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sábado, outubro 13, 2012

É tempo de de resignar Senhor Cardeal "hic et nunc"


Nosso comentário:


É difícil levar aos leitores, especialmente aos que não tenham tempo nem meios de visionar as reportagens televisivas, o filme do dia de hoje em Portugal.
Havia manifestações um pouco por todo o lado.
Lisboa é sempre o polo onde mais se concentram os protestos: "Sindicalistas", "Farmacêuticos", "Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas", "gente da cultura", etc etc.
Mas o Porto e outras cidades estão igualmente em pé de guerra.
A indignação é imparável, disso não restam as mínimas dúvidas. Pede-se que haja uma mudança de rumo, que não se  caminhe para um futuro onde Portugal e os nossos filhos e netos não caibam. Para um futuro que, por este andar, pode por em risco a própria sobrevivência de Portugal como nação soberana.
Milhares de cartazes empunhados pelas populações, de todas as idades, de todas as condições sociais, apontam no sentido de pedir uma rápida mudança de atitude e de rumo.
Pede-se a demissão do governo. Cada vez mais os eleitores sentem que um governo não pode fazer isto ao seu povo: destruí-lo em nome seja do que for. 
Pedem-se negociações inteligentes e plausíveis em relação à dívida portuguesa. Não as atuais condições diabólicas alteradas a toda a hora em permanente sobressalto e descontrole, que estão a acabar com a nossa economia, com as vidas das pessoas, das famílias, das empresas.
Empresas desistem, fecham as portas, pessoas não têm emprego, ou se o têm correm o risco de o perder. Os mais velhos vêem os descontos para as pensões que fizeram toda uma vida serem-lhes extorquidos contra o que está definido na Constiuição da República.
O salário mínimo nacional vai baixando, o país regredindo a tempos muito parecidos, até pelas imagens de hoje da Praça de Espanha, ao antes do 25 de Abril de 1974.
Canta-se Zeca Afonso. Dezenas de cantores e grupos, artistas de todas artes, juntam-se para dizer NÃO a um rumo sem rumo. A uma tristeza de um país sem leme nem ideias.
Chamam-se a este governo muitos nomes, que me escuso de referir por tão feios que são.
O primeiro ministro titulam-no de Robin dos Bosques dos pobres.
Os políticos a cada dia que passa têm mais dificuldade em verem a sua mensagem aceite sem escárnio e maldizer. Ninguém confia neles.
Caminha-se para o descrédito dos parlamentares, o que é grave, tendo em conta que os Parlamentos são as sedes das democracias, como se sabe.
Termino este "flash" com uma declaração de um "católico indignado" com as palavras de D. Policarpo, cardeal de Lisboa.
O leitor pode ler essa declaração logo a seguir ao comentário.
Também dois cartoon's que ilustram bem o que as populações pensam dos atuais poderes.
 

 
Fiquem bem, António Esperança Pereira

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DECLARAÇÃO


Enquanto católico, estou triste, muito triste, pelas recentes declarações do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Ao contrário do Bispo da igreja, assumido nessa condição, refugiou-se num cinzentismo cultural ao lado dos poderosos, em detrimento dos oprimidos ofendidos.

Enquanto católico assumido, devo pedir perdão aos não católicos, por este ato infeliz e negro que mancha a história da igreja portuguesa.

Segundo os Evangelhos, a opção de um cristão é clara.

Pela opção que fez, é tempo de o Senhor D. José Policarpo resignar " hic et nunc".

Jose Ribeiro Zito


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sábado, julho 09, 2011

Bispos solidários com D. Policarpo


Declarações de D. José sobre a ordenação das mulheres não caíram bem em Roma e o cardeal teve de explicar-se. Há quem fale em manifesto exagero.

Os bispos portugueses estão solidários com D. José Policarpo e qualificam de "exageradas" as pressões feitas sobre o patriarca, que o levaram, na passada quarta-feira, a publicar um esclarecimento sobre o caso da ordenação das mulheres.

O cardeal de Lisboa disse, em entrevista ao boletim da Ordem dos Advogados, que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação feminina, declaração que teve amplo eco internacional, com citações em diversos jornais europeus e, particularmente, italianos.

Na quarta-feira D. José Policarpo admitiu que as reacções de "indignação" às suas declarações o obrigaram a "olhar para o tema com mais cuidado" e afirmou total concordância com a Carta Apostólica ‘Ordinatio Sacerdotalis’, de 1994, em que o Papa João Paulo II reafirmava que "a Igreja não tem a faculdade de conferir ordenação sacerdotal às mulheres".

Este emendar da mão do cardeal-patriarca de Lisboa causou alguma indignação no episcopado português, que considera que as declarações de D. Policarpo são de índole teológica e não significam qualquer intenção de colocar em causa as regras da Igreja.

"A determinação que existe é da não ordenação das mulheres, mas não se trata de um assunto dogmático e, como tal, pode ser discutido", diz o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, lembrando que "o actual Papa, enquanto cardeal Ratzinger, considerou o tema de fronteira e em aberto".

D. António Vitalino, bispo de Beja, diz que "o assunto deve ser debatido e estudado pelos teólogos", mas admite que, "a haver qualquer alteração, demorará várias décadas".

"Isto obrigará a um debate muito longo e alargado e à convocação de um sínodo ou até de um concílio, o que não se faz do pé para a mão", disse ao CM o bispo de Beja.

A maior parte dos prelados evita o assunto, mas todos são unânimes no apoio ao patriarca de Lisboa. Aliás, todos devem dar esse testemunho de solidariedade na próxima reunião da CEP, em Setembro.
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Comentário à notícia mais votado

"É uma profissão leve que pode muito bem ser desempenhada por gente feminina,de preferência que sejam bem vistosas no altar.Pois com estes actuais Pastores,esta-se na eminência de o rebanho ficar reduzido a nada... "

Anónimo
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Nosso comentário

Pondo de lado polémicas, dogmas, mais isto mais aquilo, menos isto menos aquilo, uma coisa parece inevitável:
A Igreja Católica tem que fazer alguma coisa.
Por mais que se adiem soluções, renovações, modernizações, elas terão que ser feitas por imposição da natural evolução do mundo dos homens.
Dir-se-ia que já nada é como dantes.
Como pode, pois, a Igreja manter-se uma ilha, ou quase, em tantos e candentes assuntos da actualidade?

É sabida a dificuldade de atrair vocações de rapazes neste universo humano cada vez mais sedento de sucesso fácil, dinheiro, prazer, liberdade, grandes voos.
Longe vão os tempos de o Seminário se apresentar como solução para alguns meninos pobres estudarem indicados por beatas e protectoras madrinhas.
Leia-se a propósito o notável romance "A APARIÇÃO" do escritor Vergílio Ferreira.
Também a democratização do ensino e do saber tem tornado os jovens mais esclarecidos. Não será, pois, de ânimo leve que hoje se poderá convencer um "puto" a seguir a carreira de sacerdote.

Daí que este assunto "mulheres sacerdotes", que já não é novo e promete debate futuro, assuma a sua importância.
Pois só quem não tem olhos na cara e dez reis de testa é que não se dá conta dos avanços fantásticos que as mulheres têm feito, em todas as áreas, nas últimas décadas.
Pode dizer-se que têm conquistado lugar em tudo o que é sítio, actividade, profissão, carreira, quando ainda há pouco tempo quase tudo lhes era vedado.
Atrever-me-ia a dizer que as mulheres e seus avanços são a grande revolução social do último meio século, mais coisa menos coisa.

Assim sendo, faz todo o sentido que mais uma porta lhes possa ser aberta, a da carreira sacerdotal.
Deixo os pormenores para quem percebe da coisa e a sente, a verdade é que o mais que a Igreja poderá fazer será adiar esta quase inevitabilidade.
Os "se's" e os "mas" não irão conseguir contrariar este novo nicho de mercado que se adivinha para breve para o sexo feminino.
Aqui D. Policarpo está a ver bem.

Só há que pesar perdas e ganhos com "a coisa" neste negócio de saias no altar em concertação com os Senhores do Vaticano. Poderá haver crentes mais conservadores que não aguentem o modernismo, poderá haver outros, agora fora do rebanho, que sintam na presença da saia, um novo chamamento...
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

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Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...