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sexta-feira, abril 24, 2020

25 de Abril: Um poema!!!


Antes e depois


Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa; 
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!


AEP/

O poema faz parte de uma coletânea de poemas com o título "PORTUGAL PERIFÉRICO OU...O CENTRO DO MUNDO?", que pode ser visto e consultado no link da Editora:

http://www.bubok.pt/libros/2158/PORTUGAL-PERIFERICO-OUO-CENTRO-DO-MUNDO


Fiquem bem, de preferência em casa.

António Esperança Pereira

sábado, abril 18, 2020

"Em Cascais não vou permitir."


Nota do autor do blog:

Não é novidade nenhuma que muitos autarcas, à boleia do Corona Vírus, se tornaram bastante mediáticos. Todos estamos a pensar neste ou naquele outro que "beneficiaram" da Pandemia, por razões diversas, para dar nas vistas. Autarcas esses que saíram praticamente do anonimato. Nem é preciso citar nomes. Carlos Carreiras ainda apareceu com umas críticas, mas não foi dos que mais se viu. Nem precisava. Talvez por isso, aproveito hoje para divulgar uma notícia que li a seu respeito. As ilações a tirar sobre as afirmações proferidas pelo autarca, ficam ao critério de cada um.

Transcrevo abaixo a notícia que li: 

25 de Abril, 1.º de Maio e 10 de Junho? "Em Cascais não vou permitir"

Numa publicação na sua conta da rede social Facebook, Carlos Carreiras refere que estas celebrações municipais "já tinham sido canceladas". "Ou melhor, quem quiser comemorar comemora em casa. O presidente da Câmara Municipal de Cascais não é irresponsável para com os seus munícipes", refere o autarca do PSD, prometendo que, em 2021, estas datas serão celebradas ainda com "mais vigor e energia". 
Carlos Carreiras critica depois a decisão de assinalar estas datas a nível nacional: "É um enorme erro que rasga o consenso e a confiança que tem presidido ao combate à esta pandemia e como tal é motivo da minha mais veemente crítica e oposição"."
Mais. Considero uma ofensa a todos os que estamos a passar este momento negro, manterem as comemorações do 25 de Abril e 1º Maio, já que o 10 de Junho, o Sr. Presidente da República já tinha cancelado. Indecoroso e um péssimo exemplo que vem de cima e a liderança afirma-se pelo exemplo. Este é um péssimo exemplo", aponta.
A decisão de a Assembleia da República manter a sessão solene do 25 de Abril no parlamento, embora com menos deputados e convidados, teve o apoio da maioria dos partidos: PS, PSD, BE, PCP e Verdes.
O PAN defendeu o recurso à videoconferência, a Iniciativa Liberal apenas um deputado por partido, enquanto o CDS-PP - que propôs uma mensagem do Presidente da República ao país - e o Chega foram contra.
Fiquem bem, de preferência em casa.

terça-feira, setembro 11, 2018

Para bom entendedor...



Nosso comentário

Não quero crer que a justiça em Portugal seja o pior dos mundos mas, está bem à vista, que também não será o melhor dos mundos.
Claro que, apesar dos seus defeitos, há sempre a esperança de que as coisas melhorem no sector e eu até sou dos que acreditam que irão mesmo melhorar.
Todavia, enquanto as fugas de informação de tudo o que é suspeita de alguém, antes de qualquer prova, forem mais que muitas e os julgamentos feitos na praça pública, a Democracia está em perigo.
O 25 de Abril fez-se para que os diversos poderes da República funcionassem livre e responsavelmente. 
Assim deve ser.
Por isso, é tempo de dizer que não é tolerável que nos dias de hoje se repitam os usos e abusos dos poderes judiciais e policiais ante a culpabilização sem provas dos tempos da outra senhora.
Portugal até está a ir bem em quase todos os sectores. 
Há que dizê-lo.  
Não estraguemos pois o país com a "histórica inveja" de uns pelos outros.
Para bom entendedor…

PS. Dito isto, deixo umas palavrinhas mais serenas que tinha aqui do baú.
Fiquem bem,

António Esperança Pereira







sexta-feira, abril 13, 2018

Portugal a Revolução impossível?

Breve nota do autor do blog:

Estamos em Abril, mês comemorativo do 25 de Abril de 1974 em Portugal, data também conhecida pela designação "Revolução dos cravos".
A Antígona, Editora que nos vem brindando com lançamentos de obras de qualidade, anuncia agora "Portugal a revolução impossível?", Um livro de Phil Mailer.
Atendendo ao conteúdo da mesma, ele motivará decerto a curiosidade de todos, mesmo que essa curiosidade o seja por razões diversas.
Por isso mesmo a divulgo aqui no blog, agradecendo mais uma vez a esta editora a amabilidade de me manter informado sobre os seus lançamentos.
Para já os estimado leitores podem sentir um cheirinho da temática da obra através do resumo constante do seu lançamento.
António Esperança Pereira 

PORTUGAL:
A REVOLUÇÃO IMPOSSÍVEL?


Phil Mailer


TRADUÇÃO Luís Leitão
POSFÁCIO Maurice Brinton
ILUSTRAÇÃO DA CAPA João Alves
Uma revolução impossível? Sim, dirão alguns. Impossível porque não pode existir nenhuma ilha de comunismo libertário num mar de consciência capitalista. Impossível porque a revolta estava alicerçada no subdesenvolvi-mento da sociedade. Impossível porque era o capitalismo de Estado, e não o socialismo, que estava na cabeça dos revolucionários. Mas os homens e as mulheres sempre sonha-ram sonhos «impossíveis».
 
Maurice Brinton
 
Após a data que, da noite para o dia, derrubou quase cinquenta anos de ditadura, seguiram-se dezoito meses de convulsões profundas que trouxeram à tona as forças e fragilidades da sociedade portuguesa. Um povo pobre e deprimido, uma massa de gente ignorante e ignorada, habituada a não ter voz, revelou uma consciência política que parecia adormecida – a consciência da sua própria miséria e a crença de que era possível acabar com ela.
Mas estes dezoito meses foram também de desencanto: partidos sem vontade de provocar uma mudança real na vida das pessoas; jornais «entusiasmados com o seu poder de criar acontecimentos» e agarrados aos mitos que fabricavam; e vanguardas supérfluas que instrumentalizavam os desejos dos deserdados à medida de cada ismo, sabotando qualquer tentativa de auto-organização.

Portugal: A Revolução Impossível?, editado agora com um novo prefácio do autor, é um mergulho nas águas agitadas do PREC, longe dos comícios, ao lado de gente comum; uma crónica minuciosa e apaixonada de um povo em alvoroço, pelos olhos de um irlandês libertário a viver em Portugal.

Phil Mailer nasceu na Irlanda, em 1946. Depois de engrossar as fileiras do grupo pró-situacionista King Mob, em Londres e em Nova Iorque, mudou-se para Portugal, nas vésperas da revolução de 1974, para dar aulas de inglês. Por cá, assistiu com espanto e esperança à revolta que se iniciou na madru-gada do 25 de Abril, acabando por participar activamente nos acontecimentos que se lhe seguiram.
Foi um dos editores do jornal Combate (testemunha de ocupações de terras, plenários de fábricas em autogestão, greves de trabalhadores e assembleias de moradores de bairros da lata) e dinamizador da livraria libertária Contra a Corrente, no Bairro Alto, em Lisboa. É tradutor de português e autor de ensaios e romances. Por gosto, traduziu para o inglês muitas das canções de Zeca Afonso. Ainda hoje vive entre a Irlanda e Portugal.

 
ISBN 978‑972‑608‑321-4
PVP 20 euros
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quinta-feira, abril 27, 2017

Celeste Martins Caeiro e o 25 de Abril


Celeste Martins Caeiro foi a mulher que, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares.

A mulher que, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares.

Em 1974, um grupo de oficiais portugueses, reunido no Movimento das Forças Armadas, lançava a vasta operação de derrube da ditadura de 48 anos. Dirigido, na maioria, por jovens capitães, o golpe, que ficou conhecido por A Revolução dos Cravos, derrubou o regime de Marcello Caetano, pôs fim à guerra colonial, abriu caminho ao desenvolvimento económico e social e à estrutura do Estado democrático. (LUSA)
Quanto à origem do cravo vermelho, pode afirmar-se que tem duas explicações:
Em primeiro lugar, convém ter presente que o cravo vermelho era, à data, talvez a flor mais barata e popular.
Ora acontece que, nesse dia, 25 de Abril de 1974, havia um restaurante na Rua Braamcamp, em Lisboa, que celebrava o seu primeiro aniversário. O proprietário comprara cravos vermelhos – a tal flor que juntava o barato e o popular – para oferecer nesse dia às clientes. Como houve a ação militar, o restaurante não funcionou e o proprietário disse aos seus trabalhadores que podiam levar os cravos com eles.
Uma das trabalhadoras, chamada Celeste, decidiu levar um molho de cravos para casa. Ao começar a descer a Avenida da Liberdade, deparou com a população a oferecer bebidas, sandes, tabaco, aos soldados que ali estavam ou passavam. Tomou, então, a iniciativa de lhes oferecer os cravos, dizendo “desculpem, mas não tenho mais nada para vos oferecer”.
Os soldados recebiam os cravos e, não sabendo onde os colocar, decidiram enfiá-los nos canos das espingardas.
Outra explicação, certamente coincidente:
No Rossio, havia várias vendedeiras de flores que, quando os militares aí passaram, vindos do Terreiro do paço, os vitoriaram e lhes ofereceram as flores que estavam a vender, nomeadamente as tais mais baratas e populares, os já referidos cravos vermelhos.
O resto foi igual: os militares colocaram-nos na “boca” das espingardas. E assim nasceu um dos principais, senão mesmo o principal símbolo da Revolução dos Cravos, o cravo vermelho.
Que, no dia 26 de abril, é já a flor (também porque era barata e popular) que os familiares e amigos dos presos políticos lhes levaram a Caxias e lhes ofereceram, quando da sua libertação. Que eles, de imediato, oferecem aos militares que ali estão, que os recebem e colocam nas espingardas. Curiosamente, dir-lhe-ei que, mais tarde, descobrimos que na crise vivida em Lisboa entre 1383 e 1385, o símbolo do povo da capital, que esteve na base da derrota infligida aos castelhanos, foi um cravo branco.
Vasco Lourenço

terça-feira, abril 25, 2017

Poema meu evocativo do 25 de Abril 1974


Nota do autor do blog:

Hoje é o dia 25 de Abril de 2017.
Faz anos que aconteceu a chamada revolução dos cravos.
Com ela chegara finalmente ao Portugal de 1974 o grito LIBERDADE. Liberdade que mudou este país arcaico, empobrecido, isolado, amordaçado.
Era o fim de uma ditadura longa, longa!
Merece ser sempre evocado e comemorado. Para que não se esqueça o "ANTES", para que se festeje o DEPOIS.
Não esqueçamos as portas que Abril abriu.
Digo isto porque há que estar atentos e vigilantes aos sinais preocupantes que chegam de diversos quadrantes do nosso querido planeta.
Atenção aos "ditadores". Eles andam outra vez por aí.
Deixo-lhes um poema "Antes e depois" que consta da minha coletânea de poemas que dá pelo nome "Portugal periférico ou...o centro do mundo?"

Fiquem bem

António Esperança Pereira




Antes e depois

Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!


segunda-feira, abril 25, 2016

25 de Abril em modo "light"


Nosso comentário:

Apenas meia dúzia de palavras para introduzir uns "versinhos" que fiz a mais um 25 de Abril, neste ano de 2016.
Na altura, 1974, eu não estava cá, ou seja em Portugal, pois encontrava-me destacado no cumprimento do serviço militar obrigatório em terras da Guiné-Bissau.
Não tive por isso o privilégio de viver esse dia memorável em Lisboa.
Acompanhavam-se os acontecimentos como se podia, via rádio sobretudo, também através de outras fontes que nos contavam o que se passava na capital.
Eram as canções do saudoso músico e cantor Zé Afonso que nos aqueciam os corações nas longínquas paragens em que nos encontrávamos.
A alegria e a esperança de um futuro melhor eram grandes. A ditadura durara tempo demais. O país estava exausto, empobrecido e atrasado.
Havia que encontrar um novo rumo para as então "províncias ultramarinas" numa altura em que todos os impérios já tinham feito as respetivas descolonizações.
O nosso dia chegou enfim a 24 de Abril de 1974.
Caía finalmente um regime caduco, repressivo, ditatorial, que nos atrasara tempo demais face à Europa.
A Liberdade foi a maior conquista. Especialmente a liberdade de pensamento e expressão que abriria as portas a todas as outras liberdades.
Com essas liberdades chegou a Democracia.
Portugal passava a ser um país moderno. Tinha todas as condições para seguir um rumo novo.
Ficou por isso célebre a frase "As portas que Abril abriu"
Hoje celebrou-se mais um aniversário sobre essa inesquecível data.
As celebrações foram singelas, sem grandes cartazes nem palavras de ordem. Tentaram ser conciliadoras por toda a parte, tal como o foram as palavras do Presidente da República.
Talvez por isso os meus "versinhos" desta feita também sejam "versão light". Deixo-os abaixo e é o meu contributo para lembrar e festejar este dia.


Fiquem bem,

António Esperança Pereira



Abril sempre



Estou feliz com o que tenho
E querer mais não é pecado
Saboreio o grande engenho
De sair do triste fado

De deixar de ser tacanho
Esquecer o que sofri
Nos registos do passado
Em que outrora me perdi

Eram feridas desesperanças
Tempos negros falsas glórias
Chega de elogiar andanças
Com sangue de palmatórias

Escola velha violenta
Que frequentei quando novo
Pancada e água benta
Eram práticas que reprovo

Por isso repito a crença
Que estou feliz em Abril
Esse mês de águas mil
Esse mês que fez diferença

Esse mês que fez soltar
Um povo triste amarrado
Um povo enfim libertado
De mãos dadas a cantar.




segunda-feira, maio 18, 2015

Somos Poetas Somos Liberdade, antologia



Nosso comentário:


Apenas meia dúzia de palavras, apenas para lhes dizer que é com imenso prazer e enorme gratidão à "Editora NPE" que anuncio aqui no blogue o lançamento de mais uma Antologia por parte daquela Editora.
Será para muito breve.
Mais um livro com belos textos e poemas. 
Da minha parte, respeitando a temática que o título deixava adivinhar, posso adiantar-lhes que participo com temas alusivos ao 25 de Abril (Revolução dos cravos/Portugal-1974) e à União Europeia.
Deixo a capa para aguçar o apetite.
Fiquem bem,


António Esperança Pereira



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sábado, abril 25, 2015

25 de Abril de 2015, 41 anos depois...


 


Um poema dedicado ao 25 de Abril


Antes e depois


Dias longos nostalgia
espelhada em cada rosto português
uma amargura que ainda hoje se vê
nos filhos dos filhos daquele tempo
que na flor da idade
iam para a guerra longe
sem saberem bem para onde
nem para quê

o horizonte europeu fronteira de Castela
estava bem fechado
ninguém saía nem entrava
pides guardas fiscais carabineiros
cerravam bem fileiras
disparando sobre quaisquer aventureiros
num Portugal amordaçado
sem liberdade nem pão nem educação

país arcaico empobrecido analfabeto
que sem tostão nem ganha pão
clandestinamente emigrava
fugir era o sonho ficar o pesadelo

na nossa própria casa aprisionados
na nossa própria casa condenados
degredo guerra pensamento censurado
um país grande em história
por décadas adiado

bravo foi o grito que soou
o sonho que chegou
“25 de Abril de 1974”
o meu país em festa
pontapé na guerra chuto nas masmorras
Portugal livre nas palavras
meu país velhinho a nascer de novo
os cravos eram as flores
a liberdade a esperança nova

Portugal respirava cantava renascia

a Europa aplaudia o mundo ansiava
o colonialismo acabava

hoje evocando aquela data
só lamento
o tempo perdido
as vidas ceifadas
a Pátria adiada para nada!





O poema faz parte de uma colectânea de poemas com o título "PORTUGAL PERIFÉRICO OU...O CENTRO DO MUNDO?", que pode ser visto e consultado no link da Editora:

http://www.bubok.pt/libros/2158/PORTUGAL-PERIFERICO-OUO-CENTRO-DO-MUNDO

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Um testemunho singelo de uma mulher portuguesa, então bem jovem, que acompanhou o seu marido em terras de África, mais propriamente na Guiné-Bissau, no cumprimento do serviço militar obrigatório. 
Aqui fica:




ABRIL,25,1974,GUINÉ-BISSAU


Com o aproximar de mais um dia 25 de Abril, e agora por razões diferentes, vou tentar fazer uma retrospectiva do que vivenciei nessa data, tirando as possíveis conclusões.
Muitas vezes me perguntaram: onde estavas no 25 de Abril ???Aí eu respondia: em Bissau...
E é mesmo verdade. Já lá vão muitos anos, é certo, mas há "feelings" que jamais esqueceremos...
Pois esse 25 de Abril amanheceu para nós, como de costume... (pensávamos)
De manhã, como habitualmente, após ter deixado a filha, bem pequenina por sinal, no infantário, de ter dito até logo ao meu marido, alferes miliciano no cumprimento do serviço militar obrigatório, fui a pé para a escola. Sentia qualquer "coisa" estranha no ar...movimentação fora do comum, helicópteros num vai vem, um zum zum que não entendia. Quando cheguei à escola fiquei a saber que algo se tinha passado em Lisboa, mas nada de concreto se sabia. Dei inicio à aula e passado  algum tempo veio a directora da Escola Gago Coutinho, onde leccionava, dizer-me que  havia acontecido alguma coisa politica em Lisboa. Fiquei assustada, o que fazer? Preocupada por nós e pela nossa família que estava em Lisboa.
De um momento para o outro fiquei só com dois alunos, os outros, vinte e tal, tinham fugido.
Liguei para o meu marido, foi-me buscar à escola e fomos os três para casa.
Rádio sempre ligado, noticias poucas, emissões estrangeiras... meu Deus... helicópteros....e finalmente lá mais para a tarde soubemos que tinha havido uma Revolta...sim....mas pacifica....com cravos vermelhos....que finalmente a Guerra acabava....que um novo Portugal ia nascer!!!!
Cantámos, pulámos de alegria....a música na rádio era sobretudo do saudoso José Afonso (Zeca Afonso)  noticias, mais noticias, canções....enfim....LIBERDADE....
“Era tempo de emalar a trouxa e zarpar “ como cantava Zeca Afonso.
Era o fim de uma ditadura que durara tempo sem fim. Que atrasara o país, que o isolara da Europa e do mundo.
Agora, tantos anos já passados, estou por um lado, com um misto de Alegria por tantas conquistas que os Portugueses alcançaram, que se traduziram numa melhoria de vida, por outro com um enorme receio de que possamos regredir....
Quero ser positiva...acredito mesmo que o nosso Povo não vai deixar que lhe tirem o que de BOM ABRIL nos deu.

MA/Lisboa/2012
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Nosso comentário


Grato pelo testemunho recebido evocando um momento singelo algures em Bissau, 1974. Deu para emocionar um pouco...
O 25 de Abril de 1974, que tem amanhã aniversário, não é uma data qualquer. Daí o título do poema supra: "Antes e depois". Para quem não conheceu o Portugal de antes do 25 de Abril de 1974, eu dir-lhes-ia apenas isto, em comparação com o Portugal que se seguiu: comparem uma prisão com um jardim...estarão próximos das duas realidades.

Por isso mesmo, dado que se vivem actualmente tempos complicados, com arrufos de extremismos de direita por essa Europa fora: veja-se o "killer" da Noruega, a votação da francesa Srª Pen, o governo holandês com participação da extrema direita, agora frustrado, etc. que mais se aproximam do "ANTES" da instauração das "LIBERDADES e DEMOCRACIA", que do "DEPOIS"...
Pelo que, apelo a todos para que se tenha cuidado.
Que pelo menos tratemos bem PORTUGAL, este país  maravilhoso que eu coloco, sem qualquer favor,  na geopolítica universal, no CENTRO DO MUNDO!!! 
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Fiquem bem,


Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...