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sábado, abril 25, 2015

25 de Abril de 2015, 41 anos depois...


 


Um poema dedicado ao 25 de Abril


Antes e depois


Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!





O poema faz parte de uma colectânea de poemas com o título "PORTUGAL PERIFÉRICO OU...O CENTRO DO MUNDO?", que pode ser visto e consultado no link da Editora:

http://www.bubok.pt/libros/2158/PORTUGAL-PERIFERICO-OUO-CENTRO-DO-MUNDO

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Um testemunho singelo de uma mulher portuguesa, então bem jovem, que acompanhou o seu marido em terras de África, mais propriamente na Guiné-Bissau, no cumprimento do serviço militar obrigatório. 
Aqui fica:




ABRIL,25,1974,GUINÉ-BISSAU


Com o aproximar de mais um dia 25 de Abril, e agora por razões diferentes, vou tentar fazer uma retrospectiva do que vivenciei nessa data, tirando as possíveis conclusões.
Muitas vezes me perguntaram: onde estavas no 25 de Abril ???Aí eu respondia: em Bissau...
E é mesmo verdade. Já lá vão muitos anos, é certo, mas há "feelings" que jamais esqueceremos...
Pois esse 25 de Abril amanheceu para nós, como de costume... (pensávamos)
De manhã, como habitualmente, após ter deixado a filha, bem pequenina por sinal, no infantário, de ter dito até logo ao meu marido, alferes miliciano no cumprimento do serviço militar obrigatório, fui a pé para a escola. Sentia qualquer "coisa" estranha no ar...movimentação fora do comum, helicópteros num vai vem, um zum zum que não entendia. Quando cheguei à escola fiquei a saber que algo se tinha passado em Lisboa, mas nada de concreto se sabia. Dei inicio à aula e passado  algum tempo veio a directora da Escola Gago Coutinho, onde leccionava, dizer-me que  havia acontecido alguma coisa politica em Lisboa. Fiquei assustada, o que fazer? Preocupada por nós e pela nossa família que estava em Lisboa.
De um momento para o outro fiquei só com dois alunos, os outros, vinte e tal, tinham fugido.
Liguei para o meu marido, foi-me buscar à escola e fomos os três para casa.
Rádio sempre ligado, noticias poucas, emissões estrangeiras... meu Deus... helicópteros....e finalmente lá mais para a tarde soubemos que tinha havido uma Revolta...sim....mas pacifica....com cravos vermelhos....que finalmente a Guerra acabava....que um novo Portugal ia nascer!!!!
Cantámos, pulámos de alegria....a música na rádio era sobretudo do saudoso José Afonso (Zeca Afonso)  noticias, mais noticias, canções....enfim....LIBERDADE....
“Era tempo de emalar a trouxa e zarpar “ como cantava Zeca Afonso.
Era o fim de uma ditadura que durara tempo sem fim. Que atrasara o país, que o isolara da Europa e do mundo.
Agora, tantos anos já passados, estou por um lado, com um misto de Alegria por tantas conquistas que os Portugueses alcançaram, que se traduziram numa melhoria de vida, por outro com um enorme receio de que possamos regredir....
Quero ser positiva...acredito mesmo que o nosso Povo não vai deixar que lhe tirem o que de BOM ABRIL nos deu.

MA/Lisboa/2012
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Nosso comentário


Grato pelo testemunho recebido evocando um momento singelo algures em Bissau, 1974. Deu para emocionar um pouco...
O 25 de Abril de 1974, que tem amanhã aniversário, não é uma data qualquer. Daí o título do poema supra: "Antes e depois". Para quem não conheceu o Portugal de antes do 25 de Abril de 1974, eu dir-lhes-ia apenas isto, em comparação com o Portugal que se seguiu: comparem uma prisão com um jardim...estarão próximos das duas realidades.

Por isso mesmo, dado que se vivem actualmente tempos complicados, com arrufos de extremismos de direita por essa Europa fora: veja-se o "killer" da Noruega, a votação da francesa Srª Pen, o governo holandês com participação da extrema direita, agora frustrado, etc. que mais se aproximam do "ANTES" da instauração das "LIBERDADES e DEMOCRACIA", que do "DEPOIS"...
Pelo que, apelo a todos para que se tenha cuidado.
Que pelo menos tratemos bem PORTUGAL, este país  maravilhoso que eu coloco, sem qualquer favor,  na geopolítica universal, no CENTRO DO MUNDO!!! 
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Fiquem bem,


quinta-feira, novembro 01, 2012

Governo a empobrecer o país, Europa em guerra


Nosso comentário:



Dedico hoje alguma da minha preocupação às declarações de Vasco Lourenço.
Vasco Lourenço é um homem que escusa apresentação. Um moderado de entre os capitães de Abril, como todos o ficamos a conhecer, surge nesta fase com declarações bem graves e pertinentes.
Todos sentimos as fricções que os povos europeus voltam a viver. Todos sentimos que o sonho europeu, tal como foi concebido e arquitetado, está virando pesadelo.
Dediquei alguns textos e poemas a essa construção europeia. No meu caso pessoal fui tão ingénuo que cheguei a redigir um poema em que  arquitetava até a possibilidade de Berlim poder um dia vir a ser a capital de uma Europa nova, solidária, pacífica, próspera, unida.
Berlim porquê?
Achava eu que reunia as características únicas de uma cidade que conheceu de tudo um pouco, tal como a Europa no seu todo: miséria, grandeza, guerra, ocupação, divisão, holocausto, libertação... morte e renascimento lado a lado.
Afinal,  algumas décadas volvidas, o que temos?
Uma Alemanha a atirar todas as cartas fora do baralho. A imperar pela força do dinheiro, a defender um holocausto financeiro dos mais fracos.
Podemos achar e dizer e pensar, que é a sr.ª Merkel que faz isso, não o povo alemão.
Oxalá que ao menos seja assim, porque não cabe no meu entendimento qual o lucro/benefício para os alemães em agirem como estão a agir.
De voltarem a ouvir insultos que pareciam pertencer já às calendas do passado. Ao quase esquecimento da vil história recente da II Guerra Mundial.
Pois Vasco Lourenço em vésperas da visita da pouco amada, por muitos odiada, chanceler Merkel ao nosso país, solta palavras bem revoltadas, indignadas, preocupantes, sobre o futuro da Europa e de Portugal, prevendo mesmo o confronto próximo entre ofendidos e ofensores.
No plano europeu assume que há países e países: uma Europa assumidamente dividida portanto. No plano nacional, defende uma saída de Portugal do Euro de preferência em conjunto com outros países: países europeus, presumo, de outra Europa que não a da sr.ª Merkel. 
Deixo dois textos incompletos das declarações de Vasco Lourenço.
Os leitores interessados na problemática abordada, poderão completar o conteúdo de tais declarações algures na imprensa, ou na internet.

 Fiquem bem, António Esperança Pereira
 
http://lusito.bubok.pt/
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Guerra na Europa é "inevitável"

por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral



O "capitão de Abril" Vasco Lourenço considera que uma guerra na Europa é inevitável, se esta se continuar a "esfrangalhar", e defende a rápida saída de Portugal do Euro, preferencialmente em conjunto com outros países na mesma situação.
 

"A Europa vai esfrangalhar-se, vem aí a guerra inevitavelmente", disse, referindo--se à "destruição do estado social" e à "falta de solidariedade que está a haver na Europa".
O presidente da Associação 25 de abril, em entrevista à agência Lusa, recordou que a Europa tem atravessado o maior período de paz da sua história, desde a Segunda Guerra Mundial, o que só foi possível graças à conquista pelos cidadãos do direito ao Estado social, à proteção, à saúde, à educação e à segurança social.
Recorrendo à fábula da rã que é cozida sem dar por isso, porque está dentro de uma água que vai aquecendo aos poucos, Vasco Lourenço não tem dúvidas de que é preferível a rutura do que "deixarmo-nos cair no abismo para onde este Governo e a Europa nos estão a atirar".
Como alternativa aponta a saída atempada e programada da União Europeia e do euro, manifestando esperança de que haja condições para Portugal ser capaz de se ligar a outros países nas mesmas circunstâncias e tentarem encontrar soluções coletivas.
"Se possível seria ideal sairmos com outros países, porque as dificuldades serão muito maiores se sairmos isolados. Agora se houver um conjunto de países que estão em dificuldades que se unam e concertem a sua saída do euro, é capaz de ser muito melhor e dá-nos a possibilidade de darmos a volta por cima".
Reconhecendo que não será fácil conseguir essa articulação, Vasco Lourenço mostra-se convicto de que muito provavelmente os outros países em situação semelhante à portuguesa estarão a discutir o mesmo tipo de possíveis saídas.
"É preciso juntar esforços e chegar à conclusão que todos teremos a ganhar se unirmos esforços dos vários países contra quem está neste momento a ocupar-nos não militarmente, mas financeira e economicamente", disse.

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Vasco Lourenço

"Governo está empobrecer o país de forma intencional"


por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral

"É criminoso. Na minha opinião, não é falta de competência, porque eu não quero acreditar que eles [o governo] sejam tão estúpidos que não percebem que assim não atingimos a recuperação mantendo o bem-estar da população", afirma.


Em entrevista à agência Lusa, o "capitão de Abril" mostra-se convicto de que o empobrecimento do país é intencional, fruto de uma ideologia neoliberal que quer "empobrecer o povo, provocar desemprego, criar a situação de terra queimada para a seguir tentar plantar de novo começando quase do zero".

Para Vasco Lourenço, a prossecução desta política vai gerar situações "absolutamente degradantes", como o aumento dos suicídios, da emigração e a destruição do país.

"Por isso, não os considero absolutamente nada patrióticos. Estarão ao serviço do capital financeiro internacional. Ao serviço do nosso país eu penso que não estão".

Na lógica do destruir para plantar de novo, o responsável não tem dúvidas de que os novos "agricultores" seriam empresas estrangeiras, uma vez que já se está "a vender ao desbarato e a retalho o país".
 

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Carlos Castro Vitor Alves e o mediatismo



Bem escrito sim senhor. Gostei de ler o artigo a que hoje dou relevo em meu blogue, que se segue a esta introdução.
Nada tenho contra os gays, nem é essa a questão, tenho sim (e tenho-o escrito) contra esta informação despudorada ao serviço do mediatismo e do sensasionalismo. Prejudica gregos e troianos. O país perde energia com isto. As sociedades democráticas abandalham-se com isto.
O que está a dar infelizmente é a desgraça alheia, nós papalvos vamos consumindo e alimentando uma tal orientação dantesca.
Eu tento consumir o menos possível. Faço a minha parte nesse registo.
Acredito que se os consumidores diminuírem, diminui a atracção dos midia pelas desgraças e mediatismos mórbidos.
Sem desprezar a sensibilidade e valia do Carlos Castro, é por demais notório que pouca gente deu pelo desaparecimento do capitão de Abril e grande personalidade: VITOR ALVES
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Deixo o artigo para reflexão; vale a pena ler.
Mais abaixo, um poema escrito por mim sobre esta problemática da intoxicação dos midia; também vale a pena ler.
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Por António de Sousa Duarte

12 de Janeiro de 2011

As mortes de Vítor Alves, capitão de Abril, e do cronista cor-de-rosa Carlos Castro mostram algumas evidências sobre o país



Separadas por escassas horas, as mortes do coronel Vítor Alves, "capitão de Abril", e do cronista "cor-de-rosa" Carlos Castro tiveram o condão de fazer notar uma vez mais algumas evidências sobre Portugal e os portugueses que nunca será de mais destacar. Na verdade, mesmo admitindo as macabras circunstâncias em que Castro foi assassinado e os requintes de malvadez de que foi aparentemente vítima, não parece normal que tal facto tenha merecido tão esmagadoramente maior espaço mediático do que o desaparecimento de um dos principais símbolos da Revolução do 25 de Abril de 1974 e destacado operacional da construção do processo democrático.

Vítor Alves faleceu Domingo, cerca de 36 horas depois da morte, em Nova Iorque, de um colunista social conhecido por se dedicar há décadas a analisar os factos da actualidade "cor-de-rosa" nacional. Considerado em muitas das biografias espontâneas que dele nos últimos dias chegaram ao nosso conhecimento como "um cidadão de primeira", Vítor Alves foi um homem probo, sério, rigoroso, sensível que contribuiu de forma decisiva - antes e depois do dia 25 de Abril de 74 - para o actual regime democrático em Portugal. Vítor Alves, que integrou, com Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a comissão coordenadora e executiva do MFA (Movimento das Forças Armadas), foi o autor do primeiro comunicado dirigido à população no dia 25 de Abril e o militar que foi o porta-voz do Movimento. Mas as exéquias mediáticas de Vítor Alves foram curtas, muito curtas, se levarmos em conta a importância do seu legado e o impacte informativo que outros factos da actualidade suscitaram e de que é exemplo, sublinho, a vaga noticiosa relativa à morte de Carlos Castro.

O País trocou "um cidadão de primeira" por uma "história de segunda", mas o desiderato é positivo: chancela-se a morte do militar, político, ministro e conselheiro da Revolução em rodapés a correr e baixos de página e atribuem-se honras de Estado... mediático ao assassinato do cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro...) e às incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo após alegada tortura, castração e assassinato. Mas a responsabilidade de todo este "estado a que - de novo e citando Salgueiro Maia - chegámos" não é do povo. Porque não é o povo que edita jornais, blocos noticiosos, telejornais ou sites. Nem é o povo o responsável por Marcelo Rebelo de Sousa ter dedicado ontem, no Jornal da TVI, mais tempo de antena à morte de Carlos Castro do que ao desaparecimento de Vítor Alves.



EU NÃO COMPREENDO E FICO FRACO

Porque não tenho sono acendo o televisor
é noticiado um caso de corrupção
celebridade muita pouca a honestidade
a justiça parece que sim parece que não
eu não compreendo e fico fraco

a seguir vem um imbróglio do caraças
também gente conhecida
crianças violadas pedofilia
ameaças
a justiça parece que sim parece que não
eu não compreendo e fico fraco

depois é um bombista suicida no Iraque
mortos choro confusão por todo o lado
bons e maus a matar até fartar
a justiça parece que sim parece que não
eu não compreendo e fico fraco

desisto mais adiante num assassinato detalhado
candidato que já foi presidente assassinado
perigo nuclear naquele lugar
ruas confusas um arrepio de ambiente
a justiça parece que sim parece que não
eu não compreendo e fico fraco

o sono não vem e eu não me sinto nada bem

vou então à farmácia de serviço mais à mão
e se para alguma coisa as notícias da televisão
vieram a calhar
foi para me avisar
que o meu estado fraco enfraquecera ainda mais
e que para aliviar o mal estar
teria de comprar medicamentos
para me aguentar

porque senhoras e senhores
meninas e meninos
se insónia é mau
insónia com noticiário é dose cavalar.

Em "CRÍTICOS AVULSO" de António Esperança Pereira, Bubok Editora
http://lusito.bubok.pt

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...