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sábado, abril 08, 2017

Língua Portuguesa de vento em popa...


Nota do autor do blog:

Num mundo cada vez mais isolacionista, ainda bem que a CPLP teima em aprofundar laços entre os países que a integram e também, abrir os braços a outros países.
A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Atualmente são observadores associados da CPLP: a Geórgia, Maurícia, Japão, Namíbia, Senegal, Turquia e o Uruguai.
Neste contexto, deixo uma notícia interessante sobre o estado da Língua Portuguesa nesse país da América do Sul que dá pelo nome de Uruguai.
Antigamente os brinquedos que possuíam movimento eram accionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou elástico,
que ao ser destendido , fazia  o brinquedo mexer...Esses mecanismos chamavam-se "corda"...
Quando se dava a corda toda num brinquedo ele movia-se mais depressa....Daí a origem da expressão" Estar com a corda toda"
Fiquem bem


António Esperança Pereira



Português é tão falado como o espanhol na fronteira do Uruguai com o Brasil

– A língua portuguesa é tão falada como o espanhol pelos uruguaios que vivem na fronteira com o Brasil e o Governo do Uruguai tem incentivado o ensino da língua portuguesa no país, disse a embaixadora do Uruguai em Lisboa.
“Fala-se tanto o português como o espanhol nos departamentos uruguaios que fazem fronteira com o Brasil”, afirmou em entrevista à Lusa Brígida Scaffo Erviti.
De acordo com a embaixadora, a língua portuguesa já era ensinada nas regiões que fazem fronteira com o Brasil, mesmo antes da criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 1991, ou da inclusão do Uruguai como observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2016.
De acordo com Brígida Scaffo, “todas as crianças uruguaias estão familiarizadas com a língua portuguesa”.
“Temos um plano educativo introduzido (em 2007) pelo nosso Presidente (Tabaré Vázquez), ainda no seu primeiro mandato, no qual cada criança no ensino público recebe um computador portátil, possibilitando o aprendizado do português e do inglês”, disse.
Tabaré Vázquez exerceu o primeiro mandato entre 2005 e 2010 e assumiu o segundo mandato presidencial em 2015.
A embaixadora referiu ainda que “as crianças têm aulas de português como uma matéria optativa no ensino público uruguaio”.
“O português, juntamente com o inglês, é uma língua muito falada sobretudo pelos jovens que se dedicam ao comércio exterior no Uruguai”, acrescentou a diplomata.
O Uruguai disponibiliza aulas de português em cerca de 80 escolas públicas de ensino básico, sendo a maioria delas em zonas de fronteira com o Brasil, segundo números oficiais do Governo uruguaio.
No ensino secundário, as aulas de português estão disponíveis em Centros de Línguas, onde os adolescentes podem escolher entre português, francês, alemão ou italiano, fora do período de aulas.
Há especialistas em linguística que afirmam que no norte do país, na fronteira com o Brasil, 15% da população fala o que chamam de dialeto português do Uruguai (DPU), sendo considerada uma língua materna, e essa população seria realmente bilíngue.
De acordo com o Governo brasileiro, o Núcleo de Estudos Brasileiros (NEB) de Artigas, criado em 2005, oferece aulas gratuitas de língua portuguesa à comunidade local.
A Inspeção da Educação uruguaia aceita o certificado emitido pelo NEB como habilitação para que professores de espanhol passem a lecionar língua portuguesa nas escolas uruguaias, razão pela qual grande parte dos alunos formados pelo núcleo foi admitida para lecionar português na rede de ensino local.
O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, prosseguiu a diplomata, tem um leitorado de português na Universidade da República, em Montevidéu, além de desenvolver outras atividades, nomeadamente a formação de professores de português no Uruguai.
“Como observador associado da CPLP, queremos seguir os planos e os programas criados para incentivar o ensino do português no Uruguai”, sublinhou ainda a embaixadora.
A CPLP concedeu o estatuto de observador associado ao Uruguai durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo realizada em Brasília, em novembro de 2016.
“Interessa-nos nomeadamente fazer com a CPLP uma triangulação com os países de África. O Uruguai tem muito a oferecer no que toca às tecnologias agrícolas. Somos um país muito avançado nesta área. Pensamos que através da CPLP podemos cooperar com os países os quais Portugal tem muito contacto, inclusive os africanos lusófonos”, indicou ainda.
Sobre a comunidade portuguesa no Uruguai, disse que “não é muito grande, mas os descendentes mantêm as tradições dos antepassados”.
“Há associações de portugueses no país, como a da cidade de San Carlos (localizada no departamento de Maldonado e que fica a cerca de 130 quilómetros da capital, Montevidéu), que foi colonizada por portugueses dos Açores. Estas associações fomentam os vínculos com Portugal, sendo uma comunidade muito bem integrada na sociedade uruguaia”, referiu.
De acordo com o Observatório da Emigração, citando dados do Governo português de 2014, no Uruguai residem cerca de 1.900 pessoas com nacionalidade portuguesa.
A população do Uruguai é de cerca de 3,5 milhões de pessoas, sendo composta maioritariamente por descendentes de imigrantes europeus (quase 90%, sobretudo espanhóis e italianos), além de descendentes dos escravos africanos e pouquíssimos ameríndios.

terça-feira, maio 24, 2016

CPLP, língua portuguesa, ai Uruguai!


Breve nota do blogue:

Não tínhamos dado conta deste artigo com a assinatura do Rui Tavares.
Como achamos o artigo deveras interessante e seguramente do desconhecimento de muitos, partilhamos com todo o prazer.
Oxalá a sua leitura sirva para alguma coisa a cada um de nós em particular, e, em geral, para toda a CPLP
Pelo menos, para reflexão!

Fiquem bem,

António Esperança Pereira


Ai, Uruguai

Passo pelo centro da cidade e vejo de repente, em plena Praça do Comércio, a bandeira da Guiné Equatorial. Lá estava ela ao lado das outras oito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Para nos lembrar como os interesses petrolíferos levaram à CPLP uma ditadura brutal onde há uma suposta moratória à pena de morte (que ninguém verifica), e onde o ditador rouba os recursos naturais do país para que o seu filho seja um colecionador de carros de luxo que não podem andar nas poucas estradas asfaltadas daquela desventurada terra.
Não que faltem razões históricas para uma relação com o povo da Guiné Equatorial, por onde os portugueses também andaram e onde há ainda quem fale um dialeto de base portuguesa na ilha de Ano Bom. Mas se essas fossem razões suficientes para entrar um país na CPLP, eu preferiria ter visto outro na frente da fila: o Uruguai.
Antes que alguém diga: “mas o Uruguai tem como língua oficial o espanhol!” — interrompo para responder que não tem. O Uruguai não tem idioma oficial. E isso não acontece por acaso, mas pela razão histórica de que a República Oriental do Uruguai, como é seu nome constitucional, foi criada como uma espécie de Bélgica da América do Sul, ou seja, para servir de tampão entre o Brasil e a Argentina, sucessores do império português e do império espanhol. Por isso foi deixada
propositadamente sem língua oficial, nem português nem espanhol, num esforço de neutralidade.
Muita gente já ouviu falar da uruguaia Colónia do Sacramento, que foi a mais meridional das cidades portuguesas e se situa mesmo em frente a Buenos Aires, na margem uruguaia do Rio da Prata.
Esta cidade foi intermitentemente portuguesa e espanhola durante século e meio, e serviu de moeda de troca nas negociações pela posse do território das Missões, no atual estado brasileiro do Rio Grande do Sul.
Mas há menos quem saiba que todo o Uruguai foi, no início do século XIX, parte do Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves, com o nome de Província Cisplatina. Após 1822, o Uruguai passou a fazer parte do Império Brasileiro. Em 1825, o Uruguai tornou-se independente, não – como muita gente pensa – do império espanhol, mas sim do império brasileiro. Este é um caso único na América de língua espanhola — mas o Uruguai é também, embora minoritariamente,
de língua portuguesa. Há cidades de fronteira com o Brasil, onde o português é língua materna. O “portunhol riverense”, também chamado de “fronteiriço”, é um dialeto de base portuguesa reconhecido pelo estado uruguaio.
E a língua portuguesa é de ensino obrigatório nas escolas do país.
Para mais, o Uruguai é um país democrático e respeitador dos direitos humanos. A pena de morte foi abolida em 1907. Foi um dos primeiros países na América a reconhecer o casamento gay e um dos primeiros no mundo a legalizar as drogas leves. E — esta é a melhor — já pediu e repetiu o pedido para ser observador na CPLP. Se tivéssemos sido um pouco mais ativos ainda poderíamos ter tido José “Pepe” Mujica nas cimeiras da lusofonia. É por isso que, de cada vez que eu passar pelas bandeiras da CPLP e lá vir a da Guiné Equatorial hei de suspirar e pensar: mal por mal, preferia o Uruguai.

quarta-feira, julho 15, 2015

Maxi Pereira "enforcado" na Luz

Nosso comentário:

Sou um mero apreciador de desporto, não tenho qualquer paixão assolapada que me leve sequer a insultar alguém, quanto mais a "enforcar alguém". Sou adepto do SLB (Benfica) desde criança por razões que me são alheias, mas que abracei como qualquer adepto de outro clube abraça o que lhe calhou em sorte, durante toda uma vida. Vibro com as vitórias, sofro com as derrotas, não sou, nunca fui doente pela bola como se costuma dizer. Todavia, chocam-me estes fenómenos da modernidade ligados ao desporto. Um "troca, compra, vende" de jogadores e outros que tais, como quem vai à feira do gado de Almeida, Trancoso, Pinhel, Freixedas, vender gato por lebre, burro por cavalo, macho por égua e assim sucessivamente. Dizem que são imposições dos mercados. Há que vender activos, diminuir passivos, ou seja, se necessário for, vender tudo o que seja rentável nem que seja a própria mãe ou o próprio filho. Não importa quem nem o quê. Assim é com o Maxi Pereira, assim é com a Grécia, assim vem caminhando o mundo a perder a vergonha, a educação, o respeito, que pelo menos nos eram apregoadas nas escolas. Falta de vergonha das leis que permitem estas coisas, falta de moral, falta de gratidão a quem age assim. Uma vergonha para o Maxi Pereira que depois de 8 anos num clube que o tratou bem e a quem os adeptos admiravam (eu inclusivé) se esteve borrifando para o facto. Mundo cão este, exemplos de sobra de Maxi's e Grécias que tudo têm de paralelo numa sociedade que vem perdendo o respeito por si própria com o triunfo consentido e assimilado do egoísmo, da traição, do liberalismo mercantilista. E dizer que afinal de contas somos todos nós que amparamos, alimentamos e permitimos tal estado de coisas...

PS. Deixo a imagem que circula na imprensa que não é bonita mas que espelha bem este mundo cão. 

Fiquem bem,

António Esperança Pereira

Maxi Pereira "enforcado" na Luz



A imagem, por si, não é bonita, mas é exemplificativa das paixões vividas no futebol. Depois de ter sido confirmado como jogador do FC Porto, os adeptos 'encarnados' pegaram na imagem de Maxi Pereira e 'enforcaram' o uruguaio. 

O ato terá sido levado a cabo pela principal claque das 'águias', os No Name Boys, como pode ser visto na imagem.
Relembre-se que o atleta representou o Benfica durante oito anos.

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...