Que chorrilho de palavras enviesadas
tresloucadas
em que se afunda e se alimenta
a ansiedade
assuntos conflituosos
coisas loisas
despique permanente
pele ficando em sangue
rubra no esforço
raiva ciúme
perda ilusões frustradas
que em parada resposta
levam ao desgaste abrupto
angústia vulcão ofensivo
defensivo acusatório
amigo tanto disparo inútil
em volta do enfoque
coisa séria dorida sangrando
que está lá no fundo apertado
e que não sai
parece cada momento uma guerra
cada som um uivo
munido de metralha
cada segundo um fogo
sopro de dragão ferido
rosto crispado azedo
preparando sempre a melhor estratégia
de ataque defensivo
custa o medo de perder
custa ouvir a razão dos outros
que urgente amigo
um pouco de ar
um intervalo
um suspiro breve
um AI que seja
uma lágrima vertida
um aconchego que acalme o coração
uma mão
que pouse nesse corpo em brasa
que lhe cale a língua
lhe dê paz
e lhe sossegue a alma
domingo, junho 08, 2008
agora e aqui
Tenho que estar bem aqui
para ir ali
lugar tronco
força de ser e de estar
a minha independência
só consigo sentir a liberdade
na firmeza do corpo
na atitude que tomo
em cada escolha
este é o tempo
este é o lugar
claro que a história conta
é importante
dá-nos as coordenadas
de onde estamos
mas viver ou morrer
gostar ou não gostar
olhar o que tenho à minha frente
só o posso sentir
agora e aqui
não o que ficou para trás
ou o que vem aí!
para ir ali
lugar tronco
força de ser e de estar
a minha independência
só consigo sentir a liberdade
na firmeza do corpo
na atitude que tomo
em cada escolha
este é o tempo
este é o lugar
claro que a história conta
é importante
dá-nos as coordenadas
de onde estamos
mas viver ou morrer
gostar ou não gostar
olhar o que tenho à minha frente
só o posso sentir
agora e aqui
não o que ficou para trás
ou o que vem aí!
sábado, junho 07, 2008
nem sempre céu...
Estou na minha paz
feita de síntese do caos anterior
resultado da necessidade
de equilibrar palavras que feriram
atalhos que mataram
tarefas que esgotaram
ilusões que tiveram um tempo e acabaram
recrio este oásis espontâneo
com a respiração conscientemente apaziguada
fica o corpo sossegado
porque lentamente
a informação que armazenei na mente
fica desligada
adiada mesmo
assim como ficar conscientemente
sem consciência
mesmo sem adormecer
o efeito é tónico como o sono
depois voltará o desequilíbrio
com o fim do sossego recreado
pelo mergulho obrigatório na vida
dia a dia desafiado stressado
porque sei que a vida é isto
céu e inferno
paz e caos
ao mesmo tempo
e porque aceito isso...
sempre que posso
tento encontrar o equilíbrio
no intervalo dos dois
nem sempre céu
nem sempre inferno!
feita de síntese do caos anterior
resultado da necessidade
de equilibrar palavras que feriram
atalhos que mataram
tarefas que esgotaram
ilusões que tiveram um tempo e acabaram
recrio este oásis espontâneo
com a respiração conscientemente apaziguada
fica o corpo sossegado
porque lentamente
a informação que armazenei na mente
fica desligada
adiada mesmo
assim como ficar conscientemente
sem consciência
mesmo sem adormecer
o efeito é tónico como o sono
depois voltará o desequilíbrio
com o fim do sossego recreado
pelo mergulho obrigatório na vida
dia a dia desafiado stressado
porque sei que a vida é isto
céu e inferno
paz e caos
ao mesmo tempo
e porque aceito isso...
sempre que posso
tento encontrar o equilíbrio
no intervalo dos dois
nem sempre céu
nem sempre inferno!
se fosse pintor
Se fosse pintor
e se quisesse
expressar meu sentimento agora
poria na tela uns ouvidos enormes
junto deles um rosto
sereno
desenhado mais pequeno
em relevo igualmente
as gotículas presentes intensas
vibrando aumentadas
reduzindo quase a nada
os outros orgãos dos sentidos
água em cascata
a brotar fina mas intensa
em redor
apenas contornos esbatidos
de fluxos e refluxos de seres vivos
translúcidos semi-visíveis
inofensivos
por tão fluidos
na pouca perceptibilidade
da vista e da mente introspectiva
acrescentaria
alguns seres inertes do local
em quietude sepulcral
dimensão fixa
entregues naturalmente
ao seu destino de objectos
mas o que ressaltaria mesmo
seria um rosto brando
interior
tão presente quanto ausente
tão acordado quão dormente
com a capacidade de ampliar
o caminho menos percorrido
"o ouvido"
num local ultra-moderno
requintado
onde a mente e a vista
usualmente imperam
e se quisesse
expressar meu sentimento agora
poria na tela uns ouvidos enormes
junto deles um rosto
sereno
desenhado mais pequeno
em relevo igualmente
as gotículas presentes intensas
vibrando aumentadas
reduzindo quase a nada
os outros orgãos dos sentidos
água em cascata
a brotar fina mas intensa
em redor
apenas contornos esbatidos
de fluxos e refluxos de seres vivos
translúcidos semi-visíveis
inofensivos
por tão fluidos
na pouca perceptibilidade
da vista e da mente introspectiva
acrescentaria
alguns seres inertes do local
em quietude sepulcral
dimensão fixa
entregues naturalmente
ao seu destino de objectos
mas o que ressaltaria mesmo
seria um rosto brando
interior
tão presente quanto ausente
tão acordado quão dormente
com a capacidade de ampliar
o caminho menos percorrido
"o ouvido"
num local ultra-moderno
requintado
onde a mente e a vista
usualmente imperam
casulo dourado

As pessoas que passavam
não tinham a importância física
que vulgarmente têm no local
os olhos tensos
o barulho apressado dos passos
eram apenas movimento normal
apercebido em som global
difuso
eu envolto em casulo dourado
imaginado
imaginando uma chuva de fios prateados
caindo!
estava entre o ensonado e o idílico
um sossego absoluto
fora das preocupações usuais
um espaço de deuses num sítio atrapalhado
frenético confuso
pela presença do tráfego do metro
seria vulgar subterrâneo
com os cheiros e ruídos característicos
húmido citadino suburbano
um lugar com sensações banais
se não fora o meu interior
que eu quase recreava sem querer
e elevava tudo em redor
a um patamar sublime
era brincadeira de leitura
o que eu fazia
aquele exercício do casulo dourado
mas a intensidade que sentia
vertia êxtase a mais que o esperado
que me interrogo:
seria o que eu senti
um cheirinho
às tais dimensões energéticas maiores
que se diz existirem por aí?
não tinham a importância física
que vulgarmente têm no local
os olhos tensos
o barulho apressado dos passos
eram apenas movimento normal
apercebido em som global
difuso
eu envolto em casulo dourado
imaginado
imaginando uma chuva de fios prateados
caindo!
estava entre o ensonado e o idílico
um sossego absoluto
fora das preocupações usuais
um espaço de deuses num sítio atrapalhado
frenético confuso
pela presença do tráfego do metro
seria vulgar subterrâneo
com os cheiros e ruídos característicos
húmido citadino suburbano
um lugar com sensações banais
se não fora o meu interior
que eu quase recreava sem querer
e elevava tudo em redor
a um patamar sublime
era brincadeira de leitura
o que eu fazia
aquele exercício do casulo dourado
mas a intensidade que sentia
vertia êxtase a mais que o esperado
que me interrogo:
seria o que eu senti
um cheirinho
às tais dimensões energéticas maiores
que se diz existirem por aí?
segunda-feira, junho 02, 2008
a vida gosta que se goste dela

Há sempre que haver alguma coisa
ideias projectos fantasias
uma qualquer loucura
que puxe pela vida
que faça crepitar a chama
o fogo que ela é
depois é pôr lenha na fogueira
alimentá-la
sentir o calor bom
que faz ela ser tão bela
pôr-lhe dança desejo grito
qual elixir de tonterias
desafio
em corpo e alma transpirando
papoilas rosas tulipas
um jardim de flores
com gente sem idade
de mãos dadas
a verter saborosos ingredientes
florindo e dando mel
com abelhas esvoaçando em zumbido
debaixo do céu
tocando e bebendo aquele jardim
dá para entender
que a vida gosta
que se goste dela
e só se irá embora
se a deixarmos ir
se ficarmos juntos
de mãos dadas
em fluida beleza e sintonia
em alegria e ritmo naturais
rindo para ela
A VIDA
não partirá jamais
ideias projectos fantasias
uma qualquer loucura
que puxe pela vida
que faça crepitar a chama
o fogo que ela é
depois é pôr lenha na fogueira
alimentá-la
sentir o calor bom
que faz ela ser tão bela
pôr-lhe dança desejo grito
qual elixir de tonterias
desafio
em corpo e alma transpirando
papoilas rosas tulipas
um jardim de flores
com gente sem idade
de mãos dadas
a verter saborosos ingredientes
florindo e dando mel
com abelhas esvoaçando em zumbido
debaixo do céu
tocando e bebendo aquele jardim
dá para entender
que a vida gosta
que se goste dela
e só se irá embora
se a deixarmos ir
se ficarmos juntos
de mãos dadas
em fluida beleza e sintonia
em alegria e ritmo naturais
rindo para ela
A VIDA
não partirá jamais
fartura sem gratidão
O ser está mais completo
quando centrado
no lugar onde está
concentrado
no que faz
ao invés
quando a dispersão se instala
o oposto acontece
como que a energia se perde
de espalhada que está
o ser fica fraco
pouco
perdido fora de si
com um aspecto dorido
seco magro vulnerável
sem o enquadramento
da força natural
do seu amplexo
fica em tudo parecido
ao sentimento depressivo
dos lugares do planeta
extremo oposto a este aqui
ausência de ter
vazio deserto de nada para ver
onde se passa fome
e só se morre
como que tanta fartura de ver
lhe faça perder o sentido
de presença em si
que lhe faz falta
para se sentir uno grato
e não desfeito
em não sei quantos mil pedaços
por aí
fartura a abarrotar sem um sentido
ar enfastiado
é caso para dizer como o ditado diz:
"dá Deus as nozes a quem não tem dentes"
quando centrado
no lugar onde está
concentrado
no que faz
ao invés
quando a dispersão se instala
o oposto acontece
como que a energia se perde
de espalhada que está
o ser fica fraco
pouco
perdido fora de si
com um aspecto dorido
seco magro vulnerável
sem o enquadramento
da força natural
do seu amplexo
fica em tudo parecido
ao sentimento depressivo
dos lugares do planeta
extremo oposto a este aqui
ausência de ter
vazio deserto de nada para ver
onde se passa fome
e só se morre
como que tanta fartura de ver
lhe faça perder o sentido
de presença em si
que lhe faz falta
para se sentir uno grato
e não desfeito
em não sei quantos mil pedaços
por aí
fartura a abarrotar sem um sentido
ar enfastiado
é caso para dizer como o ditado diz:
"dá Deus as nozes a quem não tem dentes"
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