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segunda-feira, outubro 21, 2013

A Dor do Stress


Às vezes as costas
sinto-as doer
os olhos fogem receosos
do que é tanto e tanta a cor
que já nem conseguem ver

fixo então lugares estáticos
parados
um edifício um arbusto um telhado
uma torre de uma igreja
uma água furtada
qualquer coisa que me afaste
do incómodo disperso
movimento caótico

consigo quando o faço
aliviar a dor nas costas
sorrir até da ousadia que é
deixar de ligar ao que mexe
para me dedicar o quanto posso
ao inerte
abandonado
ao que toda a gente esquece

claro que é só uma ousadia
pouco o tempo em que o faço

porque logo andam
desandam cirandam
à frente atrás ao lado de mim
olhos ansiosos frenesim
que depressa desafiam
o hábito de monge que vesti
para abrandar a dor do stress
que nos põe histéricos
e nos enlouquece




Fiquem bem,

António Esperança Pereira






sexta-feira, agosto 13, 2010

Depressão


Que parado tudo fica
o tempo a alma a novidade
parece céu carregado
um bafo quente
tudo adiado
folhas paradas
sem pinga de vento
de qualquer quadrante
os animais acoitados calados
temerosos
à medida que a tensão aumenta

a natureza resolve um tal impasse
indecisão carga tensão
cruzando os ares de raios
trovoada
vertendo água em enxurrada
nas ruas nos campos com detritos
ás vezes cheias com estragos
deixando tudo de pantanas

depois passa
após a carga tensa densa
aliviada

os humanos não
atrofiamos complicamos
deprime-se no impasse
abrimos a boca não falamos
queremos sentir e não sentimos
queremos gritar e não gritamos
como que ficamos com o impasse
entalado nas vísceras nas entranhas
e quase endoidamos

normalmente a situação passa
porque algo acontece
e alivia a dor
um remédio uma ida ao médico
o cento e doze um amigo
uma terceira pessoa que aparece
que nos corta o sério
e nos conforta

só assim em nós o movimento
feito estático denso grave
desencrava desvanece perde força
enfraquece passa

sem se ficar naquele impasse naquela ameaça
uma quase loucura que aparece
grassa
e a dada altura até parece
querer instalar-se para sempre

sexta-feira, outubro 16, 2009

incompletos sofremos


Fiquei atento ás palavras
concordavas comigo
assentias
que a vida é um puzzle
de peças dispersas

tantas…
que na carência na falta
perde-se o tino
o sentido do essencial

lá fora há tudo
procuramos
uma possibilidade em mil
mas na ansiedade
a coisa é difícil
logo endoidamos

não há o que queremos
ou talvez haja
e não vemos

mundo imenso
nós tão pequenos

puzzle em formas herdado
que logo o tempo
põe desactualizado
nós incompletos
sofremos

como criança
perdida no medo
na ausência de colo
de peito materno

erramos pedimos calamos
berramos
enfim perguntamos

que será que eu quero?

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...