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terça-feira, janeiro 07, 2014

O teu corpo era lindo...



Chamei-te flor



Chamei-te flor
senti amor
senti ciúmes
almocei contigo
fiz-te promessas
cantei contigo

toquei teus lábios
e quis beijá-los

descobri teus seios
e quis senti-los

o teu corpo era lindo
perdi-me nele

lembrei as vindimas da minha terra
porque sempre gostei delas

e a semelhança que vi
entre o provar do mosto
e o provar-te a ti
inebriado
tonto
feliz

tu és a vindima que já não tenho




Fiquem bem,

António Esperança Pereira

sábado, junho 19, 2010

Decisões velhas


Calçada romana isolada
pedras soltas
detritos de rebanhos
carreiro pouco visto por humanos
assim era o caminho
que ligava
minha terra natal
à minha terra de morada

que esforço desumano
fazer o que eu fazia
cobras lagartos poucos ais
percorrer um tal caminho
em pasteleira bicicleta
quando nem chegava aos pedais

montava desmontava
consoante o piso permitia
subia descia
animava desanimava
o Côa quase enxuto
bem no fundo
tudo o que em redor se via
eram infindáveis pedregais

o desafio até gostava
contornava obstáculos
engendrava soluções
como que me sentia vivo
no cansaço

só que a meio do caminho
cães enormes longe do pastor
e do rebanho
ladravam corriam
ameaçavam arreganhando os dentes
à alma penada
EU
que ali passava

descia da bicicleta
e com ela como escudo
para me defender
tentava afastar os animais
até o grito do pastor os demover

sentia em sítio onde nascera
alguma ingratidão
no tempo de medo e solidão
que não passava mais

reconheci certo dia
que era demasiada estoicidade
fazer o que eu fazia
com tanto cão a ladrar

um ou outro não seria!

e com tanta dificuldade
pedras e pedregulhos
arribas tantos engulhos
o que era empresa aventura
candeia ali novidade
ficou inferno tortura
virou impossibilidade

deixei o caminho velho
que tão mal me recebia

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...