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segunda-feira, novembro 25, 2019

Marquesa de Alorna, no blog

Marquesa de Alorna


Portugal
1750 // 1839
Poeta/Pedagoga


Sonho



Perdoa, Amor, se não quero
Aceitar novo grilhão;
Quando quebraste o primeiro,
Quebraste-me o coração.

Olha, Amor, tem dó de mim!
Repara nos teus estragos,
E desvia por piedade
Teus sedutores afagos!

Tu de dia não me assustas;
Os meus sentidos atentos
Opõem aos teus artifícios
Mil pesares, mil tormentos.

Mas, cruel, porque me assaltas,
De mil sonhos rodeado?
Porque acometes no sono
Meu coração descuidado?...

Eu, quando acaso adormeço,
Adormeço de cansada,
E o crepúsculo do dia
Me acorda sobressaltada.

Arguo então a minha alma,
Repreendo a natureza
De ter cedido ao descanso
Tempo que devo à tristeza.

Que te importa um ser tão triste?...
Cobre de jasmins e rosas
Outras amantes felizes!
Deixa gemer as saudosas! 

Como Está Sereno o Céu

Como está sereno o céu,
como sobe mansamente
a Lua resplandecente
e esclarece este jardim!

Os ventos adormeceram;
das frescas águas do rio
interrompe o murmúrio
de longe o som de um clarim.

Acordam minhas ideias,
que abrangem a Natureza;
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.

Mas, se à lira lanço a mão,
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças,
e choro em vez de cantar.

Marquesa de Alorna, in 'Antologia Poética'

quarta-feira, novembro 26, 2014

José Sócrates inspirou poetas...


Decorria o ano de 2009 quando me era dado publicar esta e muitas outras poesias. A que transcrevo abaixo integra um livro que designei por "Portugal Periférico ou...o Centro do Mundo?"
O livro pode ser visionado neste link/endereço:
http://www.bubok.pt/livros/2158/PORTUGAL-PERIFERICO-OUO-CENTRO-DO-MUNDO
Governava então Portugal, José Sócrates, um Primeiro-Ministro que queria que o novo Portugal fosse um país desenvolvido, próspero, inclusivo, moderno, solidário. 
Lutou, trabalhou, bateu-se com denodo para que o nosso país começasse a constar entre os mais desenvolvidos. 
Fez o que pode o e que não pode para o conseguir.
Dado que esse ex-Primeiro-Ministro, de nome José Sócrates, para muitos um dos mais notáveis políticos que Portugal já teve, se encontra neste momento na prisão... 
a esse ilustre, intrépido, destemido, brilhante político português  dedico o poema que se segue. 



O Marquês hoje 
(publicado em 2009)


Democracia diversidade
música escolha liberdade
palavras que me ocorrem para enquadrar
o pensamento novo
em que o isolamento deu lugar
à interactividade

longe vai ficando
o escuro a fogueira
o silêncio das masmorras
a condenação do óbvio fonte vida
o livro proibido
o diferente com o dedo apontado
marginalizado enlouquecido
a mulher violentada
diminuída na sua qualidade

ainda bem que o mundo avança
que eleva patamares de consciência
que ultrapassa tantos males
os põe melhores

muito há sempre por fazer decerto
mas é fazendo que o caminho fica feito

atente-se como exemplo o Marquês
no terramoto…
se ele então baixasse os braços?

em vez disso não alevantou-os
persistiu continuou construiu
não consentiu que o seu país esmorecesse
perante tão enorme desafio

o mesmo hoje em liberdade
progresso luz século outro
uma nova consciência de obra
a mesma vontade
de avançar em prosperidade!


Fiquem bem,

António Esperança Pereira

terça-feira, maio 21, 2013

Conselho de Estado, ou, Maria vai com as outras?


Nosso comentário:


Vivem-se em Portugal tempos surrealistas, talvez por isso mesmo me tenha lembrado de D. Maria I, rainha de Portugal, e de uma "expressão muito usada entre nós, "Maria vai com as outras", que tem origem exatamente na dita rainha. 
Em baixo os caros leitores poderão ler o texto que nos dá conta do porquê dessa expressão popular portuguesa.
Todavia, foi a reunião do Conselho de Estado que, pese embora reúna pessoas, algumas das quais muito prezo,  me sugeriu a evocação da rainha D. Maria I, que ficou conhecida como "A Louca".
Aqui para nós que ninguém nos ouve, e olhando com os olhos de um cidadão comum aquela reunião de altas personalidades, que pariu uma magra página de palavras sem qualquer conteúdo, fica-se completamente "doido" como a rainha.
Numa altura em que os portugueses passaram já a uma fase prática das suas vidas, tipo "sim ou sopas", aquelas individualidades nacionais, reunidas algumas horas no majestoso Palácio de Belém, nada mais sabem ou querem dizer, do que aquelas vagas palavras que podem ser lidas algures na imprensa e em outros lugares informativos.
Pergunta-se: Para quê então uma reunião deste calibre? ainda por cima sob um tema insólito e descabido de interesse atual, "Portugal no pós-Troika"? 
Isto quando, o que toda a gente se interroga, tendo em conta os principais indicadores económicos, a situação social do país, é "em que condições lastimáveis chegará Portugal ao pós-Troika?" ou "se chegará lá"? estes sim, temas atuais e que interessaria muito debater e esclarecer.
Mas não. 
Se nada se tinha na manga antes da "reunião magna", com nada na manga se ficou depois dela.
Gozam com os portugueses, ou estão todos a ficar e a fazer ficar os outros, como a rainha D. Maria I?
Lá que os últimos tempos têm indiciado, em declarações dos mais altos dirigentes da Nação, esquisitas e desfocadas,  que algo vai mal na saúde mental de suas cabecinhas, é um facto...
Todavia, se um pingo de lucidez ainda lhes restasse, quero acreditar que sim, porquê não aproveitaram melhor a reunião de tantas ilustres personalidades (O Conselho de Estado) para trazerem alguma luz à "LONGA E PENOSA NOITE PORTUGUESA"?

PS. Leiam a historiazinha alusiva à origem da expressão "Maria vai com as outras". Vale a pena...



Fiquem bem, António Esperança Pereira





"Maria vai com as outras..."

Pessoa que se deixa levar facilmente pela opinião dos outros.
Esta expressão está relacionada com a rainha D. Maria I de Portugal, filha de D. José I, e mãe de D. João VI.
Esta rainha é conhecida na História por dois cognomes: "A Piedosa" ou também "A Louca".
A rainha era emocionalmente muito frágil.
Vivia atormentada com as atrocidades que seu Pai, D. José I, deixara fazer ao Marquês de Pombal. Depois as invasões Francesas a Portugal, obrigaram a que toda a corte Portuguesa fosse para o Brasil.
Todas estas inquietudes aumentaram a fragilidade de D. Maria I, que acabou por enlouquecer, sendo afastada do trono em 1792.
Devido ao seu estado de saúde saía muito pouco do Palácio, e sempre acompanhada por damas de companhia (as outras...)
Nessas ocasiões, o povo costumava dizer:
-"Lá vai D. Maria com as outras"

quarta-feira, maio 01, 2013

Duas débeis razões os mantêm no poder...


Nosso comentário:


É quase inevitável no país com as fronteiras mais antigas da Europa, Portugal, não se falar sempre e mais do mesmo: 
A situação social, política, económica, em que se encontra.
Hoje é dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador. 
Sob a égide das duas maiores Centrais Sindicais CGTP e UGT, comemorou-se nas ruas a importante data.
Lisboa e Porto, por serem as duas maiores cidades do país, concentram sempre a maior parte das gentes que desfilam nas ruas, que protestam, que se insurgem contra as políticas de austeridade, de miséria, de empobrecimento a que as orientações das classes dirigentes no poder, nos estão a levar.
Pede-se alto e bom som a demissão do governo.
Pede-se alto e bom som que parem os que incutem tamanhos sofrimentos ao povo português, sob a batuta da Alemanha, cuja líder não há muito tempo disse que Portugal se prepare para perder parte da sua soberania.
Ouvem-se vaias quando se profere o nome do senhor Presidente da República.
Perigosa situação. Triste fado em que nos estão a afundar.
Sente-se mal-estar. Nas ruas, no trabalho, em cada lar português. 
A austeridade com os cortes permanentes nas reformas, nos carenciados, nos doentes, nos estudantes, o galopante flagelo do desemprego, a sangria nos jovens levando-os a emigrar, parecem ser coisas aterradoras capazes de fazer rebentar a paciência e os limites do imaginável.
Os índices de confiança em quem governa são quase nulos. Temos uma governação (considerada como um todo) que governa contra os portugueses. 
Ninguém os quer lá, mas a Democracia afinal tem destas coisas. Continua a ser parca em soluções anti-perpetuação no poder. 
Muitos são os eleitos em democracia que passam as suas vidas no poleiro.
E quando se pedem alternativas, que todos sabemos que as há, dizem-nos que não as há. 
É caso para perguntar, onde raio está a Democracia?
No caso do governo, dado o isolamento em que se encontra perante o povo que o elegeu, só se mantém em funções por duas débeis razões: pelo apoio que lhe confere o Senhor Presidente da República e pela maioria de votos que conseguiu (PSD + CDS) em campanha eleitoral feita com base em mentiras de circunstância.


PS. Deixo-lhes um interessante texto (zinho) sobre a Avenida da Liberdade, Lisboa, um dos palcos das manifestações de hoje. Era um espaço de alguns, passou a ser um espaço de todos.


Fiquem bem, António Esperança Pereira








AVENIDA DA LIBERDADE


A Avenida da Liberdade já teve o nome de Passeio Público. Depois do terramoto de 1755.
O Marquês de Pombal criou o Passeio Público na área atualmente ocupada pela parte inferior da Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores.
O Passeio estava rodeado de muros e portões, por onde só passava quem pagasse uma taxa.
Em 1821, quando os liberais subiram ao poder, os muros foram deitados abaixo, e o Passeio fez justiça ao nome...
Tornou-se Público.
A Avenida da Liberdade é hoje um ex-libris da nossa capital. Podemos lá encontrar Hóteis *****
Lojas de Marcas Internacionais, Esplanadas bem equipadas e, claro, árvores de vários portes junto a bancos de jardim, onde se pode calmamente descansar um pouco, quando o calor começa a fazer-se sentir.
É caso para dizer:
Se a Avenida da Liberdade "falasse"muito tinha para contar, pois foram e são tantas as suas "memórias"...

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...