Cuidei quanto pude quanto eu sabia
Vénus luminosa e linda por cuidar
Percebi ali o escultor apaixonado absorto
O traço o toque o ar estupfacto
A beleza que é
A mulher estática e dada
O fruto perfeito
Para o homem sensível devoto suave
Que habita o génio
Como escultor que não sou
(Falta-me génio e arte)
Eu fazia o que podia
Os dedos tacteavam percorriam
Sufocava sem saber aonde ia
Tinha medo sofria
E como eu tremia meu Deus
Era muita a água que corria
Fonte mulher que me fazia sede
Encolhi o tacto evitei o gesto
Tive medo de beber
Ser condenado
Pobre coração delicado e ingénuo
Porquê tanta contenção
Porquê a razão nos faz uma coisa destas
Porquê o amor tem de sentir-se condenado
Apetece dizer que somos mais do que parecemos
Apetece ensaiar uma conduta diferente
Apetece vencer amarras preconceitos
Porque o medo é implacável com quem se deixa intimidar
E eu só posso dizer
Porque não sei fazer melhor
Vénus mulher perdoa
Sou pouca coragem para tanto esplendor
segunda-feira, abril 03, 2006
o céu que és
Era tempo de cuidar e eu cuidava
Mulher linda estática quase inerte
Abandonada em graça para mim
Os meus olhos fechavam-se e abriam
Deslumbravam-me a mim com o que viam
Semicerrados em penumbra inebriante
Eu respondia
Pondo alma e coração em tudo o que fazia
E em movimentos largos
Outros pequeninos
Erguia o corpo e os braços
Crescia tanto
Que sentia curto o espaço
Para a minha nova dimensão
Depois descia
Flectia para baixo
Percorrendo caminhos de sonho e de magia
Ela continuava em sentimento
Estática abandonada
Linda
(Sol que eu tocava quente quente)
E meu Deus como queimava
Eu tremia
Transpirava
Suspirava
Inspirava
Expirava
Mas lá ia
Tacteando sempre
Qual ceguinho em noite de luar de prata a descobrir
E nos passos que dava
Incertos vagos inseguros
Ensaiava
Um momento tão intenso tão bonito
Que só posso dizer
Um momento assim
Será abraço terno com sabor a sempre
Que não esquecerei nunca
Mulher linda estática quase inerte
Abandonada em graça para mim
Os meus olhos fechavam-se e abriam
Deslumbravam-me a mim com o que viam
Semicerrados em penumbra inebriante
Eu respondia
Pondo alma e coração em tudo o que fazia
E em movimentos largos
Outros pequeninos
Erguia o corpo e os braços
Crescia tanto
Que sentia curto o espaço
Para a minha nova dimensão
Depois descia
Flectia para baixo
Percorrendo caminhos de sonho e de magia
Ela continuava em sentimento
Estática abandonada
Linda
(Sol que eu tocava quente quente)
E meu Deus como queimava
Eu tremia
Transpirava
Suspirava
Inspirava
Expirava
Mas lá ia
Tacteando sempre
Qual ceguinho em noite de luar de prata a descobrir
E nos passos que dava
Incertos vagos inseguros
Ensaiava
Um momento tão intenso tão bonito
Que só posso dizer
Um momento assim
Será abraço terno com sabor a sempre
Que não esquecerei nunca
uma luz de abraço e de sonho
Há dias assim
Parece que não acontece nada
E acontece
Lá fora Inverno frio
Fevereiro
O Céu cinza o mar o espelho dele
Ruas desertas um barulho solitário
Um vazio enorme que até arrepia a alma
E quem diria
Não longe desse Inverno frio
Desse Céu cinza e mar igual a ele
Que havia um dentro
Um aqui
Uma luz intensa a iluminar-me todo
Uma luz de abraço e de sonho
De carícia
Que fala de flores de amores de Primavera
E basta sorrir
Pôr na face uma cor de laranjal e mosto
E tudo fica quente e consolado
Corpo mulher olhar rubor e sentimento
Divino interior
Que transborda e envolve
Tão divino
Que apetece entrar e ficar nele
Abraça-me e aquece-me
Guarda-me se puderes
Porque se o fizeres
Não haverá coisíssima nenhuma
Que me apoquente
Nem frio nem medo nem má sorte
Nem pesadelos
Haverá apenas um som suave
Um eu e um tu fundidos
Num tempo eterno a passar
Sem se dar conta
Parece que não acontece nada
E acontece
Lá fora Inverno frio
Fevereiro
O Céu cinza o mar o espelho dele
Ruas desertas um barulho solitário
Um vazio enorme que até arrepia a alma
E quem diria
Não longe desse Inverno frio
Desse Céu cinza e mar igual a ele
Que havia um dentro
Um aqui
Uma luz intensa a iluminar-me todo
Uma luz de abraço e de sonho
De carícia
Que fala de flores de amores de Primavera
E basta sorrir
Pôr na face uma cor de laranjal e mosto
E tudo fica quente e consolado
Corpo mulher olhar rubor e sentimento
Divino interior
Que transborda e envolve
Tão divino
Que apetece entrar e ficar nele
Abraça-me e aquece-me
Guarda-me se puderes
Porque se o fizeres
Não haverá coisíssima nenhuma
Que me apoquente
Nem frio nem medo nem má sorte
Nem pesadelos
Haverá apenas um som suave
Um eu e um tu fundidos
Num tempo eterno a passar
Sem se dar conta
vou não vou
Tremendo a voz tossindo entupindo
Vou não vou
Devo não devo
Sou não sou
Que dou que tenho
Assim vou eu
Na última curva que faço
O embaraço cala ainda mais
Aperta o peito
Dói se dói
E repito
Vou não vou
Devo não devo
Sou não sou
Quem sou que tenho
Serei mesmo eu quem vai aqui
Ou um artifício que nada tem a ver comigo
Mas enfim o carro pára
E é entre noite e claridade
Que esta mente crítica céptica
De um momento para outro vira festa
A minha imagem esvai-se
Cala
Fico eu
Autêntico criança brincadeira
Em abraço mais abraço
Roda com roda
Um beijo um rosto uma carícia
A roda cresce
Há companheiros
Sorriso aberto em ti mulher que és vida
Flor amparo ninho
Novidade permanente em manhã celeste
Agita-se fogo em fogueira grande
Há arraial há gente
Há música no ar
Há amor
Caminha-se a dançar
Dançando se caminha
Há perfume de flores
Há campos prados giestas
Sente-se o mar quando se sente
Ora calmo ora agitado
Ondas redondas
Sal
Sensualidade
Ai que embalo que sinto companheiros
Que mimo
Que mais parece um regresso verdadeiro
Ao colo de menino
Vou não vou
Devo não devo
Sou não sou
Que dou que tenho
Assim vou eu
Na última curva que faço
O embaraço cala ainda mais
Aperta o peito
Dói se dói
E repito
Vou não vou
Devo não devo
Sou não sou
Quem sou que tenho
Serei mesmo eu quem vai aqui
Ou um artifício que nada tem a ver comigo
Mas enfim o carro pára
E é entre noite e claridade
Que esta mente crítica céptica
De um momento para outro vira festa
A minha imagem esvai-se
Cala
Fico eu
Autêntico criança brincadeira
Em abraço mais abraço
Roda com roda
Um beijo um rosto uma carícia
A roda cresce
Há companheiros
Sorriso aberto em ti mulher que és vida
Flor amparo ninho
Novidade permanente em manhã celeste
Agita-se fogo em fogueira grande
Há arraial há gente
Há música no ar
Há amor
Caminha-se a dançar
Dançando se caminha
Há perfume de flores
Há campos prados giestas
Sente-se o mar quando se sente
Ora calmo ora agitado
Ondas redondas
Sal
Sensualidade
Ai que embalo que sinto companheiros
Que mimo
Que mais parece um regresso verdadeiro
Ao colo de menino
terça-feira, janeiro 10, 2006
menina de Valbom

a dois passos de Pinhel cidade tu nascias
num sítio de vinhas sementeiras
roseiras bravas silvas com amoras
veredas campestres
cantares de romarias
muitos prados ao redor de uma ribeira
num casario pequeno
Valbom assim se chamava o casario
tu eras linda
sobretudo o olhar gaiato
que no colégio dava para tirar a vontade de estudar
diria que foste o meu primeiro caso sério
a minha vontade de crescer
a minha ilusão bonita
a minha primeira necessidade de escrever
vê só que foram para ti as minhas primeiras cartas
(três)
e a nenhuma respondeste
ainda bem
não tinha arcaboiço para ti
faltavam-me anos
e acabaste por ficar na minha vida
com um lugar que ninguém tem
um mito
serás seiva e flor
sempre
pedras e rio
sementeira
olhos que me viram
de sacola
que me ensinaram a amar
e a crescer
trabalhavas em Lisboa no mesmo prédio que eu
quando a doença foi mais forte
e te levou
raios
que revolta
que tristeza triste que senti
que impotência e que dor
nasceste assim para eu te ver
viveste
e voltaste mesmo no fim
para que os meus olhos te vissem
desaparecer
se onde estás puderes ler estes versos
(penso que não)
mas se puderes
menina de Valbom
não digas nada
não escrevas
não chores nem me faças chorar
deixa só o teu olhar
num qualquer lugar
a fazer brilhar o meu
num sítio de vinhas sementeiras
roseiras bravas silvas com amoras
veredas campestres
cantares de romarias
muitos prados ao redor de uma ribeira
num casario pequeno
Valbom assim se chamava o casario
tu eras linda
sobretudo o olhar gaiato
que no colégio dava para tirar a vontade de estudar
diria que foste o meu primeiro caso sério
a minha vontade de crescer
a minha ilusão bonita
a minha primeira necessidade de escrever
vê só que foram para ti as minhas primeiras cartas
(três)
e a nenhuma respondeste
ainda bem
não tinha arcaboiço para ti
faltavam-me anos
e acabaste por ficar na minha vida
com um lugar que ninguém tem
um mito
serás seiva e flor
sempre
pedras e rio
sementeira
olhos que me viram
de sacola
que me ensinaram a amar
e a crescer
trabalhavas em Lisboa no mesmo prédio que eu
quando a doença foi mais forte
e te levou
raios
que revolta
que tristeza triste que senti
que impotência e que dor
nasceste assim para eu te ver
viveste
e voltaste mesmo no fim
para que os meus olhos te vissem
desaparecer
se onde estás puderes ler estes versos
(penso que não)
mas se puderes
menina de Valbom
não digas nada
não escrevas
não chores nem me faças chorar
deixa só o teu olhar
num qualquer lugar
a fazer brilhar o meu
amanhecer tardio
o amor é quem nos leva
para onde seria impossível ir
não conta a distância o estado do tempo
a cama
o sítio
nada existe que não possa ser adiado
esquecido
e nos impeça de partir
levei tempo a acreditar nisto
com padrões de inocência que trazia
exemplos de triunfo dignidade
contenção
acreditava
que o dever o esforço o querer
a própria imitação
me levariam
aonde só nos pode levar o coração
acreditei que podia ser assim
e o mundo que criei
parecia ter futuro
mesmo quando eu já tivesse pouco
foi então que parei e me dei conta
que mais importante que fábricas
armazéns
casas recheadas de valores
relações importantes (também ocas)
o mais importante mesmo
é ter alguém que faça pulsar o coração
que só por estar perto
faça com que tudo pareça leve
e bom
e fácil
neste deserto
o resto não conta
porque tudo acontece como um bater de asas
para onde seria impossível ir
não conta a distância o estado do tempo
a cama
o sítio
nada existe que não possa ser adiado
esquecido
e nos impeça de partir
levei tempo a acreditar nisto
com padrões de inocência que trazia
exemplos de triunfo dignidade
contenção
acreditava
que o dever o esforço o querer
a própria imitação
me levariam
aonde só nos pode levar o coração
acreditei que podia ser assim
e o mundo que criei
parecia ter futuro
mesmo quando eu já tivesse pouco
foi então que parei e me dei conta
que mais importante que fábricas
armazéns
casas recheadas de valores
relações importantes (também ocas)
o mais importante mesmo
é ter alguém que faça pulsar o coração
que só por estar perto
faça com que tudo pareça leve
e bom
e fácil
neste deserto
o resto não conta
porque tudo acontece como um bater de asas
dia dos namorados
chamar-te mulher
amiga
companheira
chamar-te mãe
Lisboa Tejo
um porto
uma cais
chamar-te meiga
terna
doce
porta aberta
chamar-te simplesmente
coração
ou barco
ou dizer que o teu abraço
tem assim o tamanho do mundo
é sempre pouco
que ondas me levaram até ti
que rios
que caminhos
que sorte tanta
eu navegava num deserto
sem barco sem remos
pior sem rumo
tu apareceste e foste a ponte
o caminho certo
olho para trás
e quando penso
que um qualquer piquenique
que nem estava para acontecer
aconteceu
e me deu tanto
só posso repetir vezes sem conta
Sintra meu amor
cumpriu-se vida
Rossio
Lisboa
namorada mulher
mãe dos meus filhos
não terei tempo
para agradecer tanto
amiga
companheira
chamar-te mãe
Lisboa Tejo
um porto
uma cais
chamar-te meiga
terna
doce
porta aberta
chamar-te simplesmente
coração
ou barco
ou dizer que o teu abraço
tem assim o tamanho do mundo
é sempre pouco
que ondas me levaram até ti
que rios
que caminhos
que sorte tanta
eu navegava num deserto
sem barco sem remos
pior sem rumo
tu apareceste e foste a ponte
o caminho certo
olho para trás
e quando penso
que um qualquer piquenique
que nem estava para acontecer
aconteceu
e me deu tanto
só posso repetir vezes sem conta
Sintra meu amor
cumpriu-se vida
Rossio
Lisboa
namorada mulher
mãe dos meus filhos
não terei tempo
para agradecer tanto
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Publicação em destaque
Livro "Mais poemas que vos deixo"
Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...
-
António Esperança Pereira - Livros deste autor - Bubok antonio esperanca pereira - Procurar Para além dos links acima referenciados para ...
-
Piloto alemão conduziu o F2001 na temporada 2001, ano em que conquistou o quarto campeonato do mundo. O Ferrari F2001 que o alemão Michael S...
-
“A questão é do interesse nacional”, insistiu o chefe de Estado em Cantanhede Paulo Novais - Lusa O presidente da República voltou este d...