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domingo, maio 14, 2017

De mãos a abanar?


Nota do autor do blog:

A expressão "de mãos a abanar", cujo significado podem ler mais abaixo, contrasta, e de que maneira, com os tempos loucos que Portugal está vivendo.
Loucos no bom sentido.
A procura estrangeira, quer para fins turísticos, quer para fazer investimentos em Portugal, tem tido um aumento exponencial.
A par disso, pasme-se só que de uma assentada, temos a visita de um Papa a Portugal, uma saborosa vitória no Festival da Eurovisão da Canção... e ainda a saborosa vitória do tetra campeonato desse clube de renome internacional que dá pelo nome de Sport Lisboa e Benfica.
O país está numa boa onda. 
Abstraindo rótulos políticos, religiosos, clubísticos, em boa verdade se diga que Portugal vive um período de que se tinha arredado havia uns tempos.
Acontecem coisas, há ação, inovação, otimismo, obra.
Oxalá saibamos aproveitar a onda, os trunfos que temos, o maravilhoso povo que somos.
E já agora, que se cumpra de vez, aquele triste fado do emigrante que fomos, pobre e sem vintém, quantas vezes analfabeto, quantas vezes "de mãos a abanar".

Fiquem bem

António Esperança Pereira



De mãos a abanar

Esta expressão surgiu na época da emigração para o Brasil.
Os emigrantes tinham que levar as suas próprias ferramentas para o cultivo da terra.
Quando não tinham ferramentas andavam com as "mãos a abanar".
Ora isso era um sinal de que aquele emigrante não estava disposto a trabalhar.
Uma ferramenta indicava uma profissão, uma habilidade, era um sinal de que o emigrante estava na disposição de trabalhar .
O contrário, chegar de mãos a abanar, indicava preguiça.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Lei decreta fim das touradas na Catalunha


A arena Monumental de Barcelona é a última, na capital catalã, a fechar portas. Este domingo marca o fim da temporada das corridas e das touradas na Catalunha, já que a lei proíbe que esta antiga tradição espanhola seja retomada em janeiro de 2012.

180 mil catalães assinaram a petição a favor da interdição submetida ao parlamento regional. A Catalunha votou a lei em junho de 2010 e segue os passos das ilhas Canárias, onde a lei se aplica desde 1991.

O presidente da Libera, a associação de defesa dos direitos dos animais, o exemplo vai ser seguido por outras regiões.“Acreditamos que a Galiza se vai juntar a nós em breve, porque lá não existe uma tradição tauromáquica como noutras regiões do norte de Espanha. É claro que em Madrid e na Andaluzia vai demorar mais, mas é uma questão de tempo” afirma Carlos López Pérez.

Porém os fãs do esporte, ou arte, para alguns, não concordaram com a decisão. Eles se sentem angustiados, sobretudo, por que estão impotentes perante a interdição. “Isso é uma ditadura. Não fazemos mal a ninguém e somos confrontados com a proibição de um espetáculo com mais de 300 anos. E um lugar como Barcelona, onde os fãs podiam encher três arenas”, afirma o fanático torcedor Josep Navarro.

Para a viúva do último toureiro morto, em 1974, precisamente, na arena Monumental, é preciso fazer o luto. Rosa Gil considera que “as tradições antigas estão a morrer, por mais esforços que se façam para as ressuscitar.”

Fonte: Euronews.
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Nosso comentário

Deixo abaixo um poema que Fernando Tordo cantou com valentia no festival da Eurovisão, já lá vão uns anitos.
Ainda bem que as touradas parecem ter os dias contados.
Fico contente pelos touros, que não morrem daquela forma pouco digna, pelo fim na Catalunha de um espectáculo que a olhos de gente civilizada é claramente decadente, mórbido, feio, trágico.
A tortura e morte dos touros como espectáculo tem a minha reprovação neste dealbar do século XXI.

Não julgo nem condeno quem mantém o vício, o bichinho da tradição.
É como o tabaco, o álcool, outros que tais, são difíceis de deixar.
Nascemos com eles, habitua-mo-nos de tal maneira que parece não conseguiremos largá-los nunca.
Todavia, chega o dia em que caímos em nós e adeus vício, adeus tradição doentia, mortal.
Surge o homem novo mais são, menos doente por consequência.
Passo a passo, devagar, mas é assim que o mundo avança.

Eu próprio vivi a infância e alguma adolescência numa zona do país em que a festa brava era um dos poucos acontecimentos que mobilizava o povo da região de uma forma eufórica.
Na realidade, naquele tempo, pouco ou nada havia ali que não fosse a festa brava para animar aquelas pobres gentes raianas.
Pelo menos uma vez por ano, em dia de feira e de toiros, tudo parecia ir pelos ares na santa terrinha.

Quebrava-se o tédio, animava-se um pouco a populaça com os artistas do toureio, os cavaleiros de jaqueta, os heróis da estocada, os valentões das pegas.
Hoje, porém, os tempos são outros.
Há múltiplas formas de distracção, diversão e ocupação que não havia.
Embora de uma tradição se trate muito enraizada entre nós, a modernidade não engole bem um espectáculo que tudo tem de bárbaro.
Isso bastaria para dizermos não às touradas.
Por isso, um aplauso ao fim das mesmas na Catalunha!
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Tourada

Fernando Tordo

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

domingo, maio 08, 2011

A canção que representará a RTP no Festival da Eurovisão, "A Luta é Alegria", reflete o momento mas não dignifica a música portuguesa


Festival RTP 1969 - Simone de Oliveira - Desfolhada


notícia

José Cid, que representou a RTP em 1980, Simone de Oliveira, que concorreu em 1965 e 1969, e António Calvário, que foi o primeiro a ir ao Eurofestival, em 1964, afirmaram à Lusa que não é a canção adequada para representar o país.

"A Luta é Alegria", defendida pelos Homens da Luta será a 16.ª canção a desfilar na primeira semi-final do Festival da Eurovisão, que acontece terça-feira em Dusseldorf (Alemanha).

Nosso comentário

Vi o festival nacional da canção, destinado a escolher a nossa canção representante no Festival da Eurovisão.
Enquanto o via e ouvia o que senti foi o seguinte: até havia umas cantigas giras, próprias para se apresentarem no dito Festival da Eurovisão.
Como sempre me acontece, gostei de uma ou outra de que quase ninguém gostou. Defeitos de quem percebe pouco da coisa...

Todavia até era fácil eleger uma cantiga interessante entre as apresentadas.
Ao menos para obter aquela classificação a que Portugal já se habituou...(!!!)
Não elegeria de todo para este efeito a cantiga que cantam os "homens da luta".

Porquê?

Não só porque se vivem tempos em que a imagem conta muito, e dá dinheiro, -veja-se o principesco casório dos príncipes britânicos- mas também porque o momento de Portugal exige mais seriedade, menos espalhafato de um cancioneiro burlesco e arruaceiro de um povo mal andrajado e labrego.

Para mim a luta de um povo é uma coisa séria. Habituei-me a ver gente composta, talentosa, séria, a apelar a essa luta em tempos difíceis: Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira, Sérgio Godinho, os baladeiros emigrados, tantos cantores de luta a sério, na música portuguesa.

É também um insulto a gente de valia, composta e muito digna que já andou naquelas andanças. Refiro apenas alguns: António Calvário, Madalena Iglésias, Carlos Mendes, Carlos Paião, Tonicha, As Doce, Maria Guinot, Anabela, Fernando Tordo, José Cid, Sara Tavares, Sabrina, etc etc.

Sem tirar mérito musical, até laivos de talento "sui generis" a estes "homens da luta" acho-os exagerados, fora de contexto, tipo barracada com cariz popularucho, borracho e safardana.
Pode embarcar nisto quem quiser, creio que eles até encontraram aquilo que modernamente se chama "um nicho de mercado"($$$) mas...

como diria a figura interpretada soberbamente pelo Herman José "Diácono dos Remédios" com sotaque beirão...
Valha-nos zzze zzzze zzzee deusssszzzssseee não havia nexexidade zeee ze ze
Desejo felicidades aos "homens da luta" não aprecio o estilo nem a oportunidade para representarem Portugal.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira

quinta-feira, março 10, 2011

DISCURSO PR-FESTIVAL DA CANÇÃO



Quer a tomada de posse de um Presidente da República, quer um festival da canção, qualquer dos eventos tem a sua importância na sociedade portuguesa.
Habituei-me a pouco quando o tempo ainda era de vacas magras, daí que o festival da canção era das poucas coisas com um cheirinho a modernidade que havia.
Depois a música da eurovisão era fresca numa altura em que Portugal nada tinha de fresco, bem pelo contrário.
Esquecia-se por instantes o país naufragado por dezenas de anos de salazarismo.

A tomada de posse do Presidente da República é um bom sinal, pelo menos que a República continua.
os eventos em si: assisti a ambos, ambos deprimentes.
Imagem para o exterior: péssima
Imagem para o interior: de divisão

Em relação à canção vencedora, tive saudades do Grande Zeca Afonso que era autêntico, não tinha nada de palhaço (no sentido pejorativo do termo) com suas canções e uma viola enfrentava com audácia um regime colonialista, ditatorial, militarista, policiado, vigiado, etc. deu imensa esperança a uma juventude sacrificada e sem futuro.
Canção vencedora: uma palhaçada

Quanto ao discurso do PR fiquei perplexo: propõe uma espécie de revolta, revolução, levantamento, não sei bem como, nem aonde, nem porquê, nem para quê, à sociedade civil.
Como se ele próprio não tivesse nada a ver com o estado desta economia liberal, ele, um ilustre Professor, que anda nos mais altos cargos políticos do país, há mais de 20 anos!
Quem será o "Che Guevara" da coisa, da tal indignação, revolta, revolução, interroguei-me?
Pelos aplausos das bancadas do Parlamento, ficou-se a saber que será uma revolução de direita e de extrema direita.
só pode...
só essa direita e extrema direita o aplaudiram.


Felizmente que acontecimentos destes não os há todos os dias, porque se os houvesse, o meu país sofocaria de depressão crónica.
Discursos presidenciais destes não ficam na memória, graças a Deus.
Vencedores de festivais, só os melhores deixam a sua marca.
Apesar disso, das defesas inatas que todos temos contra o que nos causa dano,
que Portugal se cuide...

Portugal merece melhores discursos e melhores canções.

Faço a pergunta na sequência do discurso presidencial: "a revolução será por mais fartura, ou por mais falta de dinheiro para os mais pobres?"

fica o poema,

GRANDE SUPERFÍCIE COMERCIAL

Produtor inventivo
investidor
comerciante pescador
tudo ali a despejar
armazém a abarrotar

a ideia é vender

ele é livros é cd’s
kitchnet wc
carne fresca congelados
luxos caros
mais baratos
consolas dvd’s
amplas ruas de produtos
ali praia artigos auto
além móveis louças finas

chicletes bicicletas
nabos couves hortaliças
lingerie
farinheiras e chouriças

prateleiras a abarrotar
arrumadas em secções
o dinheiro de quem compra
a faltar

empresa tem que produzir
quer crescer
vender
só que o comprador
sente o dinheiro a mingar

minga empresa
sem vender
seca o bolso no comprador
ciclo económico a falhar

muito fica por vender
muito fica por comprar

meus olhos partem já piscos
tanta a fartura arrumada
levam o carrinho vazio
nesta economia cansada


António Esperança Pereira, Bubok Editora

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...