sexta-feira, outubro 30, 2015

Nova posse do velho governo


Nosso comentário:

Por acaso hoje, ao contrário dos últimos dias, a chuva aqui em Lisboa passou ao lado. 
O mesmo não aconteceu com o governo de Passos Coelho que, ao invés de passar ao lado, não. 
Caiu-nos mesmo em cima.
O sr. Presidente da República empossou o novo 1.º ministro, que por acaso é o mesmo, após um desfile de carrões despejando os notáveis a empossar (ministros e secretários de Estado) 
Como vem sendo alvitrado por toda a comunicação social, parece tratar-se de uma posse efémera para aquela gente toda, já que se prevê que o programa a apresentar por eles na Assembleia da República será chumbado pela maioria dos deputados.
Mesmo assim houve a cerimónia, cumpriu-se a tradição, os empossados tiveram a amabilidade de depositar a sua assinatura num livro constituído para tal, e aconteceram ainda dois discursos a preencher o solene momento.
Falou primeiro o sr. Presidente da República, depois o sr. Primeiro Ministro.
Disseram pouco, quase nada, os semblantes eram murchos, fico com a ideia nestes últimos tempos de que à ex-maioria que governou o país estes 4 anos, agora minoria, lhes está a custar muito deixar o poleiro.
Enfim, pode ser só impressão minha.
Outra impressão que me fica, esta mais grave sobretudo para o conceito de democracia, é a de que pode haver muitos partidos e partidecos, montes deles, confira-se o boletim de voto das eleições, mas só se não crescerem muito e não forem perigosos é que serão aceites (tolerados) pelos que se têm proclamado até aqui como sendo os donos do arco da governação.
Grave mesmo.
Ora ao que parece a direita tem encostado demasiado à direita e o partido que normalmente ocupava parte do centro e centro esquerda desta feita não aguentou.
O Partido Socialista incompatibilizou-se frontalmente com políticas seguidas pelo executivo de Passos Coelho e Portas. Por eles enxovalhado e desprezado, o PS não conseguiu servir de moleque ou muleta a uma direita tão extremada, a políticas tão anti-pessoas, a um regime de "quanto mais pobres melhor", a um governo que cortou nos salários, pensões e prestações sociais para financiar a banca, a um governo que colocou os portugueses outra vez na crista da onda da emigração.
O caldo ficou entornado. 
Com toda a esquerda a querer viabilizar uma alternativa de governo liderado pelo PS, com políticas diferentes e com múltiplos pontos em comum, se dúvidas houvesse, logo se esfumaram.
Passos Coelho e a sua política de direita apadrinhada pelo sr. Presidente da República desde o 1.º momento, parecem encontrar-se num beco sem saída.
Ante a arrogância com que, PR e governo presentearam a esquerda, menorizando-a e maltratando-a, arriscam-se agora a engolir alguns sapos, pois a alternância democrática tem que se aceitar doa a quem doer. 
E nota-se que está a doer mesmo muito a quem se convenceu, talvez por imaturidade, talvez por má fé, não sei bem, que o "caminho único" eram favas contadas.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


terça-feira, outubro 27, 2015

Governo com "ministros a dias"?


Nosso comentário:

O casamento político do CDS com o PSD parece sofrer de uma grave crise de sobrevivência.
Desta feita a coisa parece grave, tendo em conta que outras ocasiões houve de certa gravidade. Todavia, como em outras uniões, lá foram resolvendo birras e quezílias, só que agora a situação é tensa, densa, um beco sem saída, uma relação tornada impossível.
Culpam o PS partido que, apesar de mal tratado e ofendido por eles de todas as formas e feitios, deveria ter por "missão histórica e patriótica" o dever de os manter unidos a apoiar todas as marmeladas e porcarias constantes da sua agenda matrimonial.
Os portugueses conhecem bem, infelizmente na pele, essa agenda.
O PS fez-lhes um manguito, levou a sério os insultos mais que muitos e não lhes quer dar de mão beijada o aval a atos pouco dignos de caminho seguido e a seguir e com os quais está em total discordância.
E aqui é que está o cerne da questão. 
O PS não só não aceita "casar-se com os partidos de direita" como prefere os partidos à sua esquerda, PCP e o BE, para uma relação séria e de compromisso mais a gosto.
O padrinho do casamento da direita sobressaltada, Cavaco Silva, terá que gerir a situação de que ele próprio é o principal responsável. 
Deu-lhes a mão, protegeu-os, amparou-os, também se esteve nas tintas para o PS, ignorou a real importância de PCP e BE...
agora, resta-lhe fazer como o rei D. José fez em pleno terramoto de Lisboa.
Ante a adversidade, no caso vertente não é um terramoto, mas um matrimónio em queda livre, resta ao PR perguntar ao Marquês de Pombal: 
-Que fazer Marquês?
Pois é, só que agora já não há marquês e o dr. Cavaco Silva terá que fazer pela vida e terminar o seu 2.º mandato presidencial a esticar a corda que ele tem tentado segurar com unhas e dentes, e vai segurá-la até ela rebentar.
Parece o desfecho mais provável deste 2.º mandato do sr Presidente da República, numa altura em que indigitou Passos Coelho para formar um governo para 4 anos. 
Dada a conjuntura e prometido que está o total chumbo do governo no Parlamento, tratar-se-à não de um governo com ministros para 4 anos, mas de um governo com "ministros a dias".
Pelo menos é o que parece provável.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira



segunda-feira, outubro 26, 2015

Futebol, a Sogra e Jesus Cristo


Nosso comentário:

Para descontrair de tanto acontecimento para digerir, político, desportivo, e não só, limito-me hoje a partilhar uma anedota que recebi via e-mail e cuja temática tem sempre a sua piada.
O dia que passou foi um domingo, um domingo de futebol aqui em Portugal, diga-se. 
Defrontaram-se entre si nem mais nem menos do que os atuais quatro melhores clubes portugueses.
O Benfica recebia o Sporting, com quem perdeu por 0-3 e o Porto recebia o Braga com quem empatou 0-0.
Talvez, assim à primeira vista, um tanto inesperados estes resultados...
Ou talvez não!
O futuro o confirmará.
Por isso mesmo, ante tais resultados, e porque há muito português menos contente com as proezas do "seu" clube, aqui fica uma anedotazinha para aliviar as agruras da bola.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


A SOGRA
 
Um marido ganhou num sorteio, 3 passagens para Jerusalém.

Chegou em casa, contou para a esposa, mandou ela arrumar as malas e foi ligando para chamar também a mãe dele, quando começou uma grande discussão, um grande debate, com a esposa que queria levar a mãe dela.
Para dar final na briga ele concordou em levar a mãe dela (a sogra).
 
Chegando lá, estavam visitando os locais onde Cristo passou quando de repente a sogra, emocionada, passa mal.
 
Levam a velha para o hospital e ela acaba morrendo.
 
O marido conversando com o pessoal do hospital, para ver o que ia fazer, perguntou quanto custava o enterro em Jerusalém.

Disseram que na moeda Portuguesa, seriam uns  1.000,00 .
Perguntou também quanto ficaria para mandar o corpo para o Portugal. Responderam que com o transporte e tudo ficaria uns  10.000,00 €.

O marido então escolheu mandar para  Portugal.
O pessoal do hospital e a esposa olharam espantados para ele sem entender, e perguntaram por que mandar o corpo para  Portugal se é muito mais caro?

O marido respondeu: -
- Vocês já tiveram um caso de ressurreição aqui... Prefiro não arriscar...

sexta-feira, outubro 23, 2015

Cavaco falou ameaçador e deprimido


Nosso comentário

Após a comunicação ao país do Sr. Presidente da República na noite de ontem (20 horas do dia 22/10 em Portugal Continental, não consigo ficar sem dizer meia dúzia de palavras aqui no blog, a respeito do evento.
Ora bem, no dia 4 de Outubro passado, como largamente se noticiou houve em Portugal eleições para a Assembleia Legislativa (Parlamento) a fim de serem eleitos 230 deputados.
Eu, como bom cidadão que sou, ciente do meu papel na vida política, social e económica do meu país, lá fui à mesa de voto que correspondia à minha morada, colocar a cruzinha no boletim de voto aí disponível.
Há que dizer que o Boletim de Voto impressionava. Estava bem recheado, com cerca de de 20 partidos e coligações prontas a receber a cruzinha do eleitor.
Disse de mim para mim, ante tal fartura, que a democracia em Portugal estava viva com uma pujança fantástica, já que as opções eram mais que muitas.
Apesar de continuarem a abster-se muitas pessoas, quase metade dos possíveis eleitores, não via razão para tal pois encontrariam decerto um partido ou coligação mais a contento da sua ideia ou até para expressarem a falta dela.
Bom, eram tantas as opções traduzidas em símbolos, que tive de confirmar bem o lugar onde se encontrava aquele em que me dispusera votar.
Concentrado, lá o descobri no meio de tantos outros. Lá depositei a minha cruz com cuidado no sítio que pareceu mais correto à convicção que me assiste como mais adequada à atualidade lusa.
Até aqui tudo normal.
Eis senão quando, ouvindo ontem o Senhor Presidente da República, num discurso de poucos minutos, fiquei como quase sempre fico quando o ouço, baralhado.
Pelos vistos, os símbolos colocados nos boletins de voto são para enfeitar mesmo. A democracia que eu dizia de mim para mim que estava pujante não passava de uma farsa.
Só podem governar os partidos X e Y. Os outros, mesmo os maiores, já nem falando nos pequeninos , são mesmo para enfeitar o "pluripartidarismo da treta". Esses não podem governar.
Fiquei mais uma vez estupefacto. 
O Sr Presidente da República ignorando o 5 de Outubro, ignorando o 25 de Abril, ignorando a nova constituição do Parlamento, ignorando ser ele o fiel representante de todos os portugueses...
nomeou o líder do seu partido (PSD) minoritário e que os portugueses rejeitaram nas urnas, como 1.º ministro do novo governo.
Uma pura perda de tempo, um custo escusado para o país, em tempo e em dinheiro.
O governo do Sr. PR tem os dias contados, é minoritário, não tem apoios, não passa no Parlamento.
Para quê então insistir? porquê tamanha obstinação e resistência à nova realidade nacional? 

Cavaco falou ameaçador e deprimido.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira

quarta-feira, outubro 21, 2015

Retorno ao tempo de Salazar e Marcelo?


Nosso comentário:

Pelas notícias que lemos e que vão saindo amiúde sobre a tentativa de formação de um novo governo, não parece nada fácil nesta democracia portuguesa respeitar-se o próprio significado da palavra "Democracia".
As pressões para que tal não aconteça são mais que muitas, ele são os media, ele são os comentadores ao serviço do poder, ele são os "cavalos de Tróia" infiltrados nos partidos a desferirem jogada sobre jogada, enfim...
é nestas alturas que se toma consciência que parecemos condenados ao "caminho único" chame-se o que se chamar a estes regimes políticos em que vivemos.
Está cada vez mais provado que de "democráticos" quase só já têm o nome.
Agora mesmo assistimos em Portugal a uma tentativa de intoxicação da opinião pública para que esta se convença de que tudo o que for diferente desse tal "caminho único", imposto ou a impor, será perigoso e impossível de intentar.
O medo está outra vez aí. 
Digo outra vez porque ainda me foi dado viver alguma juventude em plenos regimes de Salazar e Marcelo e sei o quanto custava usar publicamente uma simples palavra reprovada pelo regime ditatorial.
O medo está de volta. 
Medo de perder o salário, medo de não arranjar emprego, medo que falte o dinheiro nos bancos, medo de Bruxelas, medo de não ter futuro, medo de não ter presente, medo, medo, medo... 
Até quando? será que este medo veio para ficar, ou restará ainda aos homens eleitos para serem líderes uma ponta de coragem, de independência, de brio, para contrariar a tendência tenebrosa de um sórdido, insípido, desconhecido "caminho único"?
Certo que restam ainda umas pontas de liberdade, mesmo considerando que vivemos em uma sociedade cada vez mais controlada e policiada.
Porém, ante o que vejo, receio bem que mesmo estas preciosas pontas de liberdade se vão secando, uma após outra, já que nem uns meros resultados eleitorais de eleições livres podem ser aplicados na formação de um governo legítimo delas resultante.
Outra vez os "perigosos esquerdistas", expressões a fazer lembrar o mórbido tempo de Salazar e Marcelo. Outra vez o perigo dos comunistas. Outra vez a falta de democracia. Outra vez a manipulação da informação. Outra vez o desrespeito pela vontade popular.
Será possível meus senhores, contrariar ainda um tal retrocesso?

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira



segunda-feira, outubro 19, 2015

Caldo entornado... Nova sopa!


Nosso comentário:

Cavaco Silva, presidente da República Portuguesa, vai fazendo o que todos já adivinhamos de antemão que fará. Lá anda a cumprir a praxe, tem que ser, nesta fase a reunir com "todos" para nomear um de entre os convocados, que em seu entender lhe pareça mais aconselhado a tomar as rédeas da governação.
Só que os comentadores de serviço nas televisões já nos têm dito tudo, a imprensa escrita idem aspas, pelo que nos próximos tempos nada de novo se passará que não se saiba.
Só tempo perdido e a tentativa de que tudo possa voltar para trás, que o passar do tempo jogue a favor dos escorraçados pelas recentes eleições legislativas.
Para quem não sabe, cidadãos de outros países e outros, os escorraçados das eleições são os da linha direitista de Cavaco Silva. 
Têm pois que trabalhar arduamente em conjunto o caldo que se entornou e ao que parece lhes custa a engolir depois de entornado.
Apesar de a coisa estar feia para eles, a sopa difícil de voltar à tigela sem um qualquer golpe de magia, parecem mais agarrados ao poder que nunca.
Não estão a aceitar a derrota de ânimo leve, incrédulos que estão com a nova composição parlamentar saída das eleições.
Tudo farão para arrebanhar a sopa entornada e evitar que surja uma nova sopa com sabores e paternidades novas.
Como farão isso, não sei. Só sei que tudo farão para isso.


Fiquem bem, 

António Esperança Pereira


PS. Já que falei em sopa, deixo-lhes um texto, para desanuviar, que também tem a ver com sopa, mais propriamente com"culinária". Os meus sinceros agradecimentos a quem mo enviou.


Origem dos livros de receitas

O mais antigo livro de cozinha de que há conhecimento é atribuído ao Grego Arquéstrato (séc. IV A.C.) 
Contudo, não chegou aos nossos dias. 
Um pouco mais tarde Ateneu e depois Apício deixaram textos que constituiram durante um longo período da História importante matéria em termos culinários.
O primeiro livro de Cozinha da Idade Média é um tratado em Francês Antigo, do inicio do séc. XIV. Tinha uma forte componente à base de especiarias e pratos de peixe e caça.
Viandier de Taillevent (1380) e Menagier de Paris (1392) foram os primeiros "cozinheiros"difundindo métodos de preparação, técnicas de cozinha e receitas. 
Até ao séc. XVII continuaram a ser obras de referência.
A primeira grande revolução dá-se com os cozinheiros italianos que acompanhavam Catarina de Médicis. Introduziram pratos com açúcar, doces, compotas.
"Le Bastiment de Recettes"publicado em Veneza e traduzido em Lião, ao mesmo tempo (1541) é um manual de confeitaria.
Durante o Renascimento, os médicos reais fixam as melhores horas para as refeições.
O séc. XVIII viu florescer mais livros de culinária. A Revolução Francesa traz novas formas de encarar a "A arte culinária".

No séc. XX os livros de Culinária aumentaram  e espalharam-se por todo o Mundo.

sábado, outubro 17, 2015

Direita enervada perde compostura


Eu próprio estou espantado com a evolução dos acontecimentos na política portuguesa. Não tenho nada de extremista, sempre me bati na vida pessoal, como na vida em sociedade por uma postura equilibrada.
Eis senão quando, me deparo na presente conjuntura nacional pós-eleitoral com gente considerada "equilibradíssima",  a perder a compostura e a soltar fortes atoardas e insultos, não próprios de gente supostamente educada e composta.
A intolerância de quem realmente não aceita os outros. Gente que se agarrou ao poder de uma maneira feroz mesmo quando posta lá com ajudas e colinhos vindos de todas as bandas.
Estou deveras espantado sobretudo com a hipocrisia do discurso arquitetado por muita gente. Gente que queria fazer parecer que não concordava com as políticas atrozes da governação e, quando a vêem em perigo, em queda, bloqueada, saem dos esconderijos dessa bonomia de pensamento "porreiro" com que queriam iludir-nos e zás. 
Toca de perderem a disfarçada sensatez e desatam a disparar em todas as direções, sobretudo numa realidade que parece fazer-lhes mossa. 
A esquerda política portuguesa ganhou as eleições legislativas e está apta a assumir uma governação credível com políticas diferentes e bem mais amigas do cidadão.
O culpado é o Costa, dizem. O PS é de direita, querem eles agora. Dava-lhes jeito que fosse. Uma muleta macia e dócil que serviria na perfeição para os perpetuar no poder.
Mas o PS não só não é um partido de direita nem parece querer ser a muleta macia e dócil tão necessária ao dueto em queda: Coelho e Portas.
Costa parece determinado em incluir todos os portugueses e não apenas alguns nas responsabilidades governativas da nação lusa.
Costa tem essa capacidade de reunir consensos, é um homem de diálogo. Tem disso fama e provas no terreno mais que dadas.
Estas capacidades que Costa tem assustam a direita. Uma direita que impõe o que quer, que não olha a meios nem a fins para fazer o que faz e o que lhe mandam fazer.
Uma direita que quer tomar conta de Portugal e da Europa.
Finalmente, uma direita que está assustada porque descambou para uma zona, essa sim, perigosíssima, de extrema direita, da política do medo, que há que contrariar.
Os portugueses não podem pois deixar de estar atentos a tais perigos, esses sim bem reais, os perigos da extrema direita.

Fiquem bem, 

António Esperança Pereira

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...