
Um homem de 74 anos que vivia em barracões, sozinho e em profunda miséria, morreu e foi comido por três dezenas de cães, numa quinta em Moreirinhas, Trancoso.
O padeiro, que visitava Heliedoro Sousa duas vezes por semana e que lhe vendia pão, foi quem o encontrou. Na segunda-feira apanhou "o maior susto da vida". "Os cães estavam-no a comer. Já só vi parte das pernas", contou ontem Carlos Silva, de 28 anos, que avisou de imediato os vizinhos e a GNR.
O homem tinha apenas sobrinhos e sempre rejeitou ajuda. "Fiz de tudo para ele viver noutras condições, mas negou. Trazia-lhe comida e ele dava-a ao cão", lamenta o sobrinho João Baptista. Heliedoro foi assaltado há três meses e ficou sem 800 euros. E agora, no bolso das calças que vestia, ainda foram encontrados 300 euros.
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COMENTÁRIO MAIS VOTADO
"Ainda não perceberam que estamos entregues aos "bichos", e o pior bicho que nos vai comendo neste país é o politico. Por este andar pouco restará para os cães."
Anónimo
08 Julho 2011
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Nosso comentário
Chocante mesmo esta notícia, trágica.
Pode ser o prelúdio de um futuro não muito longínquo em que ser-se pessoa conta cada vez menos.
Seleccionei o melhor comentário à notícia, que me parece muito a propósito.
Vemo-nos enredados no dia a dia com números e mais números, dinheiro limpo, dinheiro sujo, mas sempre o dinheiro, os números.
Não quero com isto menosprezar o valor do dinheiro. É um excelente meio de troca, de motivação, de incentivo.
Mas só dinheiro, contas, números, estatísticas, bolsas, mercados, não chegam. E não chegam se acima de tudo não estiver o bem estar das populações, das pessoas.
Aqui entra o Estado Social, pode não ser um Estado perfeito, claro que não é, mas se existirmos sem ele, ou com um Estado magrinho como agora se diz, é mesmo estarmos entregues aos bichos.
No caso da notícia acima...
aos cães!
Nasci por ali, por aquelas bandas onde aquele homem morreu em circunstâncias trágicas, horripilantes. Conheci homens de vida dura entre pedras e giestas, gente do campo. Muita gente mesmo muita a viver e a morrer sozinha.
Toca-me profundamente a solidão a que chegámos, o abandono a que por este andar, chegaremos. Num liberalismo atroz que cada vez fecha mais os olhos a quem realmente precisa.
Só lhes ligam, a estes pedaços de gente perdidos por aí, para lhes caçarem o voto.
Depois, eleições ganhas, ficam mesmo entregues aos bichos.
Remeto-vos a propósito para o excelente filme da década de 60 se não estou em erro que dava pelo nome de Mundo Cão.
Eis uma sinopse do dito filme de título original: "MONDO CANE"
-Com estas palavras, os diretores deram início ao sucesso internacional de crítica e público deste filme, bem como revolucionaram o gênero documentário para sempre. Filmado em vários rincões do mundo, este épico referencial explora a cultura da vida e da morte, a agonia dos homens e das feras, os tabus do sexo e das religiões, a transformação da civilização doentia em barbárie. Algumas vezes belo, frequentemente horripilante e ainda surpreendente, mantém-se um dos mais perturbadores e controversos filmes de todos os tempos. Este shockumentary - foi o começo de tudo. Este é Mondo Cane. Temos nesta obra, a brilhante trilha musical de Nino Loiviero e Riz Ortolani, que inclui a música tema 'More', indicada ao Oscar.
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Fiquem bem,
ah! e não se deixem comer...
António Esperança Pereira