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quarta-feira, janeiro 06, 2021

Eleições presidenciais e anemia



Tenho hoje umas quadras saídas a esmo sobre as eleições presidenciais que ocorrerão este mês. É sempre importante haver eleições sobretudo se elas forem livres. Nem todos os países infelizmente se podem dar a esse "luxo". Nós em Portugal temos tal "luxo" (Democracia) após o 25 de abril de 1974, aquando da triunfante revolução dos cravos sobre o velho regime ditatorial. As eleições são pois assunto que domina parte da nossa atenção, dado que estão em curso os debates televisivos entre os diversos candidatos a Presidente da República. Pessoalmente, servindo-me da liberdade de expressão agora existente, coisa que antes de 24 de abril de 1974 não havia, posso escrever o que hoje aqui escrevo e muito mais que isto. É este o verdadeiro sentido de liberdade: o poder de criticar, de criar, de opinar, de ser pessoa, sem se correr o risco de ser preso pela polícia política. Nunca mais deixemos que um qualquer candidato a ditador, por falinhas mansas que tenha, volte a ser eleito para nos oprimir.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira

Eleições

 

É tempo de pandemia

Também tempo de eleições

Ressalta a anemia

De uns quantos figurões.

 

Sem figuras de proa

Há um que ganha decerto

Elétrico e meio à toa

Meio “reaça” e esperto.

 

Beijoqueiro e mostrado

Tem o nome parecido

A um outro do passado

Que em tempos foi corrido.

 

Com um mandato cumprido

Xis anos de televisão

Dificilmente é batido

Será reeleito mandão.

 

Uma senhora aparece

De língua bem afiada

Mas tudo o que nos oferece

É má língua e mais nada.                     

 

Um outro então desaparece

Fininho e envergonhado

O que diz nem adormece

De tão manso e soletrado.

 

Ao contrário outro há

Que faz acordar um morto

Pois o que prega dá

Azia e grão desconforto.

 

Portanto candidatos há

E candidatas também

A todos nós caberá

Escolher votar em quem.


António E. Pereira


terça-feira, janeiro 26, 2016

Habemus Presidente e agora?


Ouve-se dizer por aí que as eleições a Presidente da República não tiveram qualidade.
Creio que quem diz isso se refere não só aos candidatos em si mas igualmente às campanhas por eles atamancadas.
Ora bem, em tempo de crise, não podemos querer "sol na eira e chuva no nabal", tal como diz o ditado popular.
Logo a qualidade pode faltar, a motivação também.
Acho que os candidatos nem eram bons nem eram maus, eram os que havia. 
Ponto final.
As candidaturas e o que cada uma delas continha para esclarecer o povo português foi o que se viu  e não o que se queria ver. 
Ponto final.
Podemos ficar a praguejar (se calhar com toda a razão) que o vencedor, Marcelo Rebelo de Sousa, não disse nada em campanha, pelo que os portugueses nada sabem sobre o que vai fazer quando assumir a Presidência.
Até se pode acrescentar que o agora eleito Presidente foi "fabricado" anos a fio pelas televisões, o que lhe deu um enorme avanço sobre todos os outros concorrentes.
Podemos igualmente alvitrar que se calhar um outro candidato menos votado traria mais novidade e uma melhor imagem e projeção aquando sentado no Palácio de Belém.
Podemos falar ainda de pequenas candidaturas mais ou menos chochas que apenas tiveram por finalidade dar-nos a conhecer uns portugueses menos conhecidos à pala desta oportunidade.
Afinal pode-se sempre dizer muita coisa.
Mas o que é, é o que é, o que está feito está feito.
O povo votou e, apesar de cerca de metade do eleitorado se ter abstido de o fazer, o que é lamentável, escolheu o candidato que achou ser o melhor dos candidatos em presença, ou, se quiserem, o menos mau.
Pessoalmente não tenho nada a obstar às escolhas populares, antes pelo contrário. O sufrágio universal e direto através do voto foi uma enorme conquista dos países civilizados, pelo que o meu respeito por uma tal conquista nem se questiona.
Os candidatos foram aqueles que tivémos, o resultado das eleições foi o que foi, pelo que, "gregos e troianos", "uns e os outros", "os contentes e os menos contentes" terão que aceitar a realidade ditada nas urnas para um ciclo de cinco anos.


Fiquem bem, 

António Esperança Pereira

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Marcelo, Ronaldo, a história repete-se?


Nosso comentário:

Se mais razões não houvesse para escolher outro candidato que não Marcelo Rebelo de Sousa, estas palavras que li sobre Ronaldo e Portugal, bastariam para desequilibrar a minha balança de simpatia e de opção de voto.
No meu caso pessoal, como é óbvio, não são só estas palavras que desequilibram a balança de opção de voto num candidato mais capaz, com um perfil menos populista, menos mixordeiro, menos pau para toda a colher. 
Felizmente que já não estamos nos tempos de candidato único como no tempo de Salazar ou Marcelo.Caetano. Há outros candidatos à Presidência da República com sentido de Estado e um discurso à altura do cargo mais alto da política portuguesa.
Porque caros leitores (portugueses em especial) Ronaldo é um enorme jogador de futebol, reconheço-lhe esse mérito. Agora, ver que o pretenso futuro Presidente da República de Portugal de nome Marcelo, tem previsto como um dos seus primeiros gestos diante deste nobre povo, nação valente e imortal, uma alusão obrigatória a Ronaldo, valha-nos Deus. 
Aonde chega a baixeza de um suposto "senhor" de boas famílias e tudo, como se dizia no antanho, só para sacar votos e ocupar o Palácio de  Belém.
Dito isto, confundir Ronaldo com Portugal e reduzir o imenso país de todos nós, os séculos andados, as alegrias e tristezas de todos nós, a uma figura futebolística... 
é não só populista mas pior que isso, é de uma pequenez assombrosa, mau demais para ser dito por um pretenso candidato a PR.
O "antigo regime" fez uma colagem a outro enorme futebolista de nome Eusébio, para disso tirar proveito. 
Oxalá tal colagem a Eusébio não se repita agora com Ronaldo e fique assim em Belém outro Marcelo!
.
PS. Deixo abaixo algumas das palavras que me levaram a ter este desabafo.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


Um dos primeiros gestos de Marcelo Presidente "será para o Ronaldo"

...."Se os portugueses me elegerem Presidente de Portugal, dos primeiros gestos que terei, um deles será para o Ronaldo", assegurou o candidato presidencial no âmbito de uma visita ao Museu do CR7, no Funchal, no decorrer da deslocação em campanha eleitoral que efetua hoje à Madeira.
O candidato realçou que o jogador "tem sido um caso de excelência, de exceção e Portugal é conhecido em todo o mundo - sou testemunha disso - não por outras razões muito importantes que poderiam existir, mas chega-se a um miúdo ou a uma pessoa de mais idade e diz-se 'Portugal, Portugal'" e a resposta é "Ronaldo, imediatamente".

quarta-feira, novembro 25, 2015

Fumo branco em Belém!


Finalmente houve fumo branco para os lados de Belém. 
Para quem não sabe e é falante de português, Belém é a zona de Lisboa onde, entre muitas outras coisas, se situa o Palácio de Belém que é a sede da Presidência da República Portuguesa.
Neste momento e em fase terminal esse Palácio é ocupado por Cavaco Silva. 
Digo em fase terminal porque cada chefe de Estado eleito só pode exercer os poderes presidenciais durante dois mandatos. Dado Cavaco Silva se encontrar em finais do segundo mandato,  terá de deixar o palácio de Belém dentro em breve.
Para que tal aconteça, estão já marcadas eleições para finais de Janeiro próximo, que darão lugar ao "senhor que se segue" ou à "senhora que se segue". 
Sim, que desta feita, há que salientar o facto, estão na corrida a Belém pelo menos duas candidatas, o que pode, caso uma de entre elas vença as eleições, dar lugar ao primeiro "Presidente da República Portuguesa"do sexo feminino.
Portanto, para além do fumo branco que Cavaco finalmente se dignou largar ao decidir-se pela aceitação do novo primeiro ministro, António Costa, existe a animação das eleições presidenciais que se avizinham.
Novo governo por um lado, renovação presidencial e parlamentar por outro, conferem a Portugal uma novidade e esperança políticas nunca antes vividas desta maneira após o 25 de Abril de 1974.
Quem havia de dizer?
Parecia tudo rolar sobre rodas para os que detinham o poder e, de repente, zás.
Surge assim para eles como que uma potente trovoada, relâmpagos e nuvens grossas carregadas de electricidade poderosa surgindo de todos os lados.
Quando tudo parecia votado ao ostracismo, a um caminho morno e insípido de "caminho único" sob a batuta de uma direita submissa, empobrecedora, nada inspirada nem inspiradora, eis que muita coisa acaba por acontecer.
Muita coisa acaba por acontecer e por isso mesmo se espera que muita coisa mude.
A esperança renasce enfim, após um tempo de sonambulismo político, de infelicidade nacional, de ausência de progresso, de soluções para Portugal.
Um tempo que a mim próprio, apesar de não me considerar um céptico assumido, me parecia por vezes ter vindo para ficar.
Mas não. 
Os portugueses estão aí de novo, cheios de vontade. 
Apesar de tanta asneirada feita, poderá ainda ser possível salvar muita coisa. Recuperar com empenho e querer da estagnação e do servilismo que vinham minando este nobre povo, esta nação valente que não pode soçobrar por dá cá aquela palha.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira



Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...