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segunda-feira, junho 06, 2011

Tauromaquia - Cem mil a favor


A notícia

Tauromaquia - petição supera objectivo e motiva corrida
Cem mil a favor

A petição ‘Em Defesa da Festa Brava’ acaba de superar as cem mil assinaturas e o sucesso da iniciativa será comemorado com a realização de uma corrida de touros no próximo dia 25, na Praça de Santarém.

Francisco Moita Flores, presidente da Câmara de Santarém e autor da petição, explica ao Correio da Manhã que o objectivo é salientar "valores essenciais" da cultura portuguesa. "Embora falemos pouco e gritemos menos, somos muitos. Somos um povo que não perde os valores ligados aos direitos dos animais, da terra e do Homem. Somos contra a intolerância", refere.

A petição, que não será apresentada na Assembleia da República, foi lançada no Verão passado e as assinaturas foram recolhidas de várias formas. Só na internet, mais de 17 mil pessoas subscreveram o documento. Moita Flores sublinha que todos os signatários defendem os valores "da tolerância e da liberdade" contra os que exigem o fim das touradas em Portugal.

O autarca defende que a maioria dos portugueses é a favor da festa brava e lembra um estudo da Eurosondagem, revelado em Abril, no qual apenas 11 por cento dos inquiridos se assumem "contra a realização de actividades com touros".

Para Moita Flores, as actividades taurinas assumem um papel "estruturante" da economia das regiões do Ribatejo, Alto Alentejo e Baixo Alentejo. "Se a Assembleia da República, num acto de loucura, proibisse as touradas, eram destruídos milhares de postos de trabalhos", reforça, sublinhando que a actividade pecuária "marca toda a região do Vale do Tejo".

Numa altura de crise económica, Moita Flores defende o regresso à agricultura e à pecuária, como forma de a ultrapassar. "Temos de investir nestas áreas. Se não produzimos, não conseguimos pagar a dívida. Temos de voltar à terra", sublinha o autarca de Santarém.
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Nosso comentário

Em outros tempos em que a barbárie imperava e os humanos eram analfabetos, escravos (ou quase) pois dependiam de uma maneira geral do seu amo ou senhor, ainda se tolerava que espectáculos destes existissem.
Refiro-me claro está às touradas.
Eram tempos de obscurantismo, o conhecimento pertencia só a alguns, entretinha-se o povo como os governantes queriam que se entretivesse.

Hoje o saber democratizou-se, cada vez mais pessoas estão conscientes do que é reprovável, de como é inconcebível a aceitação de coisas destas, por seres humanos minimamente equilibrados e evoluídos.
Mesmo que se use a tal tradição como escudo para justificar a continuação de tão sangrento e degradante espectáculo, a contestação às touradas não pára de crescer.
Espero que os senhores que fazem a apologia de tais tradições sangrentas, não voltem a mandar escravos para as ARENAS deitando-os às feras para seu gáudio.

Devo dizer que cresci numa zona do país, próxima da raia de Espanha, Almeida, onde aconteciam de quando em vez esses espectáculos.
Vi algumas touradas, à época vendiam-nos com facilidade os heróis toureiros, gozavam de grande fama no antigo regime, eu próprio em menino fui admirador de um ou outro valentão.
Foi o Amadeu dos Anjos, um rapazito humilde nascido a meia dúzia de quilómetros do sítio onde eu nasci, depois novilheiro e toureiro de nomeada, quem prolongou até ao fim da adolescência a minha afeição ao fenómeno "tourada".
Era um valentão da minha terra "c'os diabos!"

Pelos meus 20 anos, vi uma última tourada no Campo Pequeno, em Lisboa.
Curiosamente tinha sido detido pela PIDE (polícia política de Salazar) na mesma altura.
Apercebi-me então, e em consciência, da crueza da Festa Brava.
A brutalidade, a violência, o sangue jorrando do touro, o espectáculo degradante, o machismo primário, o marialvismo, afastaram-me definitivamente das faenas impingidas pelo antigo regime.
Jurei nunca mais por os pés numa tourada.
Não havia já Amadeu dos Anjos que me segurasse ou me convencesse a ficar a ver aquilo.
Assim foi até hoje.
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

sexta-feira, julho 30, 2010

Catalunha e touradas


Na minha raiana madrugada
“olés faenas pasodobles”
foi sensação de primeira festa
Espanha perto
a festa brava fazendo os meus heróis
misturados de salero castanholas
bailaricos
aquele som que parecia tão maluco
mas que colava fulgor
desejo calor bastava ver dançar
em saias rodadas inclinadas
corpos de rosadas raparigas

drama festa encarnado sangue

aquele pó fino de estio alevantado
pelas bestas da feira de gado
pelo povo
eufórico em ebulição
que não poucas vezes nos cornos do touro
arriscava a vida
usando e abusando em tais dias
da animação

primeiros ídolos nos meus olhos
de menino
Trincheira Diamantino Manuel dos Santos
El Cordobez
Amadeu dos Anjos
este o maior no meu arregalado olhar
por ter sido dado à luz no mesmo lugar
que eu

imitava-os toureando amigos
rapaziada tonta pouca idade
um fazia de touro eu toureava
invertiam-se os papéis
e a brincadeira de pequenos heróis
nunca mais parava

eram tempos em que tudo servia de entretém
por pouco haver
a não ser espaço vago mocidade
e tempo a mais

espera de touros e tourada
aconteciam uma vez em cada ano
o resto eram enterros procissões
escola austera catequese
em sítio ermo isolado prenhe de fastio

por isso e só por isso quando então
acontecia festa brava
touros e tourada cavalos cavaleiros
alguns artistas
era o auge de uma vida quase nada

era assim um alevantar um grito
na pasmaceira da vidita

mudam-se os tempos mudam-se as vontades
também os contornos as inclinações
do pensamento
sobre heranças de outras gerações
e ainda bem

acaba de ser anunciada
a proibição de touros e touradas
na espanhola Catalunha
o que me deteve a respiração

li reli com atenção
por tal notícia vir do país
em que o toiro é rei
em ancestral divulgada encenação

em vez de ficar triste com a decisão
NÃO
fiquei contente
com a evolução

hoje a escolha é livre
e há muito que escolher
não tem que se sofrer
com estocada sangue e toiros
o que para muitos hoje
em vez de festa rija
é bárbara festa

mudam-se os tempos
mudam-se as propostas
há que comer-se mais do que se gosta

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...