feito.
Resolvida a situação
Tal com ela dizia
Ofereceu-me a primazia
Na passagem do portão.

Eu fiquei mudo e quedo
Quase sem respiração
Quer pelo medo que sentia
Pela proximidade exigida
Quer pela sua simpatia.

E ante tanta pressão
Outra tanta nostalgia
Em dias de cólera e ira
(Tempo de COVID19…)
Há uma situação que inspira.

Diria mesmo: comove!
E que faz bem ao coração.

AEP/

Fiquem bem, de preferência em casa.

quinta-feira, abril 09, 2020

COVID19 II - Poema


Nota do autor:

Tendo em consideração que o POEMA COVID19 VII foi apreciado pelos leitores e, sendo infelizmente o tema do momento, arrisco a publicar mais um da série COVID19. 
Trata-se do segundo poema de uma série de oito que até hoje o dito vírus já "inspirou".
Oxalá a pandemia passe depressa pois faz pouco o meu género aprofundar temas mórbidos e desgraças tamanhas.
Apesar disso, não deixarei de registar o acontecimento terrível com estes e outros escritos em futura publicação.
O poema de hoje chama-se 
COVID19 II




COVID19 II



Olho para a rua e vejo-os passar
Seres medrosos outros mais afoitos
Uma pessoa na porta a espreitar
Outra levando à rua o seu caniche.

Pessoas com um aspeto anormal
Uns passinhos tímidos por medo
Não há sons de vida, ou há poucos.
Falar não se pode, nem em segredo
E não acontece por demência.
É que está proibido o contacto social
Num país em Estado de Emergência.

Parece castigo; tudo em casa, no abrigo.
Parece guerra antes do bombardeamento
Este silenciar de uma cidade, digo:
De um país inteiro, um mundo inteiro
Em trágico e insólito momento.

Um silêncio, um deserto, um desatino
Um tempo que não passa depressa
Como se queria que passasse. Um destino
Que nos põe doentes e nos mata.

AEP/


Fiquem bem, de preferência em casa.









domingo, outubro 27, 2019

Longevidade com sexo,café e mais seis hábitos de vida







Quando se pensa em saúde e longevidade, é comum pensar-se na prevenção, na manutenção de uma alimentação equilibrada e na prática de exercício físico.

Obviamente todos esses elementos são fundamentais, porém o planeamento do tempo. O sexo é um deles.

A publicação britânica Daily Mail divulgou uma lista com os hábitos com maior impacto sob o ponto de vista da ciência. A saber:



1. Durma, mas não exagere

Diversos estudos já provaram que dormir pouco reduz a expetativa de vida – todavia, o mesmo vale para quem dorme demais. Segundo um relatório publicado em 2010, que analisou um milhão de pessoas provenientes de oito países diferentes, dormir menos de seis horas por noite pode aumentar em 12% o risco de morte prematura. Contudo, quem dorme mais de nove horas apresentou um risco ainda maior: de 30%. Por isso, especialistas recomendam que durma entre sete a oito horas por noite.

2. Pratique exercício físico

A Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda um mínimo de 150 minutos semanais de caminhada para aumentar a força muscular e melhorar a saúde cardiovascular. Além disso, investigadores norte-americanos e suecos descobriram que individuos acima dos 40 anos que fazem caminhadas regulares vivem mais (até quatro anos e meio de vida) em comparação com aqueles que são sedentários.

3. Espírito jovem

De acordo com os especialistas, o segredo da longevidade reside muito mais na mente e no prazer pela vida do que nos genes. Um estudo revelou que a genética representa apenas 10% do envelhecimento, enquanto os outros 90% estão relacionados ao estilo de vida. Outra pesquisa, que avaliou 660 participantes acima dos 50 anos, mostrou que indivíduos com uma perceção mais positiva da própria idade e do envelhecimento chegam a viver em média sete anos e meio a mais.

4. Adie a reforma

Um estudo de 2016, realizado pela Oregon State University, nos Estados Unidos, mostrou que indivíduos que se reformaram com 66 anos ou mais têm um risco 11% menor de morte por todas as causas, comparativamente aos seus pares com a mesma idade e que se haviam reformado antes.

5. Vida sexual ativa

Segundo um estudo realizado no País de Gales, fazer sexo duas vezes por semana pode reduzir em 50% o risco de morte. Aliás, outra pesquisa revelou ainda que homens que têm pelo menos 350 orgasmos por ano vivem em média quatro anos a mais. As mulheres também podem se beneficiar com uma vida sexual ativa: a relação sexual regular aumenta o tamanho dos telómeros – um componente do ADN que indica longevidade, ou seja, quanto mais longo ele for, maior é a vida útil da mulher.

6. Tenha filhos

De acordo com uma pesquisa de 2017, pais e mães vivem pelo menos dois anos a mais, comparativamente a quem não tem filhos.

7. Café grego

Segundo um estudo, a população da ilha de Ikaria, na Grécia, tem a maior taxa de longevidade do mundo e essa realidade está associada ao consumo de café. O café grego é rico em substâncias químicas chamadas polifenóis – que ajudam a prevenir uma série de doenças, como cancro, Alzheimer e doenças cardiovasculares – e antioxidantes – que ajudam a eliminar os radicais livres no sangue. Além disso, os níveis de cafeína são relativamente baixos.

A pesquisa, que analisou o consumo de café de 673 habitantes acima de 65 anos, mostrou que 87% dos moradores ingeriam café grego (finamente moído e cozido em uma panela alta e estreita). Os investigadores revelaram ainda que o consumo diário pode melhorar a saúde cardiovascular.

8. Mantenha-se longe do hospital

Muitas vezes ir ao hospital é uma questão de urgência. Todavia, estudos revelam que os pacientes internados por muito tempo (qualquer que seja o motivo) estão mais propensos a sofrer uma morte prematura – e não apenas porque já estavam doentes.

Tal poderá dever-se ao facto dos hospitais serem na realidade lugares perigosos, onde abundam vírus e superbactérias como a MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) ou C Difficile com mais facilidade.

Fiquem bem,

sexta-feira, agosto 30, 2019

Coisas que acontecem no ginásio quando há dança


Um poema que está publicado e que partilhei aqui no blog em 2006. 
Enquanto vou acomodando os últimos poemas que escrevi em formato de livro, dá-me prazer paralelamente recordar ao acaso alguns dos textos que venho escrevendo.
Hoje calhou a vez a este. 
Espero que gostem.


Foto retirada da Internet

S







Abrandava a luz na música que ouvia
no lugar onde estava
os olhos emoção cerrados
faziam noite
e eu crescia no pequeno espaço

esticava os braços e conseguia atravessar o tecto
ou quase
depois descia
flectia as pernas
aguentava um pouco
as mãos pareciam asas
seguravam-me porque eu tremia
quase caía

depois deitava-me
terra chão exausto
em queda quase morria
mas o núcleo vida mexia
eu respondia rastejava rebolava
repelia o medo da vertigem na viragem

senti-me náufrago um tempo
braço Camões clamando salvação
ali num sítio sem ninguém
era um mar noite vendaval
e o movimento que fazia esgotava-me

um corpo salvação que aparecia e que ainda agarrei
descolava da minha mão
eu continuava esbracejava
já quase desistia na solidão de um mar assim
porém enquanto tábua salvação fugia
desolação

atrás de mim
(já em dor e sem esperança)
ninfa deusa mulher apareceu
levou-me dali mostrou-me o céu que merecia
e estive nele até que ela quis

senti-me Camões Lusíadas canto IX
ilha tropical em plena tempestade
depois de Adamastor e Cabo das Tormentas
o colo bom a terra mãe
o descobrimento o prémio o continente

Brasil de Álvares Cabral Índia de Gama

grato por estar aqui neste mar revolto
e por estares aqui também esta noite
por me salvares e por salvares o poema
e ter vivido Portugal um pouco em ti neste lugar

AEP/

domingo, agosto 11, 2019

Silêncio perdido no grito

Ponte sobre o Tejo, Lisboa

Nota breve do autor do blog:

Em 2005 publicava aqui no blog este poema de minha autoria, que consta num dos meus livros, que neste momento não sei qual é.
Perdoem-me mas não sei mesmo. E pelo adiantado da hora a que escrevo estas palavras (2,00 horas da madrugada) não dá para ir conferir a informação.
Lembrei-me dele porque retrata um pouco a confusão que é uma cidade grande. O contraste que se sente entre um meio mais pequeno de província e essa mesma cidade grande.
É tempo de pré-eleições, está em curso essa suposta greve incomodativa e "incendiária" em termos de desacordo total entre as partes.
Diz-se que poderá ser uma greve por tempo indeterminado.
Mau para todos, também para o país que felizmente parece recuperar de tempos difíceis bem recentes.
Eu espero que as coisas se possam resolver à mesa das negociações, pois se alguma coisa há neste país é democracia. Logo, a necessária abertura para haver diálogo e não confronto desnecessário.
Dito isto, fica o poema.







As nuvens estão baixas
o ruído da chuva sobressai
nas vidraças amplas do escritório

há caravanas de campanha política
com sons conhecidos
vozes e alaridos
que se vão perdendo
engolidos pelos comboios rápidos
pelos aviões
pelos ruídos ininterruptos
de roncos de motores
pelo pisar de pneus no asfalto da avenida

há ainda sons histéricos de sirenes
outros gritos necessários
que interrompem o patamar normal de decibéis

observo atento o meu silêncio
e o contraste que ele é no contexto da cidade

é um silêncio perdido no grito

parece às vezes que transporto comigo
a minha terra
e o deserto que ela é

lá qualquer ruído se esgota no silêncio
ao contrário daqui.

AEP/


Fiquem bem,
António Esperança Pereira



Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...