Estou aqui e estou ausente
tropeço no pé da mesa
em que almoço
acontece um estardalhaço
quando a mesa treme
e tomba o delgado e alto copo de cerveja
acordo no alvoroço
regresso da distância
e vejo olhos de outras mesas circundantes
fitarem-me
oblíquos frios acusatórios
olhos que acolhem em coração
um gato triste um cão abandonado
mas a mim talvez por ser humano
e não ser perfeito como eles não são
não perdoam um deslize
um simples tropeção
solícito acorre o empregado
mudando o lugar alterado
com pequenos estilhaços de vidro
mais o derrame húmido da cerveja
acabo a refeição intimidado
pior
esvaziado
entre a ausência inicial de ali
interrompida
e uma presença no momento ali
indesejada
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