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segunda-feira, março 17, 2014

O referendo da Crimeia e Portugal na U.E.


Nosso comentário:


Um pesado revés para a União Europeia, esta votação dos habitantes da Península da Crimeia.
A União Europeia perdeu. A orientação que vem tomando nos últimos tempos, sem querer chamar nomes feios a essa orientação, tem retirado à Europa aquela chama com que o processo de União se iniciara. 
Parece hoje evidente que há europeus e europeus. 
As lideranças atuais tornaram por demais notória a intenção de lidar com novas adesões de países de uma forma paternalista, com intenções nítidas de exploração daquilo que são legítimas aspirações dos povos que integram esses países.
Infelizmente Portugal é já um exemplo de como a Europa não deve funcionar, isto caso esteja ainda interessada globalmente na sua real e verdadeira União.
Deram a Portugal com uma das mãos, tiram a Portugal com outra das mãos.
Fomos enganados. Outros o serão se isto assim continuar.
Muitos países como o nosso estão a fazer história como exemplos de ausência de solidariedade, de ausência de um território (U.E.) que parecia ser chamativo especialmente pelos seus ideais de liberdade, paz, progresso, democracia e fraternidade.
Talvez que os tanques russos, como outros tanques quaisquer, não sejam uma boa solução para a paz e progresso dos povos. Seguramente que não.
Todavia, olho o meu país, Portugal, e atrevo-me a dizer que também a paz podre em "liberdade e democracia" que nos quer conduzir a um prometido pesadelo de empobrecimento sem fim , um CAMINHO ÚNICO com alguma similitude com os "bons revolucionários de extrema direita" da Ucrânia, não será esse certamente a boa solução. 

PS. Deixo a notícia de uma pesada derrota da União Europeia, o referendo na Crimeia:

Em referendo, 95,5% votam a favor da anexação da Crimeia à Rússia

Sim à anexação da Crimeia à Rússia. Este foi o resultado, pela maioria esmagadora de 95,5%, segundo as primeiras estimativas oficiais, do referendo realizado neste domingo (16) sobre a anexação da península à Rússia. Milhares de ucranianos pró-russos celebraram o resultado, entoando o hino russo nas ruas da capital Simferopol.


Fiquem bem

António Esperança Pereira

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Ucrânia, batalha entre Rússia e Ocidente?


Nosso comentário:

Para compreender melhor a situação da Ucrânia de uma forma que considero acessível a qualquer leigo na matéria, aconselho vivamente este artigo de que, por motivos óbvios, publico apenas parte, mas que pode ser lido na íntegra no seguinte link:
http://www.esquerda.net/artigo/6-notas-para-compreender-o-que-acontece-na-ucr%C3%A2nia/31448
Basta copiar e colar o link no motor de busca.
Sendo um texto escrito por Alberto Sicília, com factos vividos "in loco", contactos, entrevistas,  parece-me o mesmo desprovido de qualquer facciosismo, daí aconselhar a sua leitura.
Apenas acrescento uma nota pessoal que é a seguinte:
Perante os fenómenos violentos, muitos dos quais traduzidos em guerras fratricidas, que têm vindo a acontecer em diversos países nos últimos anos, e que são do conhecimento de todos, parece-me sinceramente em queda aquele período de paz que se seguiu à II Guerra Mundial.
A expectativa de que haveria uma paz e uma prosperidade duradoiras, com pezinhos para andar, um pouco com soluções para todos, volta a estar posta em causa.
Parece mais caminhar-se para uma propaganda em que não há soluções para ninguém...
Muito grave!
A luta hegemónica entre potências volta a sobrepor-se ao que pareciam ser ideais de paz, concórdia, progresso, uma nova ordem mundial saída dos escombros da II Guerra Mundial.
Parecia haver homens interessados em minorar quezílias entre povos, focos de tensão a nível mundial, diminuição das desigualdades gritantes, geradoras de violência.
Infelizmente, a realidade actual, na qual tem que incluir-se a Ucrânia, tema de hoje do blogue, é reveladora do que acabamos de dizer.
Um pouco por todo o mundo acentuam-se desigualdades, lutas pelo poder, nacionalismos perigosos, grupos armados, políticos corruptos. Em suma, vem aumentando gradualmente a violência, vê-se diminuída a confiança nos governantes.  
Só pode dar bota.
No tocante à Europa, que a Ucrânia não sirva como barril de pólvora para um confronto alargado que a ninguém serviria, muito menos aos ucranianos e seus martirizados vizinhos.


Fiquem bem, um bom fim de semana

António Esperança Pereira



3 dias e 86 mortos depois, cada lado voltou às suas posições iniciais. A tragédia e o absurdo.

E aqui quem são os bons e quem são os maus?
Não creio que haja irmãs da caridade em nenhum dos dois lados. Os confrontos (pelo menos os que eu presenciei) foram entre bárbaros e bárbaros: linchamentos, balas reais, franco-atiradores.
Alguns meios de comunicação dizem que todos os manifestantes são de extrema direita, é verdade?
Há muitos militantes de extrema direita. Fotografei vários desses grupos para este outro post. Mas dizer que são a grande maioria parece-me erróneo. Basta descer à praça e falar com as pessoas.
Conheci bastantes manifestantes que estão simplesmente fartos dos partidos políticos, cansados da corrupção e da falta de oportunidades.
É certo que o número de moderados desceu notavelmente nos últimos dias: após verem morrer dezenas de pessoas, muita gente razoável preferiu não arriscar e voltou para casa.
Os que ficam sabem que se estão a arriscar a vida em cada momento. E claro, para isso os extremistas são mais fáceis de convencer. Um deles dizia-me anteontem: “Ou vêm com os tanques e passam-me por cima ou eu não me movo daqui até que Yanoukovich se demita”.
Alguns jovens universitários que conheci na praça há 3 semanas disseram-me que têm demasiado medo e que por isso se foram embora.
Isto é uma batalha entre a Rússia e o Ocidente?
No conflito da Ucrânia sobrepõem-se batalhas a vários níveis:
A) É um conflito entre a Rússia e o Ocidente pela sua influência na Ucrânia.
B) É um conflito nacional entre Yanoukovich e a oposição pelo controle do país.
C) É um conflito social entre os políticos e os cidadãos que não se sentem representados nem pelo presidente nem pela oposição.
D) É um conflito civil entre grupos da extrema direita nacionalista e a população de língua russa da zona leste do país e da região autónoma da Crimeia. (Este ponto está explicado de forma mais extensa no final deste outro post).
Quanto mais tempo passo na praça, quantos mais argumentos escuto, mais complicada me parece esta história.
NOTA: Continuo na praça de Kiev e durante todo o dia vou publicando no Twitter as cenas com que me deparo.

Artigo deAlberto SicíliaemKiev, publicado no blogue Principia MarsupiaTradução de Carlos Santos para esquerda.net

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...