sábado, abril 21, 2007

a tensão sai expiração

A tensão sai expiração
o corpo canta
qual sinfonia estranha
que habita
nas entranhas
do ser interior

parecem rãs agitando-se num tanque
ruídos lixo que guardamos
passado ausente ainda dentro

parecem sons de prisioneiros
gritos
que vão da garganta ao intestino
quem sabe detritos entalados
medos acumulados
que pedem atenção à nossa mente
para serem libertados

a vida é cheia de entalanços
de nós mais ou menos apertados
e o ser completo
dos pés até ao tecto
regista de forma bem diversa
os pormenores que enfrenta

uma simples palavra
ouvida ou dita antes
uma situação qualquer
por reflexo
pode revelar-se neste tempo
em acto quotidiano
de experiência vivida em outro tempo

talvez por isso
em tantos sítios situações
estamos bem
em outros não
sem que aparentemente
se vislumbre explicação

a vida princípio e fim

Marcamos a vida princípio e fim
um espaço finito
em que pensamos
que tudo acontece

acreditando na vida limite
tudo o que fazemos
tem um sabor a perda
nem o gozamos

veio logo se foi
comprei logo vendi
amei logo perdi

entenda-se a vida
sem princípio sem fim
onde flúem as situações
em ciclos eternos
matéria espírito que se renovam

afinal como as estações
como o nascer e o por do sol
como a noite que segue ao dia

queremos possuir agarrar
o que não é para agarrar
que nasceu para ser livre
fluir

conceito curto e mesquinho
que tanto nos faz sofrer
possuir sem entender
o evoluir da eternidade

que nos deixa ter usar
mas quando o ciclo se cumpre
há que saber largar
libertar
para que a tudo se renove

segunda-feira, abril 16, 2007

às vezes vou senão rebento

Ás vezes vou senão rebento
respondo a qualquer ordem escondida
do meu relógio biológico

enquanto vou animo e alivio
qual birra de menino pequenino
que não tem equipa para jogar
e tem que jogar sozinho

as falas dos outros não interessam
são sempre banais pouco atraentes
murcham os sentidos
nos intervalos grandes
entre tantos e tais enganos de um prazer maior

como que o dever esmaga
no dia a dia trivial adivinhado
na postura correcta fugidia
que esgota o ar e o olhar cansados

resta a solidão o desatino
como opção
opção que vira ritual relógio biológico
porque parece que ninguém nos compreende
nem existe à nossa medida

como nuvens espessas negras carregadas
que anunciam trovoada
que se não rebentam em trovões
clarões
águas de enxurrada
o ambiente fica denso tenso

e se não acontece nada
parece que não se aguenta
tanta energia acumulada

ontem regressava de um lugar

Ontem regressava de um lugar
outrora intenso cheio de futuro
agora não
um sítio que entristece

as dunas são as mesmas
até mais arranjadas
os acessos mais compostos
há frenesim e gente que as procura
em transito de abril sonho antecipado de verão

só que a minha alma vê a luz de cima
o areal imenso
que quase não termina
sente música de amor em cada arriba
mas sente pena

a pena que é dizer adeus
nas lágrimas choradas
outras tantas por chorar

valeu teu rosto virtual
mas actual
presente e lindo
que me salvou da neura entardecer domingo santo

com ele na mente também no coração
raio de luz na sombra do passado
regressei a este momento
conduzindo o carro velozmente
mais concentrado
e saí a pouco e pouco da armadilha
ilusão passado

animou-me até a ideia tonta
mas feliz e deste tempo
de no próximo dia em que te vir
rosto actual presente e lindo
te pedir uma fotografia
para trazer sempre comigo
para onde quer que eu vá

quinta-feira, abril 12, 2007

o que é bom é bom mais nada

Eu quero ousar e descobrir
em cada canto do Universo
em minha casa
no canto mais escondido de mim
do outro
em toda a parte
o prazer negado logo ao nascer
e que é um bem que se tem

quem nos quer mal
quem(?)
quem diz que é feio e não se faz
o que quando se faz sabe tão bem(?)

quem culpa quem
a mando de quem(?)

o que é bom é bom mais nada
ponto final

quem tem autoridade
de iniciar cedo alguém na sociedade
alguém que está só
cheio de medo
apontando-lhe o dedo
e trocando-lhe as voltas ao que é óbvio
e não pode ser(?)

será que choca alguém ser-se feliz
procurar saborear
as descobertas pequeninas logo grandes
que conduzem ao prazer
incutindo culpa medo
onde há tanta alegria entretimento vida

ninguém é dono de ninguém
só o próprio pode encontrar o seu caminho

há que vencer tanta barreira
que de outra maneira
não dá para passar
a outra geração
tanta raiva acumulada
tanta culpa ensinada

e a tristeza herdada é triste
tem que se dizer
faz cambalear morre-se
ao contrário da alegria e do prazer

por isso companheiro
não te culpes na jornada descoberta
limite dor de amar e não poder
sê de ti o teu melhor amigo
na procura desse bem que um dia vencerá
"o teu prazer"

segunda-feira, abril 09, 2007

poder pessoal e território

Sempre o desafio a competição
o esgrimir raiva com raiva
poder pessoal e território
a selecção na simples brincadeira
a comparação
o ver quem ganha ou não

classificados avaliados
violentados rejeitados
e o ventre longe mãe
já não pode ser muralha
guarida sítio bom
tudo vira campo de batalha

quase mortos de cansaço
feridas por sarar
sobram só réstias de sonhos
quando não temos mais nada
e ainda bem que os temos
que podem sempre ajudar

na noite no amanhecer
há que esquecer ultrapassar
novo fôlego a espreguiçar
na vida a querer ficar
no coração a respirar

pegamos nas forças que temos
a alma ajuda a animar
insiste-se em caminhar

cinzas atrás desalento
prados verdes adiante
farol renascer pulsante

mesmo quase a morrer
luta rija permanente
há razões para lutar
farol luzinha brilhante
vale sempre a pena viver

outras formas de crescer

De que serve tanto ter
a posse a disputa o poder
se feitas as contas da jornada
a porta da fábrica fechada

o stress acumulado com tanta negociata
verte discussão às vezes agressão
em família estátua modelo gasto
casa moldura rol de divisões bem decoradas
completas requintadas
serviços de jantar salvas de prata

tudo a enfeitar um hipócrita parecer
uma vida de sucesso
feita para enganar os olhos dos outros

porque o próprio
ou se arrasta em vidas paralelas
ou se equivoca a inventar negociatas
ou olha simplesmente para si
para a invenção que é
amarrada a uma certa tradição
tão infeliz

que é tempo de soltar asneira grossa
gritar mudar
fazer qualquer coisa boa
acreditar

mesmo que pareça já ser tarde
para trocar
tanta posse tanto ter
o desespero de tudo controlar
pela descoberta simples
da partilha e do prazer

é hora de aliviar tanto desgaste
em si e nos outros
e de tentar
outras formas de crescer

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...