quarta-feira, janeiro 15, 2020

Salário mínimo europeu


Comissão Europeia quer que os países da União Europeia (UE) fixem um salário base equivalente a 60% da remuneração média nacional.
Comissão Europeia quer que os países da União Europeia (UE) fixem um salário base equivalente a 60% da remuneração média nacional. © iStock Comissão Europeia quer que os países da União Europeia (UE) fixem um salário base equivalente a 60% da remuneração média nacional.
O salário mínimo europeu já vem sendo falado, mas até agora não havia nenhuma proposta em concreto. O El País conta que a Comissão Europeia quer que os países da União Europeia (UE) fixem um salário base equivalente a 60% da remuneração média nacional, com o objetivo de promover a convergência económica entre os Estados-membros.
Ainda assim, esta medida - desde que é falada - tem gerado críticas por parte de países como a Dinamarca ou a Suécia, que alegam que este modelo pode prejudicar a negociação coletiva, de acordo com o Guardian.
Seja como for, o objetivo desta medida é estimular a convergência económica entre os vários Estados-membros, reduzindo o risco de uma diferença salarial num mercado de trabalho sem fronteiras, "recuperando uma parte dos 110 milhões de europeus em risco de pobreza". 
Ao que indica o jornal britânico, os planos da Comissão Europeia relativamente a este assunto serão tornados públicos esta terça-feira, pela voz da presidente Ursula von der Leyen. 
Fiquem bem


sábado, janeiro 11, 2020

Calças de inverno

Nota breve do autor do blog:

Acabo de receber um interessante texto, via email, escrito pelo meu irmão.
Vou partilhar o mesmo, pois para além de oportuno, pelo frio que se faz sentir, contém algumas imagens de vida que convém fixar. São imagens de tempos e lugares diferentes mas todas elas muito ilustrativas rumo à ideia principal: COMPRAR CALÇAS DE INVERNO NOS TEMPOS QUE CORREM.😮
Ora, caro leitor, faça o favor de ler o texto:


Calças de inverno 

A minha região é fria no inverno e concretamente na Guarda, capital do distrito a que pertenço, pude testemunhar grandes nevões, como de há anos se não vêem. Por vezes acontecia a água canalizada gelar nas respectivas condutas, o que podia causar, entre outros problemas, a rotura dos canos. As pessoas estavam habituadas a enfrentar tais contrariedades, substituindo por exemplo o chuveiro por uma banheira móvel, geralmente arredondada, onde era despejada água previamente aquecida. Claro que os banhos não aconteciam com a frequência com que alguns jovens de hoje o fazem, duas e três vezes ao dia!!!
Enfrentávamos a neve e o gelo bem agasalhados: Botas de couro, calças grossas (de inverno), luvas, sobretudo e boné de orelhas. Devo aqui fazer um reparo algo lamentável, a verdade é que nem todas as pessoas tinham possibilidades para se agasalharem convenientemente.
Após vários anos passados na região, rumei a Coimbra no início da década de 60, onde para mim foi notória a diferença de temperaturas. Aqui nem a capa, do fato de estudante, suportava ao ombro, trazendo-a habitualmente no braço.
À época Portugal suportava (mal) uma ditadura que, entre outras sacanices, perseguia os opositores e só concedia liberdade de expressão aos seus.
Ora os estudantes, na sua indiscutível maioria, tínhamos aversão ao regime salazarista e não raro manifestávamos o nosso desagrado, integrados geralmente nas respetivas Associações.
Esta década foi fértil em acontecimentos, no país e fora; seria fastidioso enumerá-los todos, ainda que pela rama! Mas o que mais me interessa salientar é o “maoismo”, que por volta de 1964 exportou muitos milhares de exemplares de um livro designado por “Livro Vermelho”, apreciado sobretudo nos países do 3.º mundo e com adeptos entre alguns dos estudantes portugueses. Pouco depois, em 1966 teve lugar a célebre “Revolução Cultural Chinesa” (pelo que veio a saber-se muito mais tarde, nada recomendável).
A figura central era o ditador Mao Tsé-tung; ele e a sua Guarda Vermelha fizeram o que lhes apeteceu, acusados de serem cúmplices da morte de milhões de compatriotas.
A par de outras ideias revolucionárias, como a de desativar o Ensino Superior, declararam guerra às “roupas burguesas” e quem as usasse podia ser atacado em plena rua!
O certo é que o grande líder se apresentava em público, nos mais variados atos, sempre de túnica (parecida com um vulgar casaco de pijama). Essa túnica (utilitária) passou a ser moda, conhecida por “Túnica Mao” e naturalmente calças a condizer! Guarda Vermelha, militares, camponeses, praticamente todo o mundo chinês andava assim vestido. Ao que consta, o tecido (conhecido por ganga) era grosseiro e estava disponível em três cores: Azul, verde e cinza.
A “fatiota” virou moda na China, mesmo para os que não gostavam, e granjeou grande simpatia internacionalmente. Lembro de ouvir uma frase que o ditador terá proferido com grande vaidade: “Meu povo de ganga azul”.
Relembro que estes acontecimentos decorreram essencialmente nos anos 60!
Estamos em 2020. Quis adquirir umas calças de inverno e, para grande espanto meu, só vi calças de ganga ou, esporadicamente, calças de bombazina (regra geral finas).
Ou seja, percorrendo as lojas todas, das mais chiques às menos chiques, as opções são idênticas: Ganga de várias cores (prevalecendo a cor azul) e bombazina (poucas).
Termino sugerindo um entretém engraçado: Vão a um Centro Comercial movimentado, a um jogo de futebol da 1.ª divisão (muita gente), a um Concerto desses cujos bilhetes se esgotam no ano anterior, à procissão do Adeus em Fátima, ou aguardem pelo S. João no Porto, e terão o privilégio de verificar que mais de 75% das pessoas vestem calças de ganga, de várias cores, seja verão ou inverno.
10 de Janeiro de 2020 – L. Pereira 

Fiquem bem,

quinta-feira, janeiro 09, 2020

Mário Sá Carneiro no blog

Mário Sá Carneiro


Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua bôca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me nalma o crepusculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Alcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

Fiquem bem,


Partilho abaixo um belo poema do autor, de uma profundidade e sensibilidade "fascinantes".

Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.




segunda-feira, janeiro 06, 2020

João Roiz de Castel-Branco, no blog



Vida e Obra
João Roiz de Castel-Branco (meados do séc.XV-1515) foi fidalgo da Casa Real de D. Manuel, desempenhando o cargo de contador da fazenda da Beira.
A obra poética de João Roiz de Castelo Branco resume-se a 4 composições incluídas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.
Duas são trovas com contornos epistolares e as restantes composições são uma glosa a um vilancete castelhano e a cantiga “Senhora partem tão tristes”, justamente célebre pela beleza, feita de rigor e harmonia, com que desenvolve um tema recorrente no Cancioneiro Geral: a partida. Partilho exatamente esse belo poema, "Partindo-se", um clássico da nossa poesia. E digo clássico porque é aprendido quase obrigatoriamente na Literatura e Língua Portuguesa. Acrescento que o meu professor da disciplina de "Português, Literatura Portuguesa" do antigo 6.º/7.º Anos do Liceu D. João III de Coimbra, a dizia nas aulas de uma forma empolgada mesmo. Adorava o poema. Eu, desde essa altura, nunca mais o esqueci nem o professor nem o poema. Oxalá gostem.


Cantiga, Partindo-se
Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’ esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
João Roiz de Castelo-Branco
in Antologia do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende


Fiquem bem,

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Tango para a Liberdade




A RTP2 estreou a 1 de janeiro a minissérie italiana em 2 episódios "Um Tango para a Liberdade", inspirada na autobiografia do vice-cônsul Enrico Calamai, "Niente asilo politico", que conta como o diplomata italiano salvou mais de 300 homens e mulheres perseguidos pelo regime argentino.
Ano de 1976. Marco Ferreri, o jovem e inexperiente diplomata italiano, está na Argentina com o cargo de vice-cônsul da embaixada. Em Buenos Aires, Marco reencontra Diego Madero, grande amigo dos tempos da universidade, em Itália.
O clima político é tenso. Durante uma receção na embaixada, na mesma noite em que conhece Anna Ribeiro, a mais famosa intérprete de Tango argentino, o governo é derrubado por um golpe militar.
Ferreri toma conhecimento de muitos casos de pessoas desaparecidas, vítimas do novo regime ditatorial, e com a colaboração de uma rede de amigos, entre eles o jornalista Sereni e o advogado Solanas, decide ajudar centenas de pessoas a escapar à perseguição.
P.S. Gostei muito da minissérie italiana da RTP2 e aconselho a ver. As ditaduras não trazem nunca nada de bom. Só morte, mordaça, separação, corrupção, miséria. violência, medo. Que sejam combatidas e que nunca se esqueçam os seus terríveis protagonistas e maléficos efeitos.
Fiquem bem,



Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...