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terça-feira, agosto 06, 2019

Memória do blog de 2016 a propósito da Supertaça benfiquista de Domingo




Nosso comentário:

Para não misturar as coisas e porque não posso hoje deixar de registar o tricampeonato do Sport Lisboa e Benfica, direi primeiro exatamente isso: 
Que o Benfica é, com a vitória de hoje sobre o Nacional da Madeira, o Campeão Nacional de Futebol pelo terceiro ano consecutivo.
Dito isto, e acontecida que foi festa de arromba espontânea em Portugal inteiro e no resto do mundo para comemorar o evento desse enorme clube nacional, passo ao segundo tema que me apraz registar neste Domingo, dia 15 de Maio de 2016.
Esse tema é nem mais nem menos do que a atribuição oficial do nome do General Humberto Delgado ao Aeroporto de Lisboa.
Acontecimento marcante, sem dúvida, sobretudo pela simbologia que o General representa na história do nosso país em geral e na história do aeroporto em particular.
Associando-me à mudança de nome do aeroporto de Lisboa, deixarei uma pequena síntese com a ajuda da Wikipédia, sobre tão ilustre figura da história recente de Portugal e que passa a dar o nome ao aeroporto da capital..

Fiquem bem,
António Esperança Pereira


General Humberto Delgado
Convidado por opositores ao regime de Salazar para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, Américo Tomás, aceita, reunindo em torno de si toda a oposição ao Estado Novo.
Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, em Lisboa, quando lhe foi perguntado por um jornalista que postura tomaria em relação ao Presidente do Conselho Oliveira Salazar, respondeu com a frase "Obviamente, demito-o!".
Esta frase incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha com particular destaque para a entusiástica receção popular na Praça Carlos Alberto no Porto a 14 de Maio de 1958.
Devido à coragem que manifestou ao longo da campanha perante a repressão policial foi cognominado «General sem Medo».
O resultado eleitoral não lhe foi favorável graças à fraude eleitoral montada pelo regime.
Mais tarde, no ano de 1965 pensando vir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola em Los Almerines, perto de Olivença, em 13 de Fevereiro desse ano.
Ao seu encontro vai um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco. O agente Casimiro Monteiro assassina-o, bem como à sua secretária, Arajaryr Campos. Os corpos foram ocultados perto de Villanueva del Fresno, cerca de 30 km a sul do local do crime.


segunda-feira, maio 16, 2016

O TRI do Benfica e o Aeroporto Humberto Delgado


Nosso comentário:

Para não misturar as coisas e porque não posso hoje deixar de registar o tricampeonato do Sport Lisboa e Benfica, direi primeiro exatamente isso: 
Que o Benfica é, com a vitória de hoje sobre o Nacional da Madeira, o Campeão Nacional de Futebol pelo terceiro ano consecutivo.
Dito isto, e acontecida que foi festa de arromba espontânea em Portugal inteiro e no resto do mundo para comemorar o evento desse enorme clube nacional, passo ao segundo tema que me apraz registar neste Domingo, dia 15 de Maio de 2016.
Esse tema é nem mais nem menos do que a atribuição oficial do nome do General Humberto Delgado ao Aeroporto de Lisboa.
Acontecimento marcante, sem dúvida, sobretudo pela simbologia que o General representa na história do nosso país em geral e na história do aeroporto em particular.
Associando-me à mudança de nome do aeroporto de Lisboa, deixarei uma pequena síntese com a ajuda da Wikipédia, sobre tão ilustre figura da história recente de Portugal e que passa a dar o nome ao aeroporto da capital..


Fiquem bem,

António Esperança Pereira



General Humberto Delgado

Convidado por opositores ao regime de Salazar para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, Américo Tomás, aceita, reunindo em torno de si toda a oposição ao Estado Novo.
Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, em Lisboa, quando lhe foi perguntado por um jornalista que postura tomaria em relação ao Presidente do Conselho Oliveira Salazar, respondeu com a frase "Obviamente, demito-o!".
Esta frase incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha com particular destaque para a entusiástica receção popular na Praça Carlos Alberto no Porto a 14 de Maio de 1958.
Devido à coragem que manifestou ao longo da campanha perante a repressão policial foi cognominado «General sem Medo».
O resultado eleitoral não lhe foi favorável graças à fraude eleitoral montada pelo regime.
Mais tarde, no ano de 1965 pensando vir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola em Los Almerines, perto de Olivença, em 13 de Fevereiro desse ano.
Ao seu encontro vai um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco. O agente Casimiro Monteiro assassina-o, bem como à sua secretária, Arajaryr Campos. Os corpos foram ocultados perto de Villanueva del Fresno, cerca de 30 km a sul do local do crime.

quarta-feira, abril 20, 2016

Brasil e o "impeachment"


Nosso comentário:


Alguém que esteve comigo ontem mesmo, confrontou-me, no meio de conversa havida, com o que se passara no Brasil no passado Domingo. Ou seja, a votação "a favor" ou "contra o "impeachment" da Presidente Dilma Rousseff.
Eu por acaso, já que se tratava de um país da importância do Brasil, a que nos ligam afetos intermináveis, tinha estado atento e presenciei a par e passo os acontecimentos a que ele se referia.
Respondi-lhe por isso que sim que tinha visto.
Logo ele retorquiu:
-Então e desta vez, tu que escreves tanto, não disseste nada?
Dado conhecer as ideias do próprio, embora de política não falemos muito, do seu alinhamento político, etc. percebi logo que queria que eu tivesse escrito um panegírico à vitória dos "libertadores" ou qualquer coisa parecido (!!!???)
Ora, eu que tivera visto a votação em direto, deputado a deputado, que fora deprimido para a cama depois de ver o espetáculo bizarro e sombrio que os senhores deputados iam dando à medida que votavam...
Eu que ficara quase sem pio com a maneira intimidatória com que os deputados iam falando entre algazarras e apupos, alguns deles exprimindo-se num tom de tal maneira agressivo que faziam lembrar os tempos macabros e pidescos de Portugal e os tempos do Brasil da ditadura...
Fiquei literalmente sem opinião.
Como poderia eu alinhar, escrever, empolgar-me, com uma situação daquelas, fazer um panegírico a algo que não só me chocou como me surpreendeu amargamente pela negativa? 
Quem são os maus? quem são os bons? que alternativa se viu ali? o que muda,se mudar?
Daí que a melhor resposta para a situação confusa e enviesada que se vive no nosso querido Brasil, a quem desejo prosperidade, paz, democracia e liberdade, encontrei-a numas palavras atribuídas a Fernando Pessoa:



Fiquem bem,

António Esperança Pereira


quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Sócrates e..."Fazer tábua rasa"


Nosso comentário:

José Sócrates, ex-Primeiro Ministro de Portugal, para muitos o melhor primeiro ministro de sempre, vai finalmente ser ouvido na próxima Segunda-Feira no Tribunal Central de Instrução Criminal no âmbito do processo Operação Marquês. 
O objectivo da sessão será rever os pressupostos da prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, e não o recurso apresentado pelo ex-governante ao Tribunal da Relação de Lisboa.
Seja como for, prender primeiro e investigar indícios de suposto crime depois, parece-me de um abuso e atropelo aos direitos e liberdades do cidadão, de fazer lembrar os velhos tempos da ditadura via PIDE/DGS.
Mas não é este o assunto do meu post de hoje, muito embora tenha sido o nome "Sócrates", filósofo da antiga Grécia, que me fez publicar uma curiosidade da língua portuguesa: 
O significado de "fazer tábua rasa".
Embora os gregos sejam o que são, uns pobres diabos no entender da governação de Portugal e seus aliados, têm também o condão de serem o berço da civilização ocidental, ou seja, um antro de cultura de primeira apanha...
Pasme-se só: Já Aristóteles, grande filósofo e pensador grego, usava a expressão em assunto, que ainda mantemos nos dias de hoje. 
Confirme-se abaixo.


Fiquem bem,

António Esperança Pereira


Fazer tábua rasa

Significado: esquecer completamente um assunto para recomeçar com novas ideias.
Origem: a tábua rasa na Antiguidade era uma "pequena tábua " de cera onde nada estava escrito. A expressão foi usada pelos empiristas de Aristóteles, para assim chamarem ao estado de espírito, que antes de qualquer experiência, estaria completamente vazio. John Locke (1632-1704) dizia que no início a nossa "alma" era como uma tábua rasa, limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma...

Como adquirir ideias? Pela experiência.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Um qualquer Relvas&friends será capaz...

Nosso comentário: Assim vai este país:  A culpa é sempre dos que lá estiveram, nem que para isso tenha que se mentir, chamar-lhes todos os nomes, aos de antanho, sejam eles quem forem, monárquicos ou mais recentes. 
A CULPA FOI DE D. AFONSO HENRIQUES, poderia dizer o "xico esperto" da política. Dizendo isto, identificava logo as culpas todas.
Só que este senhor, o 1.º rei de Portugal, já está muito longe, uma afirmação simplista assim dificilmente seria ouvida, dificilmente daria votos a quem a proferisse.
Daí que há que encontrar bodes expiatórios mais recentes. Dá pouco trabalho (uma boa má língua chega) e tem elevados ganhos sem que para isso se exijam exercícios de análise histórica e de elevada craveira intelectual.
Um qualquer Relvas&friends será capaz de apontar o dedo ao elo mais fraco da atualidade política, por força das circustâncias da crise global dos mercados: SÓCRATES.
É o caso deste mentor do regime mais coisa menos coisa, que vemos amiúde orientar-nos as mentes com o seu ideário de abadia que dá pelo nome de Marcelo.
Se aos opositores de SÓCRATES lhes custará pronunciar o seu nome sem gaguejar (não é o nosso caso) ... a quem conheceu o regime de SALAZAR/MARCELO (que é o nosso caso) bem mais custará pronunciar este nome: MARCELO.
Conhecemos ainda a mão pesada da PIDE-DGS (polícia política) do tal Marcelo e o regime autoritário, miserabilista, bolorento, terceiromundista, feroz ante as liberdades individuais que o caraterizou. Não queremos que volte jamais tal gente.
Por isso mesmo, calem-se os Marcelos de vez, os autocratas, os déspotas, os "Portugal dos pequeninos para meia dúzia de grandes".
Deixem que outros, porque os há, com engenho e arte, grandeza de valores, visão do mundo e da vida, se afirmem para bem desta grande nação, agora espezinhada, fiscalizada, roubada, mal tratada, mal governada.


António Esperança Pereira
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Deixamos um apontamento publicado no Facebook sobre Marcelo, entre tantos outros... 
Por,



O que Marcelo fez no passado domingo não é...
Lara Ferraz 22 de Agosto de 2012 
O que Marcelo fez no passado domingo não é muito diferente do que costuma acontecer em todas as suas homilias dominicais, quando, partindo de falsidades ou de meias verdades, faz “análises” intelectualmente desonestas.

A "argolada" (digo assim generosamente) de Marcelo Rebelo de Sousa ao atribuir a Sócrates, durante a última homilia dominical na TVI, a criação da sobretaxa de 50% sobre o subsídio de Natal, em 2011, somada às restantes asneiras, começou por ser glosada das mais diversas formas nas redes sociais.

No entanto, na imprensa, manifestamente às ordens deste governo, só encontrou eco, tanto quanto me dei conta, na pena de Ferreira Fernandes que trata o caso com a habitual fina ironia, em crónica no DN e que aqui já publiquei ontem.

O Correio da Manha (sem til) fez uma brevíssima nota escondida numa pagina onde quase ninguém lê. Ora, esta mesma imprensa saloia, que todas as segundas-feiras estampa nas capas dos jornais o que MRS diz nas suas habituais homilias dominicais, desta vez está muito caladinha. Nada a estranhar...

Telmo Vaz Pereira
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Fiquem bem, António Esperança Pereira

http://www.bubok.pt/afiliados/tienda/

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Brasil, Vírgula, Salazar, Mariguella

Hoje é notícia no site da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) 

Emoção no centenário de Marighella


Cursos On-line


A ABI sediou nesta quinta-feira, 15, o lançamento do “Ano Mariguella”, em comemoração ao centenário de nascimento de Carlos Mariguella, líder revolucionário, ícone da luta contra a ditadura militar no Brasil. Para resgatar a memória do guerrilheiro serão realizados ao longo do ano seminários, debates, palestras e exposições.


http://nucleo.netlucro.com/clique/13276/556/

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Foi notícia na ABI, a campanha dos 100 anos da Vírgula.
Como achámos muito interessante, aconselhamos vivamente a sua leitura.
Tem tudo a ver com o uso da pontuação, questionada pelo Nobel português José Saramago.
O leitor tirará as suas conclusões.
A notícia deste evento chegou até nós via email, remetido por uma leitora e amiga.
A ela o nosso muito obrigado.
Aí vai:

100 anos da vírgula - Excelente!! Sobre a Vírgula
Muito bonita a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.


Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!


Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Detalhes Adicionais:COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...

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Retirei um comentário bem português ao evento da Associação Brasileira de Imprensa, divulgado em um blog que visitei, que dá pelo nome de: cantinhodacasa.blogs.sapo.pt

Por Rui da Bica:
São curiosasa estas coisas.
A primeira de que lembro era sobre Salazar :

"Salazar deve morrer não faz falta à nação"-

A PIDE quando leu isto prendeu o home, porque leu:
Salazar deve morrer. Não faz falta à nação.
O homem argumentou que, nada disso. O que ele queria dizer era:
Salazar deve morrer ? Não. Faz falta à nação.
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Fiquem bem,

domingo, junho 12, 2011

"Percurso adolescente anos 60" - António Esperança Pereira


Sinopse

Percurso adolescente tem um cheirinho a um tempo bem difícil que Portugal vivia. Por um lado a guerra colonial, por outro o êxodo migratório para terras de França sobretudo. Não havia liberdade de expressão, a falta de futuro em ditadura emprestava uma tristeza enorme ao rosto dos portugueses. Só o 25 de Abril de 1974, a conhecida Revolução dos cravos, viria derrubar o regime ditatorial e instaurar uma democracia em Portugal.

"Percurso adolescente anos 60" é pois nome de livro, uma colectânea de poemas simples, com o mérito de serem escritos naquele tempo. Só lamento tratar-se de uma colectânea incompleta, já que a PIDE, a polícia política de então, de passagem por minha casa, em Pinhel, resolveu levar muito do que eu tinha então escrito.

A dita PIDE, para além de levar coisas que eu tinha escrito, levou também o autor, que passaria, com a idade de 20 anos, umas "férias forçadas" de cerca de um mês na prisão de Caxias em Lisboa -detido para averiguação- (???!!!)
Por sorte o autor não era comunista, nem tinha qualquer ligação ao PCP (Partido Comunista Português) se não tinha lá ficado.

Enfim... tempos que é preciso relembrar de quando em vez especialmente aos que se queixam de défice democrático e de falta de liberdade de expressão no nosso tempo.
Neste capítulo não sabem nem sonham o bem que têm, acreditem!
O tal material nunca mais o reavi por motivos óbvios.
Tenho pena, pois tinha coisas bem interessantes.

Salvei todavia alguma coisa, sobretudo em memória. Dê aqui uma espreitadela:

http://www.bubok.pt/libros/4051/Percurso-adolescente-anos-60

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril (apontamento breve)


Quando se fala da data "25 de Abril", é inevitável a associação que se faz de imediato ao que também foi designado por "revolução de Abril" ou "revolução dos cravos".
Esta revolução ocorreu no ano de 1974, daí que, embora se trate de um acontecimento recente (com apenas 25 anos na data em que este texto é escrito) muitos jovens que começam já a ter responsabilidades profissionais de certa monta, pouco ou nada recordam ou sentem sobre a data memorável que é o "25 de Abril".
Daí a razão de ser destas linhas, que se destinam sobretudo aos que nasceram depois daquela data, ou que tinham então poucos anos de idade e por isso não puderam participar e assimilar o que estava realmente a acontecer.
Portugal vivia num regime autoritário havia mais de 40 anos. Foi um tempo de repressão policial, de intolerância, de censura, de muitas coisas que revoltavam o povo português. Havia a guerra nas colónias e o regime de Salazar tentava manter a todo o custo um império que já não encontrava paralelo nas outras potências colonizadoras da Europa.
O desgaste provocado pela guerra colonial aliado ao atraso em que Portugal cada vez mais se encontrava e que obrigava milhares e milhares de portugueses a emigrarem para o estrangeiro (sobretudo para França) para aí encontrarem melhores condições de vida, ajudaram a que a revolta aumentasse e a certa altura se tornasse inevitável o confronto.
Foi então que surgiu um movimento liderado por militares, que ficaram conhecidos por "capitães de Abril", que, ocupando sítios estratégicos e com o apoio incondicional da população, prenderam o então líder do governo, Marcelo Caetano, que sucedera poucos anos antes, a Salazar.
Nas ruas da capital havia multidões a perder de vista, cantavam-se canções de liberdade e de apoio ao MFA (movimento das forças armadas). Gritavam-se "slogans" como: "fascismo nunca mais"; "viva a liberdade"; "morte à ditadura"; "morte à PIDE".
Era também a festa de regresso a Portugal de intelectuais e políticos ilustres que viviam exilados no estrangeiro.
Entre esses, citem-se, apenas a título de exemplo, os casos de Mário Soares, Álvaro Cunhal e Manuel Alegre.
Logo a seguir ao "25 de Abril", sucedeu-se um período conturbado de luta pelo poder, estando sempre iminente uma guerra civil. Havia manifestações populares por tudo e por nada, em apoio ou contra isto ou aquilo, esta ou aquela figura política.
Foi também o tempo de alguns exageros de sinal negativo, como aliás os há em todas as mudanças profundas.
Foi o caso dos saneamentos selvagens de certas pessoas, feitos em julgamentos sumários e públicos acusando-as muitas vezes do que não eram, bem como certos radicalismos que tentavam através de um protagonismo oportunista e exagerado controlar o país.
Mas o bom senso prevaleceu e os partidos políticos foram solidificando a sua influência na sociedade civil. Ao mesmo tempo que isso acontecia, os militares regressavam aos quartéis cedendo o poder aos políticos como deve ser numa sociedade democrática.
Foi então que começou o "Portugal democrático" onde cada português passou a ter direito a pensar livremente: a ser socialista, comunista, democrata-cristão, ou outra qualquer tendência ideológica, sem que por isso fosse perseguido.
Esta foi, sem sombra de dúvida, uma das maiores conquistas trazidas pela "revolução dos cravos": A conquista da "LIBERDADE". A outra grande conquista foi a "PAZ" alcançada com o fim da guerra colonial. A terceira grande conquista foi a "DEMOCRACIA", com a legalização dos partidos políticos.
Fruto do 25 de Abril, o regime democrático em que vivemos, é tolerante, aberto a todas as correntes de pensamento.
Tem um Presidente da República eleito através de sufrágio universal, o mesmo sucedendo com o Parlamento e as Autarquias.
É o Parlamento quem confere legitimidade ao Primeiro-ministro e o seu Governo para governarem o país. Os Tribunais são o garante do cumprimento das leis.
Por isso dizemos hoje que Portugal é um país livre e democrático.

In "TEXTOS DISPERSOS DO EU" de António Esperança Pereira

domingo, março 20, 2011

SALAZAR: UMA BOA ANEDOTA


A melhor anedota, pelo menos uma das que obtinha da minha parte de jovem adolescente risada grossa garantida, era uma que começava assim:
UM DIA O SALAZAR MORREU...
Chegava-me a doer o estômago, a barriga, tinha de tossir, contorcer-me, sair do grupo, ia às lágrimas, sei lá...
Bom devo acrescentar que quem contava esta anedota era um exímio contador de anedotas.
Esse devia ser o trunfo da mesma, pois tão forte e adequada era a entrada daquelas palavras proferidas em tom solene, sério, gozado, que arrebatava antes de se iniciar uma gargalhada estrondosa.
Éramos um grupo de jovens estudantes em férias nos jardins da cidade de Pinhel.
Corria-se algum risco político, mesmo tratando-se de uma anedota e de uma cidade de província pequena (havia informadores da PIDE, polícia política, por todo o lado)
Mas o pessoal era jovem e arriscava, porque o Salazar estava vivo e bem vivo então...
Anote-se que a anedota era tão boa que nunca a ouvi contar. Este o facto por eu a distinguir de todas as outras.
Começava e acabava com a introdução:
UM DIA O SALAZAR MORREU...
O ar sério do contador da anedota, olhando os circunstantes com gravidade, quando o afirmava, fazia o resto.
Zás, cá o rapaz desatava numa risota que não mais parava nem tinha ouvidos para ouvir durante uns tempos.
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Bom lembrei-me disto num tempo em que são mais que muitos os candidatos a "salazar", não só no aspecto, que nesse pormenor vai havendo, mas também na forma.
Também mo recordou um artigo de Daniel Oliveira de Quarta-feira, 16-03, no jornal Expresso, intitulado "CAVACO O BOM ALUNO DO ESTADO NOVO".

Cito apenas a parte inicial do artigo, preocupante mesmo!

"Ontem, quando assinalava os cinquenta anos do início da Guerra Colonial, Cavaco Silva disse esta frase: "Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar".

Sobre esta frase, ficam apenas algumas pequenas perguntas. Considera o chefe de Estado que a guerra colonial (repito: "colonial") foi essencial para o País? É comparável aos desafios que temos pela frente? Ou considera que foi um erro histórico? Ou não faz ideia e as palavras limitam-se a brotar da sua boca como se não quisessem dizer rigorosamente nada? Consegue o Presidente da República distinguir a coragem e a determinação exigidas num ato voluntário de cidadãos livres, da coragem e da determinação exigidas numa participação forçada numa guerra decidida por um governo ilegítimo? Tendo sido exigida coragem para sobreviver a uma guerra que o País não queria, ela será o melhor exemplo para dar ânimo aos jovens de hoje? Ser "carne para canhão" é o que o nosso Presidente pede aos jovens portugueses? Ser vítima da cegueira do poder, é o desígnio desta geração?
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Nem comento!


Uma boa semana para todos,

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...