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domingo, outubro 29, 2017

Meia dúzia de palavras sobre a Catalunha


Nosso comentário

Apenas meia dúzia de palavras sobre o que se passa no Reino de Espanha, designadamente na auto proclamada República da Catalunha.
E apenas meia dúzia de palavras porquê?
Porque tudo vem sendo já dito especialmente no que concerne a evitar que tal auto proclamação da independência do território se concretize.
O mapa abaixo traduz sem dúvida as razões principais que podem não deixar que a República da Catalunha o possa ser.
Isto independentemente de nos pormos para aqui a defender a Espanha (coitadinha da Espanha que fica mais pobre e mais pequena) ou, ao invés, de nos colocarmos sem apelo nem agravo ao lado de um nacionalismo que está longe de ser consensual. 
Todavia, e apesar de não ser consensual o sentimento nacional, o desejo de libertação de um território e de um povo, a Catalunha, sabemos pelo menos que ele é histórico e tem bases profundas que o justificam.
Ficamos divididos entre dois pontos de vista fortes.
Mais nacionalismos não que ferem a Europa de morte, abrem precedentes que podem custar caro a outros países europeus, com semelhantes problemas no seu seio. Um ponto de vista válido sob a ótica europeia, embora contrário ao princípio de autodeterminação e independência dos povos.
O outro, que levanta a tal questão de se partirem, pela via dos nacionalismos, Estados mais influentes, grandes e fortes em minúsculos estados vulneráveis. Será melhor solução? (o caso da Jugoslávia é paradigmático) 
Há que estudar prós e contras de ambas as soluções. Tendo por certo que um povo integrado num todo de que não se sente parte, num convívio contrariado, com cultura e história próprias, subjugado pelo poder central (seja Belgrado, Madrid ou outro poder central qualquer) tem todo o direito a aspirar a ser livre e seguir o seu próprio destino.
Seja como for, cada caso é um caso, é melhor enfrentar as realidades, sem as escamotear ou branquear, sendo certo que se desejam processos em que seja dado o primado ao diálogo na busca das melhores soluções.

Fiquem bem

António Esperança Pereira


Se todas as causas independentistas da Europa vingassem, este seria o novo mapa europeu. Centenas de novos países apareceriam no continente, mas Portugal manteria as suas fronteiras históricas.


segunda-feira, novembro 19, 2012

Saída da Alemanha seria o melhor, diz Nobel


Nosso comentário:


Quando pensamos que já ouvimos de tudo, que é tudo a mesma conversa fiada, que ninguém aparece a dizer algo de novo...
pois aí está uma afirmação que deixa o incauto cidadão de boca aberta. Especialmente aquele cidadão a quem as aparências mediáticas da atual superioridade Merkeliana sobre o nosso Passos Coelho e outros que tais, é por demais aceite e evidente.
Imagino esses devotos adeptos da santa aliança Berlim/Lisboa engendrada por este executivo, como devem sentir-se com tais afirmações, as suas contas furadas, o seu ego diminuído.
Pessoalmente compreendo o que eles sentem, os defensores da santa aliança Merkel/Passos.
Compreendo igualmente o que diz o Nobel da Economia Stiglitz, até acredito que tenha uns laivos de razão.
Todavia, não se pode ir por aí.
A Europa se quer prosseguir um rumo de união, tem que dizer sim a todos.
Sim à Alemanha, sim à Grécia, sim a TODOS.
Não pode haver europeus excluídos da EUROPA.
Seria uma loucura, algo que não faz sentido.
Para que uma União se possa chamar de Europeia, terá que ser alargada a todos os europeus que como tal se considerem.
União Europeia só faz sentido se englobar todos os europeus.
Ou todos juntos no futuro, ou cada um por si como no passado.
Esta a verdadeira escolha.
Agora, até que ponto é que cada um e cada qual estará pelos ajustes para colocar os interesses da EUROPA acima dos seus, dos interesses individuais de cada país?
Entendo o que o Nobel da Economia diz, e diz muito bem, mas a Europa se quiser sobreviver, prosseguir, crescer, não pode ir pelo caminho da exclusão.
Há um preço a pagar pela inclusão?
Claro que há.
Há um prémio a receber com a inclusão?
Claro que há.
Eu diria, neste último caso, um prémio recheado de futuro, um prémio que já deu seus frutos, que terá muitos mais frutos para dar.
O que é preciso?
Somente isto:
Que os europeus decisores, representantes dos seus povos, façam um retiro de vários dias, semanas, um debate sério, que de uma vez por todas ponham nos pratos da balança, de um lado o PREÇO DA UNIÃO, do outro, o PRÉMIO DA UNIÃO.
A partir daí, das conclusões sérias a haver, que nos deixemos de dúvidas, de incertezas, de tibiezas que estão a apequenar a EUROPA.
Ou sim ou sopas.


Fiquem bem, António Esperança Pereira
 
 
http://lusito.bubok.pt/

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EM BAIXO: Nobel Stiglitz
Nobel Stiglitz

Nobel diz que melhor para o euro seria a saída da Alemanha

Stiglitz recorda a Grande Depressão de 1929 para explicar que a crise ainda está para durar

 
 
«Se a Alemanha saísse do euro, as taxas de juro da nova eurozona baixariam, haveria mais exportações e mais crescimento económico». A frase é do professor da Universidade de Columbia e prémio Nobel da Economica Joseph E. Stiglitz, durante uma conferência de imprensa realizada esta segunda-deira na Barcelona School of Economics.

Stiglitz avisou que a crise no Ocidente não está a chegar ao fim, mas «a meio do caminho ou mesmo na primeira fase». O seu argumento baseia-se na última crise com magnitude similar à atual, a Grande Recessão nos Estados Unidos, que começou em 1929 e dez anos depois ainda não havia expetativas de recuperação.

O Nobel insistiu na crítica às políticas de austeridade e aconselhou uma união bancária para evitar que o capital saia dos bancos dos país que tenham problemas em mantê-los. Explicou, ainda, que os Estados Unidos têm culpa na origem da crise, mas o dinheiro não saiu dos seus bancos, enquanto que na Europa há o risco que o dinheiro saída dos países com capacidade «limitada» para manter o seu sistema bancário. «Se o dinheiro sair, e economia fica debilitada, o que leva a uma situação insustentável», acrescentou Stiglitz.
 
 
 

terça-feira, outubro 02, 2012

Lição do ratinho...



Nosso comentário:


Excelente texto este sobre o problema de um ratinho em face dos perigos de uma ratoeira... e que bem ele se adapta à situação de crise que se vive, em Portugal e não só!!!
Este texto chegou-nos via email, de um dos nossos contatos, pelo que a sua divulgação será feita tal e qual como nos foi enviado.
A quem o enviou o nosso obrigado.
Aconselha-se a sua leitura, muito interessante mesmo, a qual, no máximo, fará perder um minuto do seu tempo.
Como hoje é dia de jogo grande em Portugal, o Benfica-Barcelona para a "Liga dos Campeões", com início marcado para daqui a cerca de meia hora, poupá-los-ei caros leitores a grandes delongas sobre os tempos conturbados que se vivem.
Tendo em conta que o Barcelona é talvez a equipa do mundo que melhor futebol pratica no momento, e tendo em vista que o bom futebol é um desporto com muitos adeptos, justifica-se da minha parte este destaque.  
Até esqueci que o 1.º ministro, tal como é noticiado hoje nos meios de comunicação social, se esquivará às comemorações do 5 de Outubro...(???!!!)
Bom oxalá esteja, ou longe, ou em um lugar recatado onde pelo menos seja poupado aos habituais apupos, sempre que se mostra em público.
Deixo-os com a lição do ratinho.


Fiquem bem, António Esperança Pereira

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> Lição do Ratinho.>
>
> Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa
>
> abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
> Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
> Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
> - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!
>
> A galinha disse:
> - Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema
> para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
> O rato foi até o porco e disse:
> - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
>
> - Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa
> fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas
> minhas orações.
> O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:
> - O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !
>
> Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.
> Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.
> A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.
> No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra
>
> venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou
> imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.
> Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que
> uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar
> o ingrediente principal.
>
> Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
> Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
> A mulher não melhorou e acabou morrendo.
> Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca,
> para alimentar todo aquele povo.
>
>
>
> Moral da História:
> Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um
> problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se
> que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.
>
> O problema de um é problema de todos!

sexta-feira, julho 20, 2012

Vida e morte lado a lado, a atleta e o historiador...

Atleta fica famosa pelos exercícios de aquecimento


A australiana Michelle Jenneke brilhou na prova de 100 metros barreiras numa competição de atletismo júnior, mas foi a sua dança de aquecimento que conquistou a Internet. Veja o vídeo.
Uma atleta australiana acaba de se tornar um dos últimos fenómenos de popularidade da Internet. Michelle Jenneke, que participou no Campeonato Mundial de Júniores, em Barcelona, venceu uma das eliminatórias dos 100 metros barreiras. Mas o que chamou a atenção do público foi a pequena dança de aquecimento que Jenneke fez antes da prova.
Um blogue de desporto colocou a gravação original, mas esta foi mais tarde substituída por um vídeo que glorificava abertamente a dança de Jenneke, com algumas partes em câmara lenta e ao som da música "Boys, Boys, Boys", da cantora Sabrina.
O jornal USA Today considerou que a atleta tem uma "forma única de fazer o aquecimento", e que não se pode deixar de "admirar uma pessoa que se divirta assim tanto".
Jenneke, que não participa nos Jogos Olímpicos de Londres, acabou por ficar em quinto lugar na final.
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Morreu o historiador José Hermano Saraiva                           



Nascido em Leiria, a 3 de Outubro de 1919, começou os seus estudos na cidade natal. Ingressou mais tarde na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1941, e em Ciências Jurídicas, em 1942.

Começou a sua carreira como professor, acrescentando depois ao seu currículo a advocacia. Entrada depois na política durante o Estado Novo, tendo em 1957 sido deputado à Assembleia Nacional e procurador às cortes. Ainda antes do 25 de Abril assumiu os cargos de procurador à Câmara Corporativa e ministro da Educação, entre 1968 e 1970, cargo no qual foi substituído por Veiga Simão após a crise académica de 1969. Em 1972 passaria a a ser o embaixador de Portugal em Brasília.

Depois do cargo diplomático, José Hermano Saraiva iniciou uma colaboração com a RTP em 1971 que se manteve até hoje. Primeiro com “Horizontes da Memória”, depois com “Gente de Paz”, “O Tempo e a Alma”, “Histórias que o Tempo Apagou” e “A Alma e a Gente”.

Um dos seus livros mais conhecidos é a “História concisa de Portugal”, já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, este título foi já traduzido em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês.

José Hermano Saraiva dirigiu também uma outra História de Portugal em seis volumes, publicada em 1981 pelas Edições Alfa. Na área da História, José Hermano Saraiva publicou perto de 20 títulos, entre eles “Uma carta do Infante D. Henrique”, “O tempo e alma”, “Portugal - Os últimos 100 anos”, “Vida ignorada de Camões” ou “Ditos portugueses dignos de memória”.

O historiador foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho, a Comenda da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa e a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (Brasil).

Ficou no 26º lugar no concurso da RTP os "Cem Grandes Portugueses", ganho por António Oliveira Salazar.
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Nosso comentário:

Em cima, imagens cheias de vida, uma jovem atleta australiana, ao efetuar exercícios de aquecimento antes da prova em que vai participar, os 100 metros barreiras,  delicia e surpreende os amantes do atletismo conferindo à modalidade uma alegria, uma vitalidade não habituais naquelas circunstâncias.

Em baixo, uma notícia triste: o falecimento de José Hermano Saraiva.

José Hermano Saraiva morre em Setúbal aos 92 anos. Um grande historiador, um enorme comunicador, um grande português.
De uma forma sintética, pouco mais há a acrescentar que não esteja dito na notícia acima.
A nós, cidadão comum, que nos habituámos a olhar na televisão a História contada por ele, como se as suas palavras dessem vida à própria História, sentimos uma enorme perda.
Manifestamos por isso o nosso grande pesar.

Deixo-vos a propósito o poema "Partida e morte" que consta de uma coletânea minha de poemas a que dei o nome "DEUS A VIDA E NÓS".

Partida e morte


A ti que querias partir
eu disse
fica
tu ouviste
e não quiseste ficar

a ti que partiste
eu disse
volta
tu ouviste
e não quiseste voltar

a ti hoje que morreste
eu não disse
fica
porque mesmo que quisesses
não poderias ficar

a ti hoje ao enterrar
eu não disse
volta
porque mesmo que quisesses
não poderias voltar

ai coração coração
tanta perda tanto dano
vida e morte lado a lado
neste engano desengano.
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segunda-feira, setembro 26, 2011

Lei decreta fim das touradas na Catalunha


A arena Monumental de Barcelona é a última, na capital catalã, a fechar portas. Este domingo marca o fim da temporada das corridas e das touradas na Catalunha, já que a lei proíbe que esta antiga tradição espanhola seja retomada em janeiro de 2012.

180 mil catalães assinaram a petição a favor da interdição submetida ao parlamento regional. A Catalunha votou a lei em junho de 2010 e segue os passos das ilhas Canárias, onde a lei se aplica desde 1991.

O presidente da Libera, a associação de defesa dos direitos dos animais, o exemplo vai ser seguido por outras regiões.“Acreditamos que a Galiza se vai juntar a nós em breve, porque lá não existe uma tradição tauromáquica como noutras regiões do norte de Espanha. É claro que em Madrid e na Andaluzia vai demorar mais, mas é uma questão de tempo” afirma Carlos López Pérez.

Porém os fãs do esporte, ou arte, para alguns, não concordaram com a decisão. Eles se sentem angustiados, sobretudo, por que estão impotentes perante a interdição. “Isso é uma ditadura. Não fazemos mal a ninguém e somos confrontados com a proibição de um espetáculo com mais de 300 anos. E um lugar como Barcelona, onde os fãs podiam encher três arenas”, afirma o fanático torcedor Josep Navarro.

Para a viúva do último toureiro morto, em 1974, precisamente, na arena Monumental, é preciso fazer o luto. Rosa Gil considera que “as tradições antigas estão a morrer, por mais esforços que se façam para as ressuscitar.”

Fonte: Euronews.
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Nosso comentário

Deixo abaixo um poema que Fernando Tordo cantou com valentia no festival da Eurovisão, já lá vão uns anitos.
Ainda bem que as touradas parecem ter os dias contados.
Fico contente pelos touros, que não morrem daquela forma pouco digna, pelo fim na Catalunha de um espectáculo que a olhos de gente civilizada é claramente decadente, mórbido, feio, trágico.
A tortura e morte dos touros como espectáculo tem a minha reprovação neste dealbar do século XXI.

Não julgo nem condeno quem mantém o vício, o bichinho da tradição.
É como o tabaco, o álcool, outros que tais, são difíceis de deixar.
Nascemos com eles, habitua-mo-nos de tal maneira que parece não conseguiremos largá-los nunca.
Todavia, chega o dia em que caímos em nós e adeus vício, adeus tradição doentia, mortal.
Surge o homem novo mais são, menos doente por consequência.
Passo a passo, devagar, mas é assim que o mundo avança.

Eu próprio vivi a infância e alguma adolescência numa zona do país em que a festa brava era um dos poucos acontecimentos que mobilizava o povo da região de uma forma eufórica.
Na realidade, naquele tempo, pouco ou nada havia ali que não fosse a festa brava para animar aquelas pobres gentes raianas.
Pelo menos uma vez por ano, em dia de feira e de toiros, tudo parecia ir pelos ares na santa terrinha.

Quebrava-se o tédio, animava-se um pouco a populaça com os artistas do toureio, os cavaleiros de jaqueta, os heróis da estocada, os valentões das pegas.
Hoje, porém, os tempos são outros.
Há múltiplas formas de distracção, diversão e ocupação que não havia.
Embora de uma tradição se trate muito enraizada entre nós, a modernidade não engole bem um espectáculo que tudo tem de bárbaro.
Isso bastaria para dizermos não às touradas.
Por isso, um aplauso ao fim das mesmas na Catalunha!
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Tourada

Fernando Tordo

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.
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Fiquem bem,

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...