sexta-feira, novembro 21, 2008

fontana di trevi


Eu sei que a água ali é pouca
para quem tem um oceano à sua porta
uns quantos fios de cascata
nada mais
mas é água quanto baste
para recordar recordar
e voltar a recordar!

então vista de ti
dos teus sonhos
céu azul de Portugal
rubro de papoilas
espelhando namorados
em teu rosto lindo…

que loucura de local!

se eu pudesse lá estar
no dia iluminado em que estiveste
pela beleza de ti
perdia-me de vez
nas pizzas e nos vinhos
nas vielas nas praças
nas ruínas
feitas para se desaparecer nelas

bebido comido inebriado
apaixonado

que importaria o resto
o dia seguinte
as obrigações
a agenda por cumprir
se se tinha encontrado
o melhor de Portugal
num sítio encantado do mundo?

primeira ida ao mar


A minha primeira ida ao mar
à praia
foi assim como levar
a minha terra deserta
seca pela geada e pelo sol
a um oceano de água
e de gente

aquelas ondas medonhas
frias
que sabiam a sal da cozinha
de casa
que engasgavam
que faziam tossir e cuspir
assustavam-me

não entendia para que aquilo servia

nuzinho lá ia
empurrado levado
na vaga pesada
eu tiritava de frio
chorava
de medo de areia vestido
na humidade sombria
no nevoeiro cerrado

mal vi o sol dessa vez
em quinze dias seguidos
só mais tarde entendi
o verdadeiro sentido
de se ir ali

saber-se o que se quer

Saber-se o que se quer
depois ir sem medo
como velejar e acreditar no vento
como cheirar e acreditar no cheiro

só se pode aprender experimentando

apreciar cada momento
sem pensar
porque o pensamento sabe muito
e causa medo
quando nos diz
que tudo o que é bom
começa e termina cedo

por isso nem começamos

ou desligamos a mente
e cuidamos bem
e só cada momento
a leveza do ser
com intuição e sentimento

ou utilizamos a mente
o pensamento
só o tempo certo
sem que nos possa
causar dano
sofrimento
com o seu saber omnisciente

terça-feira, novembro 18, 2008

quero amar (canção em jeito de "rap")

Quero amar quero amar
deixar ir e deixo
os tempos idos
que não voltam mais
a novidade a luz eu quero
aqui

amar é meu desejo
ser forte receber e dar
estou vivo e gosto
meu amor vou partilhar

é saudável ter sucesso
saber ver ouvir sentir
dar-te um abraço a ti
para alegrar

quero amar quero amar
deixar ir e deixo
os tempos idos
que não voltam mais

quero viver esta aventura
esta rua este jardim
esta fartura
que agradeço aos pais avós
ao meu país ao universo

eu quero amar quero amar
deixar ir e deixo
os tempos idos
que não voltam mais

a novidade a luz eu quero
aqui
neste espaço imenso
a que pertenço

domingo, novembro 16, 2008

os ditadores e a razão


A sociedade julga sempre as situações
chama nomes
faz marcações
num controlo apertado
que nem serve gregos nem troianos
por desactualizado

qualquer líder medíocre
parece genial
basta-lhe berrar o trivial
que assim é bem
assim é mal
que assim é justo
assim injusto

se houver animação
não controlada
leva-se porrada
a conter a intuição

e o impulso morre assim
na proibição do não
a matar o sim

tantas regras de conduta
proibições
que só dão impedimentos
frustrações

alivie -se o ser de tanto racional
soltem-se as emoções os sentimentos
diga-se basta aos ditadores
a tanta gente a mandar mal

o passado já passou


O passado já passou
está longe
no tempo
na distância

não se aguenta a excentricidade
de confundir presente
realidade
vida
com outra qualquer leviandade
já andada inexistente
morta

por lado a lado
as duas
sonho ilusão distância
e realidade…

é como misturar
querer meter no mesmo saco
mentira e verdade
e aceitar ambas
com a mesma credibilidade

é como acreditar
que é possível
estar
na procissão e no adro
ao mesmo tempo

é como ficar
a meio de SER
e não viver

segunda-feira, novembro 10, 2008

a santidade e o pecador


A santidade justifica o pecador
sabe-se
atira os outros para a dor
o mal estar da consciência

perante o mostruário de virtudes
da beatífica assexuada feia santa
tão anormais que somos
não há passo bom
com cor aroma cheiro
que seja acertado
nem aconselhado

beatíficas esposas se tementes
demoníacas se descrentes!

Deus e o mundo nada têm a ver com isto
com a moral desactualizada
ensinada
é tudo tão mais essencial
pequenos nadas
o ar uma flor dançar
uma mão um amigo
trabalhar
que a santidade pregada no altar
só serve para controlar

e de consciência controlada
o pecador
coitado
fica isolado humilhado
anormal na sua normalidade
perante a virtude apregoada

sente-se mal e condenado
com tanto pecado
no rebanho hipócrita
da sua comunidade

e não há santo que lhe valha
ou que o venha salvar!

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...