Em Portugal passou, pelo menos para já, o medo de ser castigado por Bruxelas, o tal medo das prometidas "sanções" da UE por via de uma décima ou outra em falta com relação ao incumprimento do défice.
Sinceramente fiquei satisfeito com a decisão de não haver sanções. Foi uma boa decisão para a UE e para Portugal. Prevaleceu finalmente algum bom senso e, modéstia à parte, espero que o nosso blog tenha contribuído para esse desfecho positivo.
Muitos decisores políticos de Bruxelas, para a formulação de um bom juízo sobre a matéria, não deixaram com certeza de fazer uma leitura atenta dos desabafos simples mas sinceros aqui expressos nos últimos dias.
Fizeram bem ler o blog, decidiram bem.
Dito isto, deixo abaixo um texto que recebi, "Os burros", meio humorístico, mas sobre o qual aconselho os leitores a fazerem uma breve meditação.
Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada.
Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.
O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.
Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.
É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.
O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros.
Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.
É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?
Toda a gente concordou.
Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.
Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente – somente burros por todo o lado!
Entendem agora como funciona o mercado de Ações e porque apareceu a crise?
Amanhã parece ser o Dia D para Portugal e Espanha relativamente às sanções a aplicar aos dois países.
Trata-se de uma telenovela estranha, reconhecidamente descabida e sem sentido numa Europa que se debate com tais e tantos problemas causadores, esses sim, de grandes preocupações.
Os senhores de Bruxelas, a quem ouço chamar de burocratas, apertam permanentemente o seu amigo e aliado de União, Portugal, com ameaças. Dizem que o irão sancionar às terças, quintas e domingos, que não o irão sancionar, às segundas, quartas e sextas.
Dizem ainda, para manter a pressão sobre o nosso país, que adiam a decisão para mais tarde.
Enfim...
Parece coisa de quem não tem mais nada que fazer na monotonia e enfado dos salões da "corte" de Bruxelas.
Agora, fala-se numa nova figura de estilo que apareceu na telenovela das sanções que nos enche os lares todos os dias.
Trata-se da "sanção zero".
Não sei o que é uma "sanção zero", porque zero é coisa nenhuma. Dá para imaginar que seja assim um mandar Portugal ajoelhar-se de castigo virado para a parede, por se portar mal.
Puro entretenimento mas que não tem graça nenhuma.
É que ao que parece, houve já mais de 150 infrações do género cometidas pelos mais diversos países e que até à data nenhum desses países foi sancionado.
Então pergunta-se:
Porquê Portugal?
É por isso que vale a pena ler as declarações de Catarina Martins, as quais espelham o sentimento comum de quem se sente indignado por este tratamento "diferente" a Portugal.
Isto numa altura em que nada justifica esta atitude arrogante e prepotente dos senhores de Bruxelas, que na minha modestíssima opinião deveriam estar a trabalhar em dossiers bem mais graves e do interesse da Europa, do que os 0,0 ou 0,1/% de sanção ao "menino Portugal".
Em Vila de Conde, à margem de uma visita à feira anual de artesanato, Catarina Martins afirmou que aquela instância europeia está a decidir se multa Portugal por ter feito "tudo o que ela queria", realçando que os portugueses já sofreram o "mau resultado" das medidas exigidas pela Comissão Europeia durante o período de ajustamento.
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A líder do bloco afirmou ainda não ter muita esperança de que a Comissão Europeia chegue à conclusão de que aplicar sanções a Portugal "não tem sentido nenhum" e lembrou que as referidas sanções não foram aplicadas a outros países em situação semelhante.
"Um bom resultado seria que a Comissão Europeia chegasse à conclusão de que as sanções são uma irresponsabilidade, que são ilegítimas e que não têm nenhum sentido. Se eu tenho esperança que a Comissão Europeia tenha essa sensatez e esse sentido de responsabilidade, confesso que não tenho muito", afirmou Catarina Martins, quando questionada sobre qual seria um bom resultado da reunião de quarta-feira que poderá decidir que multas serão aplicadas a Portugal e Espanha.
Segundo Catarina Martins, "a Comissão Europeia está a decidir se aplica ou não uma multa a Portugal por causa do défice de 2015 e tem a ver com os processos de défice de 2013 e 2015, período em que houve um Governo de PSD/CDS que fez tudo o que a Comissão Europeia queria".
E, explanou, "tudo o que a Comissão Europeia queria deu um mau resultado" sendo que, realçou, "esse mau resultado sofreram já as pessoas que vivem neste país".
Por isso, Catarina Martins garantiu apoiar o Governo de António Costa na luta contra o processo de sanções.
"Nós temos dito desde a primeira hora que devem ser utilizados todos os meios para contestar o processo das sanções, este é um processo ilegítimo. O Governo deve utilizar todos os meios, incluindo recorrer a tribunais, se achar que esse é o caminho. O Governo tem todo o apoio do BE para contestar o processo de sanções", assegurou.
Catarina Martins deu ainda conta não aceitar o argumento de que a aplicação de sanções faz parte das "regras" da União Europeia.
"Eu lembro que dos 28 países da União Europeia, já 24 estiveram em situações de incumprimento e nunca foi aberto processo de sanções sobre nenhum. Ninguém nos venha dizer que são as regras porque não são as regras. As regras não têm valido", disse.