Dei por mim atento ouvindo o coração
Desta vez não entrei na dança
Quem eu queria não me queria
Talvez porque atrasei o passo
Em vez de avançar fiquei
E já o rosto em intenção do coração
Passara ao lado
Parando em outras mãos
E era duro correr em busca de ninguém
Ainda hesitei fiz um compasso
Com o corpo e o olhar em rotação
Fiz um derradeiro esforço
Buscando alguém
Mas o último sorriso apreciado
Tinha já passado também
E eu sentei
Entendi ser melhor assim
Pois o exercício envolvia sentimento
E fiz bem
Por tomar tal decisão em consciência
Não senti arrependimento
Claro que ficar de fora sempre dói
Dá assim um ar de rejeição
Fica-se um tanto em abandono
Mas aceitei a coragem nova que enfrentava
E em lugar de dizer sim a um qualquer frete
De não saber dizer não para honrar a educação
Ousei afirmar um não em vez de um sim contrariado
Honrei-me a mim em vez de honrar a tradição
Porém já sentado recolhido
Mãos no peito em interioridade
Vi o pensamento acordar
E colocar-me uma questão
Tão simples quanto séria
Tão pueril quanto sagaz
Parecia a voz de uma qualquer razão
“Será quando se escolhe ao querer o óptimo
Não se arrisca a ter o bom à mão de semear
E se perde o bom só por se achar
Que em escolha boa só o óptimo nos serve”
Tal conjectura abalou a minha decisão
De ficar de bem comigo em sossegado recolhimento
E assisti perplexo ao entristecer do rosto
Com a mente ao invés do corpo
Bem sobressaltada em movimento
De tal modo inquieta
Que o meu eu em corpo manso e quieto
Quase em oração
Estremeceu tanto que quase gritei
Há aí alguém que me estenda a mão
(só o não fiz por contrariar o poema)
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