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segunda-feira, setembro 26, 2011

Lei decreta fim das touradas na Catalunha


A arena Monumental de Barcelona é a última, na capital catalã, a fechar portas. Este domingo marca o fim da temporada das corridas e das touradas na Catalunha, já que a lei proíbe que esta antiga tradição espanhola seja retomada em janeiro de 2012.

180 mil catalães assinaram a petição a favor da interdição submetida ao parlamento regional. A Catalunha votou a lei em junho de 2010 e segue os passos das ilhas Canárias, onde a lei se aplica desde 1991.

O presidente da Libera, a associação de defesa dos direitos dos animais, o exemplo vai ser seguido por outras regiões.“Acreditamos que a Galiza se vai juntar a nós em breve, porque lá não existe uma tradição tauromáquica como noutras regiões do norte de Espanha. É claro que em Madrid e na Andaluzia vai demorar mais, mas é uma questão de tempo” afirma Carlos López Pérez.

Porém os fãs do esporte, ou arte, para alguns, não concordaram com a decisão. Eles se sentem angustiados, sobretudo, por que estão impotentes perante a interdição. “Isso é uma ditadura. Não fazemos mal a ninguém e somos confrontados com a proibição de um espetáculo com mais de 300 anos. E um lugar como Barcelona, onde os fãs podiam encher três arenas”, afirma o fanático torcedor Josep Navarro.

Para a viúva do último toureiro morto, em 1974, precisamente, na arena Monumental, é preciso fazer o luto. Rosa Gil considera que “as tradições antigas estão a morrer, por mais esforços que se façam para as ressuscitar.”

Fonte: Euronews.
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Nosso comentário

Deixo abaixo um poema que Fernando Tordo cantou com valentia no festival da Eurovisão, já lá vão uns anitos.
Ainda bem que as touradas parecem ter os dias contados.
Fico contente pelos touros, que não morrem daquela forma pouco digna, pelo fim na Catalunha de um espectáculo que a olhos de gente civilizada é claramente decadente, mórbido, feio, trágico.
A tortura e morte dos touros como espectáculo tem a minha reprovação neste dealbar do século XXI.

Não julgo nem condeno quem mantém o vício, o bichinho da tradição.
É como o tabaco, o álcool, outros que tais, são difíceis de deixar.
Nascemos com eles, habitua-mo-nos de tal maneira que parece não conseguiremos largá-los nunca.
Todavia, chega o dia em que caímos em nós e adeus vício, adeus tradição doentia, mortal.
Surge o homem novo mais são, menos doente por consequência.
Passo a passo, devagar, mas é assim que o mundo avança.

Eu próprio vivi a infância e alguma adolescência numa zona do país em que a festa brava era um dos poucos acontecimentos que mobilizava o povo da região de uma forma eufórica.
Na realidade, naquele tempo, pouco ou nada havia ali que não fosse a festa brava para animar aquelas pobres gentes raianas.
Pelo menos uma vez por ano, em dia de feira e de toiros, tudo parecia ir pelos ares na santa terrinha.

Quebrava-se o tédio, animava-se um pouco a populaça com os artistas do toureio, os cavaleiros de jaqueta, os heróis da estocada, os valentões das pegas.
Hoje, porém, os tempos são outros.
Há múltiplas formas de distracção, diversão e ocupação que não havia.
Embora de uma tradição se trate muito enraizada entre nós, a modernidade não engole bem um espectáculo que tudo tem de bárbaro.
Isso bastaria para dizermos não às touradas.
Por isso, um aplauso ao fim das mesmas na Catalunha!
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Tourada

Fernando Tordo

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

LUSOFONIA EM DESTAQUE


Bem interessante a notícia que hoje se destaca, embora o assunto não seja novo.
Todavia, para um povo que foi levado à descrença em si próprio por dezenas de anos de atraso, ditadura, isolamento, pessimismo, triste fado, esta notícia pode constituir mais uma achega a um reabrir os olhos deste POVO GRANDE.
Veja-se o que se tem, não o que se não tem. Olhe-se para cima sim, mas olhe-se também para o lado e para baixo.
Quisera eu que a média mundial de qualidade de vida, só que fosse, estivesse à medida deste "horrível Portugal", imagem de marca de alguns pregoeiros da desgraça, que só conseguem ver o seu país um sítio pobre, acabrunhado, desiludido, sem esperança.
Foi nesse Portugal que eles reinaram. É esse Portugal que eles perderam e os baralha tanto. Nem se adaptam a que voltemos a ser grandes, esta é a verdade que a muitos dói.
Coitados! que bem necessitavam de um estágio num desses países realmente pobres e tristes, que infelizmente abundam ainda mundo fora.
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A notícia

quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Jornal galego aplica novo acordo ortográfico

O jornal mensal galego Novas da Galiza está a aplicar desde janeiro o Acordo Ortográfico da língua portuguesa de 1990 no que um dos responsáveis pelo projeto considera ser o reconhecimento da importância da lusofonia para o próprio galego.

“Em termos de fortalecimento do idioma, aplicar o AO aproxima muito o português e o galego porque as pessoas começam a ver futuras mais valias económicas e políticas para o galego. Começam a ver a lusofonia como um mundo mais forte em que faz todo o sentido estarmos”, explicou à Lusa Eduardo Maragoto, coordenador da equipa de aplicação do AO no jornal.

O número de janeiro do jornal – que se considera “reintegracionista” - aplicou o AO numa nota editorial em que explica a decisão de adotar o AO em todos os textos de português padrão que sejam publicados no jornal.

A questão linguística na Galiza, e a defesa do galego, têm sido um dos aspetos mais polémicos para esta região a norte de Portugal, sendo que, em geral, quem usa o português na Galiza “fá-lo para defender o próprio galego”, como explica Maragoto.
“Poderá haver casos de pessoas, nas universidades e no meio científico que usam o português não por motivos políticos mas científicos. Que consideram que o galego e português são a mesma língua. Mas a maioria usa-o para defende o galego”, afirmou.

Maragoto explicou à Lusa que esta questão se torna crucial no seio do movimento que tenta proteger e preservar o galego e, nomeadamente, nos meios de comunicação “próximos a esse movimento”, como é o caso do Novas da Galiza.

“Há uma parte significativa, não maioritária da população, dos apoiantes do galego, que escrevem em português. Que editam jornais e paginas web. Dentro desse grupo há quem use o português padrão. E há quem use uma aproximação bastante grande ao português padrão. Tanto uns como os outros juntaram-se e decidiram aplicar o acordo”, afirmou.

Maragoto explica que é uma mudança progressiva que se formalizou agora no Novas da Galiza, o jornal generalista “mais importante” deste movimento.
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o poema

do livro PORTUGAL PERIFÉRICO OU...O CENTRO DO MUNDO?

Antes e depois(recordando o 25 de Abril)

Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava

pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava

fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa

pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...