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terça-feira, outubro 16, 2012

O dilema: ou acordamos e reagimos, ou perecemos.


Nosso comentário:

 
Este país continua entregue à bicharada. Os que governam dizem que não há outra saída. Todos os outros, mais ou menos, afirmam peremptoriamente que esta saída é um buraco sem saída, quer para a economia nacional, quer para as populações de Portugal em geral, quer para as pessoas em particular.
O Orçamento Geral do Estado parece contudo ir para a frente. Especialistas chamam-lhe bomba atómica fiscal, assalto final, roubo, muitos outros nomes com significados idênticos.
Mas a troika governamental ( os tais "impreparados") e a troika estrangeira (os credores) vão de vento em popa, encontrando sempre onde deitar a mão da maneira mais fácil e mais danosa para pobres e remediados.
Nas ruas há manifestações quase todos os dias, onde são cada vez patenteadas com mais veemência, a raiva, a indignação, a revolta, sobre o que se está a fazer com este NOBRE POVO NAÇÃO VALENTE E IMORTAL, como reza o seu HINO.
Hoje manifesta-se gente ligada à restauração. Ao que parece dezenas de milhares de pequenos e médios restaurantes fecharão as portas nos próximos tempos. Para o desemprego irão cerca de 100.000 pessoas. Para não falar no efeito dominó que terá em outros setores de atividade.
Uma atualidade explosiva, que preocupa todos.
Uma Europa sem soluções para a União, deixando cair no desemprego, na miséria, numa situação de fome e carência enormes faixas de população dos seus países membros.
Uma Europa sem lideranças à altura das circunstâncias. Uma Europa em que o lema parece ser o adotado pelos predadores em plena selva africana: isolar as presas (neste caso os países) debilitá-las, depois dar-lhes o golpe final, matá-las.
Por isso é preciso acordar, encontrar um rumo enquanto as forças não faltarem, enquanto não nos debilitarem mais, nos isolarem mais, nos convencerem de que será impossível escapar ao predador, de que não há saída, para nos darem o golpe final e nos matarem.
Creio que o dilema neste momento é simples: ou acordamos e reagimos, ou perecemos.
 
 
PS. De enorme atualidade deixo um texto referente a um diálogo que data do século XVII entre Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, em França.
Também um brinde humorístico ao ministro Gaspar, de entre os muitos que circulam.


Fiquem bem, António Esperança Pereira

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Muito actual!...MAS ACONTECEU ENTRE 1643 E 1715.



Vejam se não se sentem retratados.
UMA AULA DE POLÍTICA
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!
 

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quinta-feira, setembro 29, 2011

Um pouquinho de literatura muito actual


Se os novos soubessem e os velhos pudessem...

Estes já falavam assim há quase 400 anos mas ninguém os lê.

O Diálogo (séc. XVII)
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV extraído da peça de teatro Le Diable Rouge, de Antoine Rault:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável."
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Como surgiu Colbert esse "monstro" da política francesa? só duas ou três ideias:

Em 1651, Michel Le Telier, o apresenta ao Cardeal Mazarino que o contrata para gerir a sua vasta fortuna pessoal. Antes de morrer, em 1661, Mazarino recomendou Colbert ao rei Luís XIV de França, salientando as suas qualidades de dedicado trabalhador. Nesse mesmo ano o rei fez de Colbert ministro de Estado e, em 1664, atribui-lhe o cargo de superintendente das construções, artes e manufacturas e ainda o de intendente das Finanças.

Colbert desenvolveu todos os esforços para arruinar junto do rei a reputação de Nicolas Fouquet, o superintendente-geral das Finanças que tinha acumulado fortuna por meios fraudulentos; tendo este sido detido, a mando do rei, por D'Artagnan, Colbert tornou-se controlador geral das Finanças (1665). Viria ainda a desempenhar as funções de secretário de Estado na Marinha e na Casa Real (1669).

Em 1670, comprou o baronato de Sceaux no sul de Paris. Converte o domínio de Sceaux em um dos mais charmosos da França, graças a André Le Nôtre que desenhou os jardins e a Charles Le Brun que se encarregou de toda a decoração tanto dos edifícios como do parque.

Como ministro de Luís XIV, Colbert quis tornar a França a nação mais rica da Europa, e para isso implantou o mercantilismo industrial, incentivando a produção de manufacturas de luxo visando a exportação.
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Nosso comentário

Este interessante diálogo entre Manzarino e Colbert, foi-nos remetido via email por alguém dos nossos contactos que muito estimamos.
Muito interessante o diálogo.
Por isso mesmo decidimos colocá-lo no blogue para que os leitores possam lê-lo.
A sua actualidade é impressionante.
Então o último parágrafo, quando o grande cardeal Manzarino diz ao ainda inexperiente Colbert o que deveria fazer a nível de impostos, está demais!!!

Relembramos essas palavras do cardeal dirigidas a Colbert:
"Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável."

Pois, estão agora a ver os modernismos deste governo, FMI & friends?
Como está ali chapada a fórmula de ir tirar dinheiro à classe média, já viram?
(média alta, média e média baixa)
É nas ditas classes médias das sociedades que existe o medo de perder, a vontade de enriquecer. Eles sabem isso, logo, toca de sugar até mais não poder.
Aos ricos, não se tira, aos pobres já não se pode tirar mais.
Eles, governantes, já sabiam isso com muita clareza no séc. XVII.

Está a ver agora por que eles, governantes, como diriam os brasileiros, "estão mexendo no seu bolso"?
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...