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sexta-feira, novembro 27, 2015

Ao colo, e à pala da Troika


Se dúvidas tínhamos de que havia mais que um caminho, apesar da lavagem ao cérebro feita sobre os portugueses nestes últimos quatro anos, o novo governo que agora tomou posse desfez essas dúvidas.
Poderia aventar-se que apenas o discurso mudaria. Como normalmente se diz quando um "novo alguém" toma posse. 
E já não seria pouco se tal acontecesse.
Mas não. Não mudou só o discurso.
Mudaram também as pessoas, E com elas, a afirmação de um novo rumo e tratamento que se podem dar à sociedade como ela na realidade existe.
Um Portugal de Pessoas, não um Portugal de números avulsos. 
Portugal somos todos, não apenas alguns, como essa suposta elite de direita extremada a todo o custo queria fazer crer.
Com eles apenas alguns teriam direito a "SER" num caminho obrigatório, sem esperança, sem futuro, sem progresso, sem dignidade, sem melhor e mais equidade. 
Um país rendido e ajoelhado.
Medo, medo, medo.
Esta a divisa aplicada por eles às molhadas a um povo que se foi conformando (rendendo não) consentindo assim que tal gente pudesse com a sua governação maltratar o país durante tanto tempo.
Uma sociedade espartilhada e assente em velhas práticas de antanho, apenas adaptadas e mal, aos tempos de hoje.
Um era negro, o outro branco, um era novo o outro velho, um pobre o outro rico, um filho de deus o outro do diabo e assim sucessivamente.
Caridade, pobreza, emigração, eram a constante de um tal "caminho".
Nunca julguei no século XXI ver o meu país com tais e tantos factores de divisão, de segregação. 
Factores esses injectados e propagados na população pelo poder instalado para nele tentar perpetuar-se.
Era o "dividir para reinar". 
O PARECER em vez de SER.
Mas a vontade do povo foi mais forte e as tais minorias elitistas, divisionistas, de direita extremada tiveram que abandonar o poleiro.
O dia deles chegara. Aves de mau agoiro trazidas à ribalta da governação ao colo e à pala de uma Troika de má memória.
Constato hoje e para terminar, que não foi por acaso que ficou tão célebre uma frase gritada nas ruas no pós 25 de Abril de 1974:
"O povo unido jamais será vencido".

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


quarta-feira, outubro 07, 2015

Eleições para um só caminho?



Dá para perceber que os sistemas democráticos estão inquinados. Sim inquinados como os pântanos, charcos, que se formam nos campos quando chove.
A água fica lodo, imprópria para consumo do mais rude camponês ou pastor que por ali vegete.
Assim está a democracia. 
Um lamaçal.
Em vez de cair chuva como no caso dos charcos do campo, fazem-se eleições. Finge-se que há múltiplas escolhas.
Pingam cidadãos de todos os lados cuidando que se fará alguma luz nas suas vidas com o ato de votar.
As mesas de voto desempenham na perfeição essa ilusão de que se trata de algo muito especial. As eleições. 
Liberdade, democracia, participação.
É hoje!
Lá estão as escolhas, o boletim de voto. Hoje sim é dia de mudar o presente, de contribuir com algo para a mudança, para um futuro melhor.
Tudo vai mudar, pensa-se, a esperança renasce, trocam-se olhares.
Anseia-se pela decisão. 
Fecham as urnas pela tardinha. As televisões enchem as casas com o ato eleitoral. 
É desta. Oxalá que sim. Deus o ouça. Vamos ganhar. Há que correr com eles. Com esta vergonha.
Os resultados aparecem. É já noite.
Ganhámos. Corremos com eles. Ficaram em minoria. Que bom. É agora.
Entretanto, aparecem os mandantes, os comentadores de serviço, as mesas redondas. Tudo desmontam. O que parecia, não é.
Ganhámos, perdemos?
Tudo na mesma? outra vez? 
Tem que ser. Dizem os alemães. Diz o Presidente. Diz o vizinho eloquente. 
Mas... 
Achei melhor calar-me e fui para a cama cabisbaixo. 
Para que seria que fomos votar se só pode haver um caminho? 
Era apenas isto que me atormentava o sono.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


terça-feira, agosto 25, 2015

Conversas em Família e Debates em Família


Nosso comentário:

Acabei de chegar aqui ao blog vindo de mais um "debate em família" entre um partidário do PSD (direita) e um deputado/Presidente de Câmara do PCP (comunista)
Ambos diziam umas coisas, tem que ser, já que a televisão que os contrata, pelo menos isso lhes deve exigir.
Em outro tempo, antes do 25 de Abril, criticava-se muito a monotonia das "Conversas em Família" do prof. Marcelo Caetano.
Lembram-se delas? os que se lembram, sabem do que falo.
Caros leitores do blog, em plena época de campanha eleitoral para as eleições do Parlamento em Portugal, numa altura decisiva para o destino do país, que tresanda em carência de tudo, quase se adormece a ouvir tais interlocutores.
Interlocutores estes que, em tempos idos, talvez proporcionassem uma troca acesa e interessante de pontos de vista.
Qual quê? Uma tristeza e um deserto de ideias.
Acabam por falar de coisas supérfluas, por trocar sorrisos amistosos, depois para justificarem o tempo de antena que lhes pagam, e por mútua conveniência, decidem ambos dizer mal do PS (que não está no debate) e do Syriza (que é aquele "maldito" partido esquerdista grego)
Eu chamaria a isto, sem qualquer interesse pessoal na matéria, a vitória assumida e apadrinhada do "caminho único" que nem sabemos ainda qual é.
Por isso referi as "Conversas em Família" do Prof. Marcelo Caetano, de antes do 25 de Abril. Monótonas, previsíveis, e de um só caminho. O caminho de então: o Salazarismo.
Uma paz podre que espanta quando anda tudo nervoso por esse mundo: os mercados bolsistas chineses, o mundo árabe, os migrantes, a xenofobia ante os refugiados de guerra, países destruídos, etc etc.
Tal e qual como acontecia com o Prof. Marcelo na altura. Portugal em várias frentes de guerra, mortos, estropiados, juventude sacrificada, famílias separadas pela emigração e ele, o 1.º ministro de então, a dar-nos baile pela televisão em conversas de família.
Afinal, tal como agora, só que agora tudo pia mais fino. Dão-nos baile em democracia, e em múltiplos canais televisivos para não nos faltar nada.

Fiquem bem,
António Esperança Pereira

segunda-feira, março 17, 2014

O referendo da Crimeia e Portugal na U.E.


Nosso comentário:


Um pesado revés para a União Europeia, esta votação dos habitantes da Península da Crimeia.
A União Europeia perdeu. A orientação que vem tomando nos últimos tempos, sem querer chamar nomes feios a essa orientação, tem retirado à Europa aquela chama com que o processo de União se iniciara. 
Parece hoje evidente que há europeus e europeus. 
As lideranças atuais tornaram por demais notória a intenção de lidar com novas adesões de países de uma forma paternalista, com intenções nítidas de exploração daquilo que são legítimas aspirações dos povos que integram esses países.
Infelizmente Portugal é já um exemplo de como a Europa não deve funcionar, isto caso esteja ainda interessada globalmente na sua real e verdadeira União.
Deram a Portugal com uma das mãos, tiram a Portugal com outra das mãos.
Fomos enganados. Outros o serão se isto assim continuar.
Muitos países como o nosso estão a fazer história como exemplos de ausência de solidariedade, de ausência de um território (U.E.) que parecia ser chamativo especialmente pelos seus ideais de liberdade, paz, progresso, democracia e fraternidade.
Talvez que os tanques russos, como outros tanques quaisquer, não sejam uma boa solução para a paz e progresso dos povos. Seguramente que não.
Todavia, olho o meu país, Portugal, e atrevo-me a dizer que também a paz podre em "liberdade e democracia" que nos quer conduzir a um prometido pesadelo de empobrecimento sem fim , um CAMINHO ÚNICO com alguma similitude com os "bons revolucionários de extrema direita" da Ucrânia, não será esse certamente a boa solução. 

PS. Deixo a notícia de uma pesada derrota da União Europeia, o referendo na Crimeia:

Em referendo, 95,5% votam a favor da anexação da Crimeia à Rússia

Sim à anexação da Crimeia à Rússia. Este foi o resultado, pela maioria esmagadora de 95,5%, segundo as primeiras estimativas oficiais, do referendo realizado neste domingo (16) sobre a anexação da península à Rússia. Milhares de ucranianos pró-russos celebraram o resultado, entoando o hino russo nas ruas da capital Simferopol.


Fiquem bem

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...