Na cabana ao pé do mar
no intervalo entre o sol e o luar
ondas lançadas nas arribas
fragas massacradas pelo tempo
sinto passar por mim sem perceber
sonhos de romances nos rochedos
caminhadas eternas pelos areais
loucuras de outras dimensões
que só a imaginação recria
ali naquele lugar
no aconchego das paredes frágeis
entre a dimensão do céu e do mar
se alguém me visse
se alguem aparecesse
alguém que entrasse em mim profundamente
e conseguisse beber o meu ser absoluto
se alguém conseguisse
na conjugação perfeita dos elementos
aparecer assim
ficaria ali eternamente
brincaria com as estrelas
saltaria nas ondas
desafiaria o espaço
e os areais seriam
extensos mantos de ternura
entre o mar e o céu
sexta-feira, dezembro 08, 2006
só amigo
Ando contigo entre a palavra amigo
e a palavra amante
desespero
porque não encontro na distância
entre os dois termos
a fórmula ideal para o que quero
(a atracção afinal também separa)
e não há gestos nem palavras
não há ilusões que cheguem
nem encontro soluções
amigo é pouco
quero mais
mas mais é muito
no vocabulário que tens
é quase tudo
é sentires que dás o que não tens
e ainda mais
eu fico sem jeito
no encontro e desencontro das palavras
perco o sentido da medida certa
fico com saudade e pena ao mesmo tempo
de mim de ti
de um tempo por cumprir
de um tempo por amar
desaparece o momento certo
fica apenas uma nebelina a pairar
entre mim e ti
que me faz enlouquecer
e a palavra amante
desespero
porque não encontro na distância
entre os dois termos
a fórmula ideal para o que quero
(a atracção afinal também separa)
e não há gestos nem palavras
não há ilusões que cheguem
nem encontro soluções
amigo é pouco
quero mais
mas mais é muito
no vocabulário que tens
é quase tudo
é sentires que dás o que não tens
e ainda mais
eu fico sem jeito
no encontro e desencontro das palavras
perco o sentido da medida certa
fico com saudade e pena ao mesmo tempo
de mim de ti
de um tempo por cumprir
de um tempo por amar
desaparece o momento certo
fica apenas uma nebelina a pairar
entre mim e ti
que me faz enlouquecer
quinta-feira, dezembro 07, 2006
rapaz de lisboa

Ver-te triste assim
rapaz de lisboa
pousado no chão de um qualquer lugar
á chuva ao vento ao frio
pedaço de nada
infeliz cabisbaixo vazio
só com feridas por sarar
que vida
o que fez teus passos caminharem
num tal caminho de vida estragada(?)
passo por ti
mão estendida
conversa começada logo finda
olhos que decerto nasceram lindos de criança
que sentiram ainda o sol da brincadeira
o som da vida
talvez até um beijo
e o sonho de quem nasce para brincar e para amar
sofro de te ver
e por saber também
que ninguém vai te ajudar
limito-me a passar todos os dias
por ti
como os outros fazem afinal
e a deixar nos teus olhos fundos
suplicantes
a moeda (pão da vida) que esses olhos sentem
como último engodo e alívio no tempo que te resta
fico solidário e impotente
e quando me afasto
só me tranquiliza (pouco)
o milagre necessário que tu representas
e no afastar dos meus passos
num silêncio incomodado grito
"não esmoreças
talvez rapaz esse milagre aconteça"
rapaz de lisboa
pousado no chão de um qualquer lugar
á chuva ao vento ao frio
pedaço de nada
infeliz cabisbaixo vazio
só com feridas por sarar
que vida
o que fez teus passos caminharem
num tal caminho de vida estragada(?)
passo por ti
mão estendida
conversa começada logo finda
olhos que decerto nasceram lindos de criança
que sentiram ainda o sol da brincadeira
o som da vida
talvez até um beijo
e o sonho de quem nasce para brincar e para amar
sofro de te ver
e por saber também
que ninguém vai te ajudar
limito-me a passar todos os dias
por ti
como os outros fazem afinal
e a deixar nos teus olhos fundos
suplicantes
a moeda (pão da vida) que esses olhos sentem
como último engodo e alívio no tempo que te resta
fico solidário e impotente
e quando me afasto
só me tranquiliza (pouco)
o milagre necessário que tu representas
e no afastar dos meus passos
num silêncio incomodado grito
"não esmoreças
talvez rapaz esse milagre aconteça"
se fosse possível
Se fosse possível
se andasses de ténis e t'shirt todo o ano
se em ti o tempo não fizesse rugas
e o sítio onde te vi nunca mudasse
se a marca dos teus pés na praia lá ficasse
se o verão fosse quimera e água benta
e tu sempre ternura
se a vida fosse assim
envolta em pétalas de ti
lágrimas lindas
que em teus olhos incendeiam
lábios e risos
de ninfa e de anjo
que só de os ver e ouvir
assim de leve
parece que levanto voo
e não me falta nada
que urgente fazer-se um céu assim
onde a alma acompanhe o gesto
e a utopia de ti
imagem moldura anjo
cubra de azul e também de eterno
o sentimento
a flor silvestre
o coração do mundo
se andasses de ténis e t'shirt todo o ano
se em ti o tempo não fizesse rugas
e o sítio onde te vi nunca mudasse
se a marca dos teus pés na praia lá ficasse
se o verão fosse quimera e água benta
e tu sempre ternura
se a vida fosse assim
envolta em pétalas de ti
lágrimas lindas
que em teus olhos incendeiam
lábios e risos
de ninfa e de anjo
que só de os ver e ouvir
assim de leve
parece que levanto voo
e não me falta nada
que urgente fazer-se um céu assim
onde a alma acompanhe o gesto
e a utopia de ti
imagem moldura anjo
cubra de azul e também de eterno
o sentimento
a flor silvestre
o coração do mundo
sobre a morte
Perguntavas-me ontem
só porque leste uns versos meus
se eu escrevia sobre a morte
se eu pensava nisso
se eu sabia alguma coisa
e vi no teu olhar
(lisonja que senti)
um ar
de quem esperava encontrar
neste arrumador de palavras
neste escrivão de versos
a resposta correcta
a explicação certa
estava cansado demais
para falar da morte
confesso
mas porque sou alguém
que vai no mesmo rio
e as minhas águas são as tuas águas
e te vi preocupada
acabei por te dizer
não penso muito nisso
(era mentira)
é algo que faz parte
da caminhada
como as águas de um rio
que desatinam
com o medo da chegada
eram doces
ficam salgadas
é um novo ciclo que começa
é um mundo novo e grande
o mar
que as espera
mas a mudança
mudança radical
perturba
e é sempre um choque
há sempre um grito
o que é natural
porque depois
vencido o desacerto
o medo
até pode ser melhor
tanta largueza de espaço e de tempo
só porque leste uns versos meus
se eu escrevia sobre a morte
se eu pensava nisso
se eu sabia alguma coisa
e vi no teu olhar
(lisonja que senti)
um ar
de quem esperava encontrar
neste arrumador de palavras
neste escrivão de versos
a resposta correcta
a explicação certa
estava cansado demais
para falar da morte
confesso
mas porque sou alguém
que vai no mesmo rio
e as minhas águas são as tuas águas
e te vi preocupada
acabei por te dizer
não penso muito nisso
(era mentira)
é algo que faz parte
da caminhada
como as águas de um rio
que desatinam
com o medo da chegada
eram doces
ficam salgadas
é um novo ciclo que começa
é um mundo novo e grande
o mar
que as espera
mas a mudança
mudança radical
perturba
e é sempre um choque
há sempre um grito
o que é natural
porque depois
vencido o desacerto
o medo
até pode ser melhor
tanta largueza de espaço e de tempo
música sempre
A música tem vida vibração
desperta faz sonhar
leva cada um a descobrir que cantar faz bem
dançar também
o movimento o sentimento
a sensação boa que dão
o jeito que se ganha mexendo o corpo
aliviando a alma soltando amarras
poucas coisas farão melhor ao coração
e não há idade
para gostar de um qualquer som
existe só a escolha a ocasião
porque o que conta mesmo
é o enlevo que se sente
ouvindo em silêncio a melodia
ou sentir barulho a saltitar
ou pura e simplesmente acompanhar
com a nossa voz
o nosso jeito
o ritmo da batida
a letra sabida ou mal sabida
sorrir chorar
importa desinibir soltar
ao mesmo tempo que se dança
ou que se canta
e canto tem que ver com passarinho
dança movimento solto
fazem lembrar uma criança
desperta faz sonhar
leva cada um a descobrir que cantar faz bem
dançar também
o movimento o sentimento
a sensação boa que dão
o jeito que se ganha mexendo o corpo
aliviando a alma soltando amarras
poucas coisas farão melhor ao coração
e não há idade
para gostar de um qualquer som
existe só a escolha a ocasião
porque o que conta mesmo
é o enlevo que se sente
ouvindo em silêncio a melodia
ou sentir barulho a saltitar
ou pura e simplesmente acompanhar
com a nossa voz
o nosso jeito
o ritmo da batida
a letra sabida ou mal sabida
sorrir chorar
importa desinibir soltar
ao mesmo tempo que se dança
ou que se canta
e canto tem que ver com passarinho
dança movimento solto
fazem lembrar uma criança
domingo, dezembro 03, 2006
em ti o sol do oriente
Segurava o teu corpo esbelto e longo pela cintura
linda e vinda do oriente
como o sol
que já em pequenino me ensinavam vir da tua terra
desse oriente longínquo que nem imaginava saber onde ficava
também sabia
que vinha para iluminar tudo
para dar luz
para aquecer
eu aprendia essas coisas que diziam
achava então que o oriente só por isso
devia ser bom e feliz
por ter o sol primeiro que os outros
depois não ficava com ele
deixava-o ir para levar calor ao mundo inteiro
foi isto que pensei
quando hoje senti o sol oriente do teu corpo
sob o céu do meu país
só por pensar isso gostaria de ti
uma flor do oriente aqui na minha terra
ocidente extremo da europa
a melhor prenda hoje para os ensinamentos de menino
alma gentil sorriso de anjo um gesto terno
raio de luz em meus olhos tristes
não por te verem mas por se sentirem pouco ante os teus
quem dera que tivesses acompanhado o sol
quando eu era menino
quando o via nascer pelas manhãs
e só tinha olhos para ele
quando da minha janela o via aparecer
gigante
quase encarnado
uma bola enorme por detrás do monte
que emoldurava um dos lados da minha casa
mas já nessa altura eu pensava muito e não entendia nada
sabia que o sol vinha de longe
que era grande
que subia no céu durante o dia
e depois desaparecia
afinal como todas as coisas que aparecem
mas eu ficava e fico triste por isso
porque gostava e gosto
de muitas coisas que aparecem
e depois desaparecem
como o sol
e não entendia nem entendo porque tem que ser assim
linda e vinda do oriente
como o sol
que já em pequenino me ensinavam vir da tua terra
desse oriente longínquo que nem imaginava saber onde ficava
também sabia
que vinha para iluminar tudo
para dar luz
para aquecer
eu aprendia essas coisas que diziam
achava então que o oriente só por isso
devia ser bom e feliz
por ter o sol primeiro que os outros
depois não ficava com ele
deixava-o ir para levar calor ao mundo inteiro
foi isto que pensei
quando hoje senti o sol oriente do teu corpo
sob o céu do meu país
só por pensar isso gostaria de ti
uma flor do oriente aqui na minha terra
ocidente extremo da europa
a melhor prenda hoje para os ensinamentos de menino
alma gentil sorriso de anjo um gesto terno
raio de luz em meus olhos tristes
não por te verem mas por se sentirem pouco ante os teus
quem dera que tivesses acompanhado o sol
quando eu era menino
quando o via nascer pelas manhãs
e só tinha olhos para ele
quando da minha janela o via aparecer
gigante
quase encarnado
uma bola enorme por detrás do monte
que emoldurava um dos lados da minha casa
mas já nessa altura eu pensava muito e não entendia nada
sabia que o sol vinha de longe
que era grande
que subia no céu durante o dia
e depois desaparecia
afinal como todas as coisas que aparecem
mas eu ficava e fico triste por isso
porque gostava e gosto
de muitas coisas que aparecem
e depois desaparecem
como o sol
e não entendia nem entendo porque tem que ser assim
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