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quinta-feira, dezembro 15, 2016

Catarina de Bragança e o golpe do baú de Carlos II


Catarina de Bragança.

 Quando alguns Nobres portugueses chegaram à conclusão de que o negócio da venda da coroa de Portugal aos Filipes, tinha deixado de ser rendoso e tinha atingido a falência, resolveram mudar de rei.

Infelizmente, esqueceram-se de tomar providências quanto a uma previsível reação do rei deposto que, por um conjunto de circunstâncias, era, também, rei de Castela e de mais uns quantos territórios.

A guerra foi uma consequência lógica e o novo rei de Portugal, que precisava de aliados, encontrou a solução no casamento de uma das suas filhas com o rei Carlos II de Inglaterra.

A negociação do casamento foi difícil!

Carlos II tinha motivos para desejar mas, também, para temer tal casamento: desejava-o, porque a princesa era bonita e o dote poderia encher os seus falidos cofres; mas, também, receava que isso pudesse reacender a guerra com Espanha.

Resistiu até o dote da princesa ser irrecusável: foi o maior dote de que há memória no Ocidente! Portugal ficou falido, o rei português ganhou um aliado para a guerra com Espanha,  e a Inglaterra ganhou um capital que se transformou no mais rentável investimento da sua história: o império britânico!

Hoje, diríamos que Carlos II deu o “golpe do baú” !

A cerimónia do casamento realizou-se em Maio de 1662.

Assim, começou a parte infeliz da vida de Catarina de Bragança, uma princesa nascida e criada no seio de uma família com cultura, educação e hábitos tradicionais portugueses que, por sua infelicidade, foi desterrada para uma corte que, contrariamente ao que alguns escritores e cineastas de pacotilha nos querem fazer crer, era rude e atrasada em relação à restante Europa.

Catarina, teve um papel importantíssimo na modernização da Inglaterra e na alteração da filosofia de vida dos ingleses pelo que,  embora não suficientemente, ainda hoje é admirada e homenageada.
Provocou uma autêntica revolução na corte de Inglaterra, apesar de ter sido sempre hostilizada por ser diferente mas nunca desistiu da sua maneira de ser, nem consentiu que as damas portuguesas do seu séquito o fizessem.

Tinha uma personalidade tão forte que conseguiu que aqueles (principalmente aquelas) que a criticavam, em breve, passassem a imitá-la.

E assim, se derem grandes alterações na corte inglesa:

O conhecimento da laranja

Catarina adorava laranjas e nunca deixou de as comer graças aos cestos delas que a mãe lhe enviava.

O costume do “CHÁ DAS 5”

Costume que levou de casa e que continuou a seguir organizando reuniões com amigas e inimigas. Este hábito generalizou-se de tal maneira que, ainda hoje, há quem pense que o costume de tomar chá a meio da tarde é de origem britânica.

A compota de laranja

Que os ingleses chamam de “marmalade”, usando, erradamente, o termo português marmelada, porque a marmelada portuguesa já tinha sido introduzida na Inglaterra em 1495.

Catarina guardava a compota de laranjas normais para si e suas amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, principalmente, para as amantes do rei.

Influenciou o modo de vestir

Introduziu a saia curta. Naquele tempo, saia curta era acima do tornozelo e Catarina escandalizou a corte inglesa por mostrar os pés, o que era considerado de mau-gosto e que não admira devido aos pés enormes das inglesas. Como ela tinha pés pequeninos, isso arranjou-lhe mais inimigas.

Introduziu o hábito de vestir roupa masculina para montar.

O uso do garfo para comer

Na Inglaterra, mesmo na corte, comiam com as mãos, embora o garfo já fosse conhecido, mas só para trinchar ou servir. Catarina estava habituada a usá-lo para comer e, em breve, todos faziam o mesmo.

Introdução da porcelana

Estranhou comerem em pratos de ouro ou de prata e perguntou porque não comiam em pratos de porcelana como se fazia, já há muitos anos, em Portugal. A partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se.

Música

Do séquito que levou de Portugal fazia parte uma orquestra de músicos portugueses e foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera  em Inglaterra.

Mobiliário

Catarina também levou consigo alguns móveis, entre os quais preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.

O nascimento do “Império Britânico”

Como já se disse, o dote de Catarina foi grandioso pela quantia em dinheiro mas, muito mais importante para o futuro, por incluir  a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia.
Traindo os Tratados que tinham assumido e com a desculpa de que o rei de Portugal era espanhol, os ingleses conseguiram, apesar do controle da Marinha Portuguesa, navegar até à Índia onde criaram um entreposto em Guzarate.

Em 1670, depois de receber Bombaim dos portugueses, o rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir territórios.
Nasceu, assim, o Império Britânico!

Hoje, há pouca gente que saiba a importância que a Rainha Catarina teve para os ingleses e o carinho que eles tiveram por ela. A sua popularidade estendeu-se até à América, onde um dos cinco bairros de Nova Iorque (Queens) foi batizado em sua homenagem.

Em 1998, a associação “Friends of Queen Catherina” fez uma coleta de fundos para lhe erguer uma estátua; não o conseguiu, devido à oposição de alguns movimentos cívicos que acusaram Catarina de ser uma das promotoras da escravidão.

Mais uma vez, a ignorância venceu!..

Fiquem bem

António Esperança Pereira


terça-feira, dezembro 01, 2015

Dezembro sempre, em 1640 e hoje.


Acabo de ler que a direita extremada pela voz do seu chefe, saída de má vontade do poleiro, levará por diante uma moção de censura ao governo atual.
Tanto mau perder, tantas as dúvidas também que isso causa no cidadão, esta incrível dificuldade de deixar o poder, porquê?
Li essa notícia, a da moção de censura exatamente hoje, num dia que não é um dia qualquer. 
Trata-se do 1.ºde Dezembro, dia que foi feriado nacional, até que essa mesma direita resolveu em 2012 acabar com ele.
Não é que admire tamanha borrada feita, tamanha destruição. Eles talvez nem soubessem o que faziam. Porque se soubessem, terá que perguntar-se o porquê de tanta poeira atirada aos olhos das gentes, só para enganar os portugueses. 
Tantas inverdades e outras tantas falsidades.
Nelas poderia incluir-se a abolição deste feriado de hoje que simboliza tão somente a comemoração de Dezembro de 1640, quando os portugueses de então terminaram com a dominação castelhana em Portugal.
Uma dominação que durava havia 60 longos anos, de fome, de contrariedades, de cobrança exagerada de impostos, de empobrecimento, de perda de dignidade. 
Mas o que importa isso para esta gente? essas partes da história, essas sementes da nação, essa raíz deste tronco que teima em prosseguir, o nosso país?
Pouco ou nada.
Números avulso envoltos na poeira de que falei. Números que enganam, números que só servem para driblar o incauto cidadão. Isso sim, importa-lhes e muito, vá-se lá a saber porquê...
Vale hoje, 1 de Dezembro de 2015, tal como valeu em 1 de Dezembro de 1640 falar de libertar este nosso Portugal.
Dar valor aos que não se rendem a uma qualquer duquesa de Mântua, a uma qualquer Troika. Hoje é o dia de enaltecer os que sonham, os audazes, os que querem progredir e estar no lugar que Portugal merece: 
Na frente.
Não tenho por Espanha qualquer sentimento de animosidade, antes pelo contrário. Mas sobretudo tenho amor e gratidão à terra que me viu nascer, a mim e aos meus, a este grande povo.
Esta terra merece que 1640 seja lembrado, que não seja votado ao esquecimento por meia dúzia de "senhores" que tanto se lhes dá como se lhes deu, 
Tanto se lhes dá como se lhes deu que os portugueses nela tenham lugar, como não. Que nela fiquem ou que se vão embora.
Fica hoje sobretudo o meu tributo ao que a história de Portugal me ensinou. Um tributo aqui aos heróis e patriotas de 1640.
Fica também a minha rejeição para os que querem apagar as sementes, as memórias mais significativas da lusa gente.
Para estes sim, a minha moção de rejeição.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira





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Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...