A poesia é um meio sublime
de entrar numa dimensão maior
de seguir no desenho das palavras
a vibração do mundo
dar importância ás coisas que realmente a têm
ir mais profundo
sair da vida comum
da trica mexerico
da guerrilha sobrevivência exterior
do complexo emaranhado do ser
onde as máscaras nos levam
a registos óbvios que adoptamos
para obter os “ámen” dos outros
a percepção maior é sair do que se vê
e ir mais longe
fazer da ribeira o rio maior do mundo
da lareira humilde perdida no monte
a estrela mais brilhante do universo
é dar aos detalhes o lugar que merecem
no sentimento de cada um
os conceitos aprendidos são úteis
dão exterior cultura
capacidade de sobrevivência
mas a riqueza que há no pormenor
no sibilar do vento
na cabana do monte
na pétala de uma flor
na mão que parece ser só uma mão
mais nada
e que pode ser tanta coisa
quem dera que se alargasse a mais pessoas
o infindável descobrir da alma do mundo
terça-feira, maio 22, 2007
tanto que se quer dizer
Ás vezes receio afogar-me nas palavras
são tantas as imagens turbilhão
tanto que se quer dizer
e que não sai
a avalanche liga tantos pormenores
saltita
aproxima ideias separadas
como fazem os parágrafos com as palavras
passa às vezes de uma coisa simples
próxima
e termina em deambulações complexas
que vão das relações políticas
entre nações
ao mal estar financeiro do vizinho
metido num rol de sarilhos
compromissos prestações
aos problemas do bairro
de Portugal
da seca do túnel do marquês
ou do maior clube português
e paira a dúvida sobre se importa
a gente se importar ou não
com tanta informação
quase sempre
pelo menos por enquanto
o turbilhão de ideias passa
com um gole de água da garrafa
que disfarça a tosse
que o acompanha
e se solta na garganta
ou em pegar numa caneta
e escrever o que passa pela cabeça
como faço agora
são tantas as imagens turbilhão
tanto que se quer dizer
e que não sai
a avalanche liga tantos pormenores
saltita
aproxima ideias separadas
como fazem os parágrafos com as palavras
passa às vezes de uma coisa simples
próxima
e termina em deambulações complexas
que vão das relações políticas
entre nações
ao mal estar financeiro do vizinho
metido num rol de sarilhos
compromissos prestações
aos problemas do bairro
de Portugal
da seca do túnel do marquês
ou do maior clube português
e paira a dúvida sobre se importa
a gente se importar ou não
com tanta informação
quase sempre
pelo menos por enquanto
o turbilhão de ideias passa
com um gole de água da garrafa
que disfarça a tosse
que o acompanha
e se solta na garganta
ou em pegar numa caneta
e escrever o que passa pela cabeça
como faço agora
criança interior
O corpo todo percebe
a alegria
conseguida
abraçando amando entendendo
a criança interior
a melhor obra prima
percebida
energia acção
ternura vida
como o meu ser aquece
ruboriza estremece
com a consciência da história
rica viva
memória existencial
momentos tantos
cada dia
desafio
do menino eu que anima
desanima
chora ri saltita ama
espreita arrisca
ganha perde cresce
um turbilhão de resistência
persistência
coragem rija
em tudo que se mete
que só tanto milagre
torna possível
e tão perfeita.
a alegria
conseguida
abraçando amando entendendo
a criança interior
a melhor obra prima
percebida
energia acção
ternura vida
como o meu ser aquece
ruboriza estremece
com a consciência da história
rica viva
memória existencial
momentos tantos
cada dia
desafio
do menino eu que anima
desanima
chora ri saltita ama
espreita arrisca
ganha perde cresce
um turbilhão de resistência
persistência
coragem rija
em tudo que se mete
que só tanto milagre
torna possível
e tão perfeita.
sábado, maio 19, 2007
o meu corpo a morada certa
Em ritual de festa
sons e movimentos em ninho reunidos
ar rosado de alma confortada
ontem finalmente
ao fim de tantos anos
descobri e amei meu corpo
ambos se abraçaram
corpo e dono
tão cúmplices tão sinceros
que mal continham os sorrisos e os choros
um encontro de almas gémeas
a quem apenas o entendimento das coisas separava
foi assim um arrepio
como quem de repente reconhece
a maravilha no difícil e no fácil
na aventura global
no esforço e no desgaste
no enfrentar sem desistência
a vitória e a derrota
em que juntos nos metemos
tantos quilómetros percorridos
tantas estradas sinuosas
tantos becos sem saída
por causa de mim
ontem entendi comovidamente
no abraço forte que nos demos
que o meu corpo
de todas as moradas possíveis
ele é seguramente
a morada certa
sons e movimentos em ninho reunidos
ar rosado de alma confortada
ontem finalmente
ao fim de tantos anos
descobri e amei meu corpo
ambos se abraçaram
corpo e dono
tão cúmplices tão sinceros
que mal continham os sorrisos e os choros
um encontro de almas gémeas
a quem apenas o entendimento das coisas separava
foi assim um arrepio
como quem de repente reconhece
a maravilha no difícil e no fácil
na aventura global
no esforço e no desgaste
no enfrentar sem desistência
a vitória e a derrota
em que juntos nos metemos
tantos quilómetros percorridos
tantas estradas sinuosas
tantos becos sem saída
por causa de mim
ontem entendi comovidamente
no abraço forte que nos demos
que o meu corpo
de todas as moradas possíveis
ele é seguramente
a morada certa
brincadeira
Brincadeira é brincadeira
apetece correr pular dar voltas
ficar a rir por tudo e por nada
ir assim em voo de ave
braços abertos
olhos nos olhos
agarrar as roupas tocar
empurrar desequilibrar
depois num entendimento perfeito
ir cair em qualquer lado
aterrar
já em roupas descompostas
rir chorar
dizer coisas sem pensar
rir rir rir
e lágrimas a cair
de tanto cansaço
terra chão paixão abraço
um estado tão perfeito
tanto céu de brincadeira
seja num prado numa eira
num quintal num quarto
só pode acabar de duas maneiras
em sexo
para acalmar o fogo
expresso nas maçãs do rosto
e no resto
ou num sono profundo
de crianças
embaladas pelos anjos
apetece correr pular dar voltas
ficar a rir por tudo e por nada
ir assim em voo de ave
braços abertos
olhos nos olhos
agarrar as roupas tocar
empurrar desequilibrar
depois num entendimento perfeito
ir cair em qualquer lado
aterrar
já em roupas descompostas
rir chorar
dizer coisas sem pensar
rir rir rir
e lágrimas a cair
de tanto cansaço
terra chão paixão abraço
um estado tão perfeito
tanto céu de brincadeira
seja num prado numa eira
num quintal num quarto
só pode acabar de duas maneiras
em sexo
para acalmar o fogo
expresso nas maçãs do rosto
e no resto
ou num sono profundo
de crianças
embaladas pelos anjos
sexta-feira, maio 18, 2007
mimo nos primeiros passos
Repare-se no mimo que é
o cuidado dado a um bebé
a atenção que se tem nos primeiros passos
a devoção quase adoração
ou quando alguém nos ensina
a andar de bicicleta
segurando vezes sem conta o selim
amparando até á exaustão
cada dificuldade
a extrema preocupação
na queda por dar
na queda dada
ou quando aprendemos a escrever
segurando-nos a mão
encorajando-nos o traço
aliviando-nos o enfado
o desgaste experimentado
num abraço
tanto beijo tanto toque tanta atenção
que se perde à medida que se cresce
não fora o desafio do imprevisto
o querer mesmo ultrapassar cada dificuldade
e aprender
o ter curiosidade ilimitada no que vem a seguir
eu ousaria afirmar
que se se fosse ponderado racional
nessas idades
com tanto mimo tanta dedicação
tanta mão e beijo em todo o lado
ninguém passaria a fase de aprender
de ir para lá dos primeiros passos
ninguém quereria crescer
o cuidado dado a um bebé
a atenção que se tem nos primeiros passos
a devoção quase adoração
ou quando alguém nos ensina
a andar de bicicleta
segurando vezes sem conta o selim
amparando até á exaustão
cada dificuldade
a extrema preocupação
na queda por dar
na queda dada
ou quando aprendemos a escrever
segurando-nos a mão
encorajando-nos o traço
aliviando-nos o enfado
o desgaste experimentado
num abraço
tanto beijo tanto toque tanta atenção
que se perde à medida que se cresce
não fora o desafio do imprevisto
o querer mesmo ultrapassar cada dificuldade
e aprender
o ter curiosidade ilimitada no que vem a seguir
eu ousaria afirmar
que se se fosse ponderado racional
nessas idades
com tanto mimo tanta dedicação
tanta mão e beijo em todo o lado
ninguém passaria a fase de aprender
de ir para lá dos primeiros passos
ninguém quereria crescer
manas de vila transmontana
Acabada a secundária
vida adulta despontava
para as manas
de uma vila transmontana
mãe há pouco falecida
pai em rota de desmando
foi advogado da terra
em Lisboa sedeado
quem lhes estendeu a mão
e lhes mudou o fado
homem bem intencionado
mas em crise existencial
na relação conjugal
acabou tendo um caso
em encontro aconchegado
(uma Vera que queria um pai
e um pai que queria Vera)
era a mais velha das duas
e pouco depois nasceu
um filho que assegurava
monetária estabilidade
para prosseguir os estudos
e cursar a faculdade
era mãe a tempo inteiro
amante quando podia
irmã zelosa e atenta
filha muito preocupada
tinha ainda um namorado
carente sonso mimado
a pedir os seus cuidados
e Vera assim preenchia
com tacto e muito afecto
o vazio que sentia
vida adulta despontava
para as manas
de uma vila transmontana
mãe há pouco falecida
pai em rota de desmando
foi advogado da terra
em Lisboa sedeado
quem lhes estendeu a mão
e lhes mudou o fado
homem bem intencionado
mas em crise existencial
na relação conjugal
acabou tendo um caso
em encontro aconchegado
(uma Vera que queria um pai
e um pai que queria Vera)
era a mais velha das duas
e pouco depois nasceu
um filho que assegurava
monetária estabilidade
para prosseguir os estudos
e cursar a faculdade
era mãe a tempo inteiro
amante quando podia
irmã zelosa e atenta
filha muito preocupada
tinha ainda um namorado
carente sonso mimado
a pedir os seus cuidados
e Vera assim preenchia
com tacto e muito afecto
o vazio que sentia
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