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quinta-feira, abril 27, 2017

Celeste Martins Caeiro e o 25 de Abril


Celeste Martins Caeiro foi a mulher que, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares.

A mulher que, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares.

Em 1974, um grupo de oficiais portugueses, reunido no Movimento das Forças Armadas, lançava a vasta operação de derrube da ditadura de 48 anos. Dirigido, na maioria, por jovens capitães, o golpe, que ficou conhecido por A Revolução dos Cravos, derrubou o regime de Marcello Caetano, pôs fim à guerra colonial, abriu caminho ao desenvolvimento económico e social e à estrutura do Estado democrático. (LUSA)
Quanto à origem do cravo vermelho, pode afirmar-se que tem duas explicações:
Em primeiro lugar, convém ter presente que o cravo vermelho era, à data, talvez a flor mais barata e popular.
Ora acontece que, nesse dia, 25 de Abril de 1974, havia um restaurante na Rua Braamcamp, em Lisboa, que celebrava o seu primeiro aniversário. O proprietário comprara cravos vermelhos – a tal flor que juntava o barato e o popular – para oferecer nesse dia às clientes. Como houve a ação militar, o restaurante não funcionou e o proprietário disse aos seus trabalhadores que podiam levar os cravos com eles.
Uma das trabalhadoras, chamada Celeste, decidiu levar um molho de cravos para casa. Ao começar a descer a Avenida da Liberdade, deparou com a população a oferecer bebidas, sandes, tabaco, aos soldados que ali estavam ou passavam. Tomou, então, a iniciativa de lhes oferecer os cravos, dizendo “desculpem, mas não tenho mais nada para vos oferecer”.
Os soldados recebiam os cravos e, não sabendo onde os colocar, decidiram enfiá-los nos canos das espingardas.
Outra explicação, certamente coincidente:
No Rossio, havia várias vendedeiras de flores que, quando os militares aí passaram, vindos do Terreiro do paço, os vitoriaram e lhes ofereceram as flores que estavam a vender, nomeadamente as tais mais baratas e populares, os já referidos cravos vermelhos.
O resto foi igual: os militares colocaram-nos na “boca” das espingardas. E assim nasceu um dos principais, senão mesmo o principal símbolo da Revolução dos Cravos, o cravo vermelho.
Que, no dia 26 de abril, é já a flor (também porque era barata e popular) que os familiares e amigos dos presos políticos lhes levaram a Caxias e lhes ofereceram, quando da sua libertação. Que eles, de imediato, oferecem aos militares que ali estão, que os recebem e colocam nas espingardas. Curiosamente, dir-lhe-ei que, mais tarde, descobrimos que na crise vivida em Lisboa entre 1383 e 1385, o símbolo do povo da capital, que esteve na base da derrota infligida aos castelhanos, foi um cravo branco.
Vasco Lourenço

terça-feira, abril 25, 2017

Poema meu evocativo do 25 de Abril 1974


Nota do autor do blog:

Hoje é o dia 25 de Abril de 2017.
Faz anos que aconteceu a chamada revolução dos cravos.
Com ela chegara finalmente ao Portugal de 1974 o grito LIBERDADE. Liberdade que mudou este país arcaico, empobrecido, isolado, amordaçado.
Era o fim de uma ditadura longa, longa!
Merece ser sempre evocado e comemorado. Para que não se esqueça o "ANTES", para que se festeje o DEPOIS.
Não esqueçamos as portas que Abril abriu.
Digo isto porque há que estar atentos e vigilantes aos sinais preocupantes que chegam de diversos quadrantes do nosso querido planeta.
Atenção aos "ditadores". Eles andam outra vez por aí.
Deixo-lhes um poema "Antes e depois" que consta da minha coletânea de poemas que dá pelo nome "Portugal periférico ou...o centro do mundo?"

Fiquem bem

António Esperança Pereira




Antes e depois

Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!


sexta-feira, abril 11, 2014

Nós no lixo e um juiz em dificuldades.


Nosso comentário:

Tal é a velocidade de destruição de Portugal, que se torna cada vez mais difícil seleccionar um assunto entre tamanha confusão.
Até o 25 de Abril de 1974, que todo o mundo conheceu por "Revolução dos Cravos", um grito de liberdade e alegria num povo então escravizado pela ditadura, levanta imensos problemas a uma acção governativa que quer ser ainda mais despudorada do que vem sendo.
Um país a saque, um governo que vem sobrevivendo vendendo gato por lebre. Faltando à verdade sempre que pode. Encostando-se aos poderosos que o protegem dos favores que lhes faz. 
Os assuntos do dia a dia são tantos e tão maus, desde o decreto que pura e simplesmente se está nas tintas para a segurança das pessoas ante anunciados terramotos, até à destruição de valências em inúmeros hospitais importantes do país, passando pelas grávidas e mães de filhos, que são vítimas de segregação e rejeição em matéria de emprego... 
ou ainda, um senhor português que assume funções na chefia da União Europeia que tem o descaramento de dizer que Portugal vai de vento em popa, esquecendo os dois milhões de pobres, os desempregados às centenas de milhar, a dívida colossal que não pára de aumentar, etc etc etc
Portugal vai de vento em popa sim senhor, mas por este caminhar, vai para um buraco sem fundo, com credores insaciáveis, situação esta que só agrada aos que enriquecem e arranjam bilionários tachos com a situação degradante e degradada em que estamos e que vemos agravada de dia para dia.
UM LIXO PARA AS AGÊNCIAS DE RATING. 
UM ENORME ÊXITO PARA OS SENHORES RICOS E ANAFADOS DO BANCO CENTRAL EUROPEU, DA COMISSÃO EUROPEIA, DO FMI.
Por tudo isso, pela revolta que se sente mesmo sem se ser revolucionário, volto a dar relevo a um acontecimento bizarro que me chegou via e-mail e que pelo menos faz sorrir e também meditar.
Passa-se o "ocorrido" no país irmão, o Brasil. 

Fiquem bem

António Esperança Pereira



Um JUIZ em dificuldades!
Dona de Cabaré processa Igreja no Ceará
Em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza, Tarcilia Bezerra começou a construção de um anexo do seu cabaré, a fim de aumentar suas "actividades", em constante crescimento.
Em resposta, a igreja neopentecostal da localidade, iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração, no seu templo, de manhã, à tarde e à noite.
Os trabalhos de construção e reforma progrediram até uma semana antes da reabertura, quando um raio atingiu o cabaré de Tarcilia, queimando instalações eléctricas e provocando um incêndio que destruiu tudo.
Tarcilia processou a igreja, o pastor e toda a congregação, com o fundamento de que a Igreja "foi a responsável pelo fim de seu prédio e do seu negócio, seja através de intervenção divina, directa ou indirecta, acções ou meios."
Na sua resposta à acção, os demandados, designadamente a igreja, negaram veemente toda e qualquer responsabilidade ou ligação com o fim do cabaré.

O juiz, veterano, leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, ao iniciar a audiência, comentou: “Não sei como vou decidir neste caso, porquanto pelo que li até agora, tem-se uma proprietária de puteiro que acredita firmemente no poder das orações; e uma igreja inteira que pensa que as orações não valem nada".

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...