Nosso comentário:
Eis que chegam de Leste dois exemplos bem fresquinhos de prática política, com os quais os portugueses podem aprender algo.
Um, o mais mediático, tem que ver com a pressão popular nas ruas exercida pelos ucranianos, que, por meios violentos, fizeram tombar um governo eleito democraticamente.
Não vou debruçar-me sobre as valências de governo e oposições, porque ambas as partes têm muita farpa a apontar... nem sei mesmo qual das partes terá mais nódoas a apontar no seu comportamento.
Todavia, como nos ensinam aqui, um governo legitimado em eleições não pode ser derrubado pelo assalto ao poder assim de qualquer maneira...
As imagens repetidamente fracassadas junto à nossa Assembleia da República tentando fazê-lo, prontamente reprimidas, são disso bom exemplo.
Por isso me espanta ver o ocidente democrático, achar normal que se derrube pela força um governo eleito em eleições como o ucraniano, mesmo considerando as eventuais maldades do líder.
Estranho...
São as novas revoluções, amigas umas, inimigas, outras, dependendo pura e simplesmente dos interesses em confronto na luta pelo poder e na divisão do bolo em disputa.
Os portugueses são um povo cordato e calmo, apesar de ter gente no poder que tem feito trinta por uma linha, de nos fazer comer o pão que o diabo amassou, sempre se manifestou pacificamente nas ruas, sem molestar tão pérfida gente que governa.
Fica agora um exemplo aplaudido pelos de cá, "os nossos", os do "ocidente" que poderá servir de modelo a situações atuais e futuras de governos odiados pelos seus povos.
Esse exemplo, tão na ordem do dia, chama-se:
UCRÂNIA
Também o Primeiro-ministro da Estónia, de que apresentamos foto e notícia abaixo, em queda de popularidade, resolveu demitir-se das suas altas funções.
Sem conhecermos em pormenor as causas reais da sua demissão, merece o nosso aplauso.
Outro bom exemplo para os que se agarram ao poder, mesmo exercendo esse poder permanentemente debaixo de apupos e contra a vontade cerrada dos seus povos.
PS. Faço votos para que a Ucrânia, esse grande país europeu, se recomponha da presente crise sem "ajudas hipócritas" e, claro, sem guerras fratricidas sempre dispensáveis.
Fiquem bem,
António Esperança Pereira
Primeiro-ministro da Estónia demitiu-se do cargo
O primeiro-ministro da Estónia, Andrus Ansip, demitiu-se hoje do cargo, tal como tinha anunciado no passado dia 23 de fevereiro.
Ansip, de 57 anos, que exercia há nove as funções de chefe do governo, apresentou a demissão ao presidente Toomas Hendrik “por sua vontade”, informou o serviço de imprensa do Conselho de Ministros.
O chefe do executivo anunciou em várias ocasiões que não se apresentaria como candidato às eleições legislativas previstas para março de 2015.
Embora Ansip tenha assegurado que não responde a quaisquer pressões, analistas consideram que a demissão poderá ser motivada por uma baixa de popularidade da sua coligação.
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