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sexta-feira, abril 24, 2020

25 de Abril: Um poema!!!


Antes e depois


Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa; 
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!


AEP/

O poema faz parte de uma coletânea de poemas com o título "PORTUGAL PERIFÉRICO OU...O CENTRO DO MUNDO?", que pode ser visto e consultado no link da Editora:

http://www.bubok.pt/libros/2158/PORTUGAL-PERIFERICO-OUO-CENTRO-DO-MUNDO


Fiquem bem, de preferência em casa.

António Esperança Pereira

segunda-feira, julho 22, 2019

Mais uma voltita pela "nossa" Europa


Acabo de passar alguns dias, poucos, por terras da "nossa" Europa. 
Daí a justificação para a ausência das minhas atividades do dia a dia, designadamente nas que concernem à Internet (blogue, redes sociais, etc.)
Quanto à Europa, digo "nossa", porque, quer queiramos quer não, é o Continente que nos viu nascer, a nós, países nela localizados, que acolheu o nosso SER neste mundo.
Devemos-lhe essa grande oportunidade de termos um lugar para desfrutar na vida terrena.
Tem sido efetivamente um Continente com um passado de divisão, de lutas, de guerras, de histórias nacionais paralelas…um espaço dividido como o são as terras agrícolas do meu país, Portugal, onde predomina a pequena propriedade, sobretudo no norte. 
Isso não tem ajudado à comunhão de interesses, a uma solidariedade no desempenho das diversas atividades, nem sequer a uma melhor rentabilidade dos espaços.
Assim tem sido e é ainda a Europa. Um espaço grande mas dividido em múltiplos espaços pequenos, cada um virado para si mesmo.
Todavia, grandes passos foram dados nas últimas décadas para contrariar esses "pequenos mundos nacionais" com interesses peculiares e divergentes.
Aboliram-se fronteiras, facilitando uma melhor circulação de pessoas e bens. Quanto às pessoas do Espaço Europeu (UE) podem nele circular com um idêntico bilhete de identidade. A moeda unificou-se e, embora traga alguns problemas pontuais, na verdade facilitou e muito a convergência dos povos nas tarefas e relacionamentos do seu quotidiano.
Hoje pode caminhar-se por este Espaço Europeu e são visíveis as semelhanças em quase tudo: na paisagem humana, na paisagem comercial, no parque automóvel, na sinalização dos espaços, na cultura e estilo de vida, nos valores da liberdade e da democracia, etc etc etc.
O europeu sente-se hoje bem mais em sua casa, mesmo estando fora de sua casa natal, do que se sentia uns anos atrás.
Isso é positivo, uma conquista impensável há algumas décadas atrás.
Assistimos de então para cá a um período de progresso, de concórdia, de paz, que nunca houvera.
Daí ter de ser preservado, cuidado, acarinhado por todos os cidadãos europeus.
Terá efetivamente que haver cedências de todos, uns em umas coisas, outros em outras, mas voltar atrás como alguns intentam, seria regredir em avanços históricos, audazes e belos, que poderiam ser perdidos para sempre.
Penso assim desde o primeiro dia em que vi abolida a fronteira entre Portugal e Espanha.
Nasci e cresci bem perto dela e habituei-me às dificuldades e perigos de ultrapassar tal fronteira. 
Acolhi com entusiasmo a abertura da mesma. 
Foi para mim, e estive lá nesse dia, um autêntico HINO Á LIBERDADE.
É importante para nós europeus continuarmos a aprofundar esta "União", é importante para o mundo inteiro que assim seja.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira


segunda-feira, novembro 07, 2016

Eleições americanas e democracia



Nosso comentário:

Estamos praticamente em cima das eleições norte-americanas, considerado um dos maiores acontecimentos políticos do ano.
Não há assim grande coisa a dizer a respeito, pois certamente os eleitores do futuro Presidente dos EUA já terão nesta altura feito a sua escolha.
Escolha essa que se resume nisto:
Ou um caminho de continuidade defendido e apoiado pelo atual Presidente Obama, na pessoa de Hillary Clinton, ou uma carta fechada, uma aventura perigosa, um futuro que ninguém de boa fé saberá dizer qual será, na pessoa de Donald Trump.
São as opções possíveis para o eleitorado.
Ora, mesmo que os dois candidatos não correspondam 100% às expetativas dos cidadãos norte-americanos, eu, se fosse norte-americano saberia em quem não votar.
Aliás, quando a dúvida se tem colocado da mesma forma em eleições do meu país, Portugal, também tenho votado na solução menos má. Ou seja, na solução melhor de entre o que me é apresentado.
Assim, tal como eu, oxalá que os americanos, em particular os indecisos, façam como eu faria.
Que votem maioritariamente "o menos mal possível".
Desejando que tudo corra bem em terras norte-americanas, deixo acima uma ilustração com a sua piada sobre "Democracia".
 
António Esperança Pereira


segunda-feira, abril 25, 2016

25 de Abril em modo "light"


Nosso comentário:

Apenas meia dúzia de palavras para introduzir uns "versinhos" que fiz a mais um 25 de Abril, neste ano de 2016.
Na altura, 1974, eu não estava cá, ou seja em Portugal, pois encontrava-me destacado no cumprimento do serviço militar obrigatório em terras da Guiné-Bissau.
Não tive por isso o privilégio de viver esse dia memorável em Lisboa.
Acompanhavam-se os acontecimentos como se podia, via rádio sobretudo, também através de outras fontes que nos contavam o que se passava na capital.
Eram as canções do saudoso músico e cantor Zé Afonso que nos aqueciam os corações nas longínquas paragens em que nos encontrávamos.
A alegria e a esperança de um futuro melhor eram grandes. A ditadura durara tempo demais. O país estava exausto, empobrecido e atrasado.
Havia que encontrar um novo rumo para as então "províncias ultramarinas" numa altura em que todos os impérios já tinham feito as respetivas descolonizações.
O nosso dia chegou enfim a 24 de Abril de 1974.
Caía finalmente um regime caduco, repressivo, ditatorial, que nos atrasara tempo demais face à Europa.
A Liberdade foi a maior conquista. Especialmente a liberdade de pensamento e expressão que abriria as portas a todas as outras liberdades.
Com essas liberdades chegou a Democracia.
Portugal passava a ser um país moderno. Tinha todas as condições para seguir um rumo novo.
Ficou por isso célebre a frase "As portas que Abril abriu"
Hoje celebrou-se mais um aniversário sobre essa inesquecível data.
As celebrações foram singelas, sem grandes cartazes nem palavras de ordem. Tentaram ser conciliadoras por toda a parte, tal como o foram as palavras do Presidente da República.
Talvez por isso os meus "versinhos" desta feita também sejam "versão light". Deixo-os abaixo e é o meu contributo para lembrar e festejar este dia.


Fiquem bem,

António Esperança Pereira



Abril sempre



Estou feliz com o que tenho
E querer mais não é pecado
Saboreio o grande engenho
De sair do triste fado

De deixar de ser tacanho
Esquecer o que sofri
Nos registos do passado
Em que outrora me perdi

Eram feridas desesperanças
Tempos negros falsas glórias
Chega de elogiar andanças
Com sangue de palmatórias

Escola velha violenta
Que frequentei quando novo
Pancada e água benta
Eram práticas que reprovo

Por isso repito a crença
Que estou feliz em Abril
Esse mês de águas mil
Esse mês que fez diferença

Esse mês que fez soltar
Um povo triste amarrado
Um povo enfim libertado
De mãos dadas a cantar.




segunda-feira, novembro 16, 2015

Pressa nenhuma, vontade ainda menos


Numa altura em que o mundo parece louco, que tudo perdeu ou anda a perder a cabeça, há um homem sereno a passar uns dias na Ilha da Madeira: Cavaco Silva.
O país em que ele é o Presidente da República está à espera de uma decisão sua sobre a governação do país, mas até à data...
Nada.
A pressa não é nenhuma, a vontade ainda menos.
Eu digo que anda sereno mas também não sei sobre a veracidade da minha afirmação. Sabe-se que vai fugindo de confusões, o que não denota serenidade nenhuma.
Denota pelo contrário medo.
O desmaio em público e outras contrariedades, devem ter acicatado esta vertente da "miaúfa presidencial".
Depois, a simples ideia que lhe deve martelar a cabeça de ter que dar posse ao governo eleito pela maioria de deputados que, segundo ouço dizer, ele considera de 2.ª e de 3.ª, deve arrasar a sua visão pouco aberta e ampla de estadista.
Tais deputados de 2.ª e de 3.ª, já se vê, não são uns deputados quaisquer, uma vez que, tendo assento parlamentar, isso lhes confere uma representação popular efectiva.
E tal assento parlamentar, há que sublinhar isto, é maioritário em relação à ex-maioria da preferência ideológica de Cavaco Silva.
61%  versus 38%
Onde está a dúvida? 
Bom, as eleições havidas parecem não ter tido a mínima importância. Houve-as realmente mas haveria que repeti-las (opinião dos perdedores PáF) até à exaustão, até darem o resultado pretendido pelo regime ainda em exercício.
Infelizmente, pelas últimas afirmações que li do PR proferidas na Ribeira Brava (R.A. Madeira) até parece agora inclinar-se para a opção de governo que ele próprio (PR) alvitrara como sendo a pior de todas as opções possíveis: 
-Um governo de gestão.
Valha-nos Santo Ambrósio e que todos os santos nos protejam destas democracias dos mesmos.
Porque caros leitores uma democracia dos mesmos não é uma democracia. 
Quando muito será uma autocracia que diz tolerar "minorias políticas" apenas visando com tal tolerância o enfeite dos boletins de voto de partidos e partidecos que nunca poderão governar.
Poderão assim encher a boca de que são "democratas assumidos" mas com a hipócrita convicção de que "os outros" nunca poderão governar.
O mundo parece louco, Portugal não foge à regra.


Fiquem bem, 

António Esperança Pereira




quinta-feira, novembro 12, 2015

A Democracia venceu o medo


Tem andado bem acesa a luta política em Portugal. 
Há que dizer que já não era sem tempo que uma mexida séria acontecia no marasmo que se instalara de políticas de empobrecimento do país. Uma mexida num caminho feio, que nos queriam fazer querer que era obrigatório e único.
Num caminho que pusera uns contra os outros, num rumo sem qualquer aposta no crescimento, logo um caminho sem esperança.
Por isso mesmo, pelo marasmo, pela desesperança, cerca de meio milhão de portugueses, na sua maioria jovens, houvera que emigrar.
Com uma classe média destroçada, um aumento global da miséria dos mais miseráveis, a venda sistemática do património nacional, assistíamos a um Portugal que desaparecia.
Nas eleições legislativas que ocorreram a 4 de Outubro, apesar da máquina bem oleada da propaganda da governação em exercício, o povo votou.
Não acreditou na chantagem do medo. Não se intimidou com a verborreia da direita, castigou nas urnas com o seu voto esses que lhe metiam medo, os que queriam vergá-lo assustando-o com falsos papões, fantasmas e inverdades.
Resultou uma maioria nova, um novo quadro político. A austeridade e o fatalismo como "ideologia" tinham os dias contados.
O povo português pedia nas urnas mudança de política, virava à esquerda. Queria correr com os governantes da última legislatura. 
Queria correr com eles e conseguiu.
Findava enfim uma governação que durara 4 anos, 4 longos e penosos anos que a História se encarregará de narrar aos vindouros. 
Nascia uma nova maioria de deputados de partidos de esquerda, PS, PCP, BE e VERDES, uma maioria que se entendia, que convergia no novo quadro parlamentar, uma maioria que se uniu para dar corpo a um novo governo com novas políticas liderado pelo PS (Partido Socialista) 
Aguarda-se a todo o momento a tomada de posse desse governo.
A Democracia venceu o medo.  

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira

segunda-feira, novembro 09, 2015

Está quase a cair



Será que cai?

Esta noite, já de madrugada, tive um daqueles sonhos pouco agradáveis em que algures, num estranho café de esquina de uma cidade imaginária me pediam 111 euros por um bolo e uma bica. Atónito e confundido, perguntei à sr.ª que me atendia, atabalhoadamente, creio que mais para esquecer o exorbitante preço pedido pela bica e bolo: "Minha senhora, é hoje não é, é hoje que eles caem"? referia-me à queda do governo". Ela infelizmente não me entendia, insisti com a pergunta, tornei a insistir, nada. Acordei da cena, quando já clareava o dia, com alguma taquicardia.


Nota: Como complemento da informação do sonho e para os leitores que não sabem, é conhecido amanhã na Assembleia da República (Parlamento) se o governo de direita que tem governado Portugal é ou não chumbado pela maioria dos deputados de esquerda.
Tudo leva a crer que sim. A ver vamos, é se o sr. Presidente da República, dr. Cavaco, ao centro na foto, da mesma família política dos que o ladeiam, tem algum trunfo ainda para jogar.


Fiquem bem, 

António Esperança Pereira



sábado, novembro 07, 2015

Linguagem próxima das Pessoas


Nosso comentário:

Excelente discurso esta tarde em Lisboa, o de António Costa, na Comissão Política do seu partido, o PS. 
Foi um discurso claro, simples, no seu estilo peculiar, utilizando o que se pode chamar uma linguagem próxima do entendimento das pessoas.
Sublinho este último pormenor, "linguagem próxima do entendimento das pessoas", porque desde há uns anos a esta parte, que se tinha instalado neste país um discurso novo por um regime que primava pela ocultação do que a população tinha direito a saber.
Uma população que foi espoliada sem contemplações, sem qualquer ponta de humanismo, de bens e dinheiro sem que com isso visse reduzir a dívida nacional, ou reduzir a emigração, ou combater-se eficazmente o desemprego.
Uma população que parece ter agora uma maioria que a quer defender. Maioria essa desejada e pedida nas urnas nas últimas eleições legislativas.
Todos os partidos com assento parlamentar rejeitam sem equívocos as políticas seguidas e a seguir pela governação de direita agora em minoria.
Os partidos políticos com assento parlamentar, PS, PCP, BE, PEV, têm uma solução governativa sólida que responde a novas políticas para o país e para as pessoas. 
Trata-se de políticas sérias, tendo por base o programa eleitoral do PS, políticas essas, que aqui e ali foram melhoradas, aprimoradas, trabalhadas com ideias de todos os partidos em diálogo.
Isto foi dito, por outras palavras, claro, por António Costa no discurso de hoje ante a Comissão Política do seu Partido.
Um discurso transparente, inovador, histórico.
O actual líder socialista foi aplaudido de pé pela audiência o que significa a forte união e empenhamento dos socialistas neste projecto político cuja implementação se perfila num horizonte próximo.
Parece um sonho para os crentes na Democracia. Para aqueles que sucumbiam já à ideia impingida de que só poderia haver um caminho.
Eu próprio me vinha convencendo de que os logo-tipos das múltiplas formações partidárias aquando da realização de eleições, não passariam de puro folclore. Simbolizariam tão somente uma pretensa fachada de uma democracia moribunda pouco desejada e acarinhada pelos poderes ligados à direita política.
Ora, se esta maioria política ora saída do Parlamento funcionar, muitos de nós, eu incluído, voltaremos a acreditar que afinal a alternância política existe, que é possível virar o disco gasto de que há democracia quando são sempre os mesmos a governar.
Voltaremos a acreditar que não há portugueses de 1.ª, outros de 2.ª, outros de 3.ª.
Voltaremos a acreditar que todos, sem excepção, têm direito a ser portugueses, 

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


sexta-feira, outubro 30, 2015

Nova posse do velho governo


Nosso comentário:

Por acaso hoje, ao contrário dos últimos dias, a chuva aqui em Lisboa passou ao lado. 
O mesmo não aconteceu com o governo de Passos Coelho que, ao invés de passar ao lado, não. 
Caiu-nos mesmo em cima.
O sr. Presidente da República empossou o novo 1.º ministro, que por acaso é o mesmo, após um desfile de carrões despejando os notáveis a empossar (ministros e secretários de Estado) 
Como vem sendo alvitrado por toda a comunicação social, parece tratar-se de uma posse efémera para aquela gente toda, já que se prevê que o programa a apresentar por eles na Assembleia da República será chumbado pela maioria dos deputados.
Mesmo assim houve a cerimónia, cumpriu-se a tradição, os empossados tiveram a amabilidade de depositar a sua assinatura num livro constituído para tal, e aconteceram ainda dois discursos a preencher o solene momento.
Falou primeiro o sr. Presidente da República, depois o sr. Primeiro Ministro.
Disseram pouco, quase nada, os semblantes eram murchos, fico com a ideia nestes últimos tempos de que à ex-maioria que governou o país estes 4 anos, agora minoria, lhes está a custar muito deixar o poleiro.
Enfim, pode ser só impressão minha.
Outra impressão que me fica, esta mais grave sobretudo para o conceito de democracia, é a de que pode haver muitos partidos e partidecos, montes deles, confira-se o boletim de voto das eleições, mas só se não crescerem muito e não forem perigosos é que serão aceites (tolerados) pelos que se têm proclamado até aqui como sendo os donos do arco da governação.
Grave mesmo.
Ora ao que parece a direita tem encostado demasiado à direita e o partido que normalmente ocupava parte do centro e centro esquerda desta feita não aguentou.
O Partido Socialista incompatibilizou-se frontalmente com políticas seguidas pelo executivo de Passos Coelho e Portas. Por eles enxovalhado e desprezado, o PS não conseguiu servir de moleque ou muleta a uma direita tão extremada, a políticas tão anti-pessoas, a um regime de "quanto mais pobres melhor", a um governo que cortou nos salários, pensões e prestações sociais para financiar a banca, a um governo que colocou os portugueses outra vez na crista da onda da emigração.
O caldo ficou entornado. 
Com toda a esquerda a querer viabilizar uma alternativa de governo liderado pelo PS, com políticas diferentes e com múltiplos pontos em comum, se dúvidas houvesse, logo se esfumaram.
Passos Coelho e a sua política de direita apadrinhada pelo sr. Presidente da República desde o 1.º momento, parecem encontrar-se num beco sem saída.
Ante a arrogância com que, PR e governo presentearam a esquerda, menorizando-a e maltratando-a, arriscam-se agora a engolir alguns sapos, pois a alternância democrática tem que se aceitar doa a quem doer. 
E nota-se que está a doer mesmo muito a quem se convenceu, talvez por imaturidade, talvez por má fé, não sei bem, que o "caminho único" eram favas contadas.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


quarta-feira, outubro 21, 2015

Retorno ao tempo de Salazar e Marcelo?


Nosso comentário:

Pelas notícias que lemos e que vão saindo amiúde sobre a tentativa de formação de um novo governo, não parece nada fácil nesta democracia portuguesa respeitar-se o próprio significado da palavra "Democracia".
As pressões para que tal não aconteça são mais que muitas, ele são os media, ele são os comentadores ao serviço do poder, ele são os "cavalos de Tróia" infiltrados nos partidos a desferirem jogada sobre jogada, enfim...
é nestas alturas que se toma consciência que parecemos condenados ao "caminho único" chame-se o que se chamar a estes regimes políticos em que vivemos.
Está cada vez mais provado que de "democráticos" quase só já têm o nome.
Agora mesmo assistimos em Portugal a uma tentativa de intoxicação da opinião pública para que esta se convença de que tudo o que for diferente desse tal "caminho único", imposto ou a impor, será perigoso e impossível de intentar.
O medo está outra vez aí. 
Digo outra vez porque ainda me foi dado viver alguma juventude em plenos regimes de Salazar e Marcelo e sei o quanto custava usar publicamente uma simples palavra reprovada pelo regime ditatorial.
O medo está de volta. 
Medo de perder o salário, medo de não arranjar emprego, medo que falte o dinheiro nos bancos, medo de Bruxelas, medo de não ter futuro, medo de não ter presente, medo, medo, medo... 
Até quando? será que este medo veio para ficar, ou restará ainda aos homens eleitos para serem líderes uma ponta de coragem, de independência, de brio, para contrariar a tendência tenebrosa de um sórdido, insípido, desconhecido "caminho único"?
Certo que restam ainda umas pontas de liberdade, mesmo considerando que vivemos em uma sociedade cada vez mais controlada e policiada.
Porém, ante o que vejo, receio bem que mesmo estas preciosas pontas de liberdade se vão secando, uma após outra, já que nem uns meros resultados eleitorais de eleições livres podem ser aplicados na formação de um governo legítimo delas resultante.
Outra vez os "perigosos esquerdistas", expressões a fazer lembrar o mórbido tempo de Salazar e Marcelo. Outra vez o perigo dos comunistas. Outra vez a falta de democracia. Outra vez a manipulação da informação. Outra vez o desrespeito pela vontade popular.
Será possível meus senhores, contrariar ainda um tal retrocesso?

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira



quarta-feira, outubro 07, 2015

Eleições para um só caminho?



Dá para perceber que os sistemas democráticos estão inquinados. Sim inquinados como os pântanos, charcos, que se formam nos campos quando chove.
A água fica lodo, imprópria para consumo do mais rude camponês ou pastor que por ali vegete.
Assim está a democracia. 
Um lamaçal.
Em vez de cair chuva como no caso dos charcos do campo, fazem-se eleições. Finge-se que há múltiplas escolhas.
Pingam cidadãos de todos os lados cuidando que se fará alguma luz nas suas vidas com o ato de votar.
As mesas de voto desempenham na perfeição essa ilusão de que se trata de algo muito especial. As eleições. 
Liberdade, democracia, participação.
É hoje!
Lá estão as escolhas, o boletim de voto. Hoje sim é dia de mudar o presente, de contribuir com algo para a mudança, para um futuro melhor.
Tudo vai mudar, pensa-se, a esperança renasce, trocam-se olhares.
Anseia-se pela decisão. 
Fecham as urnas pela tardinha. As televisões enchem as casas com o ato eleitoral. 
É desta. Oxalá que sim. Deus o ouça. Vamos ganhar. Há que correr com eles. Com esta vergonha.
Os resultados aparecem. É já noite.
Ganhámos. Corremos com eles. Ficaram em minoria. Que bom. É agora.
Entretanto, aparecem os mandantes, os comentadores de serviço, as mesas redondas. Tudo desmontam. O que parecia, não é.
Ganhámos, perdemos?
Tudo na mesma? outra vez? 
Tem que ser. Dizem os alemães. Diz o Presidente. Diz o vizinho eloquente. 
Mas... 
Achei melhor calar-me e fui para a cama cabisbaixo. 
Para que seria que fomos votar se só pode haver um caminho? 
Era apenas isto que me atormentava o sono.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


terça-feira, agosto 25, 2015

Conversas em Família e Debates em Família


Nosso comentário:

Acabei de chegar aqui ao blog vindo de mais um "debate em família" entre um partidário do PSD (direita) e um deputado/Presidente de Câmara do PCP (comunista)
Ambos diziam umas coisas, tem que ser, já que a televisão que os contrata, pelo menos isso lhes deve exigir.
Em outro tempo, antes do 25 de Abril, criticava-se muito a monotonia das "Conversas em Família" do prof. Marcelo Caetano.
Lembram-se delas? os que se lembram, sabem do que falo.
Caros leitores do blog, em plena época de campanha eleitoral para as eleições do Parlamento em Portugal, numa altura decisiva para o destino do país, que tresanda em carência de tudo, quase se adormece a ouvir tais interlocutores.
Interlocutores estes que, em tempos idos, talvez proporcionassem uma troca acesa e interessante de pontos de vista.
Qual quê? Uma tristeza e um deserto de ideias.
Acabam por falar de coisas supérfluas, por trocar sorrisos amistosos, depois para justificarem o tempo de antena que lhes pagam, e por mútua conveniência, decidem ambos dizer mal do PS (que não está no debate) e do Syriza (que é aquele "maldito" partido esquerdista grego)
Eu chamaria a isto, sem qualquer interesse pessoal na matéria, a vitória assumida e apadrinhada do "caminho único" que nem sabemos ainda qual é.
Por isso referi as "Conversas em Família" do Prof. Marcelo Caetano, de antes do 25 de Abril. Monótonas, previsíveis, e de um só caminho. O caminho de então: o Salazarismo.
Uma paz podre que espanta quando anda tudo nervoso por esse mundo: os mercados bolsistas chineses, o mundo árabe, os migrantes, a xenofobia ante os refugiados de guerra, países destruídos, etc etc.
Tal e qual como acontecia com o Prof. Marcelo na altura. Portugal em várias frentes de guerra, mortos, estropiados, juventude sacrificada, famílias separadas pela emigração e ele, o 1.º ministro de então, a dar-nos baile pela televisão em conversas de família.
Afinal, tal como agora, só que agora tudo pia mais fino. Dão-nos baile em democracia, e em múltiplos canais televisivos para não nos faltar nada.

Fiquem bem,
António Esperança Pereira

domingo, julho 05, 2015

Vitória da Democracia em fundo de "sedativo enervante"


Nosso comentário:

Dia 5 de Julho, Domingo, dia de referendo na Grécia. 
Creio que por toda a Europa, também um pouco por todo o mundo, se aguardava com muita expectativa o resultado deste referendo ao povo grego.
Ouvindo ou lendo os comentadores mais insignes, alguns especialistas mesmo, fica-se com a ideia baralhada. Ou seja, parece que pouca gente sabe ao certo o que se está a passar na União Europeia, muito menos o que se irá passar num futuro próximo e menos próximo.
Confusão generalizada.
Por isso o meu conselho aos leitores, por experiência própria, é o de que estejam atentos, mas não se cansarem demasiado com os programas das televisões, na sua grande maioria tendenciosos. 
Dizem todos as mesmas coisas: um opina assim, o outro assado, um diz uma coisa, o outro contradiz, um comenta alhos com sarcasmo, o outro ri-se respondendo com bugalhos, o que acaba por funcionar como um "sedativo enervante". 
Digo "sedativo enervante" porque nem dão sono ao telespectador, nem o esclarecem convenientemente.
Mas adiante. 
A situação na Zona Euro é complexa, disso não resta a menor dúvida e, claro está, a partir de hoje fica um tanto mais complexa. 
Porque me parece a mim que chegou o tempo de atar ou desatar no tratamento da ferida que a Grécia pôs a nu na Zona Euro, e agora ampliou com o resultado do referendo.
Perante cinco anos de austeridade com programas da Troika que não resultaram, a humilhação, o empobrecimento, um tratamento de chacota por parte dos "parceiros de União", o Povo Grego mostrou hoje ao mundo que coragem não lhe falta.
Resistiram à chantagem, às pressões, às sondagens rotundamente erradas (!!!???) sobre o referendo, que apontavam um "empate técnico" e acabou numa relação abismal de 60%-40%.
Responderam à chamada e, entre dúvidas e medos, ousaram votar em liberdade.
Pela minha parte, não estou contente nem triste em relação ao referendo grego. Porque, eu não sei, tal como ninguém sabe se, perante a intransigência já mostrada pelas partes intervenientes neste processo "credores e Grécia", se chegará a um acordo que resolva a contento a questão.
Saliento por isso apenas uma coisa: 
Que hoje o Povo Grego, liderado por gente fora do arco da governação,  como se diz em Portugal,  goste-se ou não dos ditos líderes, soube mostrar à Europa e ao mundo o verdadeiro valor da DEMOCRACIA e relembrar o porquê de, desde a Antiguidade, esta lhe ser tão cara.
Oxalá a Europa, depois de hoje, saiba e consiga fazer uma profunda reflexão. Que saiba mudar de rumo e de estilo. É urgente.

Desejo uma óptima semana a todos,

António Esperança Pereira



sexta-feira, dezembro 12, 2014

Desconfiança por "quem guarda a vinha"


Nosso comentário:

São preocupantes os tempos que se vivem. Não só pelas guerras e guerrinhas que proliferam por todo o lado, mas sobretudo porque parece ter chegado o fim de um tempo. 
O fim de um tempo não para ser substituído por qualquer coisa de palpável, mas um fim de um tempo sem que se vislumbre outro tempo que seja alternativa de esperança, de prosperidade e de avanço.
Paira no ar um mistério sobre os novos donos deste planeta.
Pura e simplesmente não sabemos quem são.
A Alemanha fala pela Europa, os Mercados comandam as economias. Os paraísos fiscais e dinheiros perdidos existem. Captam-se investimentos cegos, não importa tratar-se ou não de dinheiro limpo, vindo ou não de regimes democráticos.
O cidadão comum debate-se a toda a hora com o surgimento de um vocabulário novo, uma nova maneira de chamar "os bois pelos nomes" a que não estava habituado.
A dúvida instala-se atingindo valores e áreas, que até aqui considerávamos como tendo sido conquistas importantes das sociedades modernas. 
Assim de repente, como que tudo parece ruir, com um cheirinho a retrocesso.
Desde as crenças e opções de cada um, aos direitos adquiridos e violados, aos planos de vida dificultados, à falta de justeza dos poderes, à própria democracia ameaçada...
Numa palavra, instala-se uma perigosa "desconfiança" generalizada do cidadão sobre quem guarda a vinha.
Para reflectir, e muito a propósito, deixo-lhes um texto bem preocupante que recebi via e-mail.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira



A propósito dos sem-abrigo


Li algures que os sem -abrigo eram obrigados a andar com um triângulo amarelo para serem facilmente identificados.
...em Marselha há gente muito amiga dos sem -abrigo.Para os ajudarem resolveram dar-lhes um cartão com um triângulo amarelo para eles terem um lugar visível, e escreverem no verso o nome, grupo sanguíneo, doenças...
Um triângulo amarelo para ajudar os mais desamparados da nossa sociedade. Quem terá sido o autor de tão brilhante ideia?
Amarelo era a cor com que os leprosos se faziam acompanhar na Idade Média (uma faixa amarela).
Nos campos de concentração nazis havia triângulos para identificar o grupo a que o prisioneiro pertencia: presos políticos-vermelho; homossexuais-cor de rosa; testemunhas de Jeová:roxo; criminosos- verde; associais-preto. 
Preto era a cor dos triângulos dos sem-abrigo.
Os mais perigosos, aparentemente eram os judeus, a quem deram o amarelo para a estrela feita com dois triângulos.
Foi apenas há 70 anos...

(do blog dois dedos de conversa)

Após ter lido este comentário e de já ter tido conhecimento, através de uma notícia publicada num jornal, sobre esta medida a aplicar, em França, aos sem abrigo não consegui deixar de transcrever o que mais me impressionou...

Sem mais comentários...sem mais palavras...

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...