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sexta-feira, janeiro 04, 2019

meninos de azul, meninas de rosa

Cartaz de propaganda eleitoral presidencial de 1949 com os elementos principais do salazarismo: família, ênfase na figura paterna e a religião católica.

Nosso comentário:

Apesar de algumas luzes no fundo do túnel aparecerem nos EUA e trazerem alguma esperança democrática ao mundo, o autoritarismo, o populismo e outros "ismos" não param de multiplicar-se. Dos muros ao racismo, da xenofobia ao fascismo, vemos o mundo como que a andar para trás nos direitos humanos e tantos avanços conquistados nas últimas décadas.
Povos outra vez vergados aos exageros de governantes sem escrúpulos, envenenados por discursos inflamados de violência e nacionalismo .
Hoje mesmo via eu as notícias no meu televisor e tudo o que atrás digo estava nas notícias. Muros, violência, nacionalismo, racismo, fascismo. Não fora a minha continência verbal e moderação nas minhas convicções, poderia quase adivinhar um holocausto, naqueles discursos, na bandeira de Israel a emoldurar discursos, ódios na cultura da governança, mais armas para o povo, violência, violência, violência.
A acabar comigo uma senhora ministra do nosso amado Brasil entoava em júbilo,  desfasada da realidade atual, qualquer coisa como: "as meninas de rosa, os meninos de azul".
Isto quando toda a gente sabe que o seu líder já "proibira" o vermelho.
Que cores restarão ao povo brasileiro para vestir?

PS. Relembro a propósito o que foi o Salazarismo em Portugal. São breves palavras inseridas num contexto maior, assinadas por uma professora de história, Juliana Bezerra.

Crianças uniformizadas e em posição militar numa reunião da Mocidade Portuguesa



O Salazarismo é uma das denominações do “Estado Novo” português (1926-1974), regime político liderado por Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970).
Esta ideologia era inspirada no fascismo italiano, no integralismo lusitano e na Doutrina Social da Igreja.

Características

O Estado Novo ou o Salazarismo foi inaugurado em 28 de maio de 1926, com um golpe de Estado articulado pelos militares.
O Estado Novo pôs fim ao liberalismo em Portugal e inaugurou um período histórico de 41 anos de governo com aspetos fascistas como o corporativismo e o anticomunismo.
Nestas quatro décadas de existência, Salazar esteve à frente do governo durante 35 anos. Por isso, o Estado Novo também é chamado de Salazarismo.
Suas principais características são:
  • nacionalismo
  • tradicionalismo
  • corporativismo
  • autoritarismo
  • antidemocrático
  • colonialismo
  • anticomunismo
  • antiparlamentarismo



terça-feira, agosto 25, 2015

Conversas em Família e Debates em Família


Nosso comentário:

Acabei de chegar aqui ao blog vindo de mais um "debate em família" entre um partidário do PSD (direita) e um deputado/Presidente de Câmara do PCP (comunista)
Ambos diziam umas coisas, tem que ser, já que a televisão que os contrata, pelo menos isso lhes deve exigir.
Em outro tempo, antes do 25 de Abril, criticava-se muito a monotonia das "Conversas em Família" do prof. Marcelo Caetano.
Lembram-se delas? os que se lembram, sabem do que falo.
Caros leitores do blog, em plena época de campanha eleitoral para as eleições do Parlamento em Portugal, numa altura decisiva para o destino do país, que tresanda em carência de tudo, quase se adormece a ouvir tais interlocutores.
Interlocutores estes que, em tempos idos, talvez proporcionassem uma troca acesa e interessante de pontos de vista.
Qual quê? Uma tristeza e um deserto de ideias.
Acabam por falar de coisas supérfluas, por trocar sorrisos amistosos, depois para justificarem o tempo de antena que lhes pagam, e por mútua conveniência, decidem ambos dizer mal do PS (que não está no debate) e do Syriza (que é aquele "maldito" partido esquerdista grego)
Eu chamaria a isto, sem qualquer interesse pessoal na matéria, a vitória assumida e apadrinhada do "caminho único" que nem sabemos ainda qual é.
Por isso referi as "Conversas em Família" do Prof. Marcelo Caetano, de antes do 25 de Abril. Monótonas, previsíveis, e de um só caminho. O caminho de então: o Salazarismo.
Uma paz podre que espanta quando anda tudo nervoso por esse mundo: os mercados bolsistas chineses, o mundo árabe, os migrantes, a xenofobia ante os refugiados de guerra, países destruídos, etc etc.
Tal e qual como acontecia com o Prof. Marcelo na altura. Portugal em várias frentes de guerra, mortos, estropiados, juventude sacrificada, famílias separadas pela emigração e ele, o 1.º ministro de então, a dar-nos baile pela televisão em conversas de família.
Afinal, tal como agora, só que agora tudo pia mais fino. Dão-nos baile em democracia, e em múltiplos canais televisivos para não nos faltar nada.

Fiquem bem,
António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...