domingo, janeiro 06, 2008

inquieto inconformista

Inquieto inconformista
vida sonsa é enfadonha
toco harpa toco flauta
faço surf jogo à bola
ando sempre no limite
mesmo assim
nada consola

mulher uma mulher duas
filhos um de cada uma
já não sei o que fazer
que vida hei-de escolher

por um lado o conformismo
pelo outro a bagunçada
não é fácil o equilíbrio
numa mente atribulada

tento ser esclarecido
aprender com o que faço
mas somo gosto e desgosto
que me traz muito cansaço

cão fiel inconformado
soa a grande dualidade
ou se é fiel acomodado
ou se ladra inconformado

vou ladrando vou calando
vou assim equilibrando
deixo a harpa deixo a flauta
faço surf jogo à bola

Inverno deserto

Que posso fazer
se o eco resposta
do nome que chamo
já não responde
e o olhar que busco
já não me acolhe?

algazarra risinhos combinações
encontros fortuitos ou não
que sangue que jorra no mundo
em que estou
sem estar

passos que vejo passar
vidas inquietas promessas
futuro?
sim não talvez

e eu?
sonhei até aqui?
será que gelei?

inverno avalanche de neve
deserto espelhado
no triste dos olhos
no corpo agastado
no fogo perdido
na derrocada que espreita

na ameaça latente
da encosta que a pique
me mostra o abismo
da desistência

eu que sou forte
encaro esse abismo
como um aviso
mas com um sorriso
resisto
e não desisto

preciso de alguém

Amendoeiras em flor
quimeras brancas
vinhedos namoradas
nascer do sol da minha mocidade

que fazer agora
em que tudo fica pouco
nesta idade?

só recordações é cedo ainda
só rotina é condenação antecipada

preciso de alguém
que me ensine e me diga
que a viagem ainda dura
que há sol que há luar
orvalho amor
nas madrugadas do meu sentir

preciso repor no meu coração
pequeno agora
o coração grande
de outrora

encontrar uma nova dimensão
de felicidade

preciso de alguém
que me estenda a mão
com algum conforto
animação
e entre comigo no meu tempo

quarta-feira, janeiro 02, 2008

desconsola a ausência

Desconsola a ausência
a presença esgota-nos
sentimentos diferentes
ansiedade sempre

o longe é como a noite
incerteza pesadelo ou sonho
o perto é dia
certeza vida

paradoxalmente
a ausência aguça o apetite
ao invés da presença
que arrefece murcha
termina morre

espelho da fragilidade humana
complexa
ininteligível tantas vezes

ainda bem que temos ambição
e queremos mais do que o que temos
mas cultivar a ausência
desperdiçando a presença mais à mão

é como viver a fugir daqui
do nosso lugar
do que é nosso e do que temos

é como ir tonto a correr
atrás de um pássaro a voar
sem nunca o alcançar

em jeito de "rap"

Eu quero amar
quero dar
reunir
ter prazer em receber
mas não consigo

o que parece que vou sentindo
balanceando esforçando cantarolando
a rir para não chorar
é que a minha bateria
está por carregar

é urgente perguntar
procurar para saber
o que fazer
vou respirando andando
até correndo e dançando

mas quando paro
aí é que está
o problema sério

quero amar
quero dar
reunir
ter prazer em receber
mas não consigo

se eu soubesse

Se eu pudesse perceber
que muro escondido
que fronteira invisível
me limita

que me tira luz espaço ar
quando é suposto amar
divertir-me respirar
quando é suposto crescer
louvar

e só porque me esforço
e resisto até mais não poder
não definho até morrer

ah se eu soubesse o que me falta
aonde quero ir
que viagem encantada existe
e me incomoda
neste lugar
que o faz sentir parado
exausto seco de entusiasmo

se eu soubesse às vezes
tantas vezes
imensas vezes
o que quero de mim!

ou se ao menos eu soubesse
porquê
no meio de tanta "felicidade"
eu me sinto infeliz!

Pelo Natal


Pelo Natal
o lado fascinante
é ver tanta luzinha a brilhar
a escuridão o medo a noite
a recuar

quando as vejo em cada janelinha
parecem acenar a essa outra luz
abóbada gigante
inatingível
brilho de estrelas
firmamento

que em cada lugarzinho perdido
deste planeta
a que chamam Terra
há um pulsar
um querer
um sonho
um agradecer de cada vida
e um acreditar

oxalá Deus estivesse no lugar certo
para poder ver isto
e pudesse pessoalmente
levar a cada lar
a resposta ao sonho
das luzinhas a brilhar
em cada árvore de natal

e com o seu poder total
curasse a dor anichada em cada um
tanto mal
tanta ferida por sarar
e que às vezes dói tanto!

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...