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quarta-feira, outubro 05, 2022

E porque hoje é o 5 de Outubro em Portugal, viva a República!

 

As palavras de Junqueiro muito contribuíram para a instauração da República. No jornal «A Voz Pública» a 2-12-1906, ele diz:
«Todas as tiranias são ferocidades, e acusam, portanto, na máscara do homem, a descendência do monstro. Há tiranias dominadoras fulgurantes, de olhos de águia, e tiranias lívidas, obliquas, de olhar de hiena. Ambas trágicas: um Bonaparte ou um Filipe II.
A tirania do Sr. D. Carlos procede de feras mais obesas: do porco. Sim. Nós somos escravos de um tirano de engorda e vista baixa. 
Que o porco esmague o lodo, é natural. O que é inaudito é que o ventre de um porco esmague uma nação, e dez arrobas de cebo achatem quatro milhões de homens.
Que ignominia !
Basta. Viva a república, viva Portugal ! » .

sábado, setembro 20, 2014

Guerra Junqueiro, o Poeta Esquecido...



O Poeta Esquecido...
Pelos vistos, parece que não evoluímos muito! 



Abílio Manuel de Guerra Junqueiro, morreu a 7 de Julho de 1923. Fez parte de uma geração de notáveis (Os vencidos da vida) com Eça, Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e outros.
 
Uma figura poliédrica, um homem de uma apurada consciência social. Matriculou-se em teologia na Universidade de Coimbra, (talvez tentando seguir a carreira, devido a influências familiares) tendo depois, passados dois anos, pedido a transferência de curso e formou-se em direito. Pessoa de um anticlericalismo mordaz como nos mostra em seus poemas.
 
Depois de passado mais de um século, o texto "Pátria" (1896) continua atual. Será que um dia isto irá mudar ! ?
 
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.] 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. 

  http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=7&cad=rja&uact=8&ved=0CFAQuAIwBg&url=http%3A%2F%2Fwww.dailymotion.com%2Fvideo%2Fxl0o05_guerra-junqueiro_creation&ei=EnAZVLGYPM7earCCguAC&usg=AFQjCNHjr9OkoT2baEQzNAHPWCzKmmxFtQ&sig2=Aonotns2YcBixsTR06mTuA

Poderá visitar o Museu com o seu nome, junto à Sé do Porto.

Fiquem bem,

António Esperança Pereira

sábado, maio 17, 2014

Guerra Junqueiro continua vivo.


Nosso comentário:

Abílio Manuel Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 17 de Setembro de 1850, faleceu em Lisboa a 7 de Julho de 1923
Foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta . Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Foi entre 1911 e 1914 o embaixador de Portugal na Suíça (o título era "ministro de Portugal na Suíça")
Dele deixo-lhes um texto que é um autêntico retrato da nossa atualidade. Chega a fazer impressão tal a similitude do que ele escrevia há mais de um século e o que poderia escrever no dia de hoje, em 2014.
Vale a pena ler.

Fiquem bem

António Esperança Pereira




Guerra Junqueiro
 

UM RETRATO MAGISTRAL FEITO HÁ 118 ANOS MAS COM ACTUALIDADE ATERRADORA

   "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
                 Guerra Junqueiro, 1896.

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...