sábado, maio 16, 2009

a morte do sábio


Qual ceguinho tacteando
logo desde bem cedinho
ouvimos observamos lemos
e dentro de nós
vai crescendo
o entendimento do mundo

quando o mundo era pequeno
de gente e conhecimento
havia sábios
homens que tudo sabiam
por ser parca a sabedoria
que até então havia

hoje não
andou-se em opinião
em fontes de informação
em pesquisa
pelo que o maior sabichão
não passa de aprendiz
que pouco mais sabe que nada

hoje vale especialização
um saber que se domine
talvez esta a solução
para reciclar sábios á antiga

que podem saber latim
literatura matemática
despejar filosofia
muita cultura clássica

mas se ignorarem a tecnologia
alguma atitude pragmática
parece chegado o dia
da morte do antigo “sábio”

quinta-feira, maio 14, 2009

caminhada á chuva


O vento sopra a chuva cai
o cinzento cresce
encurta-se a caminhada
pelo receio de enxurrada

corta-se na aventura
tira-se espaço
á ideia que amanheceu
bem mais ousada

encolhe-se o alento
pára-se no abrigo
com medo de um simples
e natural elemento

podia-se continuar a andar
aceitar a vida como ela é
sem o preconceito
de ter que entendê-la tanto

mas humanos são assim
pensam no que fazer a seguir
na atitude a tomar
na reacção a cada situação
seja complexa densa chata
ou trivial inofensiva grata

é muito cansativo ser humano

por comparação
repare-se na árvore
é vê-la crescer crescer
em largura em altura
até aos limites de ser

faça sol caia chuva sopre vento
serena sem limitações
tudo é natural e tudo faz parte
porque ela não pensa
no que está a fazer

ora firme ora ondulante
ora nua ora vestida
limita-se a ir a subir
a viver
deslumbrando o viajante

segunda-feira, maio 11, 2009

o imaginário


Fortuna ou desgraça
que te escondes
que vontade e que medo de saber!
sei que pouco dá ser platónico
não se vê o que se ama
não se toca não se come
em viva chama

sei também o que guarda
o imaginário
de um centímetro faz-se um metro
de uma flor faz-se um jardim
de uma atenção solitária
um êxtase sem fim

põe-se tempero com toda a facilidade
imagina-se
imagina-se
imagina-se

mas na dura realidade
em que ficamos?

no sonho perfeição
irreal
aumento inglório
só fantasia projecção…

sem sentimentos reais
sem palavras reais
com medo de enfrentar
o que sonhamos…

ou abrimos mão do ideal sem forma
tonto invisível
e inebriamos
sem medo do fracasso
no que é bom tocar quando se gosta
e é visível?

sexta-feira, maio 08, 2009

o meu saber desperto


Feridas há e não são poucas
bizarras variadas deprimentes
descontroladas arrepiantes chocantes
mundo tão grande
diversidade
tanta gente sem um lugar conforto
na cidade

vergo-me e esmoreço
quando vejo
os becos os guetos da vida
só que meu saber desperto
anima-me quando perco o apetite
quando fico no filme triste
quando Deus quase desaparece

e diz-me que há conserto
pondo na cabeça inteligente a solução
na atitude de palhaço o coração

nunca a dor por atitude
porque dor não cura
e quem o fizer
só mais dor semeia
em seu redor

curem-se as feridas que vemos
com energia
evite-se a epidemia
com cabeça e com amor

depois da antiga dor curada
na profilaxia…

mais atitude de palhaço
mais alegria de criança
mais música mais crença
e mais dança !

terça-feira, maio 05, 2009

Lago Tejo


Lago Tejo visto assim por forasteiros
águas tão calmas
horizonte deliciado deliciante
convidando sonhadores
namorados viajantes

este céu aberto
em azul de tantos cambiantes
tombando suavemente
nas férteis terras de Palmela

se Camões aqui viesse
e visse o que eu agora vejo
cor gente divertimento
paladar a toda a volta
inebriando todos os sentidos
riso passeio fluvial
voo arriba comboio de brincar
carrinhos de pedais
assuntos de pasmar
a cada canto para visitar

exclamaria:

tão longe andado povo lusitano
em busca de fortuna
de ninfas de glória
no longe de anos
e agora tudo aqui
á mão de semear

fortuna ninfas e glória!

Moscovo Nova Iorque Rio de Janeiro
á distância de um pulo
o meu país moderno
no centro do mundo

entrada saída guarida
para quem demanda
o melhor abrigo
o melhor amigo
na Europa amada
unida solidária e dada

segunda-feira, maio 04, 2009

a um pai deste país


Pedem-me que entenda
que ouça que me cale
que fique quedo só desamparado
que vos mime idolatre
e vos sustente

que como um mago
tudo tenha num instante
que cubra vossas faltas
que não falhe

pedem-me que concorde
que me conforme
ou que me zangue
e que me esgote
exangue

eu que não sou mago
nem tenho quem me ampare
me mime me conforte
que no silêncio amargo
de um copo de vinho
busco algum alento

sem acompanhamento de pão
de mãe de amigos de irmão
entre um estigma de diabo
e uma exigência de santo

quem me compreende a mim
ossos esforçados
ao génio que tenho por herdado
e ninguém suaviza?

quem vê minha obra e a contempla?

ninhos de vespas dedo apontado
que só sonham ver-me nu
faminto condenado
como posso amar sem ser amado?

caminhos estreitos escarpados
suor esforço ali deixados
nervos em franja feitos obra
para quê?

ninguém viu nem aplaudiu…

sem colo bom amado amante
depois de luta árdua
desgastante
não há coração que aguente
e não se canse!

sábado, maio 02, 2009

cabeça quente


Cabeça quente
reacção destemperada
tudo a vomitar arreliação
peito fechado

ai que fúria que dá
o além dos limites da asneira
fica difícil voltar atrás
retomar a realística fronteira
para o lado de cá…

para a dimensão verdadeira
quando o problema se pôs

orgulho raiva preconceito
inconsciente a operar
loucamente
gente a sofrer no efeito
sem entender bem porquê

não se cede nem se é capaz

tomei nota da ocorrência
e da mossa que faz
para futura advertência

porque estes momentos calados
tensos cínicos ampliados
no após cabeça quente
podem dar cabo de nós

sai-se fora de contexto
por um pequeno pretexto

presunção de ter razão
no antes quebrar que torcer
levado á obsessão
pode mesmo enlouquecer!

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...