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domingo, fevereiro 14, 2010

Arnaldo de Barrelas


Deram nome de rua pequenina
a um grande homem
um quelho
um acesso a eira onde ninguém vai

numa terra escassa escondida remota
onde ...
se pouca gente passa na rua principal
ao quelho de seu nome
ninguém vai

o julgamento sobre a valia dos homens
vale o que vale
nada mais
não me cumpre comparar créditos e honras
de mortais

trepa-se ganham-se honrarias
apaniguados fazem-lhes a corte
outros de corte por família
já nascem imortais

a estes basta crescerem à sombra
de celebrados ancestrais
fazer qualquer coisa
nada de mais
e têm nome de praça assegurado
de avenida
de alameda
busto ou estátua em cidade grande

a outros coitados
são heróis à vista desarmada
de quem é puto e os vê com os olhos da cara
sem olhar estragado

gente que mexe com os outros
que é solidária
que anima
que puxa para cima
que tira a camisa suada
a própria pele
o sangue
se a fraqueza a alguém aperta
que vai para a frente se a coisa se escangalha

e nada

morrem como nascem
apenas trocam morada esfarrapada
por campa rasa

comparado com estes heróis sem nada
sem direito a nada
já esqueci que foi nome de quelho
que deram a um grande homem

bom amigo dado prestativo
sábio
grande conhecedor
das terras dele e de Aquilino
um português de trato fino
que me honrou só de conhecê-lo

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...