sexta-feira, julho 04, 2008

Eu's tão nus

Olho em meu redor
e percebo com estranheza
este desmando
esta fuga
sem o necessário equilíbrio

carapaça dos que podem
nela por safiras e brilhantes
tema de capa de revistas
colunáveis pelos jornais

milhões esbanjados
outros tantos por esbanjar

por outro lado
com outros argumentos
seres de luz
ou seres sem luz
refugiam-se em guetos
ajuntamentos reuniões
ou perdições

estes talvez por pouco terem
ou nada terem
ao invés dos outros
falam muito em troca
em partilharem

Eu's tão nus
Egos tão vestidos
vá-se lá entender porquê
o desequilíbrio!

falavas eu ouvia

Falavas eu ouvia
enquanto recebia nos ouvidos
as coisas que dizias
os meus olhos passeavam distraidos
em ti
sem tu dares conta

que é o mesmo que dizer
lá conta davas
só que o fazias
de uma forma superior e educada

nestas coisas de olhar um corpo esbelto
um homem perde toda a educação
diria
não tem educação nenhuma

serve-se no impulso da intenção
da moral e bons costumes
de restos de sermões e catequese
de palavras sensatas de sua mãe

e pouco mais...

para não mostrar com irracionalidade
animal
o desejo que lhe vai na alma
e o tesão que tem

carência extrema


Sinto a carência extrema
da migalha
o não importar o que vai acontecer
para não sentir o abandono

nem protecção nem afecto
só aquela sensação
de depender mesmo
de um amargo osso
para sobrevivência

e arrisco insisto
nestas ondas da vida
com amargos de boca
extrema carência
que é repasto dos outros

mundo cão de dependência
enquanto não há consciência...
quando ela chega
é preciso vontade
para recuperar de tanta indecência

sem essa vontade
cresce a impossibilidade
de dar a volta a tempo
a tanto abuso
a tanto ultraje

sinto o submundo
que existe
na extrema carência
do afecto migalha

tão duro de cabeça

Tão duro de cabeça
ideias feitas
dedo apontado
a tudo o que é diferente

que espaço existe em ti
que progredir
que lugar para a diferença
a inovação?

o mundo meu amigo
anda cá com uma velocidade!
que já não dá fazer
como dantes

não chega!

falar de contenção pobreza
não acrescenta riqueza!

há quem precise pintar
um mundo negro
de caos
tristeza
para a sua mediocridade brilhar

mas está tudo tão mais inteligente
em todo o lado
que só manipulação
pode justificar
o séquito de gente
que consegues enganar

obra grande


A obra grande
é que põe o povo adiante
fica o que faz
e para o fazer
tem que ousar
perder o medo

qualquer humano
que se preze
chora o que não faz
não o que faz
e se é bom o seu historial
se esteve lá
se viu
se realizou...

tem mais estima pessoal
mais etatuto interior
e exterior

assim é com o país

não chega consertar o velho
remendar
desgasta cansa
cria-se uma rotina
que nem actualiza
nem anima

é como os muros
das pequenas propriedades
que estão sempre a cair
fruto de velhas mentalidades

pois em vez de os ajeitar
compor as pedras
melhor ajudá-los a cair
libertando assim aqueles baldios

quem sabe não encontrem assim
maior felicidade
em mãos diferentes
que cuidem deles em outra idade?

recorde desportivo

Olhava na tv algo bem melhor
do que habitualmente se vê
notícias assombrosas
justiça por fazer
aos poderosos
a vida surrealista de minorias aberrantes
conversa de xaxa
de telenovelas irritantes
uma percentagem de mau gosto com fartura

desta vez fiquei a ver
e havia
um desafio a ultrapassar
o recorde do salto feminino em altura

uma rapariga de um qualquer país
alta corpo alongado
leveza de gazela
perante uma fasquia
tentava fazer ali pela primeira vez
o que até então
ninguém fizera

para mim era como ir à Lua ou a Marte
um feito inédito
mas logo percebi
que o canal que via
era daqueles que ninguém vê

e mais uma vez
quer pela grandeza que o desporto encerra
quer pelo feito em si
quer pela beleza dela
me interroguei sobre os critérios
da tv?!

o manguito do ex-pobre (ou o não irlandês)


Às vezes o pobre é mal agradecido
usa
abusa
de quem lhe deu a mão
sustento para si
e para os seus

vai comendo
vai bebendo engordando
depois amealhando
enriquecendo

que um belo dia
quando olha para trás
e vê que já tem que ajudar
quem o ajudou
colaborar...

talvez por falta de hombridade
educação
ou até estaleca de valores
para ser solidário

quando se sente ameaçado
para dar algo de si
a quem já lhe deu tanto...

diz que não
faz um manguito!

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...