quinta-feira, maio 15, 2008

caciques ditadores

Pedras de um xadrez de influências
apoiam-se culpam-se desculpam-se
fazem bodes expiatórios dos mais fracos
eles absolvem-se

pobre do que errou e não tem nome
só deus o pode salvar
os homens não
esses esfregam as mãos para a próxima golpada
a próxima jogada

mundo de egos com prosápia
como ases poderosos de um baralho de cartas

afiam os dentes as garras
partem com a força dos ases
para uma nova caçada

mas enganam-se esses egos asquerosos
que o seu poder é inquebrantável
porque diz o ditado popular
quem com ferros mata em ferros morre

eu também digo
que no final
vão perder a guerra
e deles não se salvará nada

eram envolvidos em lata velha
à semelhança de caciques
ditadores

nem um pingo de alma
uma batalha digna
para ser recordada

quinta-feira, maio 08, 2008

harmonia do corpo


Harmonia do corpo
nas suas funcionalidades
nada tem a ver com a altura peso
ser forte e anafado
como se dizia
e ainda se diz

olho curiosamente certos turistas
por aí
por todo o mundo até
que vêm do oriente japonês

e nas suas alturas medianas
ausentes de gorduras
jeans e ténis desportivos
ficam tão leves!

depois a completar
um sorriso no rosto
uns olhos curiosos
ficam tão harmoniosos!

a contrastar por cá
tantos corpos anafados
pela crença popular
que diz
que comer até fartar
é sinal de prosperidade
de felicidade

engordar um filho
empanturrar amigos e vizinhos
dar-lhes de comer beber
até mais não poder
ainda é apanágio
de saúde popular

há hábitos e hábitos
mesmo sem os querer julgar
eu acho
que uns será de manter
outros de mudar

algo que vinha do passado

Aguentava algo que vinha do passado
desafio enfrentado por resolver
algo que fora champanhe e caviar
festa com música e risos
sol loucura quente
bravia inconsequente

depois o inverno chegou
com ele as neves e as chuvas
arrefeceram o sol dos corpos semi-nus
das esplanadas e das praias escaldantes

tudo foi ficando mais distante

era mas já não era
existia mas não existia
havia amor e não havia

ficou assim uma incerteza
um talvez que doía
e não entendia porquê
este talvez
de não sei que medo de perder o quê
permanecia

ontem quando menos esperava
descobri a resposta certa
numa leitura de palavras
que dizia
sobre o que eu cismava

que o universo não se engana
a avaliar o sentimento
basta esperar para se revelar
se é banho-maria caldo insonso
uma fantasia alimentada

ou se é algo realmente forte penetrado

se for este o caso
mais cedo ou mais tarde crescerá
explodirá encontrará o momento certo
para ser revelado

era o que eu queria saber
para dormir descansado

sábado, maio 03, 2008

que será que eu quero?

Que será que eu quero
que tanto procuro
e que não tenho?

os meus sentidos
não ajudam a ser frio
a tratar a vida
como se ela valesse
só o que se vê

tenho orquestras de pássaros
nos ouvidos
sons de fontes e de rios
verdes prados
risos partilhados
de grupos e de tribos
em dança ou em trabalho

o amor e o desespero
nas lágrimas choradas

canções que encantam
músicas que animam
movimento de corpos quentes
na vertigem do segundo

tanto fora tanto dentro
que tenho
que me convenço
que o que quero
que procuro e que não tenho

talvez se encontre no espaço
entre o fora e o dentro
que não alcanço

regressivo de repente

Fiquei regressivo de repente
só me apetecia estar onde eu estava
sensibilizar-me mais e mais
no corpo
no espaço em redor

ficar assim
na brandura do interior
solitário mas completo

em um prazer equivalente a tudo
da ponta dos pés ao ventre
ao peito aos olhos
semelhante ao toque suave
de plumas de veludo
de misturas coloridas
de penas de pavão

qual anestesia consciente
equivalente
a estar e não estar
a importar-me e não me importar
a tudo apetecer e nada apetecer

distante estava o fora de mim
a vida exterior
difícil
agreste
por falta de aptidão
para entendermos em comunhão
quase nada da prenda que temos

fartura de vista


Perturba a vista tanto ver
as cores as formas
a variedade de temas sugeridos
que algum cansaço físico mais dilata

a mente com tanta fartura
num corpo com as suas dificuldades
na roupa que veste
na dúvida sobre o seu aspecto
esforça-se em sobredose
em ameaça de ruptura

ali abserva aqui explica
além discute

vai-se servindo de reservas mínimas
do seu mundo cognitivo
inseguro
e rotula questiona julga
dá o que pode todo o dia
até ao esgotamento
pesado e duro

quando chega a noite
então mergulha
com a ajuda de medicamentos
no intervalo esquecido
entorpecido e químico
o necessário sono

intervalo de um próximo dia
que se adivinha
de igual fartura

orgulho


Podemos fingir
que estamos bem
quando estamos mal
podemos sorrir
quando o que apetece
é chorar

podemos fingir prosperidade
quando o que temos
é outra realidade
podemos correr quando é de parar
ou ficar
quando é de partir

o gato tem fome
farta-se de miar
o cão abandonado
farta-se de ladrar

que alegria que sentem
com a fome saciada
quando a solidão acaba!

inteligência humana
só serve para representar?

então não te queixes
se tiveres fome
e não souberes pedir
se algo faltar e não procurares
se não segurares a mão
que te quer levantar

porque orgulho pode ajudar
mas também pode alienar
matar

Publicação em destaque

Livro "Mais poemas que vos deixo"

Breve comentário: Escrevo hoje apenas meia dúzia de palavras para partilhar a notícia com os estimados leitores do blogue, espalhados ...