sexta-feira, fevereiro 12, 2010

sexo e infidelidade


Em boa verdade
quer se queira
ou não se queira
o sexo é a infidelidade

ele é a agravante
do relacionamento do instante

preocupa a dama na abertura
desespera o macho na ansiedade

fogueira quente ardente
corpo quase entregue dado
quase quase
encosto aperto confusão
sim não
paramos?
continuamos?
sim não?

a mente em sobressalto
hesita desiste fica-se
desmonta a situação

olham-se os amantes
sem falar
disfarçando mal a agitação
ao recuar

ainda se intenta
um ficar
num beijo dado
que se perde rejeitado
na já abortada ocasião

compõem as roupas engelhadas
os quase amantes
tropeçam no calçado
por calçar

tementes da sombra
da traição
culpa pecado razão
medo de sofrerem por se dar

apetece nestes casos
perguntar
se é no sexo que está o problema
porque não se amar sem praticar?

tape-se acomode-se a preceito
de tal jeito
que não se possa usar

ficaria descansado o viajante
a esposa fiel
o incauto amante
o sentimento de posse
porque tudo ficaria como dantes
mesmo que algo acontecesse
sem prever

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

um micro segundo


Hoje entendo o tempo como nunca
um micro segundo
que dele temos
para brindar cada vivência
neste mundo

o resto uma soma de intervalos
cada um sua realidade
longe ou perto
fora do tempo
do outro

não fora a recordação
o registo da memória
a ligação
corpo alma
e tudo não passaria
de uma sucessão
de terra semeada
ou em pousio

umas vezes espiga grada
amarelo fogo estio
outras nada
lugar abandonado
frio

Primavera Verão
Outono Inverno
de mão em mão
de estação em estação

lugar e lugarejo
longe perto
aqui ali
passos da vida que o tempo
rege

quente ou frio
semeado ou de pousio
como estou eu sei
como tu estás
não sei

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

feudos séquitos e gangs


No meu canto solitário
macambúzio
digiro como posso
politiquices avulso
gente bem endinheirada
que talvez por mal amada
trocam voltas ao discurso

uns são velhos de prestígio
saber pouco actualizado
agarrados ao poder
mesmo sem grande juízo

outros grandes gabarolas
escola de caciques arrogantes
a quem um dia as festarolas
jeito peculiar de porreirismo
e a custo dos artolas
são os “quero posso e mando”

feudos séquitos e gangs

há os novos compostinhos
de gravatas enfeitados
serviçais ambiciosos
a engolir sapos e sapinhos
a troco de caprichos onerosos

feudos séquitos e gangs

uma moldura de fortuna
vai-se à Lua vai-se a Marte
armas mais que inteligentes
um show off do caraças
deputados presidentes
catedrais de crentes
e não crentes

nas ruas e nas praças
prostitutas desempregados
e indigentes

desfasada aparece de repente
mobilizada classe social
salários baixos vida dura
altos gritos estandarte
como se isso importasse
ao cidadão apático
que os vê passar
ao desempregado à prostituta
ao indigente

tempos rápidos e fartos
incrédulos por sábios
baralhados
aonde com tanta não verdade
desigualdade falsidade
improviso falta de juízo
o descontrole é a grande realidade

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

lugar presente


A diferença que faz
olhar adiante
de onde estou
e olhar para trás
para o que passou

a mercearia fechou
a tasca também
a escola onde andei
o café que frequentei
as namoradas que tive
os amigos que abracei

tudo passou
já não vive

apetece ás vezes ir
ao passado recordar
momentos que vivi
em mil filmes de pasmar

depois de um tempo
por lá
convém na ampliação
que a saudade dá…

regressar!

é aqui que a vida está
é em frente o caminhar
pois lá atrás
já não se pode tornar

é o povo quem diz
“que para trás quem mija
é a burra”
sabe bem reviver
guardar
mas sem perder
a noção do que ora há

presente sempre é que é
a realidade maior
traçar passos para andar
sentir a vida pulsar
no lugar onde ele está

sexta-feira, janeiro 29, 2010

esperança


A esperança alimenta
a fé o positivo
o vale a pena
vencem
o vazio
que atormenta
o puzzle negativo

depois vencido o medo
o passo novo!

lá fora é duro
nem sempre as coisas
correm de feição
desanima-se no inverno
anima-se no verão
queremos brincadeira
temos obrigação

sonhamos amizade eterna
uma paixão inteira
e tudo se aparta
tudo muda num instante
numa breve ocasião

ah mas quem diria
quando em quarto escuro
pesadelo
dificuldade de entender
de ser
ermo isolado
tanta a maldade

que o tempo passaria
e que o quarto escuro
minúsculo
interior
ganharia dimensão
janelas
luz

e se transformaria
numa gratidão profunda
num rosário de prémios
na ultrapassagem
de um calvário
que parecia tantas vezes
ter vindo para ficar

de então para cá
tanta gente no meu peito
tanta amargura transmutada

eu meu país
pequeno sem futuro
enclausurado
isolado
sem nada
dantes

eu meu país
aberto
moderno hoje

grato à história
nem sempre linear
nos baixos dela
de fazer arrepiar

próspero aqui
feliz
amigo amante
neste lugar
aonde cheguei

sábado, janeiro 23, 2010

pobreza riqueza


Havia os pobres
os remediados
os ricos
depois nas extremidades
os muito ricos
e os muito pobres

cresci andei
vi o mundo crescer
e andar também

os pobres de antes morreram
e como a morte é mais igual
que a vida
também os ricos
de então
tiveram seu funeral

fica sempre a instituição
geração para geração
como família
religião
fica pobreza riqueza

em cada ocasião
no tempo
no espaço
muda a génese do pedinte
os processos do
ricaço

ontem galinhas toucinho
na mira do Zé pagode
barriga desconsolada
fome vida sem nada

hoje mundo
endinheirado

foge tudo para a cidade

há lá mais que cobiçar
que na pequena terrinha
ricos sempre a consumir
a facilitar
e na fartura
se não der para trabalhar
há sempre algo
para gamar

o Estado solidário
para se justificar
ajuda-os a prosperar
tira algum ao milionário
apoio suplementar

tenta-se assim
disfarçar
com ideário
os desiguais cambiantes
equilibrar os distantes
instituições ancestrais

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Haiti e Deus


Na palavra que sai
que nos põe culpa
nos faz sentir mal
na mazela que dói
em ferida que cresce
e nos isola
num hospital

na vida que nasce
numa forma qualquer
e logo desaparece
em morte brutal

milhões de formas vitais
no mar na terra no ar
a mexer
sem fazerem ideia
do que andam a fazer

e quantos milhões triliões
de mundos a rodar…

sou levado a afirmar
num horror por explicar
numa revolta incontida
que o Deus da esperança
ensinado em criança
se borrifa na vida

não só não sente
a alma da gente
como é puro imaginário
que esteja PRESENTE!

guerras trovoadas
pesadelos
as maiores catástrofes
um destino em sorte
de vida e de morte

como entender
o que d’ Ele se vê pregar?

se uma réstia divina
existe aqui
perante o que se vê
no Haiti…

morte destruição
povo arrasado
enterrado vivo
debaixo do chão…

Ele não está decerto ali!

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...