Mostrar mensagens com a etiqueta tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tempo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, novembro 15, 2017

Rico é quem tem tempo


Nosso comentário: Partilho hoje com os estimados leitores um texto, tal como o recebi, da autoria do escritor Mia Couto.
Sem comentários...
 01
“E a juventude vai escoando entre os dedos.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguer, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

01a

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

06

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

04

Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.

03

Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bónus do final do ano não comprariam os anos de volta.”
02
Texto de Mia Couto

Fiquem bem,

quinta-feira, junho 01, 2017

Soneto de Frei António das Chagas

Barroco: Foto retirada da internet
Extraordinário soneto do século XVII

No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos.
Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.
Mas este tem assunto bem recheado de saber.
Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


Fiquem bem

António Esperança Pereira


quarta-feira, outubro 09, 2013

Pensamento Perdido

Pensamento perdido


Quando os olhos se perdem
nas luzes que ofuscam
no desempenho dos outros
no fora de aqui

quando o pensamento
voando no tempo
em busca de nada
restos
migalhas
me p
õe pesado
triste perdido...

eu grito: BASTA!

abrandem olhos perdidos
ansiosos
deixem o sonho
as idas t
ão longe
voltem a mim

e tu pensamento
que vais ao passado
enganos e perdas
que triste que estranho
voltas a mim!

quem sofre sou eu
o riso não vem
o doce n
ão vem
o pr
óprio Universo
ao ver-me assim...

cabisbaixo pesado
fugido
zangado comigo
n
ão gosta de mim!



Fiquem bem,

António Esperança Pereira

segunda-feira, abril 29, 2013

Regresso impossível a tempos de antes...


Nosso comentário:


Sem dúvida alguma que os tempos mudam. Os efeitos dessa mudança refletem-se em tudo. Nas pessoas, nos seus hábitos e costumes, na paisagem, nos utensílios, na moldura do horizonte que nos cerca.
Assim, quer olhando a história de um passado longínquo, quer a história mais próxima e recente vivida e presenciada por cada um de nós, somos levados a concluir que há caminho, que há evolução, progresso, mudança, nunca  nada num dado presente, fica como dantes.
Daí ser exagerado falarmos em retrocesso, numa espécie de regresso ao passado, quando analisamos com preocupação séria o que se está a passar no nosso país.
Nunca ninguém nem coisa alguma regressou alguma vez ao passado.
Daí que podemos estar descansados com a certeza que a história nos dá de que nada voltará a ser o que era dantes.
Salazar não voltará. Os ditadores idos, as guerras idas, os massacres e execuções perpetradas  por loucos de antanho não regressarão jamais.
Daí que, a haver regressão, nunca ela será capaz de nos levar ao passado.
Pode sim a loucura de algum ou alguns, levar-nos a situações semelhantes, aparentadas com outras que se viveram, perderem-se avanços sociais, políticos, económicos, jurídicos, etc. por apagão dos mesmos, podem até tentar fazer o mesmo que outros fizeram.
Mas uma coisa nos pode descansar: o tempo (neste conceito) anda para a frente, e, pará-lo ou fazê-lo andar para trás, é impossível.
Logo, podemos ter líderes maus, péssimos, uma crise assustadora, um mundo que nos parece à beira da catástrofe, mas... 
sempre ouve épocas assim, turbulentas, difíceis, quezilentas, gente mais capaz e gente menos capaz, homens sãos e homens loucos e não foi por causa disso que a corrente inexorável do tempo deixou de continuar o seu caminho.
Desenganem-se pois os que cuidam que é possível levar-nos do séc. XXI outra vez ao séc. XX.
Não vão conseguir, nem com artes de "magia branca" nem com artes de "magia negra".
Apesar do romantismo da historia que deixo abaixo, ela é o exemplo perfeito e simples do que acabo de dizer-vos


Fiquem bem, António Esperança Pereira








CACILHAS

Origem do nome

Em tempos longínquos, em que não havia pontes entre Lisboa e Cacilhas, o barco era a única maneira de atravessar o rio Tejo.
A origem do nome Cacilhas lembra essas alturas em que, quando as pessoas saíam do barco, tinham Burros à espera de passageiros para darem umas voltas por Almada.
Quando se preparava o burro para um novo passeio, o dono dizia "Dá cá cilhas", e assim nasceu,

CACILHAS.

Desde o final do séc.XIX até ao princípio dos anos 30 do séc.XX, as burricadas eram um grande atrativo turistico!
Os Lisboetas, aproveitavam o facto de o comércio estar aberto ao domingo em Cacilhas, para se deliciarem com um passeio de barco e almoçarem marisco ou peixe nas tascas ribeirinhas.

sábado, janeiro 12, 2013

Só o tempo é capaz de entender o amor...


Nosso comentário:


Mais um contributo de um leitor do blogue. Desta feita foi-me enviada uma história que, como todas as histórias, começa por ERA UMA VEZ...
História que vale a pena ler pois faz todo o sentido num tempo em que de pouco parece servir ser-se pessoa, muito menos ser-se uma pessoa com alguma idade.
Não vou falar outra vez nos direitos dos reformados que, como se sabe, entregaram ao Estado uma enorme quantidade de dinheiro durante toda a sua vida de trabalho, para terem direito a uma "mesada" digna, calculada pelos peritos para o efeito. Que depois a vêem extorquida por esse mesmo Estado assim sem mais nem menos, tendo-lhes ficado com o dinheiro.
Que fez o Estado ao dinheiro? 
Bom, em vez de honrar os compromissos assumidos com os fiéis depositantes e pagantes de uma vida, os então trabalhadores...gastou-o, deu-o aos bancos para se aguentarem de pé, em suma fez com ele tudo aquilo em que o leitor está seguramente a pensar.
É triste, desumano, escandaloso, mas é verdade.
Mas...
leiam a história que me foi enviada, bem bonita por sinal. 
Os meus sentidos agradecimentos a quem ma enviou.



Fiquem bem, António Esperança Pereira
 
 
http://lusito.bubok.pt/





A ILHA DOS SENTIMENTOS



Era uma vez uma Ilha onde moravam todos os sentimentos: a ALEGRIA, o AMOR, a SABEDORIA, a TRISTEZA e todos os outros Sentimentos.
Um dia avisaram os moradores da Ilha que ela se iria afundar.Todos os moradores se apressaram a sair.
Pegaram nos seus barcos e partiram rapidamente. Só o Amor ficou pois queria estar mais um bocadinho
com a Ilha. Quando, por fim, estava quase a afogar-se, o Amor começou a pedir ajuda....
Passou a Riqueza num lindo barco, e o Amor disse:
-Riqueza leva-me contigo!

 

-Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para ti.
Entretanto veio a Vaidade.
-Vaidade por favor ajuda-me!
-Não posso Amor, está todo molhado e estragava o meu barco.
Então o Amor pediu ajuda à Tristeza:
-Tristeza leva-me contigo, por favor!
-Ah! Amor estou tão triste, que prefiro ir sózinha.
Também passou a Alegria, mas ia tão contente que nem ouviu o Amor.
Já desesperado o Amor começou a chorar. Então ouviu uma voz chamar:
-Vem Amor, eu levo-te.
Era um velhinho...o Amor ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o nome do Velhinho. 
Ao chegar ao outro lado perguntou à Sabedoria:
-Sabedoria quem era aquele Velhinho que me trouxe até aqui?
A Sabedoria respondeu:
-Era o TEMPO!!!

-O TEMPO? mas porquê só o Tempo me trouxe???
-Porque só o tempo é capaz de entender o "AMOR"!!!!

sexta-feira, junho 29, 2012

Imagens belíssimas: só o "Álvaro" fica mal...

Além dos insultos, alguns manifestantes colocaram-se em cima do carro do ministro da Economia para bloquear a sua saída.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ministro-da-economia-insultado-e-travado-na-covilha=f736366#ixzz1zCVJewVI




--------------------------------------------------------------------------------------------------
Cidade de Lisboa em "time-lapse"

Há um novo retrato online da cidade de Lisboa, que mostra a capital portuguesa de uma forma original com recurso ao "time-lapse", uma técnica que se baseia numa série de fotografias tiradas no mesmo local por um longo período de tempo - geralmente vários dias - e colocadas em filme, dando a impressão de que o tempo avança a grande velocidade.
Trata-se do vídeo "Lisbon in Time-Lapse" publicado por um utilizador do Vimeo, Roberto Tino, que está disponível naquela plataforma há cerca de dois dias e que já conta com quase mil visualizações.
O vídeo em questão traz aos nossos olhos diversas paisagens da cidade que se movem em passo acelerado, desde a Lua que se esconde atrás das nuvens ao Sol que nasce entre as típicas ruelas lisboetas.
Entretanto, há pessoas que passam, barcos que "correm" pelo Tejo, carros, autocarros e táxis que aceleram no Marquês de Pombal e se misturam entre si, tornando-se impossíveis de distinguir e deixando rastos de cor e luz no escuro da noite "alfacinha".

---------------------------------------------------------------------------------------------------


O Porto - Assim nunca viram !

---------------------------------------------------------------------------------------------------

Nosso comentário.


Mais uma vez a gentileza de um leitor fez chegar até nós imagens maravilhosas das duas mais importantes cidades de Portugal: Lisboa e Porto.
Não hesitámos em divulgar tais imagens, por belas e inovadoras.
A capital portuguesa é mostrada de uma forma tecnicamente avançada, recorrendo-se ao "time-lapse", uma técnica que se baseia numa série de fotografias tiradas no mesmo local por um longo período de tempo.

O efeito é o que o leitor, caso ainda não tenha visto, pode visualizar clicando nos link's apresentados supra.
Deixamo-los, pois, com as belíssimas imagens das duas importantes cidades, dignas de serem visitadas por quem ainda as não conhece. Quem as conhece, pode sempre internar-se em sítios mais reconditos das mesmas, quiçá os mais belos de todos.

PS. Quanto à receção ao ministro da economia na cidade da Covilhã que abre este post, não constitui novidade nesta fase. Portugal, mesmo com as medidas draconianas de austeridade e assalto aos bolsos dos cidadãos, pilhando-os do que têm e do que não têm, continua no top 10 (5.º) dos principais candidatos mundiais à bancarrota. Por isso, começa a ser difícil um governante, seja ele qual for, mostrar-se fisicamente aos portugueses.
--------------------------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, maio 19, 2010

Ego e Tempo


Ego
ego
ego
cansa-se o corpo
de ser máquina
contamina a alma
que não entende
o sem descanso
da matéria

Tempo
tempo
tempo
escrava a gente
só com pensamento
repetindo diariamente
quase tudo
matematicamente

sexta-feira, outubro 23, 2009

nós e o rio estreito


Sim afirmativo vamos
penso isto enquanto acompanho
o fio das palavras que não pára

e falo falo falo
animo pedalo depois canso
desanimo
com o decurso de discurso
perfeito
para nada

comparo a dois rios lado a lado
um direito plano cheio
que logo atinge o mar
sem se esforçar

o outro
mais estreito
com curvas contra curvas
no trajecto
fragas montes quedas
voltas e mais voltas
tanta dificuldade na distância…

que ou fica seco antes
de chegar
ou chega tarde demais
ao mar

cabe perguntar
ao tempo que é só tempo
e que se esgota
a valia de tanta teoria
que seca os lábios
o peito a voz?

haverá depois disto em nós?

ou só voltas e mais voltas
curvas contra curvas
secura de fluidos
embargada a voz
sem se chegar a qualquer
foz?

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...